Filhos do Metal – Next Big Thing
Por Duarte Dionísio
(Filhos do Metal – À descoberta do Heavy Metal em Portugal)
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Está encontrada a nova “Next Big Thing” de Rock Pesado, em que os players do mercado da música vão apostar. Trata-se de Metalcore com incursões pela Pop e música eletrónica. Não é novidade! Claro que não! O Metalcore já é o caminho escolhido por diversas bandas de sucesso, mas com as editoras multinacionais a entrar no jogo, abrem-se outros horizontes. E estão a apostar em força. Veja-se o caso dos President, banda que irá editar o álbum de estreia pela Atlantic Records. Esta banda inglesa formou-se o ano passado, lançou alguns singles e um EP (“King Of Terrors”). Impressionaram pelo mistério do anonimato, pelas máscaras, pela atitude em palco e pela sonoridade cativante. Já são um fenómeno e apenas estão a dar os primeiros passos. Enchem salas, estão a ser inseridos nos cartazes de grandes festivais e conseguiram o contrato com a editora multinacional que os vais levar ao mercado mundial da música de forma apoiada e sustentada. Há uma notória colagem ao outro fenómeno também relativamente recente, os Sleep Token. As semelhanças são muitas, desde logo a sonoridade, mas também o conceito visual com o uso de máscaras. Isto tudo e o facto de partilharem o mesmo management, parece demasiado evidente que há aqui um padrão. A indústria sabe criar correntes musicais que dão lucro garantido. Vejam-se os exemplos do passado com o Grunge e posteriormente o NU Metal. Géneros ou subgéneros que aproveitaram sonoridades já existentes para, com criatividade, fazerem misturas e produzirem música que se tornou apelativa.
Os President, assim como os Sleep Token, criam uma base sonora com linhas Pop e batidas de Eletrónica, aproveitando todas as possibilidades de produção digital. Com vozes a deambular entre a Pop Alternativa Melancólica e alguns gritos, sempre em jeito de introspeção. Pelo meio atiram riffs de guitarra pesadões, muito provavelmente criados por softwares. É esta parte que lhes permite entrar no amplo espetro do Metal. E é mesmo assim que se criam os subgéneros, explorando, experimentando. Não vai de encontro aos gostos de todos, gera polémica, deixa a dúvida sobre a verdade da música, mas no fundo é isso mesmo que desenvolve o hype em torno de um Artista. Afinal o que seria a música sem as suas polémicas? Os mais puristas do Heavy Metal e seus subgéneros mais tradicionais (Thrash Metal, Death Metal) vão sempre querer manter-se fiéis às bandas que continuam a honrar essas sonoridades. Isso é legítimo. Haverá sempre novas bandas a produzir música que siga a linha dos grandes nomes do passado e presente. Basta não esquecer que os Judas Priest, Iron Maiden, Saxon, Metallica, Overkill, Exodus, Testament ainda continuam a lançar discos e a fazer digressões.
Há sempre espaço para novas experiências e sonoridades que consigam trazer frescura ao Heavy Metal, quer se goste ou não. Uma coisa é certa, há investimento por parte das editoras multinacionais nesta nova vaga. Neste caso, penso que serão bem-sucedidos. Houve algumas tentativas no passado que saíram frustradas. Lembro-me que houve uma tentativa em apostar no Black Metal como a “Next Big Thing”, com as grandes editoras a apostarem nos Satyricon ou Cradle Of Filth. Mas durou pouco tempo. A pergunta que se impõe é – e em Portugal? Como sempre, chegamos tarde a estas modas. Quais serão as bandas a aparecer que vão seguir esta sonoridade? Acredito que já existam, mas já devem andar a fervilhar. Alguns projetos nacionais andaram perto, mas sempre com um som mais orgânico e mais “Metal”, lembro-me por exemplo dos Chaos In Paradise, Synthetic Rainfall, ou dos Thirdshpere. Aguardemos pelos próximos tempos. Por agora partam à descoberta destes President, que vão dar muito que falar.
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