30.000 Monkeys – “I Ate Myself To Grow Twice As Big” Review

O título deste álbum (em conjunto com a capa que ao longe nos parece tão inocente) é duma potência desconcertante que nem sempre se atinge à primeira e poderia ser também essa a descrição do que podemos ouvir também. Os 30.000 Monkeys são belgas e como belgas que são entregam-nos aqui uma autêntica bujarda em forma de álbum de estreia que mete no mesmo tacho pós-metal, sludge, noise e castanhada de meia noite. E daí o dizermos que este caos sonoro todo é passível de não nos atingir, pelo menos nos botões certos, logo à primeira. Todavia intriga-nos o suficiente para que voltemos lá.
E não é garantido que depois de voltarmos lá uma segunda (ou terceira ou quarta ou quinta) vez que se saia um pouco mais esclarecido. Mesmo assim, ficamos intrigados o suficiente para continuarmos a voltar. Este é um daqueles trabalhos que têm ar de passar agora (criminosamente, diga-se) despercebido mas que daqui a uns cinco (dez, quinze ou vinte) anos alguém se lembre de o repescar como um trabalho de culto. E não nos admira nada. “I Ate Myself To Grow Twice As Big” tem tanto as características para nos passar ao lado agora que o queremos absorver como para nos conquistar quando tivermos distraídos a fazer outra coisa qualquer – ou vice-versa.
Não é um álbum de fácil apreciação e absorção mas também não é um álbum que facilmente se consiga deslindar (ou perceber) algumas audições depois. A sua complexidade não se baseia na música em si, mas no caótico estado de emoções que pretende passar – que nós, apesar de o termos já ouvido bastantes vezes, ainda não conseguimos perceber. Ainda assim… continuamos intrigados em porquê de continuarmos a voltar. Se calhar é masoquismo. Se calhar é querermos comer-nos para que fiquemos bem maiores. Bem, se a técnica resultar, amanhã estamos gigantes.
01. Melina
02. Coprololiet
03. Coccinelle
04. Moutainesque II
05. Apollo 10
06. Mountainesque I
07. Juice
Duração 42:23
Nota 7/10

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