WOM Report – Toxikull, Xeque-Mate, Affäire @ RCA Club, Lisboa – 24.04.26
Noite de celebração no RCA Club. Celebração Heavy Metal, que não são assim tão comuns como isso e por isso mesmo especiais. Mais especiais ainda por ser igualmente a celebração do lançamento do quarto álbum dos Toxikull, “Turbulence”, em mais lotação esgotada da banda na sala de Alvalade. Uma noite especial, onde foi possível a sinergia, sempre especial, entre a banda de Lex Thunder e o seu fiel público. Para tornar a ocasião mais especial, a noite seria ainda mais abrilhantada por duas bandas convidadas muito especiais: Affäire e Xeque-Mate.

Os Affäire foram os primeiros a subir ao palco, com algum considerável atraso, para uma casa a meio gás, mas que conforme a actuação ia-se desenrolando, algo que o novo vocalista, Vic St. Marks, fez questão de agradecer numa das suas abordagens ao público, pelo público ter vindo mais cedo para apanhar as bandas de abertura. O tempo não era muito e os Affäire fizeram questão de o aproveitar ao máximo com um alinhamento forte, compreensivelmente apoiado no último álbum “En Route” – produzido pelo próprio Lex Thunder – mas que foram também buscar alguns clássicos como o tema de abertura, “Devil’s Cross”, primeiro tema também do primeiro álbum de originais, “At First Sight” que recentemente foi reeditado em vinil em jeito de celebração do aniversário de dez anos. Vic St. Marks teve uma prestação sólida nesta que foi a sua primeira actuação com a banda em cima do palco. A voz está lá, o resto a estrada aprimorará.

Sempre um prazer ver o RCA Club receber uma banda história como os míticos Xeque-Mate com euforia e com a devida reverência merecida. Sabendo que o tempo seria sempre curto para aquilo que o seu repertório e estatuto merece exige, a banda atacou com um alinhamento demolidor onde conciliou o melhor dos clássicos com temas mais recentes, sobretudo do último álbum de originais, “Entrudo” – destaque para o tema-título que contou com a participação especial de Ana Jones com gaita de foles, dos Firemage onde também pontua o guitarrista Tiago Costa. Xico Soares sempre comunicativo foi intruzindo cada tema e o seu significado, acabando com a sequência obrigatória do incontornável “Em Nome Do Pai, Do Filho E Do Rock’N’Roll”, “Ás Do Volante” e “Filhos Do Metal”, numa actuação que levou o público ao rubro e que demonstrou como o hard’n’heavy tem público fiel na nossa cena nacional, por muito que se pense o contrário.

Após uma mudança de palco que pareceu eterna para as expectativas criadas que continuavam a subir até se apagarem as luzes e a intro fazer-se ouvir, os Toxikull entraram em palco perante o seu público ao rubro, logo com dois temas de “Turbulence” que foram muito bem recebidos – o tema-título e a “Strike Again”. Banda bem oleada e preparada para a fase de divulgação em cima dos palcos, som no ponto e um público a vibrar com o som sagrado de debitado em temas como “Metal Defender”, “Night Shadows” e “Killer Night”, clássicos já incontestáveis da sua discografia. Lex Thunder esteve comunicativo com o público, a puxar por este e também nos agradecimentos mas foi Michael Blade o primeiro a agradecer aos apoios do evento daquela noite assim como a toda a equipa por trás do mesmo. Agradecimentos à parte, a música nunca parou de fluir, com o destaque óbvio para as novas canções de “Turbulence”, sendo que “Dragon Magic”, “Hard To Break” e “Midnight Fire” foram as escolhidas, sendo esta última (o primeiro single do álbum) bastante aguardada pelo público.

Com uma carreira a crescer, começa ser difícil encaixar todas as excelentes canções do repertório numa setlist, mas aquela escolhida para o RCA Club – e provavelmente a base para a digressão de apoio ao álbum – é uma representação perfeita da sua identidade musical, focando todas as suas facetas. Ora mais violenta como “Cursed And Punished”, ora mais “Heavy Metal como “Around The World”, ora mais contemplativa como “Under The Southern Light”. Para o final ficaria uma surpresa para todos os fãs de longa data, com uma cover de Dio, uma das grandes referências da banda”, com “Stand Up And Shout”, que contou com a participação na voz por parte de Antim, “The Viking”, ex-baixista e vocalista da banda que irá fazer sempre parte da família Toxikull. Público ao rubro, muito mosh e circle pits, muito heavy metal e um RCA Club (novamente) esgotado. O início merecido para os Toxikull, um dos expoentes máximos do heavy metal em Portugal e que tem tido um crescimento sustentado e apoiado em muito sangue, suor e metal. Um ciclo se inicia e podem manter as expectativas altas, Europa. Não serão defraudadas.
Texto por Fernando Ferreira
Fotos por Sónia Ferreira
Agradecimentos Toxikull
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