Reportagem Hell Of A Weekend – Dia 3 @ RCA Club, Lisboa – 09.06.18

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E assim se chegou ao terceiro dia do Hell Of A Weekend, uma segunda edição bastante rica em propostas musicais, estando cada um dos dias destinados a sonoridades específicas. Se no primeiro dia o metalcore era o foco, o hardcore puro representou o segundo. Para o terceiro estava reservado a proposta mais tradicional no que ao metal diz respeito, sendo que as propostas mais modernas estavam reservadas ao contingente nacional representando pelos Diabolical Mental State e Burn Damage, enquanto as bandas internacionais, Gama Bomb e Grave representavam as sonoridades mais tradicionais dentro do thrash e death metal respectivamente.

Este último dia começou então com os Diabolical Mental State, banda que enfrentou algumas dificuldades e mudanças de formação e encetou o seu regresso aos palcos precisamente neste concerto. O seu thrash metal moderno e cheio de groove beneficiou, e muito, do bom som onde o baixo pulsante de Apache Neto se destacou naturalmente. Apesar de algum nervosismo que era aparente no início do concerto e alguma descoordenação principalmente à forma como a banda se movimentava em palco foi um regresso digno de se ver e onde fica evidente todo o potencial dos Diabolical Mental State e onde fica a expectativa para o álbum de originais que vem a caminho, do qual tivemos um cheirinho com “Children Of The Tides” e “Home Invasion”. Terminaram com o seu hino, “Diabolical Crew”, dedicado a todos aqueles que nunca deixaram de acreditar na banda.

Mais experientes e com uma rotatividade em palco notável são os Burn Damage, que deram um concerto quase perfeito – e só não o foi porque um dos pratos da bateria de Alex caiu e provocou uma quebra no som de guitarra de Ivo Durães, logo na primeira música “Age Of Vultures”, tema-título do álbum de estreia. A sua mistura muito própria entre death metal e thrash cheio de groove é para lá de eficaz, com a voz (vozeirão) de Inês a ser um dos pontos de destaque, mas teremos que referir a qualidade técnica de todos os instrumentistas, bastante elevada. Inês puxou pelo público e por alguma apatia (incompreensível, diga-se de passagem, aliás, como já referido em relação aos outros dias) que se verificava no público perante todo o poderio metálico que era transmitido do palco. O foco continuou a ser o já citado álbum de estreia mas ainda houve tempo para as novidades “Fire Walk With Me” e a “They Live”, a serem incluídas no próximo álbum de originais que se “encontra no forno”, citando as palavras da vocalista. Uma actuação fortíssima que conseguiu, apesar da tal apatia, agarrar o público com garra.

Lembram-se do que falámos da apatia? Esqueçam. Aquilo que esperávamos por parte do público durante todo o festival concentrou-se no concerto dos Gama Bomb. Não terá sido por acaso, já que também a banda da Irlanda do Norte é aquele furacão thrash metal cheio de humor e poder metálico. A celebrar uma década do lançamento do álbum “Citizen Brain”, Philly Byrne disse, após tocar a primeira música desse trabalho, “Zombie Blood Nightmare”, que havia boas e más notícias. Para festejar o aniversário, iriam tocar o álbum na íntegra e as boas é que todas as músicas eram iguais ao primeiro tema, sendo que as más eram precisamente todas as músicas serem iguais à primeira. Aquilo que podemos dizer é que não existiram más notícias, assim como não houve um momento de descanso em frente ao palco, com circle pits e crowd surf (até mesmo quando não havia música). De tal forma que Byrne perguntou ao público que estava no fundo da sala como é que eles estavam lá atrás e se fosse ele também estaria lá, porque à frente as coisas estavam ao rubro. Good Metallic Fun, naquele que será provavelmente O concerto de todo o festival.

A fasquia tinha ficado sem dúvida bastante elevada, ficando a dúvida até se uma banda como os Grave seria capaz de superar, afinal estamos a falar de estilos e estados de humor completamente diferentes. Todas as dúvidas dissiparam-se assim que a banda de death metal sueco entrou em palco e simplesmente arrasou com a dupla “Deformed” e “Black Dawn”. Com um som estupidamente perfeito, onde todo o groove e o poder da banda estava em evidência, o RCA tremeu perante tal poder metálico. Literalmente – uma das caveiras que estava a adornar os amplificadores caiu no chão tal não era a trepidação do som no palco.  A banda não comunicou praticamente com o público no início do concerto, despejando clássicos atrás de clássicos como “Day Of Mourning” e “Morbid Way To Die”.

Ola Lindgren, o guitarrista e frontman, quebrou o silêncio de forma mais prolongada do que os agradecimentos entre músicas, afirmando que este era um concerto especial de celebração dos trinta anos da banda e que como tal iriam revisitar alguns dos seus momentos mais clássicos. Efectivamente assim foi, onde o destaque não só foi para o seu clássico álbum de estreia, “Into The Grave”, que tem versões de muitos dos temas contidos nas demos lançadas até então como “Extremely Rotten Flesh” e o próprio tema-título. Foi incrível verificar como os níveis energéticos nunca baixaram. Por um lado, a banda que despejou o seu death metal clássico sem dó nem perdão, por outro, o público que reagiu da melhor maneira e pedia ainda por mais. Apesar de terem tocado cerca de uma hora, ficou-se com a sensação que o set foi um pouco curto e após os dois últimos temas, “Eroded” e “Annihilated Gods” (este último a ser o primeiro tema que a banda fez), a sensação geral é que ainda se queria mais.

Tudo o que é bom chega a um final e ficou para a história esta segunda edição do Hell Of A Weekend como uma em que a música apresentada agradou a todos os gostos e feitios. Talvez tivesse faltado um pouco mais de vida ao público mas ainda assim, o balanço é positivo até mesmo neste aspecto. É importante apoiar este tipo de iniciativas que são elas que mantém o underground vivo, onde não só se aposta nas bandas nacionais mas como também se traz ao nosso país o melhor da música internacional. Quando assim é, o resultado só pode ser o que foi… memorável.

Texto por Fernando Ferreira
Fotos por Sónia Ferreira
Agradecimentos Hell Xis Agency

 


 

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