Reportagem Sinistro, Scúru Fitchádu @ MusicBox – 13/01/18

A noite era de celebração no MusicBox. Os Sinistro iam apresentar oficialmente o seu terceiro álbum, o fantástico “Sangue Cássia”, num concerto único em solo nacional e para a ocasião a sala lisboeta encheu-se, tornando o ambiente fantástico ainda antes sequer de se ouvir qualquer música. Os Sinistro fizeram-se acompanhar de Scúru Fitchádu, um projecto da margem sul que tem como centro Sette Sujidade, o seu mentor que teve a ajuda de mais dois músicos na percussão (acústica e electrónica), componente fulcral na sonoridade da banda.

Com uma sonoridade completamente díspar dos Sinistro, os Scúru Fitchádu, não seriam a escolha mais óbvia para o evento – a intenção, segundo os antifitriões, era mesmo essa. O início da actuação provavelmente terá sido surpreendente para todos os que não conheciam a sonoridade do projecto. Fortes batidas, uma base assente no funaná, música com origem cabo-verdiana (onde o acordião e os ferrinhos são os principais instrumentos, sendo que aqui os ferrinhos eram substituídos por barras de ferro e uma faca) e o crioulo tomaram de assalto a sala.

Desafiante é dizer pouco. Mesmo sendo a World Of Metal um projecto que visa a abertura de todas as sonoridades pesadas ainda que fora do espectro do metal/rock, os Scúru Fitchádu colocaram em confronto directamente os limites do nosso léxico musical. O que é importante salientar é o claro entusiasmo e vida que Sette Sujidade e os seus dois companheiros conseguiram imprimir perante um ambiente que não era o seu. E podemos dizer que foram muito bem sucedidos, não só causando boa impressão, como terão provavelmente conquistado novos fãs.

O tempo voou enquanto o público esperava pelo momento mais aguardado e o palco era mudado. Assim que a música se calou e a banda entrou em palco, soaram palmas efusivas. Era chegada a hora de “Sangue Cássia” jorrar pelo público. Com os primeiros acordes de “Abismo”, era oficial: a viagem tinha começado. Uma viagem que nos levou a passear não só pela obra de um dos grandes valores da música nacional, como também pelo nosso interior. Os nossos anseios, temores, os nossos triunfos e as nossas derrotas. Falar de actuação emocional é eufemismo perante o que foi vivido naquela sala.

Patrícia Andrade, a voz e luz dos Sinistro agradeceu pela presença do público, antes de desejar boa viagem para a partida iminente de “Cosmos Controle”, o épico primeiro tema de “Sangue Cássia”. Com uma prestação arrepiante a todos os níveis onde nada falhou, os Sinistro não só conseguiram transportar os novos temas para cima do palco de forma irreprensível como ainda conseguiram incrementá-la, fruto também da energia e ambiente único criado dentro da MusicBox. Desde a voz, passando pelas guitarras, até à parte rítmica da bateria e o baixo, toda a banda surgiu como uma entidade orgânica e visceral, tal como os próprios sentimentos que transmitem.

De “Sangue Cássia” teremos que destacar a rendição de “Lótus”, absolutamente arrepiante ao vivo, e ainda mais intensa. Também houve tempo para uma incursão pelo passado, com “Partida”, “Corpo Presente” e “Relíquia” de “Semente” a fundir-se bem com os novos temas mas a grande surpresa foi a rendição dos dois temas que fizeram parte do EP “Cidade”, o primeiro trabalho que juntou os Sinistro a Patrícia ainda em regime de colaboração. Ouvir estes dois temas, dois épicos, pela primeira vez ao vivo e de seguida foi o fecho apoteótico e ideal para uma noite muito especial.

 

O final da noite foi um culminar de emoções que raramente se tem a oportunidade de presenciar. A banda estava visivelmente emocionada pelo momento assim como pela reacção do público com sorrisos maiores que a vida – sendo que a expressão mais visível dessa mesma emoção foi a de Patrícia. Não houve encore mas o público ainda permaneceu nessa esperança. Acreditamos que por vontade deste, a noite não teria fim. É o efeito natural de quando se presencia magia. Não queremos que ela acabe. Felizmente que esta magia ficou imortalizada nas nossas memórias.

Texto por Fernando Ferreira
Fotos por Sónia Ferreira
Agradecimentos Sinistro, Season Of Mist e Daniel Makosh

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