Predominance #21 – Between The Buried And Me, Paradise Lost, Juneau,Testament, White Zombie
Jorge Pereira é um amante de música pesada e de cinema. Colabora com a World Of Metal e tem o seu próprio covil de reviews – Espelho Distópico. Predominance é a sua coluna onde nos vai trazer reviews todos os meses.
Between The Buried And Me – “The Blue Nowhere” – É curioso o espectro do Progressivo, caracteriza-se por um difícil equilíbrio entre a criatividade e o tédio e entre o virtuosismo e o delírio e apela como poucos subgéneros ao fanatismo mas é simultaneamente um mundo de possibilidades capaz de gerar polos tão dispares como Dream Theater ou Meshuggah. Com uma carreira que já ultrapassa as duas décadas os Norte-Americanos Between The Buried And Me lançaram no passado mês de setembro o seu décimo primeiro álbum de originais ‘The Blue Nowhere’. A grande curiosidade acerca de ‘The Blue Nowhere’ era saber o quanto a saída de um dos seus pilares criativos (Dustie Waring) afectaria o resultado final do álbum, pois bem eu diria que os Between The Buried And Me ultrapassaram esta dificuldade com grande distinção. ‘The Blue Nowhere’ vai por certo ser lembrado como um dos melhores álbuns da banda, mais um excelente punhado de grandes temas pautados por o ‘seu’ habitual Progressivo simultaneamente exótico e alucinogénico quase como se possuísse múltiplas personalidades. Destaco os temas ‘Psychomanteum’, ‘God Terror’ e ‘Absent Thereafter’ como os temas mais marcantes de ‘The Blue Nowhere’, um álbum que fica também marcado por ser o mais pesado da banda na ultima década. (8.5/10)
Paradise Lost – “Ascension” – Definitivamente reconciliados com a sua identidade musical os mestres do Doom e do Gothic Paradise Lost voltaram aos álbuns no passado mês de Setembro com ‘Ascension’ o seu décimo sétimo. Depois de uma fase exploratória que durou sensivelmente uma década após ‘One Second’ os gigantes Britânicos voltaram às suas origens ainda que de forma algo desinspirada, contudo foi a partir de ‘Medusa’ (2017) que a banda reconquistou a sua elevada perícia na arte de manusear a melodia e a melancolia.‘Ascension’ não é apenas a sequência lógica dos dois últimos álbuns, tem alma, tem densidade e acima de tudo tem genuinidade. Talvez inspirados pela Tour comemorativa de ‘Icon’ o quinteto Inglês mostra que a idade por ser um importante dínamo de maturidade e aperfeiçoamento. Temas fantásticos como ‘Silence Like The Grave’, ‘Sirens’, ‘This Stark Town’ ou ‘Tyrants Serenade’ não só personificam mais uma vez a genialidade e destreza do insubstituível guitarrista Gregor Mackintosh a e excelência da multiplicidade vocal de do lendário Nick Holmes (ele que parece também ter estabilizado como vocalista dos formidáveis Bloodbath) como enaltecem ‘Ascension’ transformando-o noutro marco importante na longa carreira dos Paradise Lost. (8/10)
Juneau – “Sacraps Of The Final Lights” – Apareceram em 2019 na cidade de Heist-op-den-Berg, Bélgica, falo dos Juneau o trio instrumental Belga que chegou a 2025 com o seu segundo álbum de originais ‘Scraps Of The Final Lights’. É cada vez mais povoada a cena de Post-Metal Belga especificamente na sua versão mais atmosférica e dissonante que o digam bandas como Pothamus e Hemelbestormer sendo que tal como os Juneau estes últimos também apostam no formato exclusivamente instrumental. Mais que um álbum ‘Scraps Of The Final Lights’ é um conceito dividido em indissociáveis cinco partes, uma espécie de banda sonora austera e dissociativa marcada por uma aura etérea, desconfortável, melancólica e emotiva onde os riffs detém um foco visceral mas simultaneamente dramático. Fica o destaque para os temas ‘Dissolve’ e ‘Heave’ como os mais interessantes de Scraps Of The Final Lights’, um álbum que mais do que projectar este talentoso trio solidifica ainda mais o movimento Post-Metal belga. (7.5/10)
Testament – “Para Bellum” – 2025 ficou também marcado pelo regresso dos incontornáveis Testament, a lendária banda Norte-Americana que está prestes a assinalar a impressionante marca dos 40 anos de carreira lançou no passado mês de Outubro o seu décimo terceiro álbum de originais ‘Para Bellum’. Reza a lenda que os Testament não têm álbuns maus, eu diria que concordo com a afirmação talvez com a excepção de ‘Demonic’ (1997), certamente o álbum que mais desvirtua a identidade musical da banda. Pois bem esse é assunto que temos de abordar em ‘Para Bellum’, se o fio condutor da banda continua a ser um Bay Area Thrash Metal que os Testament cautelosamente foram modernizando com a aglutinação de controladas doses de Groove desta feita talvez tenham enveredado por terrenos mais acidentados, é difícil não identificar segmentos de Death e até Black Metal em temas como ‘For The Love Of Pain’ ou ‘Witch Hunt’. Talvez a fasquia esteja sempre demasiado alta quando falamos dos Testament todavia é notória uma generalizada falta de inspiração em ‘Para Bellum’ mesmo reconhecendo a qualidade de temas como ‘Infanticide A.I.’, ‘Shadow People’ e ‘Room 117’. Se ‘Titans of Creation’ nos mostrou uns Testament na sua melhor forma,‘Para Bellum’ deixa um travo amargo porque todos nós sabemos que o formidável quinteto Norte-Americano consegue fazer melhor. (7/10)
White Zombie – “Astro Creep 2000 – Songs Of Love, Destruction And Other Synthetic Delusions Of The Electric Head” – A década de 90 especialmente a segunda metade ficou definitivamente marcada por álbuns que viriam mais tarde a ser reconhecidos como pilares do Industrial Metal, ‘The Downward Spiral’ dos Nine Inch Nails em 1994, ‘Demanufacture’ dos Fear Factory (1995), ‘Filth Pig’ dos Ministry (1996) e este ‘Astro Creep: 2000 – Songs Of Love, Destruction And Other Synthetic Delusions Of The Electric Head’ (que vamos sintetizar para ‘Astro Creep: 2000’ para futuras referências) também em 1995, todos eles produzidos em solo Norte-Americano. Foi curta mais excitante e instensa a carreira dos White Zombie, lançados para a ribalta com o fabuloso e orelhudo single ‘Thunder Kiss ’65’ extraído de ‘La Sexorcisto: Devil Music, Vol. 1’ (1992) foi com ‘Astro Creep: 2000’ que a banda ganhou um protagonismo que talvez nunca tivesse sonhado. ‘Astro Creep: 2000’ é uma alucinante, extravagante, bizarra e heterogénea amalgama de Industrial com Thrash onde se destacam as vozes faladas (um elemento que os já referidos Ministry também nunca dispensam), um imaginário lírico de terror circense e outros aditivos de várias origens tudo isto conduzido por um fio condutor assente em riffs frenéticos e pulsantes carregados de Groove e as pelas peculiares vocalizações do seu mentor Robert Bartleh “Rob” Cummings a.k.a. Rob Zombie. Destaco as formidáveis faixas ‘Electric Head Pt. 1 (The Agony)’, ‘Super-Charger Heaven’, ‘Electric Head Pt. 2 (The Ecstasy)’, ‘I, Zombie’, ‘More Human Than Human’ e ‘Blur The Technicolor’ como as imprescindíveis de ‘Astro Creep: 2000’, um álbum que é pouco complexo em termos técnicos mas que contem uma energia e um dinamismo verdadeiramente contagiantes. Apesar de meteórico o sucesso de ‘Astro Creep: 2000’ foi curto pois a banda anunciaria a sua dissolução cerca de um ano depois (1996), todavia dessas cinzas iria nascer o projeto Rob Zombie…como todos sabemos. (9.5/10)
