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WOM Report – The Hives, Yard Act, Snõõper @ Sagres Campo Pequeno, Lisboa – 04.11.25

Depois de passagens pelo Meo Kalorama e Capitólio em 2023, os The Hives voltaram agora a Portugal para apresentar “The Hives Forever Forever The Hives” lançado este ano, com o Campo Pequeno a ser a última data da tour. A abrir as hostilidades estariam os americanos Snõõper e os britânicos Yard Act.

Esta ter sido uma noite de forte tempestade pode ter ajudado, mas não deixou de ser surpreendente que pela altura em que os Snõõper subiram a palco, o Campo Pequeno estivesse com lotação a meio. A banda de Punk Rock vinda de Nashville, entrou com “Fitness”, numa noite dividida entre o álbum de estreia e “Worldwide”, o trabalho editado este ano. Os Snõõper apresentam punk a capturar uma estética Lo-Fi, e um aspecto mais juvenil e irreverente. Incorporando alguns elementos electrónicos, por vezes quase industriais, os temas foram rápidos, e ao vivo, carregados de peso e distorção, o que nesta sala retirou alguma clareza à música da banda. O que não faltou foi energia em palco, em especial da vocalista Blair Tramel, constantemente em movimento, e que tem um estilo de linhas vocais rápidas, às vezes quase maquinal, e alguns momentos propositadamente mais esganiçados. Para o fim envergando um fato com a mascote da banda (um inseto verde), juntou-se ao público, que se foi acumulando, e recebeu bem o quinteto.

Para algo completamente diferente, seguiam-se os Yard Act. O colectivo britânico lançou o EP “Dark Days” em 2021, e desde então tem merecido bastante atenção da crítica, seguindo em crescimento. No concerto do Campo Pequeno, continuaram não só o ciclo de apresentação do segundo álbum, “Where’s My Utopia?” (lançado no ano passado), como também preparam terreno para o próximo, abrindo com um tema ainda por lançar, “Tall Tales”. A sonoridade da banda vive entre o Indie Rock e o Post-Punk, incorporando elementos de Hip Hop, Disco e Funk numa mistura eclética que os Yard Act fazem resultar muito bem.
O vocalista James Smith tomou as rédeas do concerto, sendo uma figura bastante dinâmica em palco, a dançar, saltar, e muito comunicativo, cativando o público. Existe também uma qualidade em Smith na forma como entrega as letras, frequentemente de uma crítica social carregada de sarcasmo. Um exemplo foi “Rich”, num momento de interação com o público. Entre os destaques estariam a introspectiva “Petroleum”, e o single “Dream Job”, que ao vivo ganhou uma vida bem mais crua, o que não deixou de ser interessante. Depois de mais um tema novo “New Beginnings” terminaram em grande com a fase mais intensa do concerto marcada por “Dark Days” e “The Trapper’s Pelts”, dois temas do primeiro EP, e “The Overload”.

Um sinal claro de que os The Hives estão prestes a entrar é a presença dos seus ‘ninjas’ a preparar o palco. Quando as luzes acenderam o quinteto sueco entrou como sempre, todo vestido de igual, com casacos iluminados com leds, ao som de “Enough Is Enough”, o primeiro single retirado de “The Hives Forever Forever The Hives”. Com rock and roll irreverente, contagiante e repleto de riffs simples mas de grande qualidade, a energia da sala disparou e não voltou a descer. Mesmo a capitalizar este fulgor inicial, seguiu-se “Walk Idiot Walk” um dos temas essenciais da banda, com o Campo Pequeno, por esta altura com bastante gente, a entoar o riff em coro acompanhado por palmas. O vocalista Howlin’ Pelle Almqvist fez notar que sendo esta a última noite da tour, os The Hives iam dar tudo o que restava deles neste concerto. Estava lançada uma grande noite de rock. Seguiriamos com “Rigor Mortis Radio” e “Paint a Picture”, retirados dos dois álbuns mais recentes, que teriam o maior destaque ao longo da noite. O set, no entanto, foi bastante equilibrado, com temas chave de toda a carreira intercalados de forma fluida com o material mais recente.

Estiveram incluídas algumas surpresas que não eram tocadas a algum tempo, e foram recuperadas nesta tour, como “Here We Go Again” do primeiro álbum, que não era tocada consistentemente há mais de uma década. Entre os clássicos esteve “Main Offender”, numa altura em que o amplificador de Nicholaus Arson começou a dar alguns problemas. Enquanto os ninjas iam dar apoio, Pelle mostrava a sua grande capacidade de entreter e puxar pelo público. Tal como referiu, não havia forma de o equipamento parar a banda na última noite da tour, e os The Hives prosseguiram. Pela altura que começaram as primeiras notas de “Bogus Operandi”, estava tudo resolvido, e viveu-se um dos melhores momentos do concerto, com o público a acompanhar em coro este tema, que apesar de recente se converteu imediatamente num clássico. Na mesma sequência, e talvez um pouco mais cedo na noite do que se pensava, veio a música que catapultou a banda sueca, “Hate To Say I Told You So”, onde foi lançada uma autêntica nuvem de cerveja pelo ar.

Vivia-se um ambiente de pura diversão, no Campo Pequeno, com o público a cantar, a saltar, e em palco uma banda irreverente. Por entre a rápida “O.C.D.O.D” e, “Countdown To Shutdown”, chegava-se à fase final do set principal, com “Come On!” a contar com os elementos dos Snõõper e Yard Act em palco a fazer coro. A terminar, outra das músicas indispensáveis, “Tick Tick Boom”. Mais uma vez uma grande explosão de entusiasmo, e cerveja a voar, com toda a gente a saltar no Campo Pequeno. Aproveitando ser o culminar do set principal, a música foi estendida com Pelle a apresentar a banda, pelo meio apresentando alguns dos elementos do público que estavam na primeira fila. Uma dessas fãs tinha um cartaz a pedir para coroar Pelle em palco. Num belo momento, já com Pelle de joelhos a apresentar-se como Howlin’ Pelle Almqvist, foi coroado. Logo de seguida, Pelle dirigiu-se para o meio do público, que abriu um corredor até à cabine de som. Cumprimentou vários fãs e bebeu alguns golos de cerveja oferecida. Depois, correu de volta para o palco enquanto o corredor se fechava atrás dele, retomando a música com toda a energia. Um final apoteótico, mas houve ainda direito para um encore com um dos singles mais recentes “Legalize Living”, a recuperação de “Bigger Hole To Fill”, e o tema título do novo trabalho “The Hives Forever Forever The Hives”.

Uma forma bastante apropriada de terminar uma enorme noite de Rock’n’Roll, com uma das melhores bandas do estilo que se pode ver ao vivo. Não é só a qualidade da execução e das músicas, é também a forma como a banda mostra que tem verdadeiro prazer em tocar e consegue transmitir isso ao público. Os elementos mais irreverentes acabam por ser os irmãos Almqvist. O vocalista Pelle é uma força da natureza como frontman. Energético, sempre com algo interessante a fazer ao longo das músicas, ou a falar e puxar pelo público, e tudo isto sai de forma natural. O concerto dos The Hives não foi bom, foi mesmo muito bom, e ninguém esperava menos.

Texto por Filipe Ferreira
Fotos por Filipa Nunes
Agradecimentos Everything Is New


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