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Pilhas de Discos #12 – Melonball, Alter Bridge, Wicked Smile, Nite Stinger, Visions Of Atlantis, Summer Of Hate, Kreator!

Melonball – ”Take Care”
2026 – Thousand Islands Records / Rookie Records (Earshot Media)

Que vício absolutamente delicioso que é este disco dos Melonball. A energia do rock movido a energia punk com uma voz melódica que assume contornos pop, é certo, mas que ainda assim encaixa como uma luva aqui neste contexto. Disco curto mas que depois de acabado depressa de volta ao início para mais uma voltinha. Talvez provoque o enfado passado uns tempos – o que não provoca depois de exposição intensiva? – mas de qualquer forma passado o período de pousio, de certeza que terá o mesmo impacto positivo. (9/10)

Alter Bridge – “Alter Bridge”
2026 – Napalm Records

Acho que os Alter Bridge acabaram por me vencer pelo cansaço. Nunca tive dúvida das suas capacidades técnicas enquanto executantes, com todos a serem de topo e com o destaque a ir naturalmente para a voz de Myles Kennedy e para a guitarra de Mark Tremonti. No entanto a sua música e sobretudo os seus álbuns sempre tinham algo que os tornava aborrecidamente banais. Características que estão aqui presentes e que podemos dizer que é grande parte do seu encanto mainstream. Independentemente das minhas falhas pessoais e daquilo que possa achar relativo a estilos e géneros musicais, não há como negar que este álbum é um dos mais fortes e inspirados da banda, ao ponto de convencer cépticos crónicos como eu. (8.5/10)

Eye Of Melian – “Forest Of Forgetting”
2026 – Napalm Records

Som das fadas. É o primeiro termo que surge na cabeça, neste caso usando um termo de Tolkien para um espírito primordial do canto como designação. Tolkien surge aqui não só como inspiração para o nome como também para todo o conceito do projecto. Não temos guitarras ou qualquer elemento de rock/metal, apenas voz e arranjos orquestrais e se isso à partida poderá esgotar-se facilmente em termos de interesse para os metálicos mais convictos, também poderá atrair não só aqueles que são fãs de Tolkien mas sobretudo os que são gostam de música sinfónica e de vocalizações a roçar a perfeição. Como brinde temos a “Tears Of Dragon” que apesar de bela, fica sempre a faltar o seu solo de guitarra memorável. (8/10)

Angel Du$t – “Cold 2 The Touch”
2026 – Run For Cover Records (Kinda)

Não tinha expectativas nenhumas para este trabalho mas acabou por ser uma boa surpresa. Um trabalho curto mas concentrado a nível de interesse, onde o punk e o hardcore são fundidos com um saudável espírito alternativo que fazem estes temas voarem depressa e sem qualquer tipo de obstáculo. E desconfiamos que quantas mais audições lhe dedicarmos, maior será o seu impacto e poder. (7.5/10)

Nothing – “A Short Story Of Decay”
2026 – Run For Cover Records 

Quinto álbum dos Nothing que já são um dos grandes nomes do shoegaze mais experimental da actualidade. “A Short Story Of Decay” ainda incrementa mais emoção e visceralidade à sua identidade musical, tornando esta uma obra que é tanto atractiva nas melodias como desconfortável na forma como as apresenta. Esta dicotomia é garantia de que mesmo nos géneros musicais mais acessíveis não deixa de haver desconforto e arrojo, numa altura em que a conformidade ameaça tornar tudo aborrecidamente previsível. (7/10)

Space Of Variations – “Poisoned Art”
2026 – Napalm Records

Não há como negar que por vezes os títulos de álbuns são bem mais interessantes do que a música em si. Algo que Space Of Variations atinge na mouche. Este álbum é um conjunto vencedor de clichês de tudo aquilo que temos na música moderna. Não vou dizer bom ou mau, porque isso iria colocar o meu gosto musical acima da imparcialidade que pretendo atingir. Apesar de bem produzido e de ir ao encontro que a população gosta actualmente, é difícil não sentir esta arte primeiro como estéril, plástica e depois a longo prazo como venenosa. Não surpreende e aparte de algumas melodias bem sacadas, não é memorável. (5/10)

 

The Gloom In The Corner – “Royal Discordance”
2026 – Sharptone Records (Kinda)

O que é pior que deathcore? Metalcore que tenta ser deathcore mas não chega a ser. Os lugares comuns matam a vontade de ouvir mais, e é difícil ficar impressionado quando eles desfilam à nossa frente. Há por aqui bons momentos, é pena que eles não estejam todos juntos em canções. Assim por cada bom momento numa música temos um lugar comum que nos faz revirar os olhos. Talento para os arranjos orquestrais, melodias catchy para o refrão há. Agora é evitar os breadowns de cinco em cinco segundos. (4/10)

Wicked Smile – “When Night Falls”
2026 – No Dust Records (Black Roos Entertainment)

Os australianos Wicked Smile estão de volta com “When Night Falls” comprovando que o seu estatuto de promessas era apenas o primeiro passo de uma carreira recheada de talento ao serviço do heavy metal. Temos aqui um álbum que mostra a sua identidade antes de se vergar perante ao que está instituído. Melódico, com grandes riffs e refrões que se instalam facilmente, “When Night Falls” é a prova de como um pouco por todo o lado, o som sagrado vive e renova-se com excelente qualidade. (9/10)

Nite Stinger – “What The Nite Is All About”
2026 – Pride & Joy Music (Germusica PR)

Começar 2026 com hard rock de grande qualidade, cortesia dos brasileiros Nite Stinger que regressam com o seu segundo álbum de originais “What The Nite Is All About”. A melhor tradição da década de oitenta está bem viva aqui e não é uma questão de saudosismo, é hard rock melódico altamente contagiante mas de uma forma positiva. Ou seja, a imagem fica para trás perante a música é assim que deveria ser sempre. Um álbum para ouvir e para levantar o espírito da melhor forma. Não só resulta como também rapidamente se torna viciante. (8.5/10)

New Found Glory – “Listen Up!
2026 – Pure Noise Records (Kinda)

Seis anos depois, aqui está o novo álbum dos New Found Glory, que trazem, como esperado, Punk rock melódico com letras inteligentes e que são necessárias nos dias que correm. A tentação de usar o poder das suas músicas com letras inconsequentes poderia ser muito grande, mas a mensagem é positiva como tanto (desesperadamente) precisamos nos dias de hoje. Som boa onda, mensagem positiva e real e um álbum que os fãs dos New Found Glory vão gostar. (7.5/10)

Soul Of Anubis – “Ritual”
2026 – Time To Kill Records

Os Soul Of Anubis estão de volta com o seu segundo álbum, tendo passado seis anos desde que editaram a estreia. Seis anos é muito tempo, o suficiente para que muita coisa mudar, e efectivamente muita coisa mudou. O outrora power trio é agora um duo e a sonoridade assente na mistura do post metal e sludge voltou-se mais para as raízes mais hardcores do sludge num álbum que é bem mais directo que a estreia. O resultado é um trabalho unidimensional que enche a cabeça de forma hipnótica. (7/10)

Visions Of Atlantis – “Armada – An Orchestral Voyage”
2026 – Napalm Records

É inegável que os Visions Of Atlantis acertaram em cheio com os seus dois álbuns “Pirates”, revitalizando tanto o seu som, como a sua temática como saindo de um certo marasmo previsível que se tinha tornado a sua música. O futuro agora dirá se sairão de um marasmo para se instalar confortavelmente noutro, mas isso já é outro assunto. Aproveitando o filão enquanto ele está a dar, o que temos aqui é uma reinterpretação ou uma nova mistura instrumental (orquestral, claro) do seu álbum “Pirates II – Armada” que até uma ideia interessante mas não resiste a muitas audições. Ainda assim, testemunho do bom momento da banda. (6/10)

TX2 – “End Of Us”
2026 – Hopeless Records

Estranho mundo este onde temos fenómenos de popularidade por parte de bandas que ainda não lançaram o seu álbum de estreia – 1,3 milhões de seguidores no TikTok e 1 milhão de ouvintes mensais no Spotify. “Royal Discordance” é o primeiro longa-duração por parte dos The Gloom In The Corner que apresentam uma sonoridade moderna e vistosa, atractiva para quem gosta de som forte e imediato. É literalmente uma situação de “ame-se ou odeie-se”. Descritos como alternativo, a sonoridade vai do nu-metal ao metalcore que continua a ter os seus fãs. Para quem gosta de substância vai evitar. (4/10)

Summer Of Hate – “Blood & Honey”
2026 – Tee Pee Records (Ride The Snake)

O segundo álbum dos Summer Of Hate poderá surgir como o primeiro para muito boa gente que deixou escapar “Love is Dead! Long Live Love!” em 2022. E esse primeiro impacto será inesquecível já que este trabalho apresenta a banda de Espinho como madura e em pico de inspiração. A sua identidade musical surge solidificada, com a mistura entre o shoegaze/noise rock e o psicadélico embrulhados na nostalgia da década de sessenta, setenta e oitenta, de quando a música era verdadeira e orgânica. A capacidade de nos fazer viajar na maionese não é apreciada e valorizada suficientemente na nossa opinião e na eventualidade disso ser o vosso caso, então este é o disco que precisam de ouvir porque esta viagem é daquelas que é para repetir até à exaustão – algo que demora bastante a surgir. (9/10)

Phendrana – “Cathexis”
2026 – Self Released (Deviate PR)

Confesso que desconhecia a existência desta banda mexicana mas foi uma agradável surpresa tomar contacto com este seu segundo trabalho que surge oito anos após a estreia. Como não conhecemos a estreia, não é possível ter um +ponto de comparação, no entanto este é um trabalho, que tendo alguns defeitos – sendo o maior saber a pouco mas isso se calhar não é tanto um defeito como um testemunho da sua qualidade. Alguns poderão apontar o facto de ter um um fluir desequilibrado, onde embora o tema-título seja a peça central do álbum, a faixa final, “The Effigy & the Titan”, um épico de quase vinte minutos, acaba por roubar a atenção sendo uma verdadeira montanha russa. Post black metal, metal progressivo, folk, jazz, muita coisa díspar é apresentada e resulta todo. Só precisávamos apenas mais pelo menos uma faixa. (8.5/10)

Sick Society – “2Hard2Die”
Ainda não lançado oficialmente

Este é um caso inédito. Os Sick Society entraram em contacto connosco para fazermos uma review do seu segundo álbum, gravado em 2025 mas ainda não lançado porque andam à procura de uma editora para esse efeito – e já agora, de um baterista também, pelo que quem quiser ir dar uma perninha a Itália para ajudar os Sick Society, esta é a vossa oportunidade. Hard rock cheio de groove e com um pé no metal, principalmente pelo peso das guitarras, “2Hard2Die” é um álbum cheio de potencial e que demonstra que esta é uma banda que pode crescer muito mais. Talvez a solução passe por caminharem sozinhos em vez de procurar por uma editora mas essa opção é compreensível. Bom som, boa banda, merecem singrar. (8/10)

Powerwolf – “Wildlife”
2026 – Napalm Records

Os Powerwolf estão de volta com mais um álbum ao vivo. Os palcos que são os sítios onde eles são normalmente mais efectivos. Isto in loco. Não quer dizer que nos álbuns ao vivo o sejam igualmente eficazes – depois de mais de cinquenta anos de álbuns ao vivo, e tendo em conta a forma como o formato evoluiu para aquilo que é hoje, também dificilmente alguém consegue ter o mesmo impacto que um “Live After Death” ou “Live Dangerous”. Mas não dispersemos para a mesma conversa de sempre. Este trabalho, mais do que ser um simples álbum ao vivo, também é testemunho dos Powerwolf em topo de forma, registando o áudio assim como o vídeo, num registo que os fãs não vão querer perder. (7.5/10)

Kreator – “Krushers Of The World”
2026 – Nuclear Blast

Sempre fui defensor dos Kreator na sua mais recente era que parece que não já dura há mais de vinte cinco anos. A melodia que trouxeram, com um renovado vigor metálico – isto depois de um “Endorama” gótico e de um “Outcast” experimental a tentar recapturar o experimentalismo de “Renewal”. A piscadela aos velhos tempos que muitas bandas encetam nos seus respectivos renascimentos. E seria de esperar que tantos anos depois essa fórmula apresentasse algum cansaço. Para mim esse ponto foi aqui. Não ao ponto de considerar este um mau trabalho, mas de ser o primeiro onde algumas melodias me parecem deslocadas daquilo que considero ser a sua identidade musical – e é sempre uma questão de opinião. Todos os temas têm motivos para o headbang, mas quase todos também têm melodias que são fora de personagem. Ainda há mais para mostrar, mas esperamos que com inspiração renovada. (7/10)

GUV – “Warmer Than Gold”
2026 – Run For Cover Records

Ben Cook está de volta com mais um álbum de GUV onde mantém a sua adoração a um som dream pop, num disco que se instala confortavelmente. Boa onda, pode não provocar emoções rasgadas mas se calhar nem é esse o seu propósito. Sonoridade clássica, temas simples e um disco muito bem feito. Poderá causar alergias aos adeptos de sonoridades mais pesadas e por isso ser um pouco inconsequente, mas ainda assim, boa onda. (6.5/10)

Namek – “Sophistication Is Obsolete”
2023 – Vomit Your Shirt 

O regresso dos Namek foi uma das grandes notícias do underground português de 2023. Melhor notícia por esse regresso se materializar num disco tão classicamente Grind como “Sophistication Is Obsolete”. Vinte e cinco faixas de puro caos Grind onde temos as micro descargas assim como temas mais elaborados sempre com uma pitada de humor negro e muita ironia à qual é impossível de parar, como uma locomotiva desgovernada que leva tudo à frente. Um regresso que tem neste álbum um dos grandes vícios de 2023 no que à música mais extrema diz respeito. (9/10)

Meurtrieres – “Ronde De Nuit”
2023 – Gates Of Hell Records (Sure Shot Worx)

Que estreia fantástica esta dos franceses Meurtrieres. Se é exótico termos música cantada em francês que nos agrada logo à primeira, também é termos um heavy metal que soa tão clássico e tão orgânico como “Ronde De Nuit”. Este é um álbum que tem todos os elementos que o Heavy metal sugere: bons riffs, uma excelente voz com Fiona a ser uma excelente frontwoman, bons solos e acima de tudo grandes canções. Mais do que ser nostálgico, que o é, este é um trabalho que corresponde perfeitamente à questão “o que é heavy metal?” Nem é preciso explicar mais nada. (9/10)

Terramorta – “The Fading Lumina’s Embrace”
2025 – Edição de Autor

O percurso dos Terramorta tem sido impressionante. Sem grande aparato e a deixar a música falar por si – que é assim que deveria ser sempre – aquilo que nos trazem não é novo mas não é por isso que não nos deixa de impactar de forma positiva. Com a voz a cargo de Dan Vesca (que se tinha dado a conhecer, e muito bem, nos Sotz), com um death metal enegrecido rico em atmosfera densa ainda que por vezes se sintam falta de alguns ganchos. Ainda assim, não é impedimento para que se tenha prazer metálico ao ouvir este conjunto de temas e que o mesmo se vá incrementando com posteriores audições. Terá que haver dedicação por parte do ouvinte que será recompensada. (8.5/10)

Esin Yardimli Alves Pereira – “Kianis – Homage To Carmila”
2025 – Corda Sonora

Fomos apresentados a Esin, através da própria que nos revelou que depois de ter se dedicado anos à música medieval, jazz e contemporânea um pouco por toda a Europa, está a entrar agora nos domínios do Heavy Metal com este EP composto por cinco temas curtos e que devem ser todos ouvidos de seguida. Épico, emocionante e criador de uma aura e ambiência muito especial. Para além de Esin no violino, temos ainda Xi dos Gaerea na bateria e Ricardo Alves Pereira, companheiro de Esin) na guitarra e baixo que ajudam a fazer deste trabalho uma viagem cheia de imagens e emoções criadas pela música. Definitivamente queremos ouvir mais. (8/10)

The Nine Lands Of Oblivion – “Black Chamber Music”
2025 – Edição de Autor

O mundo do dark ambient aliado à estética do black metal, é sempre um que nos intriga e fascina, embora não seja fácil de encontrar projectos que consigam agarrar a nossa atenção a 100%., The Nine Lands Of Oblivion é o projecto a solo de F. e “Black Chamber Music” é, segundo tudo indica, o seu primeiro trabalho. Temos duas faixas longas, instrumentais, onde o minimalismo feito de acordo com os pergaminhos mais minimalistas do dungeon synth e dark ambient. Apesar de achar que a sonoridade estética do dungeon synth nem sempre soa bem aos ouvidos, esta abordagem consegue minimizar os seus defeitos e expandir as suas qualidades. É uma viagem imersiva onde o silêncio e os seus espaços tem uma poder tão grande como a música em si. Bom início de discografia. (7/10)

Gatafunho – “Gataff”
2025 – Edição de Autor

Os Gatafunho são, por assim dizer, fruto da pandemia. Oriundos do Porto, têm uma sonoridade noise rock desconcertante e que não é fácil de interiorizar às primeiras audições. Trazem-nos aquela irreverência que algumas bandas década de noventa mais  arrojadas. Há uma certa dose de improvisação caótica que é transparente ao longo destes oito temas, caos esse que encontra eco na corrosão do punk. Ficamos com curiosidade para ver para onde é que a banda pode evoluir depois deste álbum lançado em cassete (entretanto esgotado) e de forma digital. (6.5/10)


 

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