O Álbum do Mês EP 45 – Novembro 2019​

Álbum do Mês - Novembro 2019

Mais vinte grandes álbuns que recomendamos adquirir sem hesitações. Este mês foi um mês de excepções. Pela primeira vez tivemos dois álbuns do mês e não um e ambos têm a nota máximo – as primeiras que alguma vez dei. Abaixo está a nossa playlist do iTunes – não contem todas as propostas porque nem todas estão disponíveis na plataforma, mas conforme forem disponibilizadas, vamos actualizando por isso, stay tuned! 

20 - Cloud Rat – “Pollinator”

 

Artoffact Records ​

Que grande jarda grind que temos aqui. “Pollinator” não perdoa tal como todos os abusos representados na capa não perdoam. No que nos diz respeito, preferimos a grindalhada para nos meter a cabeça a mexer. É um trabalho curto – como todo o bom grind – e que os atinge como um furacão, levando tudo à frente. O desespero da voz de Madison Marshall aliado ao poder da guitarra de Rorik Brooks e às batidas certeiras de  Brandon Hill são elementos que se conjugam na perfeição em conjunto para nos darem um dos grandes trabalhos do género de 2019.

9/10
Review por Fernando Ferreira

19 - Hope Drone – “Void Lustre”

 

Relapse Records

O fim de tudo. Normalmente são estes discos que acabampor ter um destaque, no entanto, e em nossa defesa, que outra reacção poderíamos ter pertante tal petardo? Tal imensa obra devastadora, capaz de deitar tudo abaixo em poucos instantes. Correcção, essa devastação não é imediata, logo aos primeiros momentos, tudo porque “Being Into Nothingness” começa em crescendo até à devastação que depois irá durar até ao final do disco. Intenso é eufemismo, como já repararam, pelo que poderá haver uma dificuldade por parte do ouvinte em aguentar a mesma ao longo de cinco longos temas durante uma hora. Ainda assim, é uma viagem que não deixamos de querer encetar.

9/10
Review por Fernando Ferreira

18 - Exhorder – “Mourn The Southern Skies”

 

Nuclear Blast Records

O tão aguardado regresso dos Exhorder. É sempre um risco enorme. Se por um lado, da perspectiva dos fãs, é-se insensível a qualquer questão, o que se quer é música nova (embora inconscientemente, o que se quer é mesmo a perpetuação daquilo que fizeram no passado), por outro, a probabilidade de o resultado ser decepcionante é tão proporcional aos anos que passaram. E com isto explica-se a decepção de alguns fãs com o novo álbum dos Tool ou o porquê de uma banda como Sisters of Mercy simplesmente subsistir apenas com concertos, tendo lançado o último álbum de originais em 1990. Bem questões insignificantes aparte, os Exhorder lançaram o segundo álbum em 1992 e desde então já ensaiaram uma série de regressos nunca propriamente concretizados. Até agora. “Mourn The Southern Skies” faz aquilo que é mais difícil neste tipo de regresso, o chamado três em um. Primeiro, é um seguimento do que a banda fez anteriormente, algo como uma evolução e não propriamente a tentar imitar os dias de glória. Segundo, é bom, sustenta-se bem no thrash metal de hoje em dia. Terceiro e último, é honesto e sente-se que a banda quis mesmo dar o passo em frente em termos criativos (ouvie o épico tema-título caso tenham dúvidas), mais do que tentar apenas sacar mais uns cobres. Se calhar é heresia dizer que soa melhor que os dois álbuns anteriores, porque estes já têm um lugar reservado na história do thrash metal, mas a verdade é isso mesmo que sentimos, que está aqui o melhor trabalho da banda, para além de rótulos até. Simplesmente isso.

9/10
Review por Fernando Ferreira

17 - Merda Mundi – “Hatred”

 

Malpermesita Records

O título já diz tudo, não é? Só não diz que esta é uma one-man band de Déhà, o mestre das cento e quinhentas bandas e que tem um foco especial no doom metal, principalmente funeral doom, com resultados fantásticos. No entanto, Merda Mundi é black metal. Puro e duro, unidimensional, full throttle, sem concessões. Adoptando a sua táctica de quatro faixas por disco, Déhà traz-nos não só uma abordagem sem concessões, como ainda essa abordagem em temas longos – o mais curto é de sete minutos – o que deixa ouvinte mesmo de cabeça cheia de mensagens misantrópicas. “Hatred” é recomendado aos fãs de black metal, principalmente, mas quem seja fã de Déhà, certamente que gostará deste “Hatred”, o terceiro álbum de Merda Mundi, cinco anos após “VI – Khaos”.

9/10
Review por Fernando Ferreira

16 - Slow Order – “Eternal Fire”

 

Argonauta Records

Não há nada que apreciamos mais que música instrumental, mas daquela de peso, e os Slow Order conseguem entregar um stoner metal que nos agarra com grandes riffs. Ao contrário do que o seu nome diz, não nos dão riffs lentos mas sim groove hipnótico e cheio de ambiências. Sem grandes segredos, este é um trabalho para injectar directamente na veia e deixar actuar, com o seu efeito a durar bastante tempo no organismo. A parte boa é que não existem contra-indicações para repetir as doses com fartura, algo que obviamente qualquer pessoa fará.

9/10
Review por Fernando Ferreira

15 - Disowning – “Human Cattle”

 

XenoKorp

Existem trabalhos que nos apanham desprevinidos. À primeira vista não haveria nada de extraordinário neste “Human Cattle”, o álbum de estreia dos Disowning. Para já a capa, o lettering, o logo… tudo aponta na direcção de mais um trabalho de brutal death metal. Nada contra isso, até porque é um género que gostamos muito, mas a nossa mente, ávida por coisas novas diz logo em tom arrogante “ok, já vi isto, vai ser assim, assado, e tal e coiso”. E como é normalmente, não erra por muito. Acontece é que este projecto internacional apresenta um death metal ora old school, ora um pouco mais técnico mas com um dedo (e que dedo) para as melodias, riffs e solos memoráveis. Este é um daqueles álbuns que refresca todo um género mesmo sem mexer um mílimetro do mesmo. Apenas por apresentar grandes malhas. “Apenas”.

9/10
Review por Fernando Ferreira

14 - King – "Coldest of Cold"

Indie Recordings

Provenientes da Austrália, os King são uma banda formada em 2012. 3 anos após o lançamento do seu álbum de estreia, o seu segundo está preparado para 22 de Novembro. Apesar de esta banda se caracterizar por uma clara preferência em relação ao black metal, em In Coldest Cold (o álbum em questão) a banda demonstra uma forte tendência a puxá-los para os estilos mais épicos. Isto é notado tanto no conteúdo lírico como na sua sonoridade geral. Ao longo das 10 faixas de In Coldest Cold, os King transportam-nos numa viagem que demonstra ser tão brutal quanto bela enquanto mergulham em temas relacionados com tradições guerreiras  ancestrais e com um toque de naturismo e cosmologia (tudo conectado através de um manto de profetização). Com estes aspectos em conta, qualquer um subentenderia que este álbum não será como qualquer outro dentro do estilo do black metal; e “qualquer um” teria razão. Esta banda faz bastante para assegurar que as suas músicas não se tornem repetitivas e o maior aspecto em que isto se nota neste álbum remete para as numerosas melodias que nele se espalham. Por vezes, assume-se um tom mais melancólico e por outras nota-se uma maior agressão sonora principalmente a nível do vocal e da guitarra. Enquanto que inúmeras bandas de black metal dedicam-se a uma abordagem mais ruidosa da sua música, os King optam antes por uma tom mais claro, não significando isto que o seu som seja leve, simplesmente não há atropelamentos constantes dos diferentes instrumentos. Tanto o vocal como a guitarra são os elementos de destaque, contudo nota-se que a bateria, apesar de relativamente discreta, é fulcral na criação do ambiente que esta banda acaba por criar: um frio mortal, escuridão e instinto sanguinário. Tudo isto para dizer que este é um daqueles trabalhos que motiva o ouvinte desde início ao fim, tanto em termos líricos como instrumentais por estar continuamente a desenvolver ideias novas ao longo do seu desenrolar.

9/10 
Review por Matias Melim

13 - Foscor – “Els Sepulcres Blancs”

Season Of Mist

Uma das fantásticas características da Música, é o nunca deixar de nos surpreender. Os anos passam, novos e velhos artistas, mas há sempre um que, no meio do marasmo de toda uma “esfera musical”, nos consegue apresentar algo belo e admirável. Isso não significa que opera uma drástica mudança/inovação! Não, tal não é mandatório. Podemos estar perante um grupo de pessoas que, pegando em elementos que o inspiram e motiva, nos presenteia com a sua perspectiva desses mesmos elementos. Os Foscor, banda catalã já com alguns anos de existência, tem neste “Els Sepulcres Blancs” a sua oferta da trilogia iniciada em 2017, com “Irreals Vision”. E estamos, na minha humilde opinião, perante um tremendo álbum, uma imensa oferta musical… A diversidade aqui apresentada ultrapassa, em larga medida, as fronteiras do Metal Extremos, bebendo de linhas estilísticas muito mais próximas de um Post/Instrumental Rock, criando harmonias e entrelaçados soberbos. Num primeiro contacto, Sólstafir será, porventura, a banda mais “presente”. As melodias doces, ao mesmo tempo, escuras e melancólicas, plenas em escuridão e peso emocional. A voz de Fiar, em contraste com o instrumental, é doce e leve, embalando o ouvinte em adocicadas melodias, criando um fluir constante de cada um dos sete temas que compõem este trabalho. Catalogar esta banda tornou-se, agora, uma tarefa um tanto ou quanto difícil, em muito devido ao facto das estruturas, por esta criadas. De Enslaved a Katatonia, arrisco dizer que há, inclusive, um pouco de Sigur Ros em alguns momentos. Aquela já referida melancolia negra embalada em cama luminosa… belíssimo. Mas há, ainda que em menor medida, elementos do passado Black Metal da banda. Há momentos vocais, há momentos instrumentais… e há o Post Black Metal que, no final, é “Els Sepulcres Blancs”. Arriscada, esta catalogação. Aceito e compreendo, mas não consigo deixar de o fazer. Já há algum tempo que um álbum não me agarrava desta maneira! A todos aqueles que apreciam uma bela dose de melodia e não impõem a si mesmos limitações a nível musical, este trabalho é para vós! “L’esgai” o tema que encerra o álbum… fabuloso!

 9/10
Review por Daniel Pinheiro

12 -Psychotool – "Rotten Paradise"

 

Black Sunset Records

Os Psychotool são uma banda de death metal que ora se caracteriza por ser mais do aspecto brutal ora por ser do estilo mais melódico. Formados em 2016, estes alemães oriundos de Gottingen, apresentam o seu álbum de estreia, Rotten Paradise, que vem após a primeira demo, Toolista. Com Rotten Paradise, os Psychotool mostram o objetivo com que foram colocados no mundo: para destruir e rugir na cara das pessoas com o seu som pesadíssimo e ritmicamente viciante. Uma coisa que se nota logo à partida é o facto de que os sons harmoniosos agudos são completamente extraídos de qualquer uma das faixas deste álbum, apoiando-se este inteiramente em sons graves mas sempre limpos. Passo a explicar, apesar da clara influência de brutal death metal notada tanto a nível do vocal como em certos segmentos de guitarra e bateria, estes dois últimos tendem a ficar num plano de death metal normal e moderado em ritmo, sendo que é bastante fácil verificar as oscilações na guitarra assim como relembrar com precisão as batidas que caracterizam este álbum na sua generalidade. A parte rítmica deste álbum parece-me ser a parte de maior destaque, por poucas palavras: acho que nunca ouvi ritmos tão viciantes como nesta peça. Tanto pela bateria como pela parte rítmica da guitarra, esta banda cria sons que de facto dão a vontade de partir pescoços (tanto no sentido do meio metaleiro como no sentido do meio social). Resumidamente, é possível caracterizar este álbum como sendo uma força bruta que está apta a ser disfrutada também por aqueles que normalmente não apreciariam géneros tão pesados dentro do metal.

10/10 
Review por Matias Melim

11 - Dolch – “Feuer”

 

Ván Records

Este não é um trabalho de fácil categorização, o que por si só garante logo o nosso interesse, principalmente porque, por aproximação, anda pelos campos do doom metal assim como do ambient mais pesado, se é que algo assim existe. É um álbum com uma aura intensa e densa – “A Funeral Song” consegue ser pesada, melancólica e fatal como uma maldição capaz de levar qualquer um até ao abismo. De uma hipnose generalizada para a perdição, é o primeiro trabalho desta banda, consta que o primeiro de três. Se acabasse agora, aliás, se o mundo acabasse agora, para nós estava tudo bem, já que é difícil fazer melhor que isto.

9/10 
Review por Fernando Ferreira

10 - Basalto – “Odor”

 

Fuck Off and DIY

“Odor é título do terceiro registo de originais dos Basalto, trio de Viseu composto por: António Baptista, guitarra/voz; Nuno Mendonça, baixo e João Lugatte, bateria. Este novo trabalho, que tem como base de inspiração o poema “Odor” de Martim Sousa, a banda consegue pegar no Stoner/Doom já consolidado nas duas propostas anteriores (“Basalto” de 2015 e “Doença” de 2017) e usa uma roupagem densa, angustiante com climas mórbidos, andamentos lentos mas extremamente obscuros e pesados. Introduzem vocalizações cavernosos que conferem na perfeição um ambiente deprimente, de extremo impacto e mesmo assim cativante. O feeling transmitido pelos 4 temas (dois deles bem longos e que continuam a ser identificados por numeração romana) ficam a cargo dos riffs, da óptima distorção e da notória evolução na secção rítmica principalmente da bateria, tornando a sonoridade mais potente e estrangulante! “Odor” é um disco num género para poucos, apenas para quem ousa aventuras e experiências musicais extremas e tocantes, e é um trabalho enriquecedor, bom para a mente, demonstrando um alto fluxo criativo, um passo em frente e consciente na afirmação sacramental dos Basalto e também do estilo que abraçam. Produzido pelos Basalto, gravado, misturado e masterizado por António Baptista e realizado pela Fuck Off And Do It Yourself Records, será apresentado oficialmente dia 1 de Novembro na Associação Cultural Fora do Rebanho em Viseu, seguindo-se o Oeste Underground Fest na Malveira, dia 2 e Rock Star Pub em Braga no dia 3. “No chão aspiro, subo ao mundo, rebento…”

9/10 
Review por Paulo Aguiar

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9 - Blame Zeus – “Seethe”

 

Rockshots Records

Que os Blame Zeus já eram uma das grandes bandas do nosso panorama alternativa, já não tínhamos dúvidas. Que eram também uma banda que tinham crescido e evoluído a pulso e pela actividade ao vivo que têm tido em cima dos palcos nacionais, foi algo que pudemos apreciar nos últimos anos. Agora que tinham dentro de si um disco monstruoso para deitar cá para fora como este “Seethe” é que não fazíamos ideia. Mas desconfiávamos. “Seethe” é a materialização dessa mesma evolução da banda que surge aqui mais contundente, mais pesada e mais directa mas não dispensando nenhuma das nuances que fazem parte da sua identidade musical. É um trabalho dinâmico onde o peso e a emoção convivem lado-a-lado e resultam num grande álbum. A confiar no mito urbano do terceiro álbum – aquele que define a carreira de uma banda – estamos em crer que o futuro dos Blame Zeus ainda será mais brilhante do que tínhamos antecipado. Com muitos destaques – “DéJà Vú” que já conhecíamos, “Down To Our Bones” com a participação de Rui Duarte dos Ramp ou o single “No”. Forte, cada vez mais forte.

9/10
Review por Fernando Ferreira

8 - Sarke – “Gastwerso”

 

Indie Recordings

Sarke é um projeto auto-intitulado do músico Sarke que foi iniciado em 2008. Apesar de no início este projeto ter tido raízes individualistas, foi cedo que a este conhecido nome do black metal se juntaram outras personalidades conhecidas, como foi o caso do vocalista Nocturno Culto (antigo Satyricon). Após 5 álbuns lançados, a banda veio a desenvolver uma carreira algo conhecida, tendo passado por palcos importantes da cena metal localizados na Europa central e do norte. Agora, apresentam o seu mais recente investimento, Gastwerso.
Gastwerso é um álbum que consegue transformar elementos do black metal de modo a que soem mais sóbrios, numa linha mais solene e calma isto é. Por outras palavras, é um álbum pesado com ritmos por vezes lentos mas sempre com muita “classe”. Importa também dizer que o uso do teclado neste álbum é fenomenal e trá-lo por vezes a um certo nível de black metal sinfónico. Fossem todos os teclistas assim: presença praticamente costante mas nada invasiva (junta qualidade, não substitui), criação de melodias sinfónicas dramáticas e desenvolvimento de um miasma de agonia e caos. No que toca ao vocal, este é roco mas completamente perceptível, adotando mais um papel de fúria e revolta do que propriamente “rugir desalmado e impossível de interpretar”. Já os dois elementos mais expostos (bateria e guitarra) oscilam bastante ao longo do álbum, isto é, o álbum tem tanto momentos mais rápidos de batidas viciantes e de guitarra sem misericórdia como também tem momentos mais pacatos e ambientes (neste caso a faixa In The Flames anda muito na linha entre um e outro). E é basicamente isto, é um trabalho que para mim é muito difícil de desgostar, sinceramente um spot-on no que diz respeito a criar um projecto musical sombrio e ao mesmo tempo destruidor que consegue ainda unir pontes diferentes do black metal (rapidez – lentidão, minimalismos – sinfonias e ambiente – explosividade).

10/10
Review por Matias Melim

7 - Mayhem – “Daemon”

 

Century Media Records

Vamos todos ser bastante sinceros e admitir que os Mayhem, durante muito tempo, subsistiram na popularidade graças mais a mística do que propriamente a material apresentado. Não que tenham um mau trabalho e não negamos o impacto estrondoso que o EP “Deathcrusth”, o álbum ao vivo “Live In Leipzig” ou mesmo o primeiro álbum “De Mysteriis Dom Sathanas” tiveram na cena, principalmente este último no auge de todoa a polémica que todos conhecemos. Apesar da qualidade de “Grand Declaration Of War”, um trabalho que o tempo acabou por premiar, de “Chimera” e “Ordo Ad Chao”, que foram bem recebidos pela crítica ao contrário de um “Esoteric Warfare” que não convenceu por completo, embora também não seja um mau álbum. E agora temos “Daemon”, o sexto álbum que servirá, acreditamos, para colocá-los devidamente no lugar em que merecem. Talvez tenha sido demasiado tempo, talvez tenham sido demasiadas ocorrências extra-musicais, talvez tenham sido demasiados lançamentos (compilações, álbuns ao vivo com mau som) a tentar explorar a vaca leiteira, mas “Daemon” mostra-nos a banda coesa com o seu passado, acutilante como esperado e, melhor que isso, bem eficaz. É provavelmente um dos melhores álbuns que lançaram nos últimos anos, talvez até mesmo desde “De Mysteriis Dom Sathanas”, mas isso nem sequer interessa, porque assume-se como uma obra independente, sem estar presa ao passado mas revelando caminhos para o futuro.

 9/10
Review por Fernando Ferreira

6 - Essence Of Datum – “Spellcrying Machine”

 

Season Of Mist

Grande surpresa, enorme, este álbum dos Essence Of Datum. Ou melhor, a própria banda. Foi o nosso primeiro, a nossa porta de entrada para a banda – a associação à Season Of Mist tem esta vantagem – mas é já o terceiro trabalho. Sete temas que podem encaixar-se sob várias categorias já que são instrumentais – a voz seria o factor decisivo nesse aspecto. Progressivo, death metal progressivo, não interessa mesmo. Temos sete temas e sete viagens a destinos diferentes mas que têm todos o mesmo ponto em comum, o amor à música pesada onde o que fala mesmo mais alto é a bateria, baixo e guitarra. Este é um daqueles álbuns que até podemos não interiorizar por completo à primeira mas que facilmente voltamos a colocar para mais uma rodagem. Por falar em rodagem… se isto fosse um carro, já tinha ido à China e voltado.

9.2/10 
Review por Fernando Ferreira

5 - Apotheus – “The Far Star”

 

Black Lion Records

O mítico segundo álbum. Para as bandas portuguesas, o segundo álbum era uma realidade difícil de concretizar e quando concretizada, a mesma surgia sempre com alguns anos de intervalo da estreia. É o caso dos Apotheus, mas este “The Far Star” apresenta-se tão ambicioso e bem conseguido que confundimos o nosso desejo de os ver a deitar cá para fora álbuns com a realidade que nunca está nas nossas mãos e muitas das vezes nas mãos das próprias bandas. E não é exagero nem orgulho nacional exacerbado – existe orgulho nacional por vermos os Apotheus a lançar um álbum desta qualidade, logo justificado – já que temos aqui um conjunto de temas que nos elevam como amantes de música. O facto de o apelidarmos de progressivo não é uma categoria estanque, apenas indicativo da riqueza estilística que açambarca. Da melodia ao peso, do visceral ao suave ambient, há um fio condutor que une tudo isto além da óbvia identidade musical – o cuidado em que cada música seja uma mensagem que nos atinge em cheio no coração. Fantástico, simplesmente fantástico.

9.2/10
Review por F
ernando Ferreira

4 - Exhumed – “Horror”

 

Relapse Records

Os mestres regressam. E podemos dizer que regressam em grande. Comecemos logo pelo festim de bom gosto que é a capa, a pegar na nostalgia dos videoclubes, com o título a servir de categorização do género assim como o autocolante de pedir para entregar a cassete rebobinada. Quanto ao som, não me recordo de ver a banda tão condensada e acutilante. São quinze temas em pouco mais de vinte e cinco minutos que nos mantem agarrados do primeiro ao último minuto – quantos álbuns de death/grind tentaram trazer muito e acabaram por perder os ouvintes a meio? Não há momentos aborrecidos, não há enchidos, tudo funciona de forma perfeita, ouso dizer, como nunca antes na sua carreira.

9.2/10
Review por Fernando Ferreira

3 - Epta Astera – “Festé Burg”

 

Mourning Light Records

Que álbum fantástico! Este álbum dos Epta Astera é daqueles que nos cativam logo à primeira audição. Ambiência fantástica que nos é transmitida e construída com canto gregoriano mas que é amplificada por instrumentos medievais e por partes de metal extremo que se aproximam do black metal. Isto traduzido por palavras parece uma enorme salganhada, mas resulta. Resulta e como. É um daqueles álbuns que surgem uma vez na vida e que tem o dom de nos deixar fascinados para sempre. De uma beleza estonteante e que funciona também como álbum conceptual sobre o dia em que Lutero prendeu a uma porta de uma igreja com pregos as suas Noventa e Cinco Teses. Sinceramente, até poderia ser sobre a apanha do caracol, seria excelente na mesma!

9.5/10
Review por F
ernando Ferreira

1 - Iapetus – “The Body Cosmic”

 

Edição de Autor

Não vou mentir. As minhas expectativas estavam altíssimas para este segundo álbum do duo canadiano conhecido como Iapetus. Não só este projecto ficou guardado no coração por ter sido um dos primeiros grandes álbuns que tive oportunidade de analisar na World Of Metal, como também foi o álbum do mês, além de ter sido considerado por nós o melhor álbum progressivo desse mesmo ano – 2017. Além de que Jordan Navarro e Matthew Cerami, a dupla que compõe Iapetus, são duas pessoas extremamente simpáticas. Tudo coisas que tornariam difícil a isenção deste trabalho, e acrescentariam dificuldade principalmente se “The Body Cosmic” fosse um trabalho inferior. Bem, não teve que acontecer uma conversa interior para colocar-me no espírito certo. Afinal, mal rebenta (e “rebentar” é o termo correcto) o tema título no início, todas as inquietações desapareceram. O peso continua presente, interpretações perfeitas (destaque para a bateria, cortesia de Dan Presland dos Ne Obliviscaris) os temas longos mas cheios de dinâmicas também e sobretudo o conceito, o aspecto sobre o qual menos me inteirei, continuava a ser apaixonante. Apesar de termos vocalizações, inclusive femininas, arrisco a dizer que este é um trabalho onde as mesmas têm um peso relativo. É como uma banda sonora, onde a voz, quando surge, é como apenas mais uma parte do todo e não propriamente algo a liderar o quer que seja. Tem-se peças de beleza ímpar (aquela “Hadean Heart” é de ir às lágrimas) e um trabalho ao qual podemos dedicar audições consecutivas sem nos cansarmos, que consegue crescer a cada uma delas. E depois, aquela questão em desuso, em que a música tem uma certa ordem e um certo sentido. Tal como um filme ou livro, esta é uma obra para ouvir do início ao fim, sem paragens. Se isto não é o melhor álbum de todos os tempos, anda lá perto. Posto isto e tendo em conta que nunca dei a nota máxima até agora… alguma vez tinha que acontecer.

 10/10
Review por Fernando Ferreira

1 - Slow – “VI – Dantalion”

Code666

Com o número elevado de álbuns que tenho à minha espera, e o elevado número de músicas novas que ouço por dia, é impossível manter o entusiasmo de outrora. O entusiasmo por música nova. Afinal, música nova é algo que tenho todos os dias. Claro que quando uma banda clássica lança um álbum, há algum burburinho a formar-se, alguma expectativa no horizonte, mas no entanto, aquele frenesim que me fazia ir a correr para a loja para comprar o cd no dia em que o mesmo saía (ou pelo menos estava disponível no fornecedor) já há muito que desapareceu. A não ser com os Slow. Esta banda, duo, formado por Déhà e Lore, deixou-me derreado e esmagado com o trabalho anterior, “V – Oceans” e conquistaram um fã para a vida toda. “Dantalion” foi portanto um trabalho bastante aguardado e apesar de continuar a ser funeral foom (ou atmospheric funeral doom), viciante. Claro que este vício demora bastante tempo a materializar-se tendo em conta que cada audição demora quase oitenta minutos. São sete temas, sete descidas ao inferno pessoal de cada um – essa identificação por parte dos Slow continua infalível, continuam a ir ali directo ao ponto de cada um, ao ponto de doi tão maravilhosamente bem – e trazem ainda consigo todos os requintes de uma fantástica banda sonora da qual nem precisamos de ver o filme. A música É o filme. É o tipo de obra que tem potencial para nos fazer dizer “Hodene-se! Desisto, como é que eu posso querer fazer algo na minha vida que se aproxime desta grandiosidade?” assim como poderá fazer com que nos sintamos abençoados por estar vivos e presenciar tal beleza em estado puro. Só tenho pena que isto não chegue a um número enorme de pessoas porque isto merecia ser álbum do ano. Em todo o lado! Terei de me contentar em ser álbum do mês na World Of Metal, a par com os Iapetus e como tal, também deitar abaixo a minha barreira pessoal da nota máxima. No entanto pela qualidade do trabalho, acho que se vai espalhar por todo o lado. Se isso não acontecer, pelo menos sempre será feita justiça aqui.

10/10
Review por
Fernando Ferreira

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