Report

WOM Report – Deafheaven, Portrayal Of Guilt, Zeruel @ República da Música, Lisboa – 23.11.25

Os Deafheaven têm vindo, progressivamente, a cimentar-se como um nome de peso no metal moderno. Com a sua abordagem sempre fresca e transformativa de blackgaze, a banda americana voltou a Portugal com o novo álbum, “Lonely People in Power”, um dos grandes destaques do ano e um regresso ao seu som mais tradicional, depois da mudança de som protagonizada no álbum”Infinite Granite” de 2021.

Meia hora depois das portas abrirem, subiu ao palco a primeira banda da noite, os Zeruel. Com o seu som etéreo e bem produzido e a lembrar clássicos como My Bloody Valentine, conseguiram aquecer e dar um bom concerto com as suas músicas a puxar o shoegaze que, mesmo sendo um concerto relativamente curto, mostraram capacidade para outros andamentos.

A seguir foi a vez dos Portrayal of Guilt, banda do Texas, com uma fusão bastante particular de black metal e screamo. Com riffs sludgy e dos vocais mais viscerais que existem no género, os Portrayal of Guilt conseguiram agarrar o público e nunca mais o largar, durante toda a duração do concerto. Tudo isto carregado pelo baterista James Beveridge, pois teve imparável. Intensidade, peso e dinâmica, houve um pouco de tudo neste concerto. Seria bom um regresso em nome próprio.

Quando os Deafheaven subiram ao palco, o entusiasmo era palpável, tanto pelo público como pela banda. Com um alinhamento composto pelo novo álbum, com alguns clássicos à mistura, os Deafheaven deram um concerto no qual não há nada de negativo a apontar. George Clarke é um vocalista exímio, onde a técnica e o seu controlo estiveram em evidência, assim como o carisma e a postura em palco. Com isto, músicas como “Amethyste e “Magnolia sofrem uma metamorfose e ganham outra vida.

 A banda começou o concerto da melhor forma possível com a sequência da “Incidental I” e “Doberman” e mostrou que os Deafheaven estão num pico criativo, algo visível graças aos seus integrantes. A atuação tanto do guitarrista Kerry McCoy, como do baterista Daniel Tracy, cimentaram a ideia da banda ter conseguido transmitir durante o concerto a oscilação entre a raiva e o peso das seções mais abrasivas, com a beleza das camadas de melodia presentes nas músicas. Além das já mencionadas, “Dream House” e “Sunbather” mostraram o porquê dos Deafheaven serem ímpares no género. Um concerto memorável, de uma banda com um legado especial. O som e a acústica estiveram excelentes, não deixando nada a desejar. Depois do vocalista ter dito que a banda voltaria a Lisboa, espera-se o seu regresso o mais cedo possível, pois concertos destes são sempre bem-vindos.

Texto por Afonso Mendes
Fotos por Tânia Fidalgo
Agradecimentos Amplificasom


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