WOM Report – Hochiminh, Soul Of Anubis, Dallian @ Stereogun, Leiria – 01.02.20

Neste passado dia 01 de Fevereiro, pela mão da Hard Knock Events, o Stereogun recebeu os HochiminH, aos quais se juntaram os Soul of Anubis e ainda os Dallian. A premissa estava instalada para mais uma noite de poderosas sonoridades. Ao entrar no espaço, que visitei pela primeira vez, verifiquei que é um espaço não muito amplo, na linha de um RCA em Lisboa, mas cheio de faixas de luz que lhe dão um ambiente futurístico. A sala já estava bastante composta e verificava-se que havia muito pessoal vindo de vários localidades, Lisboa; Caldas da Rainha, Pombal, etc.

Após termos estado algum tempo a aguardar pelo começo do primeiro concerto da noite, eis que surgem em palco os Dallian, banda vinda ali mesmo de Leiria e dotados de um sonoridade progressiva e sinfónica misturado com death metal, mas muito conhecida pelo seu toque de “steampunk”.  Com um grito alto “Como é que é Leiria?”, por parte de Carlos Amado, vocalista/guitarrista da banda, rapidamente deram início ao seu concerto, apresentando logo “Genesis of Awakening” para começo da mostra do seu álbum de estreia, “Automata”, conforme falado mais à frente. Notava-se, pela movimentação no pit, que são uma banda apreciada para mosh e headbanging, dando azo a muita alegria e envolvimento do público, que, ocasionalmente lançava alguns inocentes piropos em direcção ao palco, vendo-se assim o carinho que lhes têm.

Carlos Amado, entre os sets, desafiava o público e pedia para que mostrassem o que valem e a malta aquiescia. Momento para em “Lullaby for The Wicked” todos levantarem os braços e baterem palmas como incentivo. Achei piada também que, no tema “The Swine Dialetic”, tivessem pegado num boneco de um porquinho e o apertassem e o mesmo fazia os sons de “oinc oinc”. Carlos Amado muito se divertiu com isso. Esta banda em palco tem uma presença que eu acho, a par de algumas bandas, ter o factor teatral, com vestimenta a rigor e gestos e dança com os instrumentos muito envolvente, com uma prestação digna de serem apresentados num teatro. A sua sonoridade é forte e poderosa, e o seu vocalista tem uma voz fenomenal e gravosa, com uns guturais de derreter até o mais empedernido. A caminhar para o fim, a banda agradeceu imenso à Hard Knock Events, ao Stereogun, às outras bandas e ao público a presença.  Encerraram a noite em grande e com vontade de rapidamente voltarem.

Após a natural pausa para troca e preparação de material, e ainda numa casa que, naquele momento estava mesmo a abarrotar, apresentaram-se os Soul Of Anubis, banda vinda de Santa Maria da Feira, e que, de acordo com seu vocalista, Hugo Ferrão, que acumula as funções de guitarrista, encontra-se em digressão pelo país para apresentação do seu novo álbum, o “The Last Journey”. Falou um pouco com público, explicando que inclusive tinham os cds à venda no local e para aproveitarem a compra, dado que são limitadas a 300 cópias. A sonoridade desta banda é a do reino do “sludge” com uns requintes de doom e aqui e ali uma thrashada bem inserida. Hugo Ferrão tem uma voz agreste e com uma vocalização que se adequa perfeitamente à banda. Quente e lamacenta. Andava para os ver ao vivo desde que descobri a banda, e não fiquei desiludida. O seu som negro e lamacento está lá todo e a pujança em palco é grande. Tão grande que ainda deu ali uns leves problemas técnicos, rapidamente resolvidos, dado que esta banda tem cá uma impedância que faz favor.

Começaram o ataque às hostes que se encontravam no pit com “Beyond the Plague”, mas foi com “Black Mountain” que o movimento do público foi maior. Muito se empurravam e abanavam a cabeça, enquanto os membros da banda se absorviam a tocar, e aquilo era um show como não se vê muito no “sludge”. Hugo Ferrão contorcia-se todo, tal e qual como se estivesse a sofrer um exorcismo, mas deu ali um espectáculo de como se deve apreciar sonoridades negras e lamacentas. Almeida e o seu baixo balançavam para a frente e para trás, e até aconteceu que, em dois temas com uma pitada de “thrash”, o baixo literalmente ia para cima e para baixo e eu só pensava que ia fugir das mãos dele. Do seu baterista, Rui Silva só se via a sua cabeça a rodar e o cabelo comprido fazia voltas e voltas. Prestações em palco dignas de umas valentes fotos. Pausa para conversar connosco, aproveitando para fazer o agradecimento ao local, ao promotor, às bandas e ao público. Hugo deixou um apelo a todos quanto se encontravam ali para que continuassem a apoiar o underground, e a a comparecer aos concertos, porque sem público as bandas não têm como ou onde tocar. Agradeceu também ao promotor do evento, a Hard Knocks Events, para que continuassem a apostar forte nas sonoridades pesadas e que trouxessem mais bandas a Leiria e ali ao Stereogun.  Encerraram o set com “The Last Journey” que dá nome ao álbum. Foi um grande concerto e que estou desejosa de repetir, isto que acontecerá já no próximo dia 22 de Fevereiro em Lisboa, no Sabotage.

Tempo para o espectáculo esperado da noite, os HochiminH, banda conhecida por ser de Beja e que veio de longe, com muita pica para dar um concerto que, se viria a provar, pelo menos para mim, curto, mas intenso e demolidor, conforme prometido por eles nos seus anúncios.  A banda também teria publicado que traria algumas novidades do álbum que está na calha para sair o “This is Hell”.  Começamos nós por escutar o começo da “Blindness” e nada de banda. Hum. Então? Ah pois. Tivemos direito a entrada de forma teatral, com cada membro a entrar à sua vez, tomando as suas posições no palco, sendo o vocalista o último a entrar, tendo direito a uns bons assobios e que, assim que apanha o microfone, se dirige ao público com um rotundo: “Como é que é pessoal? Vamos embora!”. E pronto estava lançado o carvão, que iria estar em brasa pelo restante da noite. Com esta banda o pit abriu logo ali e lá andavam as famosas “ovelhas” a correr em círculos. Aparentemente é termo usado pelo vocalista para o pessoal que gosta de mosh e circle pit.

Por entre a passagem obrigatória da “Way of Retain”, que arrancou muita moshada do pessoal, e da “Ashes e Madness”, que naturalmente fazem o gáudio a quem segue a banda aos seus concertos, tivemos tempo para um interlúdio, para que Skatro, o vocalista, aproveitasse para agradecer ao público, ao espaço, às bandas e ao promotor do evento, pedindo para eles uma valente salva de palmas. Foram apresentados também três temas do futuro álbum, que a banda também já tinha tocado em Lisboa, tanto no MusicBox, como mais recentemente no RCA, a “Scars” e a “Wasted”, que desta vez estavam ainda mais apuradas, verificando-se ali umas leves mudanças nas vocalizações, mas que resultaram bem. Foi altura de trazer para o momento um novo tema que, posso vos dizer que é intitulado de “Paralyse”, e que até deu azo a um trocadilho por parte do vocalista, brincando com o público que foi feita para paralisar as pessoas. Claro, percebemos a ironia do trocadilho.

Não querendo tirar o suspense que a banda deseja para os temas que ainda faltam apresentar, posso vos somente dizer que tem uma bateria contundente e que dispara bujardas sonoras. Excelente performance por David Miau, o actual baterista, que mostra que tem muito para dar a esta banda. Skatro, mais uma vez a mostrar a sua excelente capacidade vocal e aqui neste tema em particular, rosna pura fúria sonora. Pelo meio uns problemas técnicos com o microfone, que deram uma pequena “amolgadela” à prestação, mas rapidamente resolvido. A caminhar para a recta final tempo para a “Alive”, que deu azo a uma moshada de gente grande e até crowdsurf houve e, se houvesse terra, muito pó iria para o ar. O pessoal, assim que terminou a canção, fez coro para que tocassem mais uma e após algumas animadas negociações, porque não se podiam tocar alguns temas, decidiram-se por terminar a noite com a repetição da “Way of Retain”, e que repetição. Partiram tudo!! A banda despediu-se com a certeza de um novo regresso num futuro próximo. Assim foi mais um concerto em que todos saímos felizes e de coração cheio, por qualquer uma das bandas que lá tocaram. E a repetir!!

Texto e Fotos por Sabena Costa
Agradecimentos Hard Knock Events


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