O Álbum do Mês EP 44 – Outubro 2019​

O Álbum do Mês EP 44 - Outubro 2019

O Top 20 do mês de Outubro de 2019. Vinte grandes álbuns que recomendamos devorar. Abaixo está a nossa playlist do iTunes – não contem todas as propostas porque nem todas estão disponíveis na plataforma.

20 -Crobot – “Motherbrain”
Mascot Records

Crobot é um daquels nomes pelo qual temos uma grande afinidade. A sua música sempre foi honesta, pura e acima de tudo, com enorme qualidade. Claro que eles beneficiaram de um certo frenesim que andou por aí (anda?) com aquele hard rock que relembra a década de setenta. No entanto não podemos dizer que a banda norte-americana é das propostas que mais estão descaradamente voltadas para o pesado. “Motherbrain”, para citar o mais recente exemplo, tem uma produção fortíssima, ainda que orgânica, que se mataria para ter na mítica década. Nada disto adianta (nem o foco, nem produções) se as músicas não fizerem a diferença. Aqui rocka-se forte e feio onde o groove e a voz de Brandon Yeagley está melhor que nunca, um poder raro de encontrar. Em suma, mais um grande vício para quem gosta do seu hard rock poderoso, à boa e velha (e nova também) maneira.

9/10 Fernando Ferreira

19 - Graveyard – “Hold Back The Dawn"
War Anthem Records

Death metal old school a relembrar os suecos mas também muita outra tradição clássica do género é já o que se espera dos nuestros hermanos Graveyard e é o que temos com fartura neste quarto álbum “Hold Back The Dawn”, onde as dinâmicas são mais que muitas e não há um momento de aborrecimento. Entrando na categoria de clássicos intemporais, pelo menos aqui na World Of Metal, talvez o álbum não vá ter  o reconhecimento merecido pelo tempo por todos mas sem dúvida que   tem qualidade para isso. Grandes solos, grandes riffs, não há mesmo mais nada que fique a faltar.

9/10 – Fernando Ferreira

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18 - Excuse – “Prophets Of The Occultic Cosmos””
Shadow Kingdom

Tenho que dizer que este álbum foi uma verdadeira surpresa. Apesar da década de carreira da banda finlandesa, este é o álbum de estreia – embora tenham tido de facto uma vida mais ou menos activa no underground com o lançamento de diversos lançamentos. “Prophets Of The Occultic Cosmos” é um daqueles trabalhos que tem um pé no extremo e outro no tradicional. A sonoridade podre também ajuda a isso. Por um lado a voz áspera de Oskar Lindström a lembrar os primórdios do death metal, por outro os solos, as cavalgadas e as thrashas de extremo bom gosto, sempre com aquela crueza que nos faz recuar até ao final da década de oitenta. Seis temas apenas, quase todos longos, e uma capacidade para nos deixar agarrados quer nos temas mais directos quer até nos mais épico – aquela “Watchtower Of The Trans-Dimension” passa sem se dar conta do tempo. É isso, estamos agarrados!

9/10 Fernando Ferreira

17 - Darkend – “Spiritual Resonance”
Dark Essence Records

A forma que a Dark Essence Records encontrou de fazer a sua rentrée foi com o quarto álbum dos italianos Darkend, “Spiritual Resonance” e… fizeram bem. Posso dizer que se normalmente prefiro os álbuns respirar um bocado entre audições, neste caso as primeiras três audições foram de seguida. Já conhecíamos o teor ritualista do black metal dos Darkend, algo próximo daquilo que os Rotting Christ fazem, mas sem aproximações gratuitas ou diminuições da sua própria identidade. Temas com duração acima da média mas cheios de detalhes e ganchos maravilhosos – aquela “With Everburning Sulphur Unconsumed” é um vício impressionante – que aliados a uma capa fantástica faz deste um enorme e obrigatório álbum.

 9/10 – Fernando Ferreira

16 - The Black Wizards – “Reflections” -
Kozmic Artifactz / Raging Planet Records

Já nos conhecem o suficiente para saber que quando dizemos “somos fãs de…” que o que se vai seguir é uma aclamação despegada ou então a tentativa de minimizar a desilusão que se sentiu com o mais recente trabalho da banda em questão. No que diz respeito aos The Black Wizards e ao seu terceiro trabalho de originais “Reflections”, as coisas pendem claramente para a primeira opção onde a banda se mostra matura e mais expansiva. Isto não querendo dizer que antes eram imaturos e uni-dimensionais. Pelo contrário. “Reflections” todavia consegue chegar a campos novos, rasgar novas fronteiras para além do heavy stoner fuzz rock que lhe é característico. Continuamos a ter a presença dessa identidade, ainda que um feeling diferente, mas continua a ter-se o espírito rebelde que tanto faz falta na música de hoje em dia. “Starlight” é o tema que se destaca pela diferença – ali a lembrar um pouco a “Planet Caravan” mas “Reflections” está cheia de grandes momentos e é um daqueles álbuns que é importante dar tempo para crescer, porque é isso mesmo que ele vai fazer. Inevitavelmente.

9/10 – Fernando Ferreira

15 - Pelegrin – “Al-Mahruqa” ”
Edição de Autor

Que trabalho tão fantástico. Este é aquele tipo de som, mesmo estando na fronteira da sonoridade a que chamamos metal, enquadra-se perfeitamente naquilo que entendemos ser o género, ou seja, desafiador, transcendente, de certa forma rebelde e indo contra a corrente da música moderna. Ora os Pelegrin tocam uma espécie de stoner rock progressivo – esta sucessão de géneros é apenas uma fraca tentativa de fazer chegar o leitor a um ponto de satisfação em relação à sonoridade que a banda toca – que nos batem com a força de uma sala cheia de fumo de cannabis, misturada com LSD – vamos imaginar que a coisa foi vaporizada e absorvida pelas vias respiratórias. As sonoridades meio médio oriente só reforçam o poder da “trip” que não queremos que acabe. Daquele som para ouvir quando tudo o que precisamos é de desligar do mundo um bocado. Ou um bocadão.

9/10 – Fernando Ferreira

14 - Negator – “Vnitas Pvritas Existentia”
Massacre Records

Black metal alemão, bruto e sem contemplações – com algumas, vá. Tal como gostamos. Não só os Negator se apresentam com uma proposta bastante musculada como também ainda acrescentam alguns pós de dissonâncias e melodias que acabam por ampliar a abrangência e dinâmica da música sem subverter um mílimetro que seja da mesma. Este trabalho revela-se surpreendentemente e crescentemente eficaz a cada nova audição. A produção também ajuda a que essa satisfação aconteça. Sem dúvida que o ponto alto da sua carreira.

 9/10 – Fernando Ferreira

13 - Shadow Of Intent - "Melancholy"
Edição de Autor

2019 tem sido um ano em grande para o Deathcore, com excelentes álbuns deste género, mas até agora nenhum me deixou tão pasmado como este dos Shadow Of Intent. “Melancholy”, consegue ser simultâneamente pesado e melódico, com riffs de guitarra de cortar a respiração, isto aliado aos Guturals e Death Screams abismais e cataclísmicos em todas as 10 músicas que compõem este excelente lançamento e temos aqui um clássico instantâneo. A bateria combina blast-beats fortíssimos e o baixo garante portentas bass lines e “The Dreaded Mystic Abyss”, a penúltima música não só contém uns incríveis solos de guitarra como também uns excelentes toques de piano. Destaco as músicas “Barren and Breathless Macrocosm” que conta com a participação de Trevor Strnad dos The Black Dahlia Murder, “Underneath A Sullen Moon”, “Oudenophobia”, “Chtonic Odyssey” e “Malediction”, quem é que eu quero enganar? Todas as músicas são de destacar, mas se tivesse uma arma apontada à cabeça e tivesse de escolher cinco, seriam estas. Não vou estar aqui com mais rodeios, com este álbum “Melancholy” os Shadow Of Intent provam que ainda é possível criar um clássico  e este “Melancholy” é sem dúvida o melhor álbum da sua carreira.

 9/10 – Luís Valente

12 - Vitriol – “To Bathe From The Throat Of Cowardice”
Edição de Autor

Que granda “padrada” que este álbum é! E sim, é mais um álbum de estreia. A Century Media Records está com um grau de eficácia impressionante e “To Bathe From The Throat Of Cowardice” é um daqueles trabalhos que prova isso mesmo. Death Metal Bruto, sem concessões mas ainda assim capaz de debitar solos inspiradíssimos e cheios de melodia. Longe de ser um festim técnico mas nem por isso a ser um regress ao primitive passado do death metal, este álbum é sem dúvida um prato cheio para quem já tinha saudades de ser agarrado pelas partes baixas de forma ameaçadora – de sentido figuado, claro, não queremos causar expectativas falsas para os que gostam de “rough and kinky”. Uma prova que o género está de excelente saúde e que há sempre forma de apresentar novos caminhos para a renovação do mesmo. Os Vitriol são uma das boas hipóteses para tal.

9/10 – Fernando Ferreira

11 - Flub – "Flub"”
The Artisan Era

Os Flub são uma banda americana de death metal experimental com poucos anos de existência. O álbum aqui apresentado, serve de porta-estandarte à banda, tanto por ter o seu nome como por ser o primeiro álbum lançado por este conjunto (anteriormente foram lançados 2 EPs e um single isolado). Apesar da componente experimental ser gritante, a verdade é que Flub continua a ser um álbum com os pés bem assentes naquilo que é o death metal: ritmos rápidos e explosivos (tanto em guitarra como em bateria), voz forte, vasto conjunto de solos melodiosos e num todo sonoridades de destruição maciça. Relativamente ao experimental, é um vasto conjunto de coisas que são trazidas para aqui em que nenhuma se destaca particularmente, por serem implementadas novas características em todas as músicas. Mas só para citar uns exemplos: têm momentos muito ligeiros de teclado – muito ao estilo de pop eletrónico do século passado – e outros com “verdadeiro” piano – estilo mais clássico; momentos ao estilo de coros macabros (não daqueles mais metafísicos que se notam nas bandas de black metal); momentos mais associados a ritmos groove, ect.. Resumidamente é uma verdadeira miscelânea, mas uma que funciona muito bem. Além disso, o lado death metal que surge isoladamente na maioria do álbum é de uma solidez notável, tanto pelos solos como pelas metralhadas de bateria e ainda pelo vocal de estilo mais “rouco agudo”. Por estas razões todas, é me muito difícil não gostar deste álbum, sendo também ainda de relevar o aspeto de que esta banda se assemelha muito àquelas mais irónicas que surgem muito pelos lados americanos, só que neste caso pretende ser levada a sério a 100%. Relativamente aos mais conservadores/puristas, não se deixem enganar pelos rótulos que colei ao estilo desta banda, no fundo são sempre uma banda muito centrada no death metal; este é daqueles momentos em que uma mudança realmente foi boa e refrescante. Em duas palavras: original e excelente!

10/10 – Matias Melim

10 - Entombed A.D. – “Bowels Of Earth”
Century Media Records

Os Entombed A.D. foram olhados com desconfiança desde o início. Primeiro como uma forma de aproveitamento do nome da clássica banda à revelia da disputa legal pelos direitos do nome e segundo pelo facto de em termos estilísticos e de composição não estar assim tão distante mas também nunca chegar a ultrapassar o brilhantismo dos “originais”. Passados estes cinco anos e com três álbuns cá fora, a contar com este “Bowels Of Earth”, acreditamos que as coisas são diferentes. A principal, a banda nunca se revelou interessada em explorar o filão da nostalgia, embora ao vivo inevitavelmente tocassem versões dos clássicos. Apesar de muito apelidados como banda de covers dos Entombed, estes “A.D.” não desistiram e ainda porque a esta altura, e enquanto os Entombed não lançam nada (curiosamente a última coisa que fizeram foi precisamente uma viagem ao passado nostálgico), a banda de L. G. Petrov é o que mais próximo se tem da banda clássica de death metal sueco. E ainda assim não é esse o trunfo deste álbum. O trunfo deste álbum é de continuar a olhar em frente independentemente do passado.

9/10 – Fernando Ferreira

9 -Memoriam – “Requiem For Mankind”
Nuclear Blast Records

Detesto falar nisto outra vez mas a acreditar no velho mito urbano de que um terceiro álbum da carreira de uma banda/artista tem o poder de determinar como a mesma será no futuro, então só temos que sorrir porque este “Requiem For Mankind” finalmente materializa tudo aquilo que os Memoriam antecipavam desde a notícia da sua criação. Após um meio gás “The Silent Vigil” (onde a produção fraca nitidamente prejudicou a criatividade do mesmo), este terceiro trabalho não só é o retrato mais Bolt Thrower que a banda alguma vez apresentou na sua ainda curta carreira (aquela “Shell Shock” até arrepia) como é, simultaneamente onde a sua identidade surge mais firmada. Paradoxo? Sim, mas sem dúvida que a descrição mais certa que conseguimos fazer de momento. Death metal britânico que tanto é clássico como se mostra actual (mais outro paradoxo) e grandes malhas que não conseguimos parar de ouvir em loop. Sem enjoar. Este é, definitivamente, um grande álbum!

9/10 Fernando Ferreira

8 - Anifernyen – “Augur”
Ethereal Sound Works

Dizer que “Augur” é uma interessante estreia dos Anifernyen, sabe a pouco. Porque a palavra estreia tem sempre uma certa conotação de inferioridade, mais que não seja por apresentar alguém novo. Não fosse conhecermos um pouco da história da banda e não faríamos ideia que esta é a estreia já que a música que apresenta é de uma qualidade ímpar. Juntando tanto elementos de death metal melódico como um pouco da aura e atmosfera do black metal de uma forma adulta e bastante própria. Com a vantagem de não nos fazerem lembrar directamente nem dos clássicos nem das bandas que possam servir como concorrência. Não só este é um trabalho de potencial imenso para crescer, como revela o próprio potencial da banda para crescer ainda mais. Afinal, é a estreia. Isto é apenas o começo. Enorme começo!

9/10 – Fernando Ferreira

7 - Cranial – “Alternate Endings”
Inverse Records

Que pesum! Daquele gigantesco mesmo que nos deixa derreados mesmo que estejamos confortavelmente sentados a curtir o som. E daquela forma que gostamos, com acesso fácil às repetições hipnóticas. O início com “Faint Voice” é enorme e é o suficiente para que fiquemos logo rendidos, mas esse sentimento ainda vai crescendo mais com as seguintes três músicas. De uma forma que nos deixa sem palavras para descrever o que raio se está a passar. Não é segredo nenhum que nós somos sensíveis a música que joga com as nossas emoções. Viscerais (e por isso pesados embora a distoração possa não estar directamente relacionada com o peso) e contemplativos ao mesmo tempo que cria uma atmosfera que fala mais alto que riffs, vocalizações, padrões rítmicos, letras e arranjos. Tudo se une numa grande e intensa névoa que tem o dom de nos marcar. E este marcou, definitivamente. Convidamos todos a viver o mesmo.

9/10 – Fernando Ferreira

6 - Wolcensmen – “Fire In The White Stone”
Indie Recordings

Sabíamos que ia ser iminente o lançamento do segundo álbum do projecto de Dan Capp dos Wintrfylleth após a reedição da estreia no ano passado. E este segundo álbum eleva uma premissa de si já excepcional a novos patamares de excelência. A premissa da exploração do folk britânico continua intacta mas consegue surgir aqui com novas cores, com novas sensações e atmosferas mas sem de perder de vista o que estava na base. É tentador num projecto onde a simplicidade impera acrescentar cada vez mais elementos – já vimos acontecer isso por diversas vezes – no entanto, e apesar de existirem aqui realmente novos elementos, não há qualquer desvio da identidade de Wolcensmen. Este é um daqueles trabalhos que nos fazem fechar os olhos e viajar para outros tempos, um trabalho raro e contra aquilo que representa o metal mas que mesmo assim tem tanto de si, nas ambiências, nas estruturas e até nas próprias melodias. Tantas vezes ouvimos falar em experiência acústicas por parte da banda, que fazer o inverso aqui (acrescentar distorção) iria ser igualmente proveitoso. Ou melhor ainda! Sem nos desviarmos no entanto do trabalho em si, este é um álbum que não precisa mais nada para se tornar perfeito. Já o é.

9/10 – Fernando Ferreira

5 - Simbiose – “Banalization Of Evil”
Amazing Records

Confesso que este era um disco bastante aguardado aqui pela World Of Metal. Os Simbiose são uma das bandas nacionais que mais admiramos e cuja mensagem lírica faz-nos sentido e vai ao encontro daquilo que acreditamos – e nesse aspecto podemos dizer que continuam tão acutilantes como o expectável. É um desfilar de (já) autênticos clássicos crust/grindcore, com uma produção fantástica e onde a banda surge mais poderosa que nunca. Ou pelo menos mais determinada que nunca. Com alguns temas em inglês (e o “Na Mão de Estranhos” que conta com Juan dos Soziedad Alkoholica a cantar naturalmente em castelhano) e os restantes em português, temos aqui uma série de canções que vemos facilmente a chegar às setlists da banda pela digressão que vai iniciar agora em Novembro pela Europa. Para tentar evitar o lugar comum, não vamos dizer que é o melhor trabalho de sempre da banda portuguesa, até porque têm uma carreira já considerável e recheada de qualidade, mas definitivamente que é um dos seus melhores de sempre.

9/10 – Fernando Ferreira

4 - Once Upon A Winter – “Pain And Other Pleasures”
Snow Wave Records

Deixem-se de tretas que isto de fazer críticas ou análises não é mais do que expôr opiniões pessoais que valem o que valem. Podem encontrar eco nas tendências habituais assim como podem ir contra a corrente e falar ao coração daqueles que gostam do termo (e do que representa) nicho. Pois bem, há quem tenha a opinião que o pós-rock é um género limitado pela falta de soluções que apresenta à sua fórmula habitual assim como há os que apenas querem saber se a música é boa ou se, ainda mais importante, tem impacto ou não. No caso dos Once Upon A Winter, é mais que claro que o pós-rock é o seu foco agora, tendo passado por uma metamorfose que eliminou gradualmente influências mais extremas. E se o género é realmente limitado em termos de surpresas que pode verificar, este é sem dúvida um dos trabalhos mais emocionais que ouvimos nos últimos tempos, onde os espaços vazios respiram e falam-nos ao coração, tanto como aqueles que estão ocupados com sons e atmosferas. Está aqui um dos álbuns do ano, onde as vozes raramente surgem mas quando surgem também é para nos arrebatar – aquela “Nepenthe” é arrepiante.

9.2/10 – Fernando Ferreira

3 - Ancient Moon – “Benedictus Diabolica, Gloria Patri”
Iron Bonehead Productions

O ano é 2019 e, por alguma razão, desde há uns ano para cá que 99% das bandas de black metal decidiram optar pelo visual místico e desconhecido. Usar robes negros com capuches que ocultam a face ou então “máscaras” de tecido negras; não ter nacionalidade, data de formação ou nomes dos elementos; e não dar entrevistas ou falar com o público em concertos são algumas de muitas características que caracterizam estes grupos. Contudo, há um aspeto muito positivo nisto tudo, raramente são repetitivas em sonoridade e demonstram muita qualidade em todo o trabalho que apresentam. Este é o caso de Ancient Moon: uma banda constituída por 3 elementos que (segundo o meio online) são de França, Bélgica e Suíça; apelidam-se de J, B e O; e tiveram origem algures no tempo indistinto. Aqui iremos analisar o seu mais recente álbum – Benedictus Diabolica, Gloria Patri. O nome do álbum equivale às duas faixas (de duração aproximada de 20 minutos cada) que o constituem. O estilo que a banda apresenta aqui é de um black metal rijo e também algum ambiente (notado muito mais na segunda faixa). Num todo o álbum é uma autêntica assombração, com um maior enfoque na guitarra que na bateria no que toca a este ambiente de caos mas não se preocupem que há muito momento da bateria destruidora a que nos habituámos dentro do estilo do black metal. Já o vocal é muito discreto e fica situado entre 2ª e 3ª linha de background. Ofereço uma imagem aos leitores: imaginem-se a caminhar sozinhos numa floresta á noite; a luz refletida da lua não consegue ultrapassar as folhas das árvores e de repente sentem-se rodeados por vultos negros impossíveis de diferenciar; do nada esses vultos começam a correr na vossa direção e a atravessarmos. É basicamente esse tipo de ideia que este álbum dá, e para mim esse é um ambiente estrondoso e de valor. Por isso, apesar de serem “mais uns” místicos do black metal, são excelentes nas suas construções musicais (porque este álbum é mais uma construção de ambientes do que um simples álbum).

9.5/10 – Matias Melim

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2 - Glacier – “No Light Ever”
Edição de Autor

Glacier, um nome que nos surge pela primeira vez. Até que gostamos desta posição, dá-nos liberdade para estarmos sem expectativas ou preconceitos. E depois para sermos arrebatados com o poder de um álbum como “No Light Ever”. Continuamos a ser suspeitos para falar de música instrumental, mas o poder deste trabalho é – ou pelo menos deveria ser – universal. As diferentes nuances, a junção das ambiências do pós-rock com o pós-metal em quatro temas que nos fazem perder a noção do tempo. Do mais épico e esmagador que tivemos oportunidade de ouvir nos últimos tempos, este é um trabalho que vamos andar a rodar constantemente nos próximos séculos.

 9.5/10 – Fernando Ferreira

1 - Insomnium – “Heart Like A Grave”
Century Media Records

Parece que não mas já passaram três anos desde o grandioso “Winter’s Gate”. No entanto, o que os Insomnium têm de bom é que a cada álbum, todo e qualquer tempo que possa passar, muito ou pouco, é imediatamente eliminado no momento em que temos mais um álbum e neste caso é precisamente isso que acontece. Aliás, acontece logo assim que as primeiras notas de “Wail Of The North” soam. Melodias marcantes num álbum com uma hora de duração (sem contar com as faixas extra que não tivemos acesso) e que é praticamente inesgotável. Poderá parecer exagero mas este é um daqueles álbuns que se ouve facilmente umas quantas vezes de seguida e não enjoa. Grandioso!

9.5/10 – Fernando Ferreira

 

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