WOM Biografias – Alkateya

Os Alkateya nasceram em 1986, com Beto (ex-Sepulcro) na guitarra e Paulo Rui Martins no baixo. Iniciam os ensaios no antigo Teatro Image, onde começam a compor algumas músicas. Na voz estava um amigo de Paulo, mas faltava ainda um baterista. Após várias audições, José Castro (ex-TNT) foi sugerido por um actor amador que ensaiava também no Image ficando assim completa a formação base dos Alkateya. No entanto, com o decorrer dos ensaios, tornou-se cada vez mais evidente a necessidade de substituição do vocalista, por alguém com verdadeira habilidade vocal. É então que Beto se lembra de convidar o irmão do vocalista fundador dos Sepulcro. E assim, João Pinto entra para a banda.

É com esta formação que dão o seu primeiro concerto, ainda em 1986, na Escola de Belas Artes, em Lisboa, seguido logo de um outro concerto organizado para evitar o despejo do velho Image, iniciativa que não surtiu efeito e que levou os Alkateya a procurar outro espaço para ensaiar. Passaram a ensaiar na PRODAC, junto a uma escola em Chelas (no Bairro Chinês) e mais tarde num armazém desactivado da manutenção militar, na Matinha, em Marvila. É nesta altura que a banda prepara a sua primeira demo, que seria gravada nos estúdios Musicorde, em Novembro de 1986. “Exodus”, “Alkateya”, “Nightmare”, e “Rock On, Roll Out” foram gravados e misturados em 4 horas! A 1 de Março de 1987, os Alkateya actuam na mítica sala lisboeta, Rock Rendez Vous. A segunda demo seria gravada em Dezembro de 1987 e incluía 3 temas: “Star Riders”, “Old Man” e “The Call & The Crash (All Men Stand Still)”.

A banda actua novamente no Rock Rendez Vous, a 6 de Março de 1988. Nesse mesmo ano actuam também na Festa do Avante! em Loures e asseguram a primeira parte do concerto de apresentação do álbum de estreia dos Iberia, a 3 de Dezembro de 1988, no Ginásio Atlético Clube, da Baixa da Banheira. Após esse concerto com os Iberia, José Castro deixa a banda, e nos dias 14 e 15 de Janeiro de 1989 a banda faz audições para um novo baterista, lugar que é ocupado por Manuel «Animal» (ex-Sepulcro). Em Dezembro de 1989, os Alkateya regressam aos estúdios Musicorde para a gravação daquela que seria a sua terceira demo, lançada no início de 1990 com o título “Face To Face” e da qual faziam parte três novos temas: “Face To Face (We Are One)”, “Demon Rider” e “Lusitânia I (Mare Clausum – Ruler Of The Seas)”. Com esta demo surge uma mini-tour com os The Coven. De acordo com o que João Pinto recorda: “a tour previa umas 9 ou 10 datas, mas depois só se cumpriram metade. Recordo os gigs de uma localidade próxima de Coimbra, o de Pataias e o de Vila Real”

Fomos questionar Gustavo Vidal, que na altura tinha a fanzine Heavy Metal Zombies Paranoid (HMZP) e que acompanhou grande parte desta mini-tour. Apesar dos anos já passados, a sua memória ainda relembra vários episódios:

Basicamente aquilo foi a primeira tentativa em Portugal de fazer uma tournée nacional com uma banda de Metal. Contactámos alguns sócios do fã clube HMZP, de norte a sul do país, para que tentassem arranjar locais onde as bandas pudessem actuar. Os The Coven tinham o PA e só teríamos que arranjar a logística para fazer o “circo” chegar aos recintos, montar o material e fazer o espectáculo. Nós fornecíamos material promocional, cartazes que um amigo nos conseguia imprimir gratuitamente e eu tinha acesso privilegiado à Rádio Comercial onde conseguia promover os concertos de forma assídua e gratuita quer no Lança Chamas quer no Rock em Stock. Os bilhetes seriam relativamente baratos (1000$00 = 5€) e o lucro seria para dividir de forma previamente estabelecida entre o promotor local, que não passava de um puto empreendedor que tinha conseguido que alguma colectividade lhe cedesse a sala a custo zero e que tinha juntado uns amigos para colocar uns cartazes e eventualmente teria feito alguma promoção numa rádio local (creio que na altura já existiriam). Não existia qualquer circuito de salas para concertos ao vivo, e o que estávamos a tentar era basicamente isso sem quaisquer recursos financeiros, apenas recorrendo a alguma capacidade organizativa.

O primeiro concerto foi em Vila Real no ginásio de uma escola secundária e foi um tremendo sucesso. Juntámos quase 400 pessoas e foi incrível o tempo recorde com que tudo foi montado. Não tenho noção exacta de quantos concertos conseguimos fazer, mas creio que talvez seis. O mais surpreendente foi numa terrinha perto de Leiria chamada Pernelhas. Nunca tinha ouvido falar de semelhante local. Sei que chegámos e aquilo era um enorme barracão perdido no meio de uma zona agrícola. Quando chegámos, olhámos à volta e era só campos agrícolas. Pensámos que iria ser o maior fiasco da história da música. Montámos o material como sempre o fizemos, sempre com um nó na garganta porque nos parecia tudo em vão, mas há medida que se aproximou a hora do espectáculo começou a aparecer gente de todos os lados, Zundaps às dezenas… e foi um dos maiores banhos de multidão que tivemos. Tenho ideia de um concerto na margem sul, creio que no Seixal que era a terra dos The Coven que também foi uma enorme enchente.”

Com os Wild Shadow, os Alkateya fazem o seu último concerto no Rock Rendez Vous, concerto esse que será também a última sessão “metálica” dessa sala, a 18 de Fevereiro de 1990. Em Abril desse mesmo ano, Manuel «Animal» sai da banda, por motivos relacionados com o seu casamento. A banda separa-se em 1991, tendo apenas Paulo Rui prosseguido com um percurso musical.

Em 2003, João Pinto remasteriza e auto-edita, pela primeira vez em CD, a compilação das três demos dos Alkateya, sob o título “RePlay”. As reacções ao CD foram bastante entusiásticas e deixaram bem claro que os fãs estavam bem activos e que ansiavam por um regresso (ou pelo menos, uma reunião) da banda. E assim, para gáudio de muitos, os Alkateya regressam com o seu alinhamento inicial: João Pinto na voz, Beto na guitarra, Paulo Rui Martins no baixo e Manuel “Animal” na bateria. Mais tarde, a guitarra será reforçada com a entrada de João Coutinho. De acordo com João Pinto esta segunda guitarra surge porque: As músicas perdiam poder nos concertos só com uma guitarra; eu já discutia isso com o Beto (guitarrista) na década de 80, mas ele era de ideias fixas.”

Em Janeiro de 2004, João Coutinho é substituído por Nuno Duarte. A banda faz várias actuações, mas devido a discordâncias musicais, Beto deixa a banda em Maio de 2004 e é substituído pelo guitarrista Alexandre Domingues. Em Novembro do mesmo ano, Nelson Canário (ex-Rebellion) junta-se aos Alkateya, como segundo vocalista. Esta opção por uma segunda voz, surge no álbum “Lycanthrophy”, a convite de João Pinto“convidei o Nelson Canário para duplicar vozes e fazer alguns “pitches” que eu não consigo.”. Após esta experiência, a duplicidade de vozes não funcionou tão bem nos temas actuais, tendo a banda voltado ao registo clássico de um vocalista.

O ano de 2005 tem um início trágico para os Alkateya: a meio das gravações de “Lycanthrophy” e na sequência de um acidente de viação, Paulo Martins perde uma perna. No entanto, a banda participa em programas de televisão, festivais e faz a abertura para Judas Priest, a 13 de Abril de 2006, no Pavilhão Atlântico, Lisboa. Em Abril de 2006, através da independente EAT Metal Records, os Alkateya lançam o seu álbum de estreia “Lychantrophy”, com nove faixas, das quais fazem parte “Street Survivor(s)”, uma reinterpretação do clássico dos Sepulcro. Após o lançamento do álbum Alexandre Domingues deixa a banda, sendo substituído por Miguel Teixeira e uns meses depois também Nélson Canário abandona a Alkateya.

É nesse ano que celebram os seus 20 anos de carreira, sendo a primeira banda de Heavy Metal a actuar no Santiago Alquimista (Lisboa). Em 2007 voltam a parar a sua actividade, com um comunicado de João Pinto, a 5 de Março de 2007:

“Caros amigos, companheiros e divulgadores,

Os ALKATEYA, tal como os conhecemos, chegaram ao fim do seu trilho. Pesando os interesses em presença e as emoções pessoais envolvidas, cabe ao Paulo Rui, sem os demais elementos, dar continuidade ao espírito de preservação dessa tradição sonora metálica que norteou a reunião da banda, na sua formação mais clássica, e, 2003 – oxalá ele tenha ensejo e vontade para dignificar essa tradição… Quanto aos demais, João Pinto, Manuel “Animal” e Pedro Simões, une-os o gosto por esse som, dito tradicional, e encetarão desde já uma nova rota, umbilicalmente lida a esse passado, do qual nada rejeitam; pelo contrário, dele manterão vivas algumas músicas a par das novas composições que já fervilham.

HAIL &KILL

1 abraço de ferro

João Pinto”

João Pinto e o guitarrista Pedro Simões iniciam um novo projecto – os Gargula – que integra nas suas actuações ao vivo, os temas mais solicitados dos Alkateya. Em Outubro de 2012, João Pinto, Beto e Manuel “Animal” juntam-se, no concerto de solidariedade com o Cameraman Metálico, sendo acompanhados por Pedro Mendes (baixo), Nuno Duarte e Pedro Simões (guitarras). Em 2013, a banda regressa, com Beto e Pedro Mateus (Gargula) nas guitarras, Manuel “Animal” na bateria, e Pedro Mendes (Gargula) no baixo. Beto é substituído por João Caixinha em 2014. As alterações na banda não ficam por aqui e no final de 2015, Pedro Mateus e Manuel “Animal” emigram e João Caixinha sai da banda, mas antes deixam cinco novos temas originais gravados. Nuno Duarte (guitarra), Pedro Pita (Midnight Priest – guitarra) e Victor “Silver” (bateria) entram para a banda em 2016, no mesmo ano que, em modo de celebração pelos 30 anos da fundação dos Alkateya, é editado o EP “Last”, com 10 temas: 5 originais e 5 tributos. Os tributos são interpretados pelas bandas Midnight Priest, Cruz de Ferro, Shivan, Ravensire e Leather Synn.

A 3 de Setembro de 2016, a festa de celebração do 30º aniversário acontece no RCA Club, em Alvalade, e conta com a participação de todos os que prestaram tributo no álbum. Actualmente, a banda está a preparar novos temas para a gravação do seu segundo álbum de originais e participa, com alguma regularidade, em festivais de metal nacionais, provando aos fãs que, 30 anos depois, os lobos ainda uivam!

Texto por Rosa Soares
Fotos Sónia Ferreira da actuação dos Alkateya no Metal Keeper II

 


 

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