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WOM Report – Integrity, Utopium, No Path @ RCA Club, Lisboa – 15.09.26

Além de históricos, os Integrity são um dos nomes mais pujantes do hardcore dos anos 90 e, no dia 15, voltaram a Portugal com uma missão a provar. A banda liderada por Dwid Hellion ainda tem muito para dar e não se vai deixar ficar a colher os louros das conquistas passadas. Já se passaram 35 anos desde “Those Who Fear Tomorrow”, mas os mesmos valores continuam presentes na banda.

Os No Path deram o primeiro concerto da noite e, apesar de serem uma banda recente, certamente não o demonstraram em palco. Os No Path perceberam a sua tarefa e levaram-na muito a sério, trazendo ao RCA aquilo que se esperava e pedia: hardcore do bom e bem tocado. Esperam-se agora os futuros lançamentos da banda.

Seguiram-se os Utopium, que recentemente voltaram ao ativo. Um nome interessante do underground nacional, com calo e algumas cartas dadas, fizeram a ligação perfeita entre o concerto dos No Path e o dos Integrity, na medida em que, sonicamente, a banda é muito visceral. A raiva contida e a catarse são a melhor forma de descrever o concerto, e os Utopium deixaram a impressão de terem deixado tudo em palco.

Os Integrity subiram então ao palco, em jeito de celebração dos 30 anos do clássico “Humanity Is the Devil”. 30 anos é muito tempo. Muitas bandas, géneros e correntes musicais vão e vêm, mas os Integrity não se subjugam. Monolíticos e com a mesma força de sempre, souberam abrir o concerto da melhor forma possível, com “Vocal Test”.

Como seria de esperar, o alinhamento puxou mais para “Humanity Is the Devil”, mas houve também espaço para a icónica “Systems Overload” e “Sarin”, músicas essas que levaram a uma grande participação do público. Dwid Hellion comandou as hostes, soube gerir as expetativas do público e mostrou o porquê de ser um dos grandes frontmen do hardcore. Carisma, presença e letras, acompanhados sempre por riffs e breakdowns suficientes para demolir um muro.

Bandas como os Integrity representam o porquê de o hardcore ser um género com um nicho tão forte, tantas décadas depois. Nota-se cada vez mais a presença de um público mais jovem, interessado e envolvido na cena, e isto deve-se muito à qualidade e ao esforço desenvolvido pelos Integrity. A recompensa acaba por ser a forma como o público se faz sentir em músicas como “Abraxas Annihilation” e “Incarnate 365”. No fim de contas, e após três concertos memoráveis, os Integrity são aquilo que sempre foram: pioneiros e decisivos, sem nunca perder a chama e a sua essência. Esperamos agora pelo seu regresso e também está na altura de trazer cá os Earth Crisis.

Texto por Afonso Mendes
Fotos por Jorge Pereira
Agradecimentos Hell Xis Agency e Jorge Pereira


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