Reportagem Hell Of A Weekend – Dia 1 @RCA Club, Lisboa – 07.06.18

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O fim de semana infernal iniciou-se a uma quinta-feira e de maneira pouco usual tendo em conta que estamos em Junho – chuva. Por esse motivo ou por Portugal estar a jogar, o público tardou a aparecer no RCA Club para aquele que se antecipava ser o primeiro dia de uma festa rija. Com poucas pessoas ainda no recinto, os algarvios Villain Outbreak subiram ao palco à hora certa – algo que se verificou neste primeiro dia e que é de salutar – e surpreenderam quem não os conhecia. Entraram em cena com uma intro instrumental (isto é, tocada pela própria banda) de muito bom gosto e fizeram a ponte perfeita para o tema “Shaken Faith”. A actuação da banda foi curta (trinta minutos) mas não só cumpriu na perfeição o que lhes era pedido – aquecerem o público – como também definitivamente conquistaram mais fãs. E também apresentaram um tema novo, “Rivals” do álbum que a banda se encontra a gravar, que nos faz antecipar o trabalho com ansiedade.

Os senhores que se seguiam foram os Don’t Disturb My Circles, com o seu metal espásmico e extravagante. Não é das bandas mais melodiosas ou com mais ganchos – não era definitivamente no contexto do cartaz deste primeiro dia – mas continuam a ser uma das bandas que mais nos dá gozo ver tocar ao vivo. Principalmente pela actuação do baterista, João Seixas. Um autêntico polvo a bater nas peles, com uma graça e técnica e hipnótica. Obviamente que há muito mais a acontecer numa actuação dos Don’t Disturb My Circles, onde a guitarra, baixo e voz se fundem de forma dissonante para nos trazer temas como “Pandemia”, do seu primeiro lançamento. A banda anunciou no final que iam fechar a loja até ao último trimestre para o lançamento do seu próximo EP, o que significa que este concerto no Hell Of A Weekend foi o último antes de uma nova fase na sua carreira.

Se nos dois primeiros concertos o público estava algo apático, foi com Hills Have Eyes que o mesmo se começou a soltar mais mas mesmo assim ainda se notava um fosso entre aqueles que estavam em frente ao palco e os que estavam mais no fundo da sala. É sabido que a experiência que a banda portuguesa tem em cima dos palcos é mais que muita mas não deixa de ser satisfatório ver como conseguem agarrar o seu público quer num concerto ao ar livre como numa sala mais pequena como é o caso do RCA. E muito isso acontece devido ao enorme frontman que é Fábio Batista, que se mostrou incansável quer na agilidade em conseguir mexer-se no palco mais reduzido (as baterias das primeiras bandas estavam montadas à frente da dos Caliban), quer na forma como não se cansou de puxar pelo público. “Never Quit” e “Pintpoint” são daqueles malhões que surtem sempre efeito. Um concerto sem falhas e a justificar, por si só, o bilhete deste primeiro dia.

Para o final ficaram os cabeças-de-cartaz deste primeiro dia, Caliban. Onze anos depois da sua actuação em Portugal (N.E. – apesar do que o vocalista afirmou, a banda esteve no nosso país em 2009, no concerto do Porto, no Teatro Sá da Bandeira, abrindo para Kreator), a banda entrou a declarar guerra com o primeiro tema do seu novíssimo álbum “Elements”, “This Is War”. Este foi aliás o trabalho mais chamado acima do palco, com quatro temas (os quatro primeiros para se ser mais exacto, onde além do já citado “This Is War” pudemos ouvir “Intoxicated”, “Ich Blute Für Dich”” e “Before Later Comes Never. A banda conquistou o público presente apenas por entrar em palco. Nitidamente esta era a banda que todos queriam ver e foi com os alemães também que vimos as primeiras movimentações a sério entre a assistência, com os primeiros circle pits a se formarem na “Walk Alone”. Andreas Dörner esteve muito falador, quer com o público em inglês, quer com o técnico de som em alemão (e o público reagia às duas o que levou ao vocalista a dizer irónicamente que percebíamos tudo).

A par da forma como Dörner agarrou o público e comunicou de forma a puxar ainda mais pelo entusiasmo, estiveram também os agradecimentos, não só às bandas de abertura (aliás, tal como todas as restantes bandas do cartaz, é importante salientar) como a todos os presentes. A timidez do público no entanto era o que mais concentrava as atenções do vocalista – diga-se de passagem, foi uma constante ao longo deste primeiro dia – mas mesmo assim ainda conseguiu reunir à sua frente pessoas suficientes para ensaiar uma espécie de stage diving em câmara lenta que se tornou num tímido crowd surfing. A despedida ficaria com “Memorial”, encerrando assim a sua actuação e com ela também o primeiro dia, onde tudo correu bem excepto talvez pela tal timidez e alguma apatia do público, algo que não é, de todo, costume para o género e bandas em questão. O saldo sem dúvida que foi positivo. Venha o segundo, que a fasquia ficou elevada.

Texto por Fernando Ferreira
Fotos por Sónia Ferreira
Agradecimentos a Hell Xis Agency

 


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