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WOM Report – Heidenfest @ Islington Assembly Hall, Londres – 03.02.26

Uma descoberta intrigante e aleatória enquanto scrollava o Instagram, o Heidenfest é um mini festival de Folk Metal com origem em 2008, que depois de 13 anos em hibernação e última aparição no Reino Unido em 2011 (eu nem estava cá!), relançou com a Resurrection tour por toda a Europa (menos Portugal, claro!). Prometedor, já não via os Korpiklaani desde o Milagre Metaleiro 2024, e os Finntroll no de 2022, as outras três bandas, The Dread Crew Of Oddwood, Trollfest e Heidevolk eram novidades para mim. Depois de três saídas seguidas a apanhar uma molha de mota, decidi apanhar o comboio para o concerto, claro que me enganei e fui para o Islington O2 em vez do Assembly Hall, felizmente a mala da Peak Design sobrevive bem uma caminhada à chuva. Perdi metade do set, mas felizmente deixaram-me fotografar na mesma 3 músicas com o pit só para mim. O Islington Assembly Hall é uma sala nem grande nem pequena, com um bom layout e aspecto de teatro sem ser muito chique, perfeito para o evento. Infelizmente, ou por falta de promoção ou pelo mau tempo, ficaram muitos bilhetes por vender. Com piso superior fechado, ajudou a sala a parecer mais cheia.

Só apanhei metade do concerto dos The Dread Crew Of Oddwood, mas certamente repetiria para poder presenciar toda a sua actuação por inteiro. Uma proposta colorida e alegre com apenas instrumentos acústicos (acordeão, bouzouki, contrabaixo, mandolin, flauta, não faltava nada!). Pura vibe de taberna pirata que dava vontade de dançar, e muitos momentos engraçados, a instrumentista a pegar no contrabaixo enorme como se fosse uma guitarra, flauta enfiada no nariz, usar uma caneca como slide no mandolin, um deles até se virou costas ao público e abaixou-se como que a mostrar o rabo (felizmente com as calças). Enfim, mestria teatral e musical! Mereciam mais público e energia, mas a começar às 17:30 numa quarta feira, era de esperar.

Primeira vez para mim a ver os Trollfest …e que experiência WTF! Fatos de flamingo e tutus cor-de-rosa, props, balões suficientes para toda a gente (se não tivesse de tirar fotos era já guerra crowd vs fotógrafos!), até tinham um Flamingo LEGO assinado no merch, commitment 100%. A energia foi de 8 para 80! Em vez do típico mosh, formaram-se duas linhas de Conga gigantescas a correr em círculos pela multidão durante a Piña Colada, quase que fui atropelado por um gajo num onesie de unicórnio! A música deles é…saltitante e feliz mas com uma mistura de vocalizações normais e ásperos, difícil de descrever, caótico é uma boa palavra. Funciona perfeitamente, no fim o chão de madeira estava tão pegajoso que era difícil de andar! Infelizmente a luz inicialmente não ajudou a capturar o quão colorido foi o espetáculo, saíram num roxo nublado em vez do rosa choque. Mesmo assim, foi provavelmente um dos concertos mais divertidos que já vi, fariam um par perfeito com os Serrabulho a fechar qualquer festival em Portugal. Tragam-nos ao Milagre por favor!

Depois do caos total, os Heidevolk trouxeram as coisas de volta à terra com menos teatro e folk metal tradicional. Uma boa entrada a abanar uma bandeira preta enorme, os dois vocalistas tinham uma excelente dinâmica, sem conflito, e pareciam genuinamente mais felizes por estar ali que os espectadores! A sala já estava cheia, menos Conga mais headbanging, um rapaz subiu aos ombros de punho no ar, mas o segurança estragou o momento. Foi um bom reset entre actos, excelência profissional com riffs fortes que invocavam energia viking. Um dos vocalistas parece-se com o Joakim Brodén dos Sabaton, ou sou só eu? 

Tinha grandes expectativas desde 2022 para rever os Finntroll, e estiveram à altura das mesmas, apesar do vocalista substituto (o Vreth estava de baixa, e o Kistelach dos Vanvidd fez a devida substituição), foi um excelente espectáculo. Todos maquilhados com orelhinhas ou cornos na cabeça e uma caveira de cabra no microfone (seria real?!) que deitava mais fumo que um Ibiza, senti-me imediatamente dentro de um filme de fantasia. Não sei como conseguem, à semelhança dos Moonsorrow, mas apesar do ambiente e música sombria, a mim soa-me a “black metal feliz”, um oxímoro, com mosh pits a sério!

Quem é que não fica logo no melhor humor para os Korpiklaani mesmo a meio da semana! Iluminação excelente, palco cheio de personalidade e músicos destacados, do acordeão ao violino, enchem o soundstage genuinamente, sem backing tracks. São autênticos e a crowd sabe apreciar estes momentos e dedicar-lhes a devida energia, seja a cantar, dançar, saltar ou mosh. A minha favorita é, não destoando, a interpretação da “Ievan Polkka”. Foi a melhor banda para terminar a noite, ainda consegui apanhar a banda a tirar a foto com o público e o baterista a atirar as baquetas, antes de sair a correr e aos saltinhos para apanhar o último comboio para casa como muitos mais, cheio de energia e pronto para um novo dia de trabalho!

O contraste entre as bandas fez o festival funcionar muito bem, o próprio Jonne Järvelä disse que estava muito contente por fazer esta tour com estas bandas que conhece há décadas e com quem tem boa dinâmica. Desde o caos festivo dos TrollfesT, o ambiente sombrio dos Finntroll, e os actos mais folky, tudo se manteve ligado sem grande choque. Havia bastante merch de todas as bandas, legos, cds, vinis, partes de bateria, tudo assinado e um monte de t-shirts à escolha por £30 (€35+/-), comprei uma Heidenfest em si por não conseguir decidir-me por uma banda específica. As bandas estão claramente a fazer mais isto, e o amor à camisola sai caro, mas devemos recordar que a indústria musical está a sofrer com o nosso uso do Spotify e afins, e eles têm de capitalizar no momento e no merch. Espero que este festival volte a Londres (mas sold out!), e acho que já que chegou à Espanha (Madrid e Barcelona), podia ter feito uma pequena visita a Portugal.

Alinhamento

5pm Portas

5.30pm The Dread Crew of Oddwood

6.15pm Trollfest

7.15pm Heidevolk

8.15pm Finntroll

9.45pm Korpiklaani

11pm x—x

Fotografia e Texto por Luís Balsa (Moshografia)
Agradecimentos Heidenfest


 

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