WOM Report – Mayhem, Marduk, Immolation @ Electric Brixton, Londres – 10.02.26
Há noites que antes de começar já prometem. Chuva torrencial, frio de rachar, e uma enorme e vagarosa fila à volta do edifício do Electric Brixton que crescia enquanto o concerto já começava. Com credencial, tive a sorte de passar à frente e salvar as câmaras do massacre da chuva, ansioso por experimentar o novo combo Sony A7C II e Tamron 70-180 G2, que tinha recebido no próprio dia (para adicionar à minha A7C e Tamron 28-70). Não dá o mesmo estilo que ter 10 quilos de equipamento e um arnês de couro, mas é melhor que trocar de lentes no meio da confusão. E que confusão iria haver… O Electric Brixton é uma sala sem grandes pretensões mas funcional, com capacidade de 1500 pessoas, dois níveis para separar a confusão do corredor de passagem e bar/merch, dois balcões, um grande com bar e um estreito. Porém, naquela noite, estava perigosamente cheio. Tive dificuldade em chegar ao pit através da multidão já presente para apanhar o meu slot. Os fotógrafos eram tantos que a organização distribuiu slots de uma música cada (primeira, segunda ou terceira), regra que quase todos quebraram devido à dificuldade de fotografar, de mover, até de respirar. Impressionante para uma Terça-feira de mau tempo em que nada mais me tiraria de casa.

Já em andamento mas sem falta de fãs, os Immolation fazem um bom contraste em relação às outras bandas. Não precisam de teatro, fatos, props ou muito fumo. Apenas com um bom show de luz, deixaram a sua música fazer o trabalho pesado. A agressividade era tanta, que fui até atacado pelo próprio cabelo épico do Ross Dolan que fazia headbanging enquanto tocava baixo. Para banda de abertura, conseguiram gerar moshpit suficiente para eu não me atrever sequer a tirar umas fotos do centro com o equipamento novo (e chamo eu este projeto de Moshografia…). Contentei-me com umas boas fotos e pena de quem ainda ficou na fila lá fora, perderam um excelente concerto.

Já tinha visto os Marduk antes e sabia o que aí vinha, excepto que nas vezes anteriores, as nódas negras ganhas eram do outro lado das barreiras. Desde o primeiro segundo de “Frontschwein” ficou claro que não ia desiludir. O único problema foi mesmo “ver” o espetáculo! Um pesadelo para fotografar. Fumo em tal quantidade que havia momentos em que literalmente não se via nada no palco – um ou dois metros no máximo – suficiente para ver os outros fotógrafos que abanavam a cabeça em resignação. Escuro, denso, impenetrável, era na realidade, uma excelente entrada que reflete a banda. Consegui algumas poses épicas do Mortuus por sorte, e o resto não comento. Agora de performance… os Marduk são uma máquina de guerra, tal pose de autoridade em palco que mete medo, a música com um ritmo que dá taquicardia. O moshpit rompeu imediatamente, parecia um campo de batalha. Logo no início levei com um crowdsurfer, chocando câmaras com outra fotógrafa que me lançou um olhar de cortar de poucos amigos.

Se os Marduk são uma ofensiva militar, os Mayhem são um ritual. Demorou uns bons 40 minutos a preparar o palco, com dois níveis de plataformas e o kit monumental do Hellhammer erguido no centro. Ele foi impossível de ver por detrás de tanto cromado e nevoeiro. Tinham umas projeções fascinantes, com uma mistura de artwork do recente “Liturgy of Death” e de toda a carreira da banda. Quando emergiram, ficou claro que era uma performance tanto teatral quanto musical. O Attila Csihar é uma excelente personagem, literalmente. Trocou de visual várias vezes, começando de sacerdote demoníaco num inferno vermelho, passando por um sargento sombrio e cinzento, e terminando como uma espécie de monge a namorar uma caveira…não sei descrever, vejam as fotos! Penso que representava diferentes eras da banda.

Fotograficamente a luz era difícil, começou com vermelho denso e passou a quase inexistente e traseira, o Attila compensou com postura e drama, usando os holofotes para iluminar a cara. O Hellhammer, vi-o através do nevoeiro quando entrou, acenando ao público antes de subir à muralha de bateria durante as 20 músicas que tocaram, percorrendo a discografia da banda. Nunca desaponta, tinha-o visto mais de perto quando tocou com The Kovenant no Cosmic Void 2025. O momento que ficou foi, inevitavelmente, “Freezing Moon”, com a voz do Dead tatuada na nossa cabeça, a ecoar. O público parou um bocado, quase em sintonia, ora para gravar, ora para cantar de forma coletiva, um pouco arrepiante até. Pensei que talvez fosse um concerto de nostalgia, mas os Mayhem conseguiram surpreender-me pelo contrário, a todos os níveis.

Chuva torrencial, fila interminável, a tropeçar em fotógrafos e fãs pelo nevoeiro serrado, tentando capturar três grandes bandas numa janela de apenas uma música (ou duas). Uma excelente escolha de merch das três bandas, com muitos designs de t-shirts à escolha, infelizmente a maior parte não aceitava cartão. Na realidade fiquei exausto a ponto de não desfrutar verdadeiramente certas partes, mas valeu a pena ficar para ver as actuações.
Texto e fotos por Luís Balsa (Moshografia)
Agradecimentos Old Empire
