WOM Report – Ice Nine Kills, TX2 @ Grosse Freiheit 36, Hamburg – 23.06.26
Os Ice Nine Kills escolheram as cidades de Stuttgart e Hamburg para trazerem, na íntegra, os álbuns “The Silver Scream” e “The Silver Scream 2: Welcome To Horrorwood”, em duas datas distintas. Com muita pena minha, só me foi possível estar presente na segunda noite de Hamburg, no icónico Grosse Freiheit 36.

A primeira parte ficou a cargo dos TX2, a irreverente banda emo liderada por Evan Thomas. Ainda as portas não tinham aberto e já se ouvia “Feed” durante o soundcheck, com várias pessoas na fila (eu incluída) a acompanhar a letra. Foi precisamente esse o tema de abertura, com a baixista Corky a assumir as partes que DeathbyRomy canta na versão de estúdio. Esta faz parte do álbum de estreia, “End Of Us”, lançado em Fevereiro, mas a discografia da banda é rica em EPs e singles anteriores – e posteriores. Pelo menos quatro músicas novas surgiram após a edição de “End Of Us”, “Confession” há apenas três semanas. A bissexualidade de Evan é perceptível em várias das suas letras – em “Hostage (They Will Not Erase Us)” o vocalista brandiu uma bandeira LGTB – mas neste último single não poderia ser mais explícita, numa combinação perfeita entre agressividade e provocação em termos de melodia. Evan, Corky e o guitarrista Cam adoelharam-se no centro do palco, durante a sua introdução, e quando saltaram no primeiro refrão, toda a sala saltou com eles – as joelheiras podem não ficar muito bem com a mini-saia, mas dadas as vezes que Evan se atira para o chão, e a garra com que o faz, torna-se um acessório indispensável.
“MAD” tem a participação especial do vocalista dos Ice Nine Kills, mas apesar de todas as vezes que os TX2 andaram em tour com eles – algo que Evan agradeceu de coração – creio que Spencer Charnas nunca subiu ao palco. Na última tour, foi o guitarrista Miles Dimitri Baker que cantou com Evan; desta vez foi o baixista Joe Occhiuti com os roadies/actores de palco Tony Fortes e Michael Meaney – os três elementos da banda pop-punk Flat Out, portanto. Miles acabaria por juntar-se à festa, a segurar um vaso com uma planta (?!) como um troféu. Na despedida, Evan disse que andavam nisto há 11 anos, pelo que se tínhamos uma banda, nunca desistíssemos. Eles próprios iam continuar a lutar, até que os TX2 “conquistassem o mundo”.

A temperatura em Hamburg estava consideravelmente alta e a equipa de seguranças aproveitou o intervalo entre bandas para distribuir água e rebuçados pelo público, evitando assim desfalecimentos (vielen Dank!); mas isto tornar-se-ia recorrente durante toda a actuação dos Ice Nine Kills, pois o calor humano gerado pelo feedback do público intensificou em grande escala a temperatura da sala. Até a narração da intro “Opening Night…” foi acompanhada, palavra por paéclavra, em altos berros, e não tardou a que os crowdsurfers começassem a cair nos braços dos seguranças.

O alinhamento respeitou a ordem do disco, pelo que Silence, o assassino mascarado e mascote da banda, subiu ao palco logo na primeira música, “Welcome To Horrorwood”. E depois, todos os adereços e encenações que enaltecem a excelência musical deste trabalho: a máscara a-la Chucky em “Assault & Batteries”, o esfaqueamento de Marion Crane por trás de uma cortina de chuveiro em “The Shower Scene”, o corpo do pequeno Gage e a pá em “Funeral Derangements”, os zombies em “Rainy Day”, a decapitação à machadada de Paul Allen em “Hip To Be Scared”, o capacete de mineiro e picareta que mata o casal de namorados em “Take Your PIck”, a máscara e fato de Pinhead em “The Box”, a serra eléctrica em “Wurst Vacation”, a dança de Cheryl Williams e o Necromicon em “Ex-Mørtis”, o manto e o pé-de-cabra em “Farewell II Flesh”.

O produtor Steve Sopchak continua a substituir o guitarrista Ricky Armellino, mas não se sabe ainda se é mais uma alteração definitiva na formação da banda, e também Matt Appleton e John Christianson, dos Reel Big Fish (com quem os Ice Nine Kills colaboraram na cover de “Walking On Sunshine” para a banda sonora da série de animação de “American Psycho”) continuam a colorir alguns dos temas com os seus saxofone e trompete; a surpesa – ou talvez não – foi Hannah Greenwood dos Creeper cantar com Spencer “Twisting The Knife” e “A Work Of Art” no encore, depois deste arrancar com o tributo ao glam rock dos anos oitenta “Hell Or High Slaughter”. Infelizmente, a banda não se caracterizou a rigor para este tema, e já nem havia videowall, uma vez que, segundo Spencer, teria queimado com o calor – meros detalhes naquele que, pessoalmente, está já no topo dos melhores concertos de 2026.
Texto e fotos por Renata Lino
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