Reportagem – Dia 1 @ SWR Barroselas – 27.04.18

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Recomeçam as hostilidades. Depois de um pré-dia intenso, o SWR volta a abrir os seus portões à maré de negro. Os Oak são o motor de arranque. Começo lento e doom a fazer lembrar Evoken mas sem teclados e menos melódicos, têm uma boa adesão do público, que está apenas a aquecer. Bom som, no SWR Arena. Com Placenta Powerfist, os Steel Warriors metem a primeiríssima. Temos o primeiro mosh do dia, destruição à base de Death Metal. A banda interage com o público, pede para verem o merch, que até ‘panties’ têm, e continua o massacre. De repente, o baixista e o guitarrista juntam-se à audiência, integrando-se no circle pit enquanto tocam. Bom som e bons músicos.

Os Firebreather recebem um upgrade e sobem ao palco 2, ‘Loud! Dungeon’, em substituição dos Sourvein. Não está muita gente, provavelmente por se tratar de uma repetição do dia anterior. Sonoridade impecável na mesma, e a mesma qualidade do dia anterior. Com Vulvodynia, começa a real festa. A recente adição de paralelos e brita ao chão dos palcos 1 e 2 amedronta alguns e preocupa outros, mas há quem não resista e se lance no mosh e faça crowd-surfing. A mudança de solo é um pouco questionável, apesar de mais limpo, já havia cortes e sangue nos primeiros minutos de Vulvodynia, mas nada de mais grave aconteceu, e espera-se que assim continue. Vulvodynia dá um show de energia, tentando levar o público ao máximo de performance e diversão. O baixista fala um pouco de português, para agrado do público. “Vamos, cara***!”. E o público foi. E queria mais.

Départe vai desacelerar um pouco. Tira-se o pé do acelerador e deixa-se ir no embalo, entrando numa viagem introspetiva. Onde antes havia mosh agora há pequenas redomas individuais de black e graves. Grande som na ‘Loud! Dungeon’, com os graves a fazerem o público tremer. Estas vibrações tornam a experiência totalmente somática, parecendo que a música é absorvida diretamente por cada célula. Música para o interior, não para explosões de contacto como os Vulvodynia, mas explosões na mente. Impera o pensamento, a memória. A banda segue essa perspetiva, com pouca ou quase inexistente com o público. Está cada um na sua. Mas a intenção de Départe é essa.

E voltamos à carga com Wormhole. Uma pequena parte do público separa-se da multidão principal que vai ver Mortuary Drape e vai para o SWR Arena, para mais um pouco de energia. Na linha dos Vulvodynia, (e com um membro pertencente às duas bandas), os Wormhole conseguem pôr o público a mexer, com solos com elevada técnica e músicos muito competentes. Alguns problemas com o baixista, que no início está in and out do palco, com um roadie atrás e a olhar ora para o baixo, ora para o amplificador. Mas lá se resolveu.

Mortuary Drape tem casa cheia. Banda de nome, com fãs a cantar algumas das letras. O público abana a cabeça em uníssono, algumas pessoas tentam pôr um homem no palco, mas após 3 tentativas acabam por desistir, há pequenos focos de mosh. No geral, boa energia, boa música, solos de guitarra bem flashy, mas pouca interação. Uma banda de som mais acessível, com riffs muito heavy/thrash.

Hexis leva o festival para a redoma introspetiva dos Départe mas com mudanças de velocidade. De vez em quando ainda carregam no acelerador. Com apenas um foco de luz por detrás do baterista, a banda é constituída por sombras e perfis sem rosto. Há headbang, mas ocorre principalmente quando a banda acelera um pouco mais, com riffs mais groovy e com a pedaleira dupla a disparar rapidamente. O som do palco 2 continua incrível, com graves intensos e grande definição.

Volta-se para a Warrior’s Abyss, agora para ver os veteranos Master’s Hammer. Banda de renome, dominam o palco com confiança. O público diverte-se. Não há mosh, mas as pessoas dançam e não páram quietas. Com temas do primeiro álbum “Rituals”, a banda consegue mostrar que o tempo pode passar que o Hammer continua preciso. Sente-se uma aura de energia positiva entre banda e público, que se envolvem através de pequenas intervenções do vocalista. Foi uma f*cking festa, basicamente.

Teethgrinder entra com atitude e força. Músicos muito bons, com um grande vocalista, público a aderir. Apresentam musicas bem estruturadas e dinamicas, com mudanças de tempo que mantém o público cativado e entretido. A nível de som, o baixo estava demasiado demasiado alto, com a única guitarra a perder-se.

Exhorder é o nome mais esperado da noite. Entram confiantes, a interagir com o público que ansiosamente os esperava. O começo do concerto foi atribulado, com uma pausa devido a problemas com a tarola. Mas como o guitarrista Vinnie Labella disse: “Não apanhei 5 aviões para estar aqui para ser parado agora”, a banda não desistiu e depois de dois dedos de conversa com o público, estava tudo a rolar novamente. Um pequeno problema com a guitarra de Vinnie ameaça mais uma interrupção, mas consegue ser resolvido sem se parar de tocar.  Pegam em temas do seu debut “Slaughter in The Vatican”, principalmente a faixa “Exhorder”, pondo o público ao rubro, com o maior mosh deste festival até então. Muito crowd surf, com uma fã a subir ao palco e a dançar com Vinnie Labella, num concerto que os terá levado pela memory lane até aos primórdios da banda.

De novo a ‘Loud! Dungeon’ traz barulho e peso. A manter o grande som que demonstrou ao longo do dia, o palco 2 apresenta os Obliteration. Se bem que é banda que não precisa de apresentações, a julgar pela casa cheia que os vai ver. Depois da destruição de Exhorder, os Obliteration dão um novo fôlego à audiência, que não reproduzindo os grandes moshes do concerto anterior, continua a mexer-se e a cantar.

Mortiis acaba por ter o papel que Gost teve no pré-dia. Algo mais casual, no entanto, não consegue transmitir a diversão que Gost conseguiu. Ao som de sintetizadores e música estilo banda sonora, metade do público saiu, do restante, metade está à espera que dali saia alguma cosia, a outra metade está tranquilamente a ter conversas como se estivessem no café. Acaba por parecer música épica de entrada para algo que nunca chega.

Pestifer traz o público de volta ao SWR Arena, performando uma ressureição dos mort(ii)s. O terceiro palco fica cheio, mostrando que ainda há energia para queimar. O público mexe-se, mas o mosh ficou um pouco para trás, que o dia está a dar as últimas. O death intenso traz headbang agressivo que se revela o ‘algo’ que em Mortiis se esperava.

Axia vai encontrar um público exausto e já na reserva. Com um som pouco definido, em que a voz e a bateria anulam tudo o resto, cria-se um som amorfo que é desculpa suficiente para o último mosh do dia 1. A energia da banda é suficiente para o público satisfazer os seus últimos desejos de headbanging e os mandar de coração quente para a cama. Ou para o bar. Que venha o dia 2.

Texto por João Pedro Freitas
Fotos por Fátima Inácio
Agradecimentos SWR Inc.


 

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