Pilhas de Discos #11 – Megadeth, Junkbreed, Bloodbound, Burning Witches, Mors Principium Est, Persefone, Ptolemea!
Megadeth – “Megadeth”
2026 – BLKIIBLK (Frontiers Music)
Os Megadeth são um dos nomes universais do heavy metal. O thrash metal já lá vai há algum tempo, apesar dos laivos sempre presentes nos álbuns pós-“Rust In Peace”. No entanto, algures ao longo do tempo, o impacto dos seus álbuns começou a ser progressivamente mais curto, embora o legado se tenha mantido intocável. Perante o facto de ser este o seu último disco (ainda por cima auto-intitulado, que tem sempre em si o poder de declaração de afirmação), a curiosidade era enorme e não foi defraudada. Os problemas dos últimos discos, podemos encontrá-los aqui, mas o que encontramos também é que parte desses problemas são o facto de não estarmos abertos a receber mais clássicos por parte da banda. Tendo isso em mente, há por aqui muitos temas que daqui a uns anos poderão ser vistos como tal. Até mesmo a juvenil “I Don’t Care”, acaba por ter um impacto maior que o esperado, apesar da sua letra e da forma abrupta como acaba. E claro, a piéce de resistance, é a cover de “Ride The Lightning” que não é muito diferente do original, apesar da produção actualizada, do tempo um pouco mais elevado e claro da voz de Mustaine que nem sempre soa bem neste contexto, mas que ainda assim dá muito gozo ouvir. Posso dizer que como fã de Megadeth, já não havia um álbum da banda que me tenha criado expectativas altas, que não as destruísse e que me prendesse tanto a puxar a audições repetidas. Sem dúvida, um dos destaques de 2026. (9/10)
Junkbreed – “Sick Of The Scene”
2025 – Raging Planet (Ride The Snake)
Os Junkbreed estão de regresso aos discos e “Sick Of The Scene” é uma lufada de ar fresco em relação ao “Music For Cool Kids”. Não pela estreia ter algum problema – de todo, é um álbum ao qual se visita com prazer redobrado – mas por ser uma oportunidade de apresentar algo novo, extrapolando para além da matriz daquilo que está para trás. Cortando gorduras e apostando em faixas mais directas mas sem perder as nuances da mistura entre post-hardcore, metal e punk. Apesar de ser curto, pouco mais de meia hora, é um dos discos mais intensos dos últimos tempos, e que nos prova que esta banda tem a criatividade para criar a música que precisamos de ouvir sem sequer sabermos. (9/10)
Anzv – “Kur”
2025 – Edged Circle Productions
Os Anzv estão de volta com o seu segundo álbum. Se na estreia “Gallas”, fomos todos apanhados de surpresa, agora em “Kur”, as expectativas já eram consideráveis. E não foram destruídas por esta nova colecção de músicas. Pelo contrário, “Kur” solidifica a posição dos Anzu como uma das propostas nacionais de valor e com potencial para chegar lá fora. As nuances da sua música poderão passar despercebidas aos ouvidos menos atentos, não invalidando o facto de ser o impacto ritualista aquele que fala mais alto ao longo destes 10 temas. Recomendado. (8.5/10)
Galactic Empire – “Cinemetal”
2025 – Pure Noise Records (Kinda PR)
Por vezes há projectos que surgem em resposta a preces feitas décadas atrás. Foi o meu caso que tive como primeira paixão na música as bandas sonoras e que depois de descobrir a música pesada, salivar por cada referência, cada pequena aproximação entre estes dois mundos. Então quando um projecto como Galactic Empire que se dedica precisamente a isso mesmo, é fácil perceber, graças ao seu sucesso mundial, que o meu desejo de criança não era único no universo. Indiana Jones, Super-Homem, Batman, Exterminador Implacável e Regresso Ao Futuro são algumas rendições que deixam qualquer fã de cinema a salivar, principalmente se gostarem de distorção e leads melódicos de guitarra. (8/10)
Jours Pâles – “Résonances”
2025 – Les Acteurs de l’Ombre Productions
Os Jours Pâles não são a banda normal de black metal. A sua sonoridade é por vezes melódica, de uma forma acessível, sempre com um lead omnipresente, como intercala esses momentos com outros de brutalidade acrescida. E depois a voz, num tom gritado e não muito característico do estilo, também acaba por ser mais um ponto dissonante. No geral, e com alguma boa vontade e habituação, é algo que acabamos por interiorizar bem, no entanto é necessário algum espírito aberto que será recompensado por momentos que se tornam viciantes. (7.5/10)
Mindkiller – “Technocratic War Machine”
2025 – Fetzner Death Records (The Metallist PR)
Os Mindkiller estreiam-se discograficamente com um poderoso EP de quatro temas que são a melhor apresentação possível ao seu som. Brutal death metal de cariz técnico que se afasta das tendências mais recentes, o que acaba por ser refrescante. Boa produção no geral, com o último tema “Requiem For The Gods Amongst Evil” a ter uma sonoridade diferente, e ligeiramente pior, talvez por ter sido registado noutra sessão de gravação. (7/10)
Under Black Sky – “Bad Blood“
2025 – Self Release (O’Donnel Media Group)
Até me custa falar mal (ou melhor, não falar extraordinariamente bem) deste álbum dos Under Black Sky. Isto porque a sua música não é má. Bons valores de produção, bom talento a compôr e a executar, tudo bonitinho para encaixar nas tendências mais modernas mas… onde está o arrojo de quebrar as regras? Estas melodias são vencedoras, é certo, bem caçadas e bem exploradas, mas a fórmula é toda a mesma e tem sido já há algum tempo desde o lançamento de álbuns como “Hybrid Theory” e da conjugação de uma componente pop com peso. Para quem gosta dessa fórmula e não se cansa da mesma, tem aqui um álbum para durar. Para nós, ouve-se bem mas não mais do que isso. (6.5/10)
Bloodbound – “Field Of Swords”
2025 – Napalm Records
Ao primeiro álbum dos suecos Bloodbound para a Napalm Records, eles entregam uma bomba power metal. Já são vinte anos de carreira – o tempo passa mesmo rápido – e com a experiência, o seu talento tem vindo a aprimorar cada vez, como é prova cabal estes onze temas, estes verdadeiros hinos épicos do género, com um feeling bombástico e sem muitas gorduras – os temas rondam os três, quatro minutos. Eficaz e memorável. É só o que queremos da música hoje em dia. (9/10)
Aftervoid – “Negative Space”
2025 – Anti-Demos-Cracia
Depois de uma estreia bastante interessante, os covilhanenses Aftervoid estão de regresso com o seu segundo lançamentoe mudam o paradigma do seu som. Ou regressam à sua matriz. Se na estreia tivemos uma sonoridade entre o ambient e rock progressivo clássico, aqui a banda mergulha nas raízes Dark Wave/Ambient e apresenta um trabalho dividido em duas faixas longas instrumentais, onde o experimentalismo se sobrepõe a uma estrutura mais tradicional. Algumas nuances noise, que intensificam o factor claustrofóbico criado logo à partida, a começar pelo próprio título do álbum. Inesperadamente, e apesar de esteticamente preferimos a sonoridade do primeiro álbum, esta metamorfose é bastante interessante e deixa o futuro bastante aberto em termos criativos para os Aftervoid. (8.5/10)
Dark Divination – “Liitto Hengen Ja Veren”
2025 – Signal Rex
O underground finlandês sempre foi fértil na sua oferta de música extrema e o seu black metal particularmente sempre se mostrou distinto. Dark Divination é uma one-man band que lança com “Liitto Hengen Ja Veren” o seu trabalho de estreia. Black metal primitivo e a roçar o lo-fi, mas com o olho posto nos ambientes desoladores e sempre com melodias cativantes. Poderá ser um conceito estranho, melodias cativantes e black metal finlandês lo fi no mesmo contexto, mas como toda a música tem melodia e como estamos a falar daquilo que é cativante no contexto do black metal, faz todo o sentido. (8/10)
Rawfoil – “Where Malice Converges”
2025 – Ad Noctem Records (The Metallist PR)
Sete anos depois, os Rawfoil regressam com o seu segundo álbum de originais. A designação speed/thrash metal não lhes encaixa, embora o reino do thrash continue a ser o seu campo de batalha favorito. No entanto, há por aqui uma tonalidade mais moderna, sem entrar propriamente no groove, que não deixa espaço para a componente mais tradicional do speed metal. Temos uma vertente mais técnica e uma abordagem que roça o death metal nalgumas ocasiões. Não sendo imediato, com a devida persistência poderá ser gratificante para o ouvinte fã de um thrash metal bruto e pouco convencional. (7/10)
Polymerase – “Mindspace”
2025 – POT Arrow Records (The Metallist PR)
Das Filipinas chegam os Polymerase com o seu álbum de estreia “Mindspace”, depois de terem lançado três EPs. Dão diversas opções para a definição do seu som, do stoner ao post metal, no entanto, aquela que nos parece mais apropriada é do comunicado de imprensa que os categoriza como psychedelic doom. Faz sentido, principalmente pelo sentido etéreo da sonoridade que podemos encontrar nesta mais de uma hora de música. Há no entanto algumas passagens – como os guturais na “Crows And Doves” que acabam por borrar a pintura. Versatilidade e sair fora do previsível é sempre positivo, no entanto, quando se sente que se sai fora da identidade de tudo o resto… deve-se evitar. (6.5/10)
Obšar – “V rabstvi merzotnyka”
2025 – Edição de Autor
Depois de 3 álbuns, os eslovacos Obšar regressam com um EP que é uma apresentação interessante ao seu som, com todas as suas qualidades, mas também defeitos, bem evidentes. Sonoridade bem old school dentro do espectro do black metal melódico e com a produção a soar datada. A produção acaba por ser, mais que as composições em si, o principal problema. Baça, com os teclados em modo eurodance a sobressaíram e a trazerem uma mensagem confusa para quem chegou aqui agora. Boas ideias todavia. (5.5/10)
Burning Witches – “Inquisition”
2025 – Napalm Records
A nossas bruxas favoritas estão de volta, com mais um grande álbum de heavy metal. Tivemos mais uma mudança de formação, saiu nas guitarras Larissa Ernst e entrou para o seu lugar Courtney Cox, mas nada mudou em termos sonoros, continuamos a ter heavy metal cheio de músculo e atitude, com virtuosismo – sobretudo no trabalho de guitarras que continua esplendoroso. A voz de Laura Guldemond continua a personificar aquilo que o heavy metal deve ser e soar, mas nada disso, bons executantes e vocalistas, serve, se não houver veículos para explorarem o seu talento. E aqui temos um conjunto fantástico de canções que recomendamos a qualquer fã do género. (9/10)
June 1974 – “Fragile”
2025 – Edição de Autor
Junho de 1974. Certamente uma data importante para o compositor italiano Federico Romano, já que escolheu como designação do seu projecto musical, do qual não só compõe como também toca todos os instrumentos. Musicalmente até nem é, em si, algo que nos arrebata à primeira audição. No entanto conta com um trunfo na manga que é quase imbatível. A voz de Sophie Leestrom que causa um efeito etéreo à música. Etéreo e hipnótico que torna tudo o resto irrelevante. Até qualquer preocupação que se tenha. Como andar sem tocar no chão. (8.5/10)
Primal Fear – “Domination”
2025 Reigning Phoenix
Os Primal Fear estão de volta com mais um álbum. Dito desta forma, até parece que já não há grande pompa e circunstância acerca do evento. De todo. A banda alemã tem uma longa carreira com alguns altos e baixos, mas mesmo nos seus piores momentos, a garantia de bom heavy/power metal é forte e “Domination” não destrói essa certeza construída ao longo de quase 30 anos. A voz de Ralf Scheepers continua a ser impressionante e a música traz-nos entre temas midtempo ou outros mais speedados a mesma garra heavy metal esperada. Os fãs não vão querer perder e até quem esteja a começar naquilo que a banda faz, poderá ficar agarrado. (8/10)
Hollow Peak – “Obsidian Cult”
2025 – Massacre Records (Neecee Agency)
Estreia por parte dos noruegueses que são um pesadelo para quem gosta de colocar tudo bonito em prateleiras estilísticas. Não que o seu som seja tão fora da caixa que se torne incatalogável, apenas consegue escapar, com mestria acrescente-se, entre os pingos da chuva que marcam qualquer identidade musical. Sem dúvida que tocam metal, têm guitarras, têm leads (sem solos) e têm intensidade rítmica, fazendo lembrar aquele híbrido de death metal melódico que surgiu no início do milénio que muitas vezes se chamava de modern metal. O twist aqui é a fantástica voz de Ragnhild Westgaard que tornam este álbum vício inesperado. (8/10)
“Reforged – Machine World”
2025 – Perception (Reigning Phoenix Music)
Os Iron Savior são uma banda emblemática de power metal alemã que nunca conseguiu o reconhecimento (talvez devido) como outras seus pares. “Reforged – Machine World” é o segundo álbum de regravações depois de “Reforged – Ironbound” numa carreira prestes a completar as três décadas. É como um best-of adulterado. Na minha opinião, as regravaões, por muito polémicas que sejam, são sempre interessantes por mostrar reinterpretações de clássicos e se não satisfizerem, pelo menos darão sede pelos originais. O único problema é quando as gravações evidenciam que a banda não tem muitos rasgos de genialidade. Competente e ideal para os fanáticos de power metal alemão, mas para o resto do público, poderá passar ao lado tal como as versões originais. (7/10)
Baneful Tongue – “Baneful Tongue”
2025 – Edição de Autor
Trabalho de estreia desta one-man band norueguesa death metal enegrecido e bem frio. Unidimensional musicalmente mas com um enorme potencial atmosférico, esta estreia deixa muitos pontos de interesse para quem gosta sempre de variar na sua música extrema – ou seja, para quem não tem hábito com o death metal cavernal. Boas indicações e vontade de ver qual será o seu próximo passo evolutivo. (6/10)
Mors Principium Est – “Tenebrae Latebra”
2025 – Perception (Reigning Phoenix Music)
Os Mors Principium Est regressam em grande. O seu mais recente trabalho solidifica a sua posição no patamar do death metal melódico europeu. Sem reinventar a roda e sem querer modernizar o quer que seja – para isso já temos o Metalcore há mais de vinte anos. O forte deste “Tenebrae Latebra” é mesmo a qualidade superior das composições, onde as melodias são memoráveis – algo cada vez mais difícil de atingir – e a proporção do equilíbrio perfeito destas com o peso é enorme. É, provavelmente (apenas o tempo o dirá com certeza), um dos seus melhores discos dos últimos anos. (9.5/10)
Persefone – “Live In Andorra”
2025 – Napalm Records
Os Persefone são uma das grandes forças do metal progressivo com uma evolução que tem sido fascinante de acompanhar. Mesmo sabendo que os álbuns ao vivo hoje raramente deixam de ser de um lançamento para encher discografia, a nossa expectativa para ouvir este trabalho era enorme. E não ficámos desiludidos, apesar daquilo que apresentam aqui não ser muito distinto das versões de estúdio dos seus trabalhos mais recentes – a primeira parte da sua carreira continua a ficar em casa na hora de escolher o alinhamento, o que também é compreensível tendo em conta a já citada evolução da banda. Algo que fica esbatido na sua qualidade musical. Para quem gosta de metal progressivo (e cada vez mais são uma banda de metal progressivo em detrimentos das suas raízes de death metal melódico), esta é a oportunidade ouvir uma das grandes bandas europeias a tocar em casa. (9/10)
Amorphis – “Borderland”
2025 – Reigning Phoenix Music
Sempre fui um defensor dos Amorphis na era de Tomi Joutsen, sendo que capturava o melhor das duas fases anteriores, embora agora, em retrospectiva, seja fácil verificar que da primeira sobrou muito pouco e que o gutural de Tomi tem vindo a perder terreno nos últimos anos. Nada contra, apenas a sua música, apesar das grandes melodias que continuamos a encontrar, começa a soar toda um pouco semelhante. Perigosamente semelhante entre si. Não é o excelente álbum que esperávamos. Não pela música em si, mas pelo simples facto de ser previsível na sua fórmula. Ainda assim, há aqui temas que vão certamente crescer interiormente do ouvinte. Vai é levar mais tempo que o esperado. Ou desejado. (8/10)
I Promised The World – “I Promised The World EP”
2025 – Rise Records
Estreia pela Rise Records é logo um passo que faz voltar cabeças. Para quem se deixa influenciar por esse tipo de coisa, no entanto há que reconhecer que esta editora raramente falha nas suas apostas. I Promised The World vai buscar o impacto positivo e refrescante que o pós-hardcore mais emocional teve antes de se tornar uma tendência e sermos inundados por propostas semelhanças. Alguma inocência mas talento para equilibrar o peso e melancolia. Claro que tem lugares comuns, mas na nossa opinião estes jogam a favor da banda e não contra ela. (7/10)
Cold Slither – “Cold Slither”
2025 – Reigning Phoenix Music
Quando se pensa que já se viu e ouviu de tudo… Os Cold Slither são uma joint venture entre a editora Reigning Phoenix Music e a Hasbro, a companhia de brinquedos que detém os direitos dos desenhos animados G.I. Joe. Para comemorar os 40 anos do episódio “Cold Slither”, onde uma banda com o mesmo nome serviu o propósito dos cobra para dominar o mundo, as duas companhias uniram esforços para materializar uma banda com o mesmo nome. No papel a ideia é parva, na prática continua a ser parva mas a música até nem é má, apesar de genérica e de se tornar irritante com os samples do dito episódio. Serve como curiosidade. Apenas. (6/10)
Dark Angel – “Extinction Level Event”
2025 – Reversed Records
Quanto mais tempo passa, mais expectativas se criam. Quando temos um álbum lançado trinta e quatro (34!) anos após o último, de uma das mais amadas bandas de culto do thrash metal da década de oitenta, as expectativas estão no telhado. E não me recordo em tempo de vida metálica, estar perante algo que desiludisse tanto. A produção é plástica – onde até a bateria de Gene Hoglan soa mal – as músicas têm riffs que não vão a lado nenhum, muito menos à nossa memória e a voz… a voz nunca foi o ponto forte da banda mas Ron Rhinehart está aborrediamente monocórdico. Isto conseguido mesmo depois de empurrar guturais que nem faz sentido ter aqui. Aborrecido e definitivamente esquecível… mais vale pegar em qualquer um dos álbuns anteriores e fingir que a banda acabou por aí. (4/10)
Ptolemea – “Kali”
2025 – Raging Planet Records (Viral Propaganda/Against PR /Hard Life Promotion)
Segundo álbum do projecto luxemburguês Ptolemea, de Priscila Costa (Sinistro) que obviamente desperta a curiosidade para os fãs do seu trabalho com a banda portuguesa. E podemos dizer que há muitos motivos para o fascínio. Uma espécie de trip-hop metálico, como se os Portishead resolvessem adicionar guitarras pesadas à sua música. Com uma sensibilidade acima da média onde as letras e a maneira como são cantadas e vividas, quer em inglês ou português (mas especialmente em português) dão uma vida muito própria e tornam este registo obrigatório para quem precisa de emoção na sua música como de ar para respirar. (9/10)
Therion – “Con Orquesta”
2026 – Napalm Records
Não serei muito cínico por não ter especial entusiasmo por um álbum ao vivo dos Therion com uma orquestra, pois não? Pelo menos, não ter mais entusiasmo do que um álbum normal ao vivo de Therion. Isto porque uma orquestra sinfónica não causa um impacto que seja significativamente diferente na sua música daquilo que ela já é na sua génese. Claro que o maior impacto será visual e alguns arranjos adicionais, com alguns instrumentos a salientarem-se mais do que estamos habituados. Somando isto tudo, temos um álbum que os fãs vão querer absolutamente, ainda para mais se acompanhados da componente visual. (8.5/10)
V/A – “Mirror Songs – A Tribute To The Psychedelic Furs”
2025 – Lux Records (Ride The Snake)
Comecemos pelo óbvio: os The Psychedelic Furs são uma daquelas bandas que faz parte do imaginário de muitos daqueles que cresceram na década de oitenta. Como tal, um disco tributo já era esperado, ainda para mais por parte da Lux Records que concentra no seu catálogo artistas que estão mais que aptos para prestarem a devida homenagem a uma das maiores bandas de post-punk sempre acarinhada pelo público português. Destacam-se aqui as rendições de Paul Oak, Clerks, Victor Torpedo & The Top Kids e John Mercy & Tracy Vandal, mas no geral é um tributo que os fãs deverão procurar. E para quem não conhece os The Psychedelic Furs, esta também é uma excelente iniciação ao seu legado. (8/10)
Aurora Ferrer – “Time Crawlers”
2025 – Edição de Autor
Este é um trabalho profundamente autobiográfico e por isso mesmo emocional. No entanto, essas emoções estão expostas numa variada paleta que vão dos momentos mais introspectivos até aos momentos mais explosivos. Assim como liricamente, é uma montanha russa, lidando com os desafios físicos que a autora/cantora/música teve que enfrentar, assim como também o lado positivo dessa luta, a alegria e a tristeza, cuja persistência levou à conquista da esperança que parecia perdida assim como a um crescimento pessoal. Um trabalho recomendado para os fãs de rock moderno e multifacetado (7.5/10)
Chaos Over Cosmos – “The Hypercosmic Paradox”
2025 – Edição de Autor
O projecto Chaos Over Cosmos está de regresso para o seu quarto álbum. Projecto que se assumiu em definitivo como uma one-man band, sendo que Rafal Bowman é o compositor e instrumentista e depois recorre a um vocalista convidado para voz e letras. Como é hábito, temos sempre aquele motivo para nos queixarmos em relação ao som plástico da produção, com a guitarra (e tudo o resto) a soar demasiado digital, mas como já vimos em álbuns anteriores, esse é um ponto que faz parte da sonoridade pretendida e diria eu, até parte do conceito. Poderá parecer ao início que a voz a cargo de Taha Mohsin é um acessório dispensável, mas conforme avançamos no disco vamos conseguir dar-lhe o devido valor. Bom álbum, embora fique sempre a vontade de ouvir esta música de uma forma mais orgânica, algo que valorizamos cada vez mais. (7/10)
Incite – “Savage New Times”
Reigning Phoenix Music
Regresso do thrash cheio de groove dos Incite. Não sabemos se é da versão promo que recebemos ou se este é mesmo o som do álbum, mas o que temos aqui na produção acaba por centrar a nossa atenção, mais do que a música, com os graves a estarem demasiado altos, fazendo com que se sinta que a mistura foi feita para ser ouvida em auscultadores. Malefícios da vida moderna que salienta algumas das limitações que este trabalho tem. Capaz de satisfazer os desejos mais simples do fã do thrash metal com groove, mas sem grande poder para ir mais além. (6.5/10)
Winterstorm – “Everfrost”
2023 – AFM Records (All Noir)
Longa ausência dos discos por parte dos alemães Winterstorm que termina da melhor forma, com um grande disco. Power metal bombástico, forte sentido melódico e sim, bastante pesado. Afinal do que seria um disco de power metal sem muito power pelo meio? “Everfrost” está cheio de hinos que poderão não agradar aqueles que não gostam de ter a mesma música a ecoar durante eras após a pararmos de ouvir, mas isso significa sempre qualidade, uma qualidade que já era por parte dos Winterstorm. Ainda sendo cedo para declarar este um clássico mas é uma palavra que surge sempre a cada audição. Apenas o tempo dirá. (9/10)
Shadowmare – “While Trapped Inside”
2023 – Edição de Autor
Expectativas altas para o segundo álbum dos Shadowmare. “While Trapped Inside” surge após quatro anos e com uma pandemia pelo meio e não é preciso muito dele para se perceber que foi uma espera que valeu a pena. A banda sempre apresentou um cariz moderno no seu som que aqui se vê a evoluir para algo de feeling mais tradicional. Não que se tenham reinventado ou renegado aquilo que sempre foram até agora mas sem dúvida que se nota que deram um passo em frente na maturidade. Mais complexo, mais maduro e mais diverso”, este é um álbum completo cheio de música boa para a banda explorar ao vivo. (9/10)
Foo Fighters – “But Here We Are”
2023 – Roswell Records
As atenções estavam sobre os Foo Fighters desde que o seu emblemático baterista Taylor Hawkins. Tudo seria possível, inclusive ambas as hipóteses extremas, onde tanto seria compreensível a banda pendurar as guitarras devido a uma tão grande perda como também encontrar forças e inspiração para continuar e de alguma forma homenagear a importante peça que se perdeu. “But Here We Are” é precisamente isso mesmo, um sinal de perseverança mas também um importante processo de cura e de luto pela enorme perda que a banda sofreu. O resultado? Um álbum sólido, melódico, pesado e visceral. Um álbum que Taylor definitivamente teria adorado. (8.5/10)
Pixie Ninja – “Hypnagogia”
2023 – Apollon Records Prog
Como já podem ter reparado, aqui gostamos tanto de música que nos entra à primeira nos cérebros (e insiste em se manter lá) como de música que nos desafia e que faz todo um percurso acabando por nos conquistar, com mais ou menos persistência e insistência. É o que acontece com este trabalho que é exuberante na forma como provoca com a sua não convencionalidade e conformidade. Ou seja, não é música que se interiorize facilmente mas perante a qual se baixam as defesas conforme ela nos começa a fazer progressivamente mais sentido. Trabalho instrumental e desafiador ao qual cada audição é apenas a preparação para a próxima. (8.5/10)
The Rolling Stones – “Hackney Diamonds”
2023 – Polydor / Geffen
Como não ficar entusiasmado com um novo álbum dos Rolling Stones? A mais clássica banda de rock’n’roll ainda na atividade contra todas as expectativas. Poderá apontar-se o dedo em relação a este facto, de ser pura teimosia em não ceder à reforma já que se sabe de antemão de que os clássicos são intocáveis e insuperáveis. Mas isso nunca deve ser sinónimo de não se fazer mais boas músicas. E é o que ”Hackney Diamonds” nos traz, um conjunto de boas músicas sem pretensões, com canções que soam bem à primeira e nos deixam um bom sentimento ao ouvi-las. Esse é o objectivo principal que a música, venha de onde vier, seja que estilo for, deverá ter e é isso que os lendários Stones conseguem, um álbum totalmente eficaz para quem procura bom rock. (8/10)
Auriferous Flame – “Ardor for Black Mastery”
2023 – True Cult Records/Stellar Auditorium Productions (Viral Propaganda PR)
Segundo álbum desta one-man band grega que apresenta mais um trabalho de puro black metal que tanto vai agradar puristas como aqueles que até poderão gostar de coisas mais melódicas. Um equilíbrio conquistado graças a canções e, sobretudo, riffs memoráveis. (8/10)
