WOM Report – Dia 1 @ Laurus Nobilis Music Famalicão – 26.07.18

Quando o Laurus Nobilis Music Famalicão nasceu, há 4 anos, apenas o primeiro dia era dedicado aos sons mais pesados. No final de 2017 começaram a ser anunciadas bandas para a edição deste ano – o que, acontecendo tão cedo, era por si só uma novidade – e todas elas encaixavam na categoria do referido primeiro dia. Perguntei a quem de direito e escusado será dizer que até os meus olhinhos se riram quando tive confirmação que o Laurus 2018 seria um festival exclusivamente de metal.

O primeiro dos três dias foi apenas uma introdução, no formato inicial do festival – quatro bandas, apenas um palco activo, ainda que fosse o secundário (este ano algo maior que no anterior, quando a ideia de um segundo palco surgiu). A cerveja Estrella Galicia estava a patrocinar o evento e, como tal, este palco secundário foi baptizado com o seu nome. Houve várias queixas relativamente à cerveja, não tão forte quanto as portuguesas. Pessoalmente, a única coisa que critico é nenhuma das nossas marcas ter-se chegado à frente, pelo que sabor mais fraco ou não, bienvenida Estrella!

Sem grandes atrasos, foi precisamente uma banda galega a primeira a pisar o palco. Os Atreides tocam aquele heavy metal melódico que roça a fronteira do power e cantam na sua língua-mãe. Têm já dois álbuns, “Κόσμος” e “Neopangea”, e segundo o Facebook, muitos portugueses gostam deles. Não estava propriamente um mar de gente a assistir ao concerto, mas quem estava parecia, de facto, estar a divertir-se ao som de temas como “Frágiles” ou “Caminante”.

Seguiram-se os “pioneiros do movimento Aveiro Connection”, Booby Trap. Considero o seu crossover um bocadinho mais puxado para o punk do que para o thrash, mas seja qual for a etiqueta que lhes queiram pôr, ninguém pode duvidar da energia que descarregam em cada actuação. A resposta do público no Laurus também teve o seu quê de vigor, mas a banda queria mais. Wild Bull ainda provocou aqueles que estavam “lá em cima” (o palco situava-se ao fundo de um ligeiro declive) a chegarem-se à frente, chamando-lhes um sinónimo mais brejeiro de “fracos” quando ficaram no mesmo sítio, mas a sua própria prestação – ou dos restantes membros – não afrouxou por causa disso. Além de que “go away, go awaaaaaaaaaay” (de “Nightmare”) foi gritada quase tão alto quanto “the ace of spades, the ace of spaaaaaaaaaades” (da cover de Motörhead), pelo que os Booby Trap só tinham motivos para estar satisfeitos.

Numa veia mais tradicional, seguiram-se os Cruz de Ferro. A primeira fila encheu-se de punhos no ar a vociferar com Ricardo Pombo sobre a alma guerreira portuguesa (“Morreremos de Pé”, “Imortal”, “Vitória”). Só em “Soldado Desconhecido” não acompanharam, pois tratava-se de uma música nova, tocada ao vivo pela primeira vez – com as devidas desculpas apresentadas por qualquer “prego” na sua execução. Desculpas foram também pedidas aos presentes que não faziam parte dos fãs que os apoiavam desde o início , mas o tema “Cruz de Ferro” era exclusivamente dedicado àqueles. Acho que ninguém fora desse círculo levou a mal.

Pode parecer estranho a alguns que uma banda que deu o seu primeiro concerto há ano e meio, e lançou o álbum de estreia em Março, tenha sido escolhida para cabeça de cartaz deste primeiro dia. Mas para quem conhece tanto o historial dos membros de Infraktor como a sua música e prestação ao vivo – alguém como eu – “estranho” é dos últimos adjectivos para qualificar a escolha da organização. A banda de Santa Maria da Feira (Escapães, onde fica situada a sala de ensaios – nenhum deles é natural dali, ah ah) tem apresentado “Exhaust” em vários pontos do país e convencido o público da sua garra; Louro não foi diferente e foi ao “ferocious metal” que a resposta foi mais intensa, justificando a presença dos Infraktor naquela posição do cartaz. Uma mão-cheia dos headbangers na grande até já sabia as letras de pelo menos alguns refrães – “Blood Of The Weak”, “Unleash The Pigs” ou “Ferocious Intent” – mas para que todos pudessem participar na cantoria, terminaram o concerto com a habitual cover de Pantera, “Strength Beyond Strength”.

É certo que foram quatro estilos bem distintos que passaram por aquele palco, mas todos derivados do metal – de modo que a escolha do DJ Nattu, que passou música electrónica, já não foi tão feliz. Mas foi um mero pormenor…

Texto e fotos por Renata Lino
Agradecimentos Laurus Nobilis Music Famalicão


 

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