WOM Report – Incineration @ Camden – 02.05.26
O dia começou com um belo passeio de mota solarengo até Camden, o tempo menos esperado para uma maratona de black e death metal, fiquei a desejar que o Desertfest, em duas semanas, tivesse a mesma sorte (não teve!). Trinta bandas, cinco venues espalhadas por Camden, um único dia… (Roundhouse, Electric Ballroom, The Underworld, The Black Heart e The Dev, por ordem decrescente de tamanho). Se bom ou mau, fica ao critério, em teoria tinha poucos clashes pois queria ver principalmente Afsky, Vreid, Der Weg Einer Freiheit, Vomitory, Hypocrisy, e claro, o tributo aos Bathory, mas na prática, para fotografar, foi preciso uma correria entre eles.

Quando cheguei a Camden, já havia uma peregrinação desde a Raven Records até ao virar da esquina, onde os Venom fariam uma sessão de autógrafos para o novo álbum Into Oblivion, lançado apenas no dia anterior. Começamos “mal”, pois a abertura mais esperada, os Afsky, cancelaram à última hora por motivos de doença, sem substituição possível. Então decidi dar a atenção devida às pequenas bandas primeiro.

Os Yersin, um trio de Sunderland de “True Northern Extreme Metal”, começaram a rasgar com uma mistura de death/grind/thrash que quase parece música de fundo de uma serralheria. Devido ao cancelamento, a fila ia desde a sala (relativamente pequena e abafada), pelas escadas abaixo, e até à rua. Mesmo saltando a fila, é uma luta chegar ao palco, no lado oposto à porta, com um braço a segurar a câmara no ar, para deparar com a pior iluminação possível, fazendo juz ao nome, por acaso dessa vez até estava com um forte mono tom de azul.

Quase a derreter, saí para o Dev, arrefecendo com uma sidra antes de começarem os os Sawticide, uma banda de thrash local que já vi várias vezes e nunca desaponta, um clássico do Dev. Dei ainda uma corrida para os Mutagenic Host no Underworld, que também estava à pinha, mais uns Londrinos mais focados em death, mas só apanhei a última musica.

Finalmente abriu o Electric Ballroom, para os Der Weg einer Freiheit, aliviando bastante a lotação das outras. A música deles estava 100% alinhada com a descrição “uma meditação em sofrimento, transformação e dos frágeis limiares da psique humana”. Um dos meus concertos favoritos do dia. Contraluz avermelhado difícil de fotografar, mas lindo e imersivo como deve ser o black metal atmosférico. Parece uma especialidade dos alemães, tocaram quase todo novo disco Innern.

Os Vreid foram uma excelente transição com o característico black ‘n’ roll (anteriormente dos mais folky Windir). Estavam no último dia de The Mass Hallucination Tour, juntamente com Vomitory e Hypocrisy. Apanhei uma única música de Vomitory, mas presenciei o devido auge do mosh esperado. Dos Dragged Into Sunlight, pouco mais vi que um lindo candelabro enorme com uma caveira plantado a meio do palco como barreira. Quando entrei no pit estava tão escuro que fui de cabeça contra um segurança e outro fotógrafo. Tocaram de costas para nós quase o concerto todo, o vocalista descalço, virava-se de vez em quando. Completamente rodeados de fumo e strobes brancos que dariam um ataque epiléptico a qualquer um, seriamente, fazia impressão. As rajadas de fotos são, literalmente, branco-preto-branco-preto. Não para mim, mas admito que criaram o ambiente desejado.

Os Hypocrisy foram épicos em todos os aspectos, tal como no Milagre Metaleiro 2025. Riffs e moshpits esmagadores, excelente show de luz, uma excelente banda de contraste com o black metal. Entre estes todos fiz algumas escapadelas, os Grave Miasma abriram a Roundhouse com uma boa dose de death metal, os SRD (Slovakia) e Of Feather and Bone (Colorado, EUA) ambos mantiveram o Underworld cheio. Entrei apenas uma vez mais no black heart para os Final Dose, blackened hardcore de Londres, mal se via, tirando o vocalista de balaclava. Tirei umas fotos de misericórdia e pus-me rapidamente a andar.

Finalmente o momento esperado, Blood Fire Death, um tributo a Bathory, composto por Erik Danielsson (Watain), Ivar Bjørnson (Enslaved), Blasphemer (ex-Mayhem), Apollyon (Aura Noir) e Faust (ex-Emperor), mais convidados. Por causa dos efeitos de fogo, só nos deixaram fotografar a primeira música. A Fine Day to Die, com o Gaahl (Gorgoroth), que esteve presente durante todo festival para selfies. Seguiu o Attila (Mayhem), com Born for Burning, e dividiu Woman of Dark Desires com Danielsson. Grutle Kjellson (Enslaved) pegou em Call From the Grave, e apareceu também o baixista original dos Bathory Frederick Melander, para The Return of Darkness and Evil e Sacrifice, com Danielsson visivelmente emocionado ao seu lado. Não sei se havia mais emoção na plateia ou no palco, foram momentos especiais. Fecharam com Blood Fire Death e mais umas belas colunas de fogo, que sinceramente preciso de mais prática a fotografar pois não fiquei contente com os resultados.
Valeu a pena? Apesar de condensado num só dia, muita correria e o cancelamento dos Afsky, o cartaz foi excelente, especialmente o tributo com todos os convidados especiais e historicamente relevantes, por isso, o preço de £98 não me parece sobrevalorizado, para contexto, o Desertfest nas mesmas salas (mas apenas com 4 concorrentes), é £180 por três dias. Na verdade o problema é estar tudo demasiado condensado num só dia. De merch havia muito, de todas as bandas. T-shirt do festival por £30, (um pouco oversize), as bandas vendiam as mesmas entre os £20 e £35, hoodies a £60, e patches a £10. A única queixa vem do meu ponto de vista, percebo o ambiente que procuram, mas é uma desgraça para fotografar. A qualquer outro amante de black e death, recomendo o festival.
Fotografia e Texto por Luís Balsa (Moshografia)
Agradecimentos Incineration
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