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WOM Report – Bilha d’Aço 2026 – Dia 1 @ Sociedade Musical Desportiva de Caneças – 27.03.26

Caneças foi palco, em 2025, da primeira edição do bem apelidado festival “Bilha D’Aço”, realizado na Sociedade Musical Desportiva de Caneças. Este ano, para a segunda edição, o festival cresceu, adicionando mais um dia, e apresentando cartaz de propostas nacionais de música pesada repleto de qualidade.

O primeiro dia começou com os Avesso, uma “superbanda” formada por elementos oriundos de sonoridades bem diferentes, que se fundem de forma interessante nesta entidade, algures no universo do post-rock, cantado em português. A atenção à palavra é notória, sendo a principal influência os poemas de Fernando Pessoa, passando também pelo persa Omar Khayyam, referido antes da execução do single “A Existência dos Homens”. Quando os Avesso entraram, encontraram uma sala já com uma boa audiência, que foi aumentando ao longo do concerto. A banda apresentou momentos de carga densa e atmosférica, cortados por explosões sonoras, numa junção bem conseguida do etéreo e do extremo. Temas como “filme intenso em rosto manso”, “aos que a felicidade é sol virá a noite” e “o doce pulsar do coração de Lúcifer” são bons exemplos desta dualidade. “torvo” foi um dos temas em destaque no que toca à intensidade. Uma boa prestação, com destaque para Paulo Rui, que, como já nos habituou em Besta, encheu completamente o palco e esteve bastante comunicativo.

A noite continuaria com o Doom/Post Metal dos Sinistro, numa sala já cheia. A densidade e o peso do riff de “Partida”, balançados pela melodia que a vocalista Priscila Da Costa imprime ao tema, deram o mote para o resto do concerto. Um exercício de peso, com a escuridão da sala a criar um ambiente intimista e lúgubre, que encaixa bem com o coletivo português. Seguiu-se “Abismo”, mais um riff bruto a puxar por um headbanging lento. Depois de uma passagem pelo passado, a banda voltou ao trabalho mais recente, “Vértice”, com “O Equivocado”, um tema que faz sobressair o lado mais teatral dos Sinistro. “Semente”, álbum que celebra agora uma década, foi de novo referenciado com “Relíquia”, antes do final com mais um tema de “Vértice”, “Templo Das Lágrimas”. A música mais longa da noite encerrou também o concerto de forma perfeita, numa viagem melancólica e grandiosa que, após o culminar, termina numa calma desconcertante. Um concerto de uma banda segura, que conseguiu hipnotizar o público presente em Caneças.

A encabeçar esta primeira noite de Bilha D’Aço estariam os Mão Morta, uma das mais singulares instituições da música nacional. A luz escarlate dominou o palco logo no início de “Facas em Sangue”, seguido de “Velocidade Escaldante”. Um início de concerto a criar um ambiente hipnótico antecipando uma noite em que o foco estaria em temas “do arco da velha” como diria o próprio Adolfo Luxúria Canibal. Foi também um concerto dominado pela banda na sua vertente mais rock and roll com temas como “Até cair”, “Novelos da Paixão” ou “Em Directo (Pra Telvisão)” a colocarem o público bastante expectante, a mexer, existindo algum moche e crowdsurf ao longo do concerto. “Pássaros a Esvoaçar” e “Deflagram Clarões de Luz” seriam as referências mais recentes da noite, com “Viva la Muerte!” a ficar de fora do alinhamento. Na reta final viria a sequência mais intensa, começando com dois temas de “Mutantes S.21”, “Barcelona”, e “Amsterdão”, que contou com um coro de vozes no refrão, seguida de “Vamos Fugir” e “Anarquista Duval”. Um final que, mais uma vez, permitiu ao público largar muita energia.

Os Mão Morta, como sempre, não desiludiram. São uma banda de enorme qualidade em palco e demonstram-no em cada concerto. A banda apresentou uma postura bastante descontraída, com o carismático Adolfo Luxúria Canibal, a dominar o palco com a sua presença e encenação. Outro aspecto a destacar foi a boa qualidade de som, de longe a melhor da noite. Houve ainda lugar para um encore com mais um tema do fundo do baú, “Aum”, e o público acabaria a pedir “só mais uma” em coro já quando a banda fazia as despedidas. Os Mão Morta acederam e acabaram com “1º de Novembro”, tema que aliás tinha sido bastante pedido durante a noite. Um desfecho da melhor forma deste primeiro dia de festival.

Texto por Filipe Ferreira
Fotos por Filipa Nunes
Agradecimentos Viral Propaganda PR e Bilha D’Aço


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