Report

WOM Report – Hollywood Undead, The Pretty Wild @ Aladin Music Hall, Bremen – 19.06.26

O regresso dos Hollywood Undead à Europa foi também repartido entre festivais de Verão e concertos como cabeças de cartaz. Nestes, a banda de abertura variou dependendo da data, mas não com nomes locais, como é costume no nosso país, e em Bremen foi a banda das irmãs Wylde, Jules e Jyl (e Jax, se contarmos com a manager), The Pretty Wild. Formadas em 2022 em Las Vegas, lançaram “Zero. Point. Genesis” em Novembro do ano passado sob o selo da Sumerian Records e estão a fazer algumas ondas entre os fãs do metal moderno. E não se deixem enganar pelo estilo requintado de Jules em contraste com o de “maria-rapaz” de Jyl – ambas são capazes tanto de guturais intensos como de melódicos tipicamente femininos, e de uma entrega imparável em palco. Cerca de metade do alinhamento faz parte do referido álbum de estreia – “PARADOX”, “button eyes”, “omens” e “INFRARED” – mas o restante foi composto por singles anteriores – “bLAck oPs (m@n!a)”, “vessül (SINGULARITY)” e o aparentemente mais popular “sLeepwALker”.

O Aladin é um espaço simpático mas com uma falha enorme, que faz lembrar uma certa sala no norte de Portugal: não tem ar condicionado. E estando 32 graus lá fora, o mais certo era estar bem mais que isso dentro de um recinto fechado e lotado; mas ainda que a gotejar suor, o público não fraquejou e recebeu osHollywood Undead com uma euforia tremenda. Os californianos Hollywood Undead começaram com “Undead”, o hino que lhes abriu as portas para o sucesso há 18 anos atrás, passando logo de seguida para um dos temas mais recentes, “1×1” – aquele a quem pediram emprestados os acordes de “Raining Blood” aos Slayer – e o feedback tanto ao material “velho” como ao novo não deixou dúvidas sobre quão promissora aquela noite seria. Em bom português, estava a tenda armada, com “Riot” e “War Child” a darem ênfase a esta nossa expressão.

A edição do sucessor de “Hotel Kalifornia” está prevista para o início de 2027, mas além de “1×1”, alguns outros singles já viram a luz do dia. Na verdade, quando os Hollywood Undead tocaram no Campo Pequeno em 2024, “Hollywood Forever” já estava cá fora, mas infelizmente não a tocaram para o público português. Fizeram-no aqui, com J-Dog a dizer que aquela música tinha sido escrita a pensar nos fãs e, por isso, dedicando-a a todos nós. Seguiu-se “SAVIOR”, também música com menos de um ano, e ainda o fresquinho “Feels Like Home”, com três semanas; mas dada a sua natureza semi-acústica, encaixaram-ne entre um trecho de “Sweet Caroline” de Neil Diamond e “Bullet”, com Charlie Scene a atirar o micro para a primeira fila, para que cantassem os versos finais que, em estúdio, é uma criança (ou um modelador de voz para esse efeito) que canta.

Esta interacção com os fãs é conhecida, especialmente em “Comin’ In Hot”, onde convidam alguém para cantar ou tocar guitarra (cá tivemos o Marco Vieira a cantar). Um rapaz, também chamado Charlie, foi tocar, não antes de Scene lhe perguntar quem era o seu membro de Hollywood Undead preferido e, ao responder que era Johnny, ser ameaçado de expulsão do palco. Claro que era teatro, e Scene admitiu que Johnny também era o seu membro preferido.

“Hear Me Now” – a música que virou toda uma nova página da carreira da banda, com a entrada oficial  de Danny para o lugar de Deuce em 2011 e, pesoalmente, a minha preferida – fechou o alinhamento pré-encore, e embora começando a gritar-se “UNDEAD, UNDEAD”, em breve começou a ouvir-se o refrão de “Everywhere I Go” que, obviamente, foi a que tocaram quando regressaram para o derradeiro final. Bolas de praia atiradas por Funny Man e Danny deram um toque extra ao divertimento causado por aquele tema – e por todo aquele concerto.

Texto e fotos por Renata Lino


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