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WOM Report – D.R.I., Simbiose, Diabolical Mental State @ RCA Club, Lisboa – 03.07.25

No regresso dos D.R.I. a Portugal e numa noite onde o crossover foi o lema, é de relembrar que esta mistura de hardcore e thrash pode parecer algo óbvio, mas nem sempre foi assim. Apesar de não serem os únicos porta-vozes do género, a importância do legado dos D.R.I. mostra-se na sobreposição de públicos que a sua música cativa. Algo construído numa carreira de 40 anos, onde foram inovadores no verdadeiro sentido da palavra, com muita adrenalina e sem mostrar quaisquer sinais de cansaço.

Numa noite de muito calor, quem abriu as hostilidades foram os Diabolical Mental State, com uma mistura interessante de atitude e de riffs crus e agressivos. A responsabilidade de ser uma banda de abertura pode ser ingrata, mas os Diabolical Mental State não acusaram pressão e deram um concerto memorável. Um nome bastante presente no underground português, mostraram a sua experiência em palco para um público que estava morno inicialmente, mas com o passar das músicas foi aquecendo.

Seguiram-se os Simbiose, banda veterana do cenário musical português. Com performances intensas, tanto musicalmente como liricamente, e onde a critica é o lema, deram um concerto demolidor. Com um historial extenso de letras conscientes e provocativas, os Simbiose foram recebidos por um público enérgico, com moshs persistentes. Com bastante participação por parte do público, fica a sensação da banda ter deixado tudo em palco, deixando também boas memórias a quem não estava familiarizado com o trabalho da banda.

Quando chegou o momento dos D.R.I. o RCA estava em ebulição. Ao longo do concerto, o início de qualquer música tocada era reconhecida e recebida com euforia, pois houve uma palavra que resume na perfeição o concerto: autenticidade. A banda provou não se ter tornado numa caricatura de si mesma e tem ainda muita energia e atitude para dar. Os riffs dilacerantes de Spike Cassidy e a voz rasgada de Kurt Brecht continuam com o mesmo vigor de sempre e isso reflete-se em músicas como “Tear It Down” e “Syringes in the Sandbox”.

Com tanta energia e movimento, não houve descanso para quem esteve no moshpit e a performance dos D.R.I. foi imaculada e incisiva e mesmo com alguns problemas técnicos, não houve nada capaz de azedar a noite. Um dos pontos fortes do concerto foi setlist longo, que percorreu um pouco por todos os lançamentos da banda, mas sempre muito dinâmico. Quer seja pelas músicas mais diretas, a puxar mais pelo hardcore, quer seja pelas músicas mais longas, a puxar pelos elementos mais thrash e metal tradicional, os D.R.I. criaram um catálogo excelente para ser tocado ao vivo.

Os D.R.I. deram um concerto como se tivessem algo a provar. Esta ambição e determinação é algo presente desde sempre na banda, em álbuns como “Crossover” e “Thrash Zone”, verdadeiros clássicos intemporais. Fica na memória a cumplicidade entre banda e público, os cânticos fervorosos de “I lose, you win” da “Five Year Plan” e a descarga de adrenalina da “Thrashard”. Numa noite onde não faltou nada, os D.R.I. foram irrevogáveis. Nada nem ninguém os vai mudar e ficou comprovado com este concerto que esta autenticidade é algo capaz de dar frutos, quer seja na legião de fãs criada, ou pela longevidade na carreira.

Texto por Afonso Mendes
Fotos por Edgar Silva
Agradecimentos Hell Xis Agency


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