Reportagem Hell Of A Weekend – Dia 2 @ RCA Club, Lisboa – 08.06.18

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Grande antecipação pelo segundo dia desta segunda edição do Hell Of A Weekend, que se focaria exclusivamente nas sonoridades hardcore. Infelizmente devido às mudanças de horário, não nos foi possível apanhar a actuação dos algarvios M.E.D.O., onde terão sido uma das melhores maneiras de começar a maratona, tendo em conta a sua entrega e energia em cima dos palcos. Sabemos no entanto que Ivo Salgado, ex-Okkultist e actual Mordaça, deu uma perninha (e restantes membros) rápida na bateria num dos temas.

Por falar em Mordaça e por falar em Ivo Salgado, a energia com que se apresentaram em palco foi épica. De tal forma que se tornou incompreensível como é que estavam mais pessoas fora do recinto do que propriamente no seu interior. Perda deles porque o som não só estava perfeito como a entrega do grupo de Linda a Velha foi energética. Apesar de ser apenas o segundo concerto de Ivo com a banda, o baterista mostrou-se bem integrado como malhões como “De Costas Voltadas” e “Tiro P’la Culatra” garantiram. O grande destaque da sua actuação foi o seu último álbum de originais, “Sempre A Lutar” onde destacamos o hino à cena LVHC, “2795” e a “Terra de Camões”. A fasquia ficou bastante elevada.

Após os Mordaça, seria o momento de abrir as portas às propostas internacionais, sendo que os primeiros foram os londrinos Knuckledust. A banda já tem uma carreira de vinte anos e essa experiência e classe vieram ao de cimo ao longo da sua actuação. Desde o primeiro instante até ao final que a banda, através do seu guitarrista Wema e do seu vocalista Pierre, não se cansaram de pedir ao público para se chegar à frente, já que havia um fosso considerável entre o palco e a grande concentração de público. Tal até era compreensível, já que assim que “Sick Life”, o primeiro tema após a intro “8 Stabs”, começou a soar, alguns aprendizes de helicópteros começaram a agitar violentamente as suas pernas e braços. Não levantaram vôo mas terá sido por pouco. A banda apresentou-se com um baixista substituto, já que Nicky não pôde embarcar nesta viagem, mas em termos sonoros a potência estava toda lá. E o público, com mais ou menos distância do palco, também. O final seria intenso, com Pierre a saltar para meio do público para cantar a “Bla” e a fechar com chave de ouro.

Da Holanda chegariam os No Turning Back que já nos habituaram, felizmente, a grandes concertos dados em solo nacional. E como bem habituados que estamos, não ficámos desiludidos. A tendência do dia foi das bandas pedirem ao público para se chegarem à frente e os No Turning Back não foram excepção. Martijn, o vocalista foi bastante insistente neste ponto e também bastante eficaz na nem sempre fácil arte de puxar pelo público. Teve uma ajuda preciosa também por parte das malhas que fizeram com que aqueles que estavam mais próximos do palco atendessem ao chamado de Martijn para cantar versos e refrões, sempre que este esticava o microfone. Entre provocações ao público (referindo-se à distância de maior parte do público do palco e pelo facto de não se terem verificado stage divings até ao momento) e elogios à cena hardcore lisboeta como uma das melhores da Europa, o RCA estava rendido a esta energia aparentemente inesgotável. Antes de terminarem a sua actuação, a banda ainda confirmou o seu regresso ao nosso país na segunda semana de Setembro, no Algarve.

Os níveis energéticos estavam bem altos e é importante salientar para aqueles que acham que o hardcore é um estilo mais limitado musicalmente, como tivemos cinco bandas e cinco propostas musicais distintas. Os clássicos Slapshot seriam os últimos a subir ao palco neste segundo dia. A banda já tem mais de trinta anos de carreira e a julgar pela forma como agarraram este concerto… ninguém diria. Incansáveis mas também com muita classe. Quando as primeiras palavras de Jack “Choke” Kelly são “como estás tu?”, bem… está tudo dito, certo? Bom humor, boa energia e ritmos incansáveis. Kelly, que já tinha confessado ter raízes lusitanas da parte da mãe, perguntou ao público se este gostava de breakdowns, que perante a resposta algo difusa responde: “Ainda bem, porque aqui não temos nenhuns”. Ritmos uptempo são uma constante e isso poderia supor-se que a música não se sentisse tão dinâmica como noutros casos, mas isso não foi o caso. Definitivamente.

Aliás, ainda a propósito da dinâmica, teremos que assinalar dois momentos. Primeiro com a potência de “Old Tyme Hardcore” que fez rebentar uma autêntica batalha campal, digna de ser apreciada. Sobretudo do balcão de cima. a banda conseguiu surpreender durante uma versão mais prolongada da “Step” – algo bastante incomum no contexto do punk/hardcore – onde Craig Silverman, o guitarrista nos guiou por alguns dos riffs mais emblemáticos do rock/metal – “Run To The Hills” dos Iron Maiden, “Cat Scratch Fever” de Ted Nugent,  “Seek And Destroy” dos Metallica e “Lick It Up” dos Kiss. A banda ainda saiu para um curto intervalo, tocando em regime de hardcore os temas “Pennies From Heaven” (que a banda confessou não tocar há anos) e fechando com “Break Your Face” do último trabalho de originais. O público, que tinha a indicação de que teria de sair do recinto antes da meia noite, saiu satisfeito por esta autêntica lição em Hardcore, curso dividido em cinco capítulos. Esta é uma escola que merece ser apoiada, sem dúvida.

Texto por Fernando Ferreira
Fotos por Sónia Ferreira
Agradecimentos Hell Xis Agency

 


 

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