Predominance #20 – Deftones, Dephosphorus, Sinsaenum, Hemelbestormer, Black Label Society
Jorge Pereira é um amante de música pesada e de cinema. Colabora com a World Of Metal e tem o seu próprio covil de reviews – Espelho Distópico. Predominance será a sua coluna mensal onde nos vai trazer reviews todos os meses.
Deftones – “Private Music” – Outra banda que passou pelo nosso país há meia dúzia de meses, mais precisamente pelo festival Primavera Sound no Porto foram os Norte-Americanos Deftones, contudo na altura ainda sem o seu último trabalho de originais ‘Private Music’. Se o concerto do Primavera Sound provou inequivocamente que a banda está em grande forma em palco ‘Private Music’ veio confirmar que o mesmo se pode dizer no que a álbuns de estúdio diz respeito. ‘Private Music’, o seu décimo álbum de originais é uma verdadeira comemoração dos trinta anos de carreira dos Deftones mas não só, é um álbum que mostra uma incrível autoconfiança por parte do quinteto, composições que reúnem todas as principais características da banda sem nunca resvalar para o âmbito da monotonia. ‘Private Music’ revela também uns Deftones ainda como muito para dar, temas formidáveis como ‘My Mind Is A Mountain’,‘cXz’, ‘Milk Of The Madonna’ e ‘Cut Hands’ encaixam perfeitamente no patamar do melhor que a banda já compôs até à data, riffs orgânicos, lascivos e pulsantes servem como uma harmoniosa almofada à habitual “berraria” agridoce de Chino Moreno. ‘Private Music’ é uma fantástica manifestação de vitalidade de uma banda que tem conseguido ser ímpar na arte de trilhar e solidificar o seu caminho. ‘Private Music’ é categoricamente um dos melhores álbuns de 2025. (9/10)
Dephosphorus – “Planetoktonos” – Para os aficionados da emblemática série de Sci-Fi ‘The Expanse’ mas não só. Desde o seu inicio de carreira que os Helénicos Dephosphorus têm exibido a sua declarada obsessão com ficção cientifica quer seja pelas capas dos álbuns quer seja nas suas abordagens líricas, ora o seu quinto trabalho de originais ‘Planetoktonos’ (que numa tradução rudimentar significa assassino de planetas) não é excepção e desta feita a inspiração surgiu através da obra literária que serviu de base à aclamada série ‘The Expanse’ escrita por James S. A. Corey (um pseudónimo usado pelos autores Daniel Abraham e Ty Franck. Explicada a origem da vertente lírica vamos ao que mais interessa, a parte instrumental. Mesmo para quem nunca sequer ouviu falar de ‘The Expanse ’ou não tem qualquer interesse em Sci-Fi ‘Planetoktonos’ pode ser um álbum bastante interessante, numa dinâmica e pulsante mescla entre Death Metal, Black Metal e Grindcore a banda consegue ainda adicionar elementos de Doom e de Sludge ao mesmo tempo que minimiza o risco da mistura se tornar demasiado ambiciosa ou complexa. Embora se aproxime ‘Planetoktonos’ não consegue a meu ver atingir o patamar qualitativo do seu antecessor ‘Sublimation’, contudo não deixa de ser um álbum consistente, irreverente e genuíno. (8/10)
Sinsaenum – “In Devastation” – Passaram pelo nosso País no passado dia 25 de Outubro no RCA Club em Lisboa (concerto que infelizmente não tive oportunidade ver), falo dos Gauleses Sinsaenum que trouxeram bem fresquinho o seu último trabalho de originais ‘In Devastation’. A banda fundada por Frédéric Leclerq (o actual baixista dos Germânicos Kreator e ex-Dragonforce), Stéphane Buriez (ex-Seth) e o malogrado Joey Jordinson teve hesitante acerca da sua continuidade após o seu segundo álbum, a irreparável perda de Jordinson obrigou os Sinsaenum a um considerável hiato para repensar o seu futuro todavia depois de uma refundação da banda eles estão de volta com este ‘In Devastation’. Com mais convicção, dinâmica e fluidez do que nunca os Sinsaenum entregam-nos ‘In Devastation’ com os atributos para ser o melhor álbum da banda até agora, assumidamente Death Metal, o subgénero que mais variantes comtempla mas que tendencialmente acaba por se acantonar em becos criativos. Não diria que ‘In Devastation’ está completamente inume às inevitabilidades do Death Metal mas consegue sem duvida marcar algumas diferenças para a saturada concorrência, talvez através das influências de Black Metal (esta tem acompanhado a carreira da banda), Thrash Metal ou mesmo de um orelhudo Groove como se nota particularmente em faixas como o tema título ou a sensacional ‘Buried Alive’. ‘In Devastation’ é não só um passo firme na carreira dos Sinsaenum como uma assertiva e robusta prova de sobrevivência. (7.5/10)
Hemelbestormer – “The Radiant Veil” – A Bélgica é sem dúvida um dos países onde o Post-Metal mais tem proliferado, Psychonaut, Hippotraktor, Absent In Body, Pothamus e Juneau confirmam essa tendência, para além destas temos também o quarteto Hemelbestormer que chega a 2025 com o seu quarto álbum de originais ‘The Radiant Veil’. Assumidamente uma banda de Post-Metal quase exclusivamente instrumental os Hemelbestormer têm-se aperfeiçoado em capturar emoções apenas através dos instrumentos, um difícil desafio que a banda de forma geral tem conseguido ultrapassar. ‘The Radiant Veil’ é simultaneamente abrangente e diversificado, se em temas como ‘Turan’, ‘Cel’, ou ‘Tiur’ sobressai o Atmospheric Doom já noutros como ‘Usil’ou ‘Turms’ destacam-se o Post-Metal, e o Atmospheric Sludge e o Progressivo, os mais atentos vão também detectar a deriva Electrónica de ‘Satre’, o tema que encerra o álbum. Também na sua dimensão lírica ‘The Radiant Veil’ apresenta-se como um álbum interessante ou não fosse ele inspirado numa ficcional viagem em torno do sistema solar pela antiga civilização Etrusca. Para finalizar deixo aqui o meu reparo para ‘The Radiant Veil’, em termos de identidade sonora da banda parece-me um retrocesso em relação ao seu antecessor ‘Collide & Merge’, um álbum mais resoluto e consolidado ou seja, menos fragmentado e ambíguo que este ‘The Radiant Veil’. (7/10)
Black Label Society – “The Blessed Hellride” – Confesso que já há algum tempo que a escolha da review retro estava para recair nos Black Label Society, a grande dificuldade foi escolher o álbum e apesar de a minha preferência ir para ‘Order Of The Black’, ‘The Blessed Hellride’ talvez seja um dos álbuns mais emblemáticos da banda. Falar de Black Label Society é falar de Zakk Wylde, um dos maiores guitarristas da história da música mais pesada, ele que foi acompanhando o recentemente falecido Ozzy Osbourne durante a sua carreira pós Black Sabbath mas que fez dos Black Label Society o seu projecto pessoal onde tem total liberdade criativa. Lançado em 2003 ‘The Blessed Hellride’ agrega um punhado dos melhores temas que a banda já compôs, ‘Stoned And Drunk’, ‘Doomsday Jesus’, ‘Stillborn’ (um tema com a participação do já mencionado Ozzy Osbourne), ‘Suffering Overdue’, ‘Funeral Bell’, ‘Final Solution’ e ‘Destruction Overdrive’, são verdadeiras pérolas provenientes da forma verdadeiramente única de debitar riffs por parte de Zakk Wylde, se muita gente fica rendida aos solos de Wylde qualquer uma destas faixas mostra que ele também consegue exibir a sua mestria na hora de criar ritmos deliciosos que espelham bem o seu Heavy Metal de autor carregado de Southern. É verdade que nos últimos tempos os álbuns de Black Label Society tem sido mais espaçados e não apresentam a mesma qualidade todavia ‘The Blessed Hellride’ continua a marcar um dos pontos mais icónicos da carreira da banda. (8.5/10)
Support World Of Metal
Become a Patron!
