Rock Zone – Templar, Kerrigan, Stainless, Black Oak County, Vanir
Templar – “Conquering Swords”
Jawbreaker Records
Os suecos Templar regressam à forja com o seu muito aguardado álbum de estreia, “Conquering Swords”, que se trata de uma declaração de intenções feita de aço, melodia e espírito indomável. O disco confirma tudo o que a banda já tinha prometido com a demo “Black Knight” e o single “Treacherous Beast”. Gravado com Staffan Tengnér, conhecido pelo seu trabalho com os Century, “Conquering Swords” soa quente, orgânico e fiel à tradição do heavy metal clássico. A produção encontra um equilíbrio certeiro entre energia crua e clareza, deixando brilhar as harmonias de guitarra, o baixo musculado e os refrães feitos para serem entoados em punho fechado. A masterização de Patrick W. Engel acrescenta peso e longevidade a um som que parece talhado para resistir ao tempo.
Ao longo de dez temas, a banda sueca conduz o ouvinte por um universo de aventura épica e medieval, onde honra, traição e destino caminham lado a lado. As guitarras gémeas cortam como lâminas em duelo, a secção rítmica galopa com determinação e os coros evocam muralhas distantes e campos de batalha iluminados pela lua. É heavy metal puro, herdeiro direto da primeira vaga sueca, com ecos claros de Heavy Load e companhia. Com a voz e o baixo imponentes de Isak Neffling, a bateria incansável de Mille Lundström e as guitarras entrelaçadas de Teddy Edoff e Gustav Harrysson, TEMPLAR erguem bem alto o estandarte do heavy metal tradicional. “Conquering Swords” não inventa a guerra, mas vence a batalha com convicção, coração e riffs memoráveis.
Uma grande estreia!
Kerrigan – “Wayfarer”
High Roller Records
Oriundos de Freiburg, os alemães Kerrigan afirmam-se como um dos nomes mais promissores da nova vaga de heavy metal tradicional. Formados em 2019 por Bruno Schotten e Jonas Weber, a banda começou por se dar a conhecer através de uma demo crua e direta, onde já se sentia a devoção ao espírito clássico do género. Esse primeiro impacto abriu caminho para “Bloodmoon”, álbum de estreia editado pela High Roller Records em 2023, que rapidamente conquistou a imprensa especializada e ajudou a solidificar a identidade do grupo. Três anos depois, regressam com “Wayfarer”, um disco que aprofunda e expande o caminho traçado no passado. Jonas Weber descreve o álbum como algo mais sonhador, melancólico e versátil, funcionando quase como uma continuação natural de “Bloodmoon”. Algumas ideias nasceram ainda durante o processo do primeiro disco, o que reforça essa sensação de continuidade e maturidade criativa.
Para Bruno Schotten, “Wayfarer” representa tudo aquilo que sempre admirou nas bandas dos anos oitenta, canções acessíveis à primeira audição, mas cheias de pormenores que revelam novas camadas com o tempo. O álbum equilibra momentos de speed metal mais ortodoxo com temas variados e surpreendentes, como o lado mais luminoso e positivo de “Fighter”, sem nunca perder a essência heavy metal. Com “Wayfarer”, os Kerrigan mostram uma confiança renovada e uma escrita mais refinada, apostando em melodias fortes, riffs inspirados e uma atmosfera que homenageia o passado sem soar datada. É um disco que reforça a banda como um nome a seguir de perto no panorama do heavy metal europeu contemporâneo.
Stainless – “ Lady Of Lust & Steel”
High Roller Records
Com “Lady Of Lust & Steel”, os norte americanos Stainless dão finalmente o passo em frente que muitos já antecipavam. Vindos de Portland, Oregon, e ativos desde 2022, a banda assume sem complexos uma identidade entre o hard rock e o heavy rock, com fortes raízes clássicas, mas executadas com uma abordagem muito própria. Depois do single “Snakebite” e do mini álbum “Nocturnal Racer”, que lhes valeu elogios um pouco por todo o mundo, este primeiro longa duração mostra um grupo mais confiante, mais largo em ambição e claramente mais sólido. São oito temas novos que respiram anos 70 e 80, sem soarem datados, cheios de groove, riffs diretos e refrães pensados para o palco.
Gravado nos Red Lantern Studios e produzido pelo guitarrista Jamie Byrum, o álbum beneficia de uma sonoridade crua e orgânica. A voz de Larissa Cavacece volta a ser uma das grandes armas da banda, rasgada, poderosa e cheia de atitude, algures entre Leather Leone e Wendy O. Williams, perfeita para este tipo de rock musculado. “Restless An’ Ready” abre o disco com um claro espírito AC/DC e Accept, imediato e contagiante, enquanto temas como “(Don’t Cross Me) Fool” ou “Take A Listen Mama” mostram uma banda confortável em explorar diferentes atmosferas, sempre com personalidade e identidade própria.
“Lady Of Lust & Steel” é um álbum honesto, energético e cheio de carácter, que confirma os Stainless como um nome a seguir no panorama atual do hard rock pesado. Um disco feito para ouvir alto, de preferência com colunas a sofrer.
Black Oak County – “Misprint”
Mighty Music/Target Group
Com “Misprint”, os dinamarqueses Black Oak County entregam aquele que é, sem grandes rodeios, o álbum mais focado, agressivo e emocionalmente intenso até ao momento. Com edição marcada para 10 de abril de 2026 pela Mighty Music, este quarto longa duração surge como um grito bem afinado, nascido de anos de pressão pessoal, inquietação interior e uma clareza conquistada a ferros, sem esquecer a celebração de algumas das maiores vitórias da banda, tanto no plano profissional como pessoal. Depois do aclamado “III” de 2024, “Misprint” mostra uma banda decidida a esticar os limites do seu próprio som. Tudo aqui soa mais pesado, mais melódico e mais direto, mas sempre com os pés bem assentes naquele hard rock cru e sem filtros que lhes valeu uma reputação sólida em palco, dentro e fora da Dinamarca.
“Misprint” enquanto título, não é mero adorno. Representa a sensação constante de estar deslocado, errado ou fora do sítio, e o desgaste que nasce quando esses sentimentos ficam guardados demasiado tempo. Apesar do peso emocional que atravessa grande parte do disco, há espaço para a determinação, para o amor, para a resistência e até para algum alívio. Este não é um álbum feito para chafurdar na dor, mas para a enfrentar de frente. O arranque faz se com o single “Kill The Pain”, provavelmente o momento mais pesado do alinhamento. Riffs esmagadores, uma produção carregada de groove e um refrão explosivo transformam o tema num murro na mesa. A letra aponta o dedo à divisão, à violência e à desumanização que marcam a sociedade atual, defendendo ação em vez de apatia. Escrita num período de crise pessoal e turbulência global, a canção acaba por soar como um apelo à união e à resistência contra o desespero, seja ele qual for.
Tal como no disco anterior, “Misprint” contou com a assinatura total de Nicklas Sonne, conhecido pelo trabalho com Defecto e pelas eliminatórias dinamarquesas da Eurovisão. O resultado é um álbum de hard rock moderno, poderoso e bem musculado, onde agressividade e melodia convivem com arranjos cuidados e até discretos apontamentos de sintetizadores, sempre com as músicas pensadas para funcionar no corpo e no palco. Para quem ainda não os conhece, a trajetória ascendente dos Black Oak County tem sido alimentada por concertos intensos e lançamentos consistentes. Em 2024 arrecadaram o prémio de Single do Ano com “Save Your Breath” nos Den Hårde Tone, e em 2025 voltaram a ser distinguidos como Rock Single do Ano com “Boom Boom Baby” nos Danish Alternative Music Awards. Não percam!
Vanir – “Wyrd”
Mighty Music/Target Group
Espadas levantadas, elmos reluzentes e escudos em riste anunciam o regresso dos guerreiros dinamarqueses Vanir com “Wyrd”, um álbum que volta a fazer ecoar o som da guerra e da fatalidade. Fiel à sua identidade, a banda mergulha de cabeça no tema eterno do destino, tecido a partir de conflitos, escolhas humanas e das consequências que moldaram o mundo. Num paralelismo claro com o presente, onde cada decisão carrega o peso do futuro, “Wyrd” convida o ouvinte a atravessar histórias de queda e redenção, de derrotas amargas e vitórias arrancadas a ferro.
A componente visual do álbum não fica atrás em impacto. A capa, assinada por David Troest, retrata de forma dramática o lendário Hussardo Alado, uma das forças de cavalaria mais temidas da história. O cenário é a Batalha de Viena, em 1683, momento decisivo em que as forças polacas travaram o avanço do Império Otomano na Europa. Este confronto histórico serve de pano de fundo a “Never Surrender”, tema contado a partir do olhar daqueles que defenderam a cidade até ao limite das suas forças. Apesar da forte presença histórica, “Wyrd” está longe de ser apenas um álbum de recriação do passado. O disco funciona como uma viagem musical pelo conflito eterno da humanidade com o poder, o destino e a luta pela sobrevivência e domínio. Vanir combinam melodic death metal com uma narrativa épica bem afinada, lembrando que a história tem um hábito incómodo de se repetir, e que as escolhas de hoje lançam as sementes das batalhas de amanhã.
Sonoramente, “Wyrd” apresenta-se imponente e afiado, graças à mistura e masterização realizadas nos Demigod Recordings. O resultado é um som poderoso e cortante, à altura da grandiosidade dos temas abordados, onde riffs esmagadores convivem com melodias épicas e atmosferas carregadas de tensão. Ao longo de mais de uma década, Vanir afirmaram se como uma das bandas mais relevantes do melodic death metal dinamarquês, criando um território próprio onde história, mito e guerra se encontram com guitarras ferozes e refrões memoráveis. Com “Wyrd”, o coletivo volta a afiar as lâminas, ergue o estandarte e marcha novamente para os campos de batalha da memória humana.
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