WOM Report – Dia 2 @ Laurus Nobilis Music Famalicão – 27.07.18

A afluência ao segundo dia foi consideravelmente maior – sexta-feira, dois palcos, mais bandas… Tal como no dia anterior, a festa começou no palco Estrella Galicia mas a meio da tarde, com o death dos Sotz’. Não vou dizer que a mais recente formação da banda é mais competente que as anteriores, mas sem dúvida que com Miguel Silva (Wrath Sins) no baixo e Luís Moreira (In Vein) na bateria, os concertos ganharam toda uma outra vida. É uma banda que tem vindo a crescer e o público presente parece partilhar da minha opinião, reagindo efusivamente aos temas do EP “Tzak’ Sotz’” e ao mais recente single “Baak’”. Sim, os títulos são em romeno, mas usando as próprias palavras do vocalista Dan: “sei que é difícil perceber, mas é em inglês que canto”.

Dose dupla para o Luís, já que os In Vein vieram a seguir. Também eles são uma aposta promissora do underground nacional e este concerto no Laurus foi mais uma prova disso. Entre as rodas do mosh, que as músicas do álbum “Reborn” tão bem patrocinavam, o Dan dos Sotz’ corria com um cartaz que dizia “Miau Car@lh*”, e o vocalista António Rocha a dada altura pediu a todos que erguessem os punhos em cornos – incluindo os bombeiros lá atrás, que ele “estava a ver”. Quem disse que os apreciadores de death metal não têm piada?

Mudando radicalmente de sonoridade, os Nine O Nine de Tó Pica subiram ao palco e o ar do Louro encheu-se de um rock melódico, carregadinho de uma excelência de guitarra. A apresentar o seu primeiro trabalho, “The Time Is Now”, Sérgio Duarte perguntou se estava alguma Sofia presente, mas dedicando o tema com o mesmo nome a todas as mulheres. Gostei bastante de vê-los (e ouvi-los), embora, pessoalmente, ache que é o tipo de banda que funciona melhor em ambientes fechados.

Coube aos Hills Have Eyes estrear o palco Porminho este ano. Sou grande fã da banda, admito, mas não é por isso que louvo a organização do festival por tê-los convidado e sim por essa ser a atitude correcta – agradar um pouco tanto a gregos como a troianos, pois como o vocalista Fábio Batista disse ao apresentar “Anyway It’s Gone”, “o metal é uma família, o hardcore é uma família, o pop é uma família, mas é tudo música”. Notei que a sua voz estava algo cansada, mas a sua postura apresentava a mesma vitalidade de sempre – assim como todos os restantes elementos, que é um dos principais motivos por que gosto tanto deles. Desde “Unneurotic” do primeiro álbum ao mais recente single “Never Quit”, o metalcore da banda sadina regressou a casa com novos fãs (pelo menos dois, com quem falei).

Creio que Equaleft dispensa apresentações, e não pelos húngaros que Miguel Inglês costuma distribuir, por mais que brinque com ele acerca disso. Não tarda teremos notícias concretas sobre o lançamento do sucessor de “Adapt & Survive”, mas pelos temas que já têm vindo a apresentar ao vivo – “We Defy”, “Once Upon A Failure”, “Strive”, “Endless” e “Overcoming” -, e usando uma expressão tão usada por Inglês, “vem aí gesso”. Foi a estreia de André Matos no baixo, mas estando Miguel Seewald entre o público e o seu último concerto sido em Vigo, estava com esperança que subisse ao palco para um ou dois temas, em jeito de despedida em solo nacional. Não aconteceu, mas Inglês pediu uma salva de palmas para ele. Quem subiu ao palco foi Dan dos Sotz’ para ajudar a cantar “Invigorate” – até segurando no famoso sabre de luz – e em “Maniac” Inglês lançou-se para as mãos do público, a quem depois lançou também os famosos húngaros.

Aguiar Silva, em representação da organização do festival, subiu ao palco e a princípio pensei que fosse para apresentar os SepticFlesh, já que eram os cabeças de cartaz. Afinal foi para pedir meio minuto de aplausos – não de silêncio – pelas vítimas dos incêndios na Grécia. Creio que aplaudimos por mais tempo. E depois aplaudiríamos muito mais, mas pela prestação brilhante a que assistimos, que começou com “Portrait Of A Headless Man” e terminou com “Dark Art”. Spiros Antoniou não costuma falar muito, mas desta vez falou-nos dos referidos fogos no seu país – dedicando “Prometheus” às mesmas vítimas que tínhamos homenageado – e da deslocação do ombro que tinha sofrido, pelo que tínhamos de erguer os punhos por nós e por ele. Dos três concertos que vi de SepticFlesh, este foi sem dúvida o melhor.

Confesso que desconhecia que os Mata-Ratos tinham lançado um álbum há dois anos, tal foi o hábito de vê-los tocar sem novo material durante quase uma década. E por isso mesmo, novos temas ou não, é sempre uma festa quando estes veteranos do punk sobem ao palco. É preciso dizer mais?

Por que é que os Web tocaram no Estrella Galicia e não no Porminho, às duas da manhã? Porque só uma banda daquele calibre conseguia ter público àquela hora. Com uma nova intro e a mesma garra de sempre – ou mais ainda, pelo menos o guitarrista Filipe, que em todos estes anos que acompanho os Web nunca vi tão eufórico – tocaram todas as músicas que queríamos ouvir, “Mortal Soul” tendo o coro mais alto. Não têm tocado muito, estando em preparação do novo álbum, por isso ficamos à espera de novidades. “Vendetta” foi o último tema tocado ao vivo, mas a música continuou a rodar por mais uma hora, pelas mãos de António Freitas (um DJ apropriado, desta vez).

Texto por Renata Lino
Fotos por Fátima Inácio e Renata Lino
Agradecimentos Laurus Nobilis Music Famalicão


 

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