Reportagem Christian Death @ Hard Club, Porto – 27.04.18

Mais uma vez o Porto voltou a ser o lugar preferido para um surpreendente revivalismo de uma “Daquelas” bandas de culto do Goth Rock dos anos 70 e 80: Março foi encerrado com Fields of the Nephilim e, desta vez, quem desfecha Abril, é Christian Death. E que melhor local que o Porto, com a sua mística, para nos trazer e fazer viver estas musicalidades? Estando nós no Porto, todos os caminhos vão dar ao Hard Club, que se começa a tornar uma casa para estas ondas sonoras e para quem as quer sentir.

Esta foi uma noite esfumada que começou em tons de vermelho, com antecipação e uma lua quase cheia. A sala inicialmente vazia foi-se enchendo gradualmente e a nossa atenção é logo captada por um palco decorado com rosas vermelhas que harmonizam perfeitamente com o tema da própria tour: “Death Romantique”.

A primeira figura a entrar em cena foi Rozz Williams que, devido à impossibilidade de uma comparência física, fez a sua aparição por meio fotográfico, também emoldurada por rosas vermelhas e pretas, sob forma de memorial. O seu prefácio foi acompanhado por efeitos sonoros tempestuosos alinhados com um órgão e pela projecção de uma sequência de imagens fúnebres e mórbidas que rapidamente conceberam uma atmosfera peculiar. De certa forma, 20 anos após a sua partida, toda esta tour é uma espécie de nova homenagem à figura que Rozz foi e à fugacidade da sua existência que, por si só, acusa desde logo o romantismo inerente ao seu projecto e ao Deathrock.

Momentos mais tarde e com bastante naturalidade e aclamações, chega Valor Kand devidamente apetrechado, começando o jogo com um solo hipnótico e penetrante que acentuou a atmosfera. Assim que terminou, Maitri e Jason juntaram-se-lhe, saudando o público e é neste momento que sentimos o verdadeiro rock com “The Nascent Virion”. Independentemente dos anos que tenham passado, a vibe old school continua lá. Sentem-se também apontamentos “daquela postura punk” que aqui contrastam com o romântico trágico e boémio. Desde os banhos em cerveja, slang e explosões de rebeldia às rosas vermelhas e baladas profundas e sombrias que se dispersam pelo éter, talvez estes shifts atmosféricos sejam um dos aspectos mais surpreendentes de Christian Death. A própria setlist materializa essa flexibilidade, passando-se de “The Nascent Virion” para “Penitence Forevermore” ou de “Secrets Down Below” para “Out of Control”.

Esta foi também uma noite que se transformou numa experiência cinemática e teatral, devido ao acompanhamento gráfico e da pantomímica e indumentárias nas quais a banda trajou. Valor Kand chegou mesmo a admitir que é um “man of many hats” enquanto ia trocando de acessórios ao longo do concerto. Para além de Kand, a presença e performance de Maitri também foi notável, fosse com o seu baixo ou nas músicas a que deu voz, como “Forgiven”. A paisagem sonora em que encenaram foi essencialmente composta pelo “The Root of all Evilution” eventualmente salpicada por outras composições que marcaram o percurso da banda (como “This is Heresy” e “Out of Control”) e, até, a mítica “Romeo’s Distress”. Desta vez, foi Maitri que fez as honras de lhe dar voz e com ela encerrar o palco, tendo sido este um dos pontos altos da noite: neste momento qualquer vestígio de timidez ou inércia que o público pudesse manter, dissipou-se automaticamente quando soaram as primeiras notas desta música.

Embora tenha tido uma duração razoável (cerca de 1h), confesso que, infelizmente, esta viagem pareceu terminar num ápice, e faltaram algumas composições como a “Tales of Innocence” (para a qual Maitri estaria certamente à altura). Mesmo assim, a banda esteve à altura de liderar um palco só seu, interagindo naturalmente com o público. Além disso, o equilíbrio sonoro desta noite não deixou nenhuma das partes para trás, o que neste género musical seria particularmente notório e impactante.

Reportagem e fotos por Carolina Ventura
Agradecimentos a At The Rollercoaster


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