O Álbum do MêsReview

Álbum do Mês – Dezembro 2019

Álbum do Mês – Dezembro 2019

O ano está a acabar e agora começamos a ter a plena percepção de que muita coisa ficou de fora. Algo que sabíamos ser impossível logo à partida, afinal dada a quantidade de lançamentos que há semanalmente (ou até diariamente) só com uma legião de colaboradores é que conseguiríamos chegar a tudo. E talvez nem mesmo assim. Seja como for, apesar dessas dificuldades de quem faz isto por gosto e muitas vezes sem grandes ajudas, conseguimos chegar a mais vinte propostas de topo que apresentamos abaixo.

20 – Fit For An Autopsy – “The Sea Of Tragic Beasts”

Nuclear Blast Records

Bom exemplo de expansão, evolução e mesmo assim ser porta-estandarte de um género ao qual todos parece que querem fugir (ou pelo menos queriam há alguns atrás. Os Fit For An Autopsy têm vindo a subir degraus na escadaria do reconhecimento assim como também na da qualidade. “The Sea Of Tragic Beasts” mantém a regularidade certa de a cada dois anos lançarem um álbum e os norte-americanos mostram que não estão aqui apenas para cumprir calendário. Breakdowns é certo que os temos mas temos muito mais que isso. Temos atmosfera, melodias inesperadas que tornam os temas dinâmicos e o álbum mais forte. A emocionalidade de malhas como “Mourn” mostra que há muito mais aqui do que apenas a lista de elementos que é suposto o deathcore ter. Grande álbum.

9/10
Fernando Ferreira

19 – Lionheart – “Valley Of Death”

Arising Empire

Os Lionheart são daquelas bandas de combate. Quem os conhece minimamente sabe disso. Quem não os conhece, também basta uma audição por alto deste regresso “Valley Of Death” para ficar com essa noção. Durante essa audição, vão verificar muito sangue, suor, sangue e lágrimas a escorrer pelas colunas abaixo. Este é um daqueles álbuns de hardcore para acabar com os álbuns hardcore. Para quem se queixa de que o género foi evoluindo para algo sem dinâmicas, aborrecido e previsível, é urgente ouvir “Burn” e “For The Record”, dois pequenos exemplos. Aliás, pequenos ocmo o próprio álbum que nem chega a ter vinte e cinco minutos mas se tivesse mais talvez também estragasse o ramalhete. A energia é tanta que duvidamos que o interesse se mantivesse (ou a energia) por muito mais tempo. As participações de Jesse Barnett (dos Stick Your Guns) e Mr. Jet Black (rapper) acrescentam valor aos temas deste álbum que é um dos melhores do ano.

9/10
Fernando Ferreira

18 – My Master The Sun – “1000 Ogivas de Fel Cairão Sobre Ti”

Raging Planet Records

Este é um álbum que queríamos ouvir. Desde que no Bardoada tivemos um cheirinho que ficámos com este trabalho em mente. Sludge/doom metal, cantado em português e com alto nível de eficácia não desilude para quem comprovou o seu poder em palco. O facto de ser cantado em português acrescenta impacto e originalidade a algo onde é impossível inovar. Outro ponto importante é haver uma continuidade como se estivessemos perante uma única faixa. Ainda assim não nos é difícil fazer alguns destaques – Dois deles são “O Vento” e “Uma”. Nota ainda para a capa que nos faz lembrar Type O Negative e a abordagem vocal que nos faz pensar em como seria se o Adoldo Luxúria Canibal resolvesse enveredar pelo metal.

9/10
Fernando Ferreira

17 – Agnostic Front – “Get Loud!”

Nuclear Blast

Os mestres dos hardcore nova-iorquino estão de volta. Autênticas lendas do género em que se inserem, a expectativa é sempre enorme mas também sabemos que chega a uma certa altura da carreira das bandas em que não é preciso fazer mais. A chamada velocidade cruzeiro, onde uma banda, quando sabe que já não vai passar de um certo nível de sucesso, gere com sabedoria (ou não) a sua carreira. No entanto, se pegarmos em “Get Loud!”, não nos conseguimos aperceber em que estádio da carreira a banda está. Continuam esfomeados, continuam violentos e continuam a fazer música que apesar de estarmos ouvir no conforto do nosso lar (ou da nossa mente, já que a música é, mais que nunca, portátil) consegue empolgar-nos como se estivessemos a ouvi-los numa sala cheia de pessoas a fazer acrobacias com mais ou menos perigo. Quando um álbum nos empolga assim… bem, não é preciso dizer mais certo?

9/10
Fernando Ferreira

16 – Pretty Maids – “Undress Your Madness”

Frontiers Music

Os Pretty Maids são para mim aquela banda de sempre! Cresci ao ouvir “Red Hot And Heavy”, “Back To Back”, que solooooooooo e fiquei deslumbrado com “Future World”, tudo o resto foi crescendo comigo. “Kingmaker” foi um disco igual a muitos outros do catálogo dos mestres dinamarqueses, independentemente das opiniões, para mim é assim que o vejo porque Pretty Maids é sinónimo de qualidade. “Undress Your Madness” é especial e sinto-o dessa forma por tudo aquilo que rodeia a banda nesta fase menos boa, devido ao estado de saúde de Ronnie, gravado por ele já em fase de tratamentos, o que não é fácil, mas que demonstrada a sua determinação em vencer, seguindo assim o caminho dos seus antecessores o já referido “Kingmaker” (2016), “Louder than Ever” (2014) e “Motherland” (2013) e que apesar de se inclinar mais para uma sonoridade rock / hard rock dá corpo à ideologia usada na composição nos últimos 6-7 anos. Tudo o resto a banda vai dando a conhecer ao público de forma progressiva, por mim já digeri sem me cansar e vezes sem conta todas as 10 faixas, sem contar com a intro. Ron e Atkins são uma equipa vencedora com quase 40 anos de estrada! Força Ronnie precisamos de ti!

10/10
Miguel Correia

15 – The Drift – “Seer”

Edição de Autor

Não há qualquer dúvida em relação à qualidade da cena da África do Sul pelos muitos exemplos de boas bandas que têm surgido. Os The Drift são uma daquelas que inegavelmente nos parece que estão mais que prontos para a internacionalização. Aliás, merecem essa mesma internacionalização, conforme “Seer”, o terceiro álbum, prova aos mais cépitcos. “Seer” é o culminar de um processo de maturação que mostra muitos caminhos para além do doom/sludge dos quais têm elementos. Com grandes dinâmicas que não perdem de vista o elemento metálico, ora com mais peso (quer nos momentos mais lentos como nos mais uptempo) ora com mais melodia,  – principalmente ao nível vocal. Consta que passaram por alguns períodos de instabilidade nas suas fileiras mas tendo em conta o resultado final, podemos dizer que deram a volta por cima. Olho (e ouvido) posto nesta banda.

9/10
Fernando Ferreira

14 – Une Misère – “Sermon”

Nuclear Blast

Nem só vem da Islândia black metal contemplativo e coisas atmosféricas. Também temos raiva, toneladas (e toneladas!) de raiva! Esse é o primeiro impacto que nos chega. “Sermon” é violento, é bruto e zangado. O tipo de coisa que se fosse uma pessoa provavelmente não nos meteríamos com ela. Uma amálgama de hardcore, pós-metal, noise suave  e, sim, algumas coisinhas atmosféricas fazem com que esta banda tenha sido uma das grandes contratações da Nuclear Blast. E “Sermon” um dos grandes destaques de 2019.

9/10
Fernando Ferreira

13 – Schammasch – “Hearts of No Light”

Prosthetic Records

Os Schammasch são uma banda suíça formada em 2009 e com três álbuns lançados. Após o seu último lançamento, o EP “The Maldoror Chants: Hermaphrodite”, a banda volta à carga com novo trabalho de peso: “Hearts Of Light”, pronto para estrear já no dia 8 de Novembro. Dentro do género do black metal, esta banda caracteriza-se pelas suas temáticas mais transcendentes e espiritualistas, e Hearts of Light volta-nos a confirmar isso mesmo. Contrariando razoavelmente a onda Avant-Garde do último EP, os Schammasch voltam-se de novo para a sonoridade mais pesada do black metal, retendo ainda alguns dos elementos menos ortodoxos que usaram nos seus trabalhos anteriores.  Apesar do maior enfoque no peso, este trabalho continua a estar dentro daquele campo de músicas que são feitas para apreciar com calma e com o apoio das letras, visto que estas, mais uma vez, voltam a apresentar ideias interessantes e pouco conformistas, todas eles dentro dos planos mais astrais e metafóricos. Apesar disso, continua a haver bastante oportunidades para a brutalização do mosh pit, sendo frequente o uso de ritmos particularmente acelerados em que as guitarras desempenham a função de criação de ambientes tão enigmáticos como devastadores. É também de notar o facto de que algumas das faixas chegam a fundir elementos de black e death, que de facto demonstram a capacidade que esta banda tem de conjugar os seus vocais únicos (ora limpos do “estilo religioso”, ora como um “rugir calmo”) com sonoridades mais pesadas, sem que se sobressaiam como algo a mais. Bem, é de facto um álbum espetacular que demonstra que os Schammasch têm um lugar muito bem merecido dentro da cena do metal pesado moderno, contudo admito que estava á espera de um álbum mais na linha do EP anterior; apesar disto, os diferentes elementos que os Schammasch apresentam neste álbum, seja pelos vocais perfeitos, pela bateria oscilante, pelas riffadas viciantes e pelas temáticas misteriosas, fizeram-me adorar este álbum de início ao fim.

9/10
Matias Melim

12 – Denial of God – “The Hallow Mass”

Osmose Productions

Os Denial of God são uma banda dinamarquesa de black metal. Formados em 1991, esta banda nunca foi muito de lançar álbuns, optando antes pelos EP’s, tanto assim que na sua carreira os primeiros apenas são 3 (contanto com o que aqui é apresentado) e os segundos são 10. Passando ao que interessa, o seu mais recente esforço apresenta-se com o título de Hallow Mass e é constituído por 7 faixas que o alongam por uma duração pouco maior que 1 hora. Assim sendo, este álbum apresenta-se dentro do estilo de black que nem é demasiado raw nem demasiado melódico, ficando numa boa corda-bamba para aqueles que não costumam aderir tanto aos estilos mais extremos. Neste sentido, o vocal e os conteúdos líricos são as componentes que mais arrastam o álbum para o centro do género do black metal e a guitarra, nas suas partes de maior destaque, responsabiliza-se pela influência mais melódica. Como já insinuei acima, é neste equilíbrio que a banda se distingue muito positivamente; não estava mesmo à espera de todo este empenho na criação de uma “atmosfera sonora” quando me pus a pesquisar esta banda, visto que, como a maioria de nós sabe, há uma forte tendência à brutalidade dentro deste estilo musical, e entenda-se que esta componente não está separada do álbum, simplesmente não afoga as outras. Por exemplo, até há secções acústicas no álbum, apesar de curtas, que de facto dão uma cor bastante agradável à sonoridade desta banda. Tendo dito isto, é um álbum que impressiona bastante pela positiva e que definitivamente não entra no campo do “mais do mesmo” por chamar a si elementos que se costumam encontrar mais afastados dentro do estilo.

9/10
Fernando Ferreira

11 – Avslut – “Tyranni”

Osmose Productions

Já tínhamos os Avslut debaixo de olho no ano passado com a boa estreia “Deceptis” mas este Tyranni” ainda consegue fazer melhor. Com um sentido melódico apurado mas o da brutalidade ainda mais ao de cima, “Tyranni” é um festim de black metal sueco durante toda a sua duração. Para quem esteja preocupado caso isto seja um ataque unidimensional, é aqui que entra o aspecto da melodia, que traz variações de tempo e dinâmicas acrescentadas. E a coisa resulta. Não é épico como alguns, não é unidimensional como outros e muito menos experimental a tentar fugir do estilo como da cruz. Temos consciência que haverão os cépticos que dirão que não traz nada de novo, de que soa demasiado bem, que tem uma produção demasiado boa, que é mais do mesmo e que tudo no género já foi feito e refeito na década de noventa. Apesar disso tudo que até compreendemos embora não concordemos, este é um álbum do satanás mesmo!

9/10
Fernando Ferreira

10 – Klaw – “Lightcrusher” ”

Edição de Autor

Thraaaaaaaaaaaaash metal vindo da Suiça é logo algo que desperta o nosso espírito metálico. Mas não, não é algo na linha dos míticos Coroner que temos aqui. É assim um thrash metal zangado onde a voz por parte de Lucie Werlen é o grande ponto de destaque. O grande mas não o único já que instrumentalmente esta banda demonstra ter muitos trunfos. Grandes solos, grandes riffs, batida certeira, não há muito que fique por explorar neste que é uma das grandes surpresas thrash por parte de bandas que não têm contrato. Para o final ainda temos uma demolidora e inventiva cover da “Killing In The Name Of” dos… vocês sabem quem!

9/10
Fernando Ferreira

9 – Onhou – “Endling”

Lay Bare Recordings

Bomba. O álbum de estreia dos holandeses Onhou é uma autêntica bomba. “Endling” apresenta-nos três temas longos, com o peso à flor da pele e onde o doom é rei e senhor. Bem sabemos que este tipo de som normalmente não faz muitos amigos, afinal nos tempos em que correm, quem é que tem tempo ou paciência para ouvir um tema de dezassete minutos como “Dire”? No entanto, há certas coisas que demoram tempo e uma das lições que o doom nos ensina, é que o que é instântaneo nem sempre é bom – embora tenha que referir que por acaso aqui a nossa fixação com este álbum foi praticamente instântanea. Peso lúgubre e miserável tal como a vida em si. Tudo pode estar feito, visto e mais que revisto, mas há bandas que têm o dom de conseguir tornar tudo fresco outra vez.

9/10
Matias Melim

8 – Crystal Viper – “Tales Of Fire And Ice”

AFM Records

Com lançamento previsto para 22 de Novembro, “Tales Of Fire And Ice”, marca o regresso dos polacos Crystal Viper que já passaram, não só pelas nossas páginas, mas também estiveram no nosso país para um brilhante concerto em dezembro do ano passado. Então, falando deste disco, a abordagem feita é mais intensa e pesada que o seu antecessor. “Prelude” abre as hostilidades para um “Still Alive” tratado com punhado de riffs deslumbrantes e por onde a voz de Marta Gabriel navega de forma consistente e brilhante, algo que se vai percebendo ao longo de todo o disco. As músicas são inspiradas em mitos e fábulas, e soam com coração e alma! Gostei muito de “Queen Of The Witches”, mas fiquei rendido, completamente, a este passo que a banda dá, na tentativa conseguida de modernizar ainda mais o seu som.

10/10
Miguel Correia

7 – Aggressive Perfector – “Havoc at the Midnight Hour”

Dying Victim Productions

Oriundos do Reino Unido, os Aggressive Perfector são uma banda recém-estreada no meio metaleiro. Apesar da sua formação em 2014 e de uma demo em 2016, é apenas agora que se apresentam o seu primeiro álbum. Valeu a pena a espera? Claramente. A sua peça estreante carrega o título de Havoc at the Midnight Hour e é composta por 8 faixas de um metal bastante volátil dentro do heavy e do speed, havendo sempre uns toquezinhos sonoros mais clássicos que foram buscados ao grande surto de new wave of british heavy metal.  Este é um daqueles álbuns que não foi feito para ser ouvido em casa “aconchegadinho” nos cobertores com a chuva a bater na janela; não senhor, este álbum diz-vos “vai fazer moshes para o meio da rua, se apanhares uma constipação é problema teu”. Claro que o contéudo lírico do álbum, não se prende a tais banalidades, opta antes por temas mais ocultos e satânicos sempre com o tal manto de nostalgia do metal que já mencionei. É tudo bastante frontal, não há nenhum instrumentos que se destaque acima dos outros mas há secções em que todo o conjunto se destaca com força total e destruidora (a faixa Into The Nightmare merece definitivamente o seu nome no que toca a estes padrões). Querem metal nostálgico e de qualidade? Querem metal que vos rebenta a cara sem meias medidas? Estão fartos daquele metal altamente político e têm saudades de temas satânicos ou semi-satânicos que para sempre nos afastaram da sociedade normal? Não procurem mais, aqui têm a vossa prenda tenebrosa.

9/10
Matias Melim

6 – Alcest – “Spiritual Instinct”

Nuclear Blast Records

Esta será sempre uma banda que terá sempre os seus detractores, aqueles que gostam de debater a pureza até ao mais ínfimo pormenor. Nada contra, até porque achamos que toda a questão dos rótulos é colocar mais importância na semântica do que naquilo que mais interessa, a música. E neste caso, se os Alcest se tinham colocado a jeito para estarem num beco sem saída criativo, “Spiritual Instinct” demonstra que essa aparência era mesmo uma ilusão de que os mais cépticos quiseram acreditar. A melodia e os tiques shoegaze continuam cá assim como o peso dos primeiros tempos – mesmo que nunca chegue a tal intensidade – mas o resultado, ou seja, os temas, são mesmo das melhores coisas que Neige tem apresentado nos últimos tempos.

9/10
Fernando Ferreira

5 – Rorcal – “Muladona”

Hummus Records

Tomámos conhecimento dos Rorcal quando estes fizeram um split com os nossos Process Of Guilt e a partir daí ficámos interessados em acompanhar a sua carreira. “Creon” foi bombástico mas ainda assim não nos preparou para a bomba que é este “Muladona”. Um autêntico ataque selvagem ainda que frio e calculado. A forma como a voz off em modo de narrador começa na primeira faixa (“This Is How I Came To Associate Drowning With Tenderness” – há bandas que têm letras mais pequenas que estes títulos) e como ocasionalmente vai aparecendo é apenas mais um toque de classe que nos refresca do poder intenso ao longo do álbum. Black, doom, pós-metal, death, cabe tudo aqui e faz tudo sentido. Ou então apenas música extrema, mas seja como for, este é, definitivamente, o álbum mais forte dos Rorcal até hoje, onde a intensidade é mais real que nunca.


9/10
Fernando Ferreira

4 – Denner’s Inferno – “In Amber”

Mighty Music

Ao falar com Denner, percebi perfeitamente aquilo que se sente quando temos de falar sobre o seu trabalho. Sinto-me um pouco dos dois lados da questão, mas acima de tudo ao ouvir “In Amber” para preparar esta review senti que facilmente as coisas iriam sair porque apesar de se tratar de um trabalho, direto e arrisco até algo simplista “In Amber” é um discaço! Denner dispensa apresentações, o seu caminho o seu legado vai, como ele reconhece, ser forçosamente uma ponte para tudo o que faça, mas neste caso esse toque, bem presente, marca um trabalho onde a sonoridade heavy rock dos anos 70, surge como a base deste disco e voz de Chandler é a cereja no topo do bolo. Esta é a praia do guitarrista e quando assim tudo se torna fácil de fazer!

10/10
Miguel Correia

3 – Wells Valley – “Reconcile The Antimony”

Black Lion Records / Chaosphere Records

Confesso que o meu primeiro contacto com os Wells Valley. Apesar de reconhecer a sua qualidade, não consegui com que “Matter As Regent” entrasse em pleno. Já “The Orphic” foi imediato. E com isto chegamos ao segundo álbum, “Reconcile The Antimony” que teve o dom de me dar uma paulada na tola que me deixou amnésico. A sério! Acreditem que assim que ouvi este álbum pela primeira vez, no final, não me recordava dos motivos que me levaram a não gostar de “Matter As Regent”. Nem mesmo dos motivos que me levaram a gostar de “The Orphic”. É assim TÃO poderoso. Mostrando-se por um lado tradicional, com a veia doom quase a estalar, mas sem esquecer os ambientes claustrofóbicos, estes seis temas precisam de espaço – provavelmente tal como o já referido até exaustão primeiro álbum – apesar do impaco positivo que têm. Porque o seu alcance é mesmo impressionante. Podemos dizer que é um álbum que precisa de uma disposição pré-definida para ser ouvido, no entanto, mesmo sendo colocado a tocar a contragosto, não precisa de muito para criar (rasgar?) o seu próprio espaço. Que bomba!

9.5/10 
Fernando Ferreira

2 – Nile – “Vile Nilotic Rites”

Nuclear Blast

Todos já sabíamos que este dia iria surgir, não era? Inevitavelmente. Os Nile já não lançavam nada há mais de quatro anos e estava certo que, mais cedo ou mais tarde, a praga egípicia viria no nosso caminho. E nós de braços abertos para a receber. Se nos dois anteriores álbuns se poderia sentir que a banda algo perdida – em “At The Gates Of Sethu” a tentar sair do beco onde se meteram desde sempre (e a levar na cabeça por isso) e em “What Should Not Be Unearthed” a tentar desesperadamente a voltar para terrenos familiares de uma forma que, apesar de agradável para quem estava instaisfeito, algo forçada. “Vile Nilotic Rites” é, finalmente, aquilo que uns Nile fariam confortáveis na sua pele. Death metal bruto dos queixos, bem técnico mas ainda original com todas as referências ao Egipto – aquela “Seven Horns Of War” é uma obra de arte – num álbum equilibrado, provavelmente o mais equilibrado da carreira da banda norte-americana. E também no mais memorável. Todos os temas têm ganchos melódicos onde nos podemos agarrar para mais tarde recordar. E muito disso também se deve ao novato na banda, Brian Kingsland, novo guitarrista solo. Produção de topo, som bruto, malhas brutas… mais alguma coisa que precisem?

9.5/10
Fernando Ferreira

1 – Cattle Decapitation – “Death Atlas”

Metal Blade Records

Sempre que os Cattle Decapitation lança um álbum, é um evento. É especial porque sabemos logo à partida, sem ter qualquer contacto prévio, de que vamos gostar. “Death Atlas” não foi excepção. A brutalidade esperada está cá toda assim como a melodia e ela desta vez, além de presente na própria instrumentação, está particularmente presente nas vocalizações de Travis Ryan, que usa uma espécie de voz limpa (e atenção ao espécie) que resulta de forma perfeita. Um timbre meio diabólico mas que dá uma dimensão completamente nova a estes temas que, mais uma vez, nos falam de como somos um virus ao qual a terra tenta combater. Também pequenos interlúdios que dão uma ambiência muito própria a este trabalho que deve ser apreciado como um todo. Correndo o risco de sermos contagiados pelo entusiasmo de estarmos a ouvir isto sem parar nos últimos tempos, parece-nos que este é um dos pontos altos da carreira da banda. Mais um de muitos. Talvez o mais alto de todos.

9.5/10
Fernando Ferreira

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