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WOM Reviews – Liquid Tension Experiment / Silver Lake By Esa Holopainen / Baron Crâne / Caligonaut / Fragment Soul / Nad Sylvan / Watershape / Tommy Concrete

WOM Reviews – Liquid Tension Experiment / Silver Lake By Esa Holopainen / Baron Crâne / Caligonaut / Fragment Soul / Nad Sylvan / Watershape / Tommy Concrete

Liquid Tension Experiment – “LTE3”

2021 – InsideOut Music

E aqui está, aquilo que se julgava impossível, principalmente desde a saída de Mike Portnoy dos Dream Theater. Muitos até podem entender isto como uma abertura do regresso do baterista à banda que ajudou a fundar, mas tal nunca me apareceu mais longe do que agora, mas divago. Mais de vinte anos depois, seria de esperar que as coisas estivessem muito diferentes, principalmente com o evento mencionado atrás mas não, é um seguimento natural aos dois primeiros álbuns, com a mesma química entre todos os músicos, até mesmo a inside joke “Chris & Kevin’s Amazing Odyssey” está presente – continuação da “Chris and Kevin’s Excellent Adventure” que nasceu quando um fotógrafo confundiu os nomes de Mike e Tony por Chris e Kevin. Imensos pontos altos, inclusive a cover da “Rhapsody In Blue” de Gershwin, que a banda tocou ao vivo em 2008 e que agora é finalmente registada em estúdio. No geral acaba por ser tão ou mais interessante até que os dois anteriores. Pelo menos que o segundo será certamente. Se houve alguma coisa de positiva a sair da pandemia foi mesmo este álbum que só foi possível de fazer devido à quarentena ter obrigado a colocar todos os planos em suspenso. Vício absoluto.

9.5/10
Fernando Ferreira

Silver Lake By Esa Holopainen – “Silver Lake By Esa Holopainen”

2021 – Nuclear Blast

Esta coisa de álbuns a solo de guitarristas com montes de vocalistas convidados nunca é propriamente algo que marque. É sem dúvida dirigido aos fãs do músico em questão e da banda onde esse músico está ou esteve mas não será lembrado como um disco do ano ou algo do género e normalmente até nem é devido a falta de qualidade. Será provavelmente pela diversividade e pelo facto de ser encarado como apenas um projecto, uma coisa ocasional. E apenas por esse motivo é que este “Silver Lake” não poderá ter um impacto maior, porque em termos musicais este é um dos discos mais ricos de 2021. As vozes escolhidas enaltecem a música e casam muito bem em cada um dos temas e este é um álbum que até funciona muito bem no seu conjunto. Uniforme apesar das diversas personalidades – e tendo em conta que as músicas foram feitas e/ou alteradas tendo em vista as vozes que os iriam interpretar. Memorável certamente, mesmo que não seja um trabalho que se torne relevante comercialmente ou que tenha um forte impacto comercial. Para os fãs de Amorphis, para os fãs de metal melódico e progressivo, este é um álbum obrigatório.

9/10
Fernando Ferreira

Baron Crâne – “Commotions”

2020/2021 – Mrs Red Sound Records

Poderá parecer injusto (e até o é) mas a verdade é que a apreciação da música tem em conta muitos aspectos, tantos como até a cadência do que se ouve antes e depois. Mesmo sem querer misturar e compararm inconscientemente ficam sempre reminiscências. Claro que é fundamental insistir e voltar a ouvir as vezes que forem necessárias para ter a certeza de que as dúvidas que possam subsistir. É muito graças a este processo que também facilmente dou conta do lado mais analógico do som dos Baron Crâne, sem propriamente quererem soar retro. Esse lado analógico está associado também a uma vertente experimental onde o progressivo, o pós rock e o jazz se juntam para celebrar o facto do melhor meio de transporte para a mente continuar a ser a música. E que viagens temos aqui graças a este trio francês. Embora a banda seja instrumental, contam com dois vocalistas convidados (Arthur Brossard na “Acid Rains” e I.N.CH. na “On Rase Les Murs”) que dão poder extra à banda. Editado originalmente em plena pandemia, agora é tempo de experimentar a viagem de forma física. Recomendado obviamente.

9/10
Fernando Ferreira

Caligonaut – “Magnified As Giants”

2021 – Apollon Records

O rock progressivo escandinavo tem sempre algo de muito especial. Não é dizer que o mesmo soa todo ao mesmo mas a cada nova banda que ouvimos, fica-se com um misto de reconhecimento e maravilhamento. Aqui temos uma estreia a solo de Ole Michael Bjørndal que já conhecemos de bandas como Airbag, Bjorn Riis band e OAK. Para quem possa pensar “boa, mais um projecto a solo que soa exactamente igual às bandas onde o músico está”, desengane-se porque aqui temos uma abordagem diferente das indicadas bandas e que valida por completo a necessidade de lançar em nome próprio. Temos uma abordagem mais clássica da década de setenta e próxima de nomes como Genesis e King Crimson, sem deixar de estar acente nos valores de produção actuais. Quatro temas longos e que são autênticas viagens de virtuosismo dinâmico, sempre com a capacidade de não perder de vista a canção – e sim, falamos de verdadeiras canções. A estreia do rock progressivo de 2021, provavelmente.

9/10
Fernando Ferreira

Fragment Soul – “Axiom Of Choice”

2021 – Edição de Autor

“Axiom Of Choice” é o primeiro álbum de originais dos gregos Fragment Soul e é o que basta para deixar qualquer fã de rock/metal (mas sobretudo rock) progressivo rendido. A abordagem é quase minimalista mas nunca descura a parte emocional. O ritmo lento poderá ser um desafio para quem espera ter mais coisas a acontecer mas é a sobriedade (e a melancolia negra e intensa) que são os grandes destaques. A entrega vocal de Nick Argyriou é outro trunfo fazendo lembrar tanto Katatonia como Anathema ou até Leprous, referências que também fazem algum sentido musicalmente, não deixando de haver o seu próprio valor e identidade ao longo destes quatro temas. Exigente mas que retribui tudo aquilo que dá.

8.5/10
Fernando Ferreira

Nad Sylvan – “Spiritus Mundi”

2021 – InsideOut Music

Nad Sylvan está de volta, mostrando que estar parado não é definitivamente com ele. Ainda bem, porque a sua carreira a solo tem sido bem agradável de seguir. “Spiritus Mundi” segue o final da trilogia mas apesar de ser bastante diferente, até está relacionado com “The Regal”. Uma das faixas bónus desse trabalho foi o tema “The Lake Isle of Innisfree”, composta por Andrew Laitres. Para este álbum Sylvan resolveu trabalhar com Laitres e desenvolver algo em conjunto e o resultado é este, um verdadeiro trabalho de art rock, rock progressivo com uma classe inconfundível. Soa intemporal mas ao mesmo tempo clássico. Uma parceria que tesultou de forma positiva.

8/10 
Fernando Ferreira

Watershape – “You Are Not”

2021 – Elevate Records

O segundo álbum dos Waterscape, “You Are Not” parece apontar em várias direcções e também se revela ousado nalgumas das suas escolhas. A voz, que é excelente, mete-se numa entrega de versos estranha no tema de abertura “Enough”, por exemplo, enquanto o instrumental dispara em várias direcções – art rock, neo clássico, metal progressivo e até com alguns devaneios técnicos que soam como uma mistura entre King Crimson e Frank Zappa, caso estes quiserem apenas relaxar numa jam descontraída. É difícil de absorver para quem não é bastante aventureiro no prog e poderá ser até mesmo denso para quem gosta das linhas mais comuns que é possível encontrar neste estilo, mas dada a devida hipótese, haverá bom proveito nestas oito faixas. Terá é que se insistir.

7/10
Fernando Ferreira

Tommy Concrete – “Hexenzirkel”

2021 – Edição de Autor

Muitas vezes disse como gosto de ser surpreendido. E gosto, mas nem sempre é fácil conciliar esse gosto com a missão a cumprir. Tommy Concrete é uma one-man band onde o amigo Tommy está entregue a tudo excepto no departamento da voz, onde tem a ajuda de muitos vocalistas convidados. Musicalmente, o rótulo metal progressivo encaixa perfeitamente ainda que seja muito diferente dos nomes que se possam pensar imediatamente (de Dream Theater a Opeth). Tem-se uma série de diferentes géneros, uma forma extravagante de fazer música e um sentimento de estarmos perante algo novo que é tão fora que demora algum tempo a descobrirmos se gostamos ou não. Uma espécie de Jeff Beck ou Frank Zappa (com as devidas distâncias entre os dois e entre o Tommy) em que ou se gosta ou se odeia. No final desta viagem de mais de setenta minutos (!) o saldo é positivo mas também não deixa de ser uma viagem algo esgotante…

6.5/10
Fernando Ferreira

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