Álbum do Mês – Dezembro 2020

Álbum do Mês - Dezembro 2020

E aqui estamos, no final do ano. Bem, ainda falta um mês para o final do ano mas vocês percebem o que quero dizer. Num ano onde tudo o que poderia acontecer de mal praticamente se manifestou, até que pudemos confirmar que foi um ano cheio de coisas boas musicalmente. Boa música que infelizmente não é suficiente para que possamos respirar de alívio em todas as nossas cenas locais e de uma forma global. E o túnel ainda continua escuro mas a esperança vai-nos guiando e temos de ir em frente, não é? Por isso vamos pegar no bom e seguir em frente porque não há mesmo outra alternativa.

20 - Fuck The Facts – “Pleine Noirceur”

Noise Salvation

Cinco anos de silêncio para uma banda como os Fuck The Facts não é normal. Nada normal mesmo. O que vale é que para compensar os canadianos regressam com um dos seus álbuns mais dinâmicos de sempre. A própria banda assume isso mesmo, afirmando que o mesmo tem material que poderia estar em três Eps distintos. Mas não se sente que seja uma manta de retalhos, há uma unidade forte ao longo destes doze temas. Por muito que se já tinha dito isto antes, sente-se mesmo como uma viagem de montanha-russa, da qual não queremos largar mão tão cedo. O grindcore pode ser, para muitos, um beco sem saída criativo, onde se está condenado a seguir uma certa fórmula. Os Fuck The Facts (e nunca o nome da banda soou tão verdadeiro) prova mais uma vez que isso é errado.

9/10
Fernando Ferreira

19 - War Agenda – “Propaganda”

Great Dane Records

Thraaaaaaaash! Cinco anos após a estreia, está aqui o segundo álbum dos War Agenda, com um conjunto de temas acutilantes não só no som como também liricamente – aliás, a capa deixa isso bem a nu – com uma reflexão infelizmente real dos tempos actuais onde é fácil a propaganda passar despercebida nas redes sociais. “Propaganda” é então um álbum com muita coisa a dizer que usa como veículo para a sua mensagem um thrash inspirado e, a espaços, old school, sem soar propriamente retro. Nem soa particularmente teutónico, o que joga sem dúvida a seu favor – na medida em que tem um impacto refrescante. Primeiro contacto com eles é o suficiente para converter qualquer um.

9/10
Fernando Ferreira

18 - Deluge – “Aego Templo”

Metal Blade Records

Depois da estreia, cinco anos atrás, pela Les Acteurs De L’Ombre Productions, o segundo álbum dos franceses Deluge chega-nos pela Metal Blade Records, um reconhecimento à qualidade da sua música. Não é raro verificar que esse reconhecimento depressa se torna em ostracização mediante um álbum que não corresponda às expectativas. Não sei quais são as expectativas da editora norte-americana, mas aqui há material mai que suficiente para permitir uma excelente evolução na carreira da banda francesa. O equilíbrio entre a melodia (que associamos directamente ao pós-(black) metal) e a brutalidade não é uma formula pensada, é muito sentida, onde cada tema se sente épico apesar de nem sempre se alongar no tempo. Esta dicotomia é mesmo aquela que impulsiona este álbum e que o torna algo diferente. Sente-se isso de tema para tema, mas também em certos temas em si – como “Gloire Au Silence”.

9/10
Fernando Ferreira

17 - Crawling Chaos – “XLIX”

Time To Kill Records

Segundo álbum dos Crawling Chaos que não tiveram pressas em lançá-lo e a qualidade do mesmo dá-lhes razão. “XLIX” traz uma produção cheia e moderna mas também melodia e argumentos técnicos que fazem com que haja um elemento orgânico bastante forte. São estes dois elementos combinados que ressaltam de forma positiva desde o primeiro momento. É também a sobriedade dos mesmos que permite com que este álbum tenha uma personalidade própria e tenha um impacto tão grande – muito mais do que apenas colocar umas melodias memoráveis em certos locais ou que tenham pormenores técnicos in your face. Entusiasmente e viciante, são apenas alguns dos adjectivos que me surgem em mente.

9/10
Fernando Ferreira

16 - Pallbearer – “Forgotten Days”

Nuclear Blast

Oriundos do Arkansas, os Pallbearer formaram-se em 2008 tendo apresentado deste então quatro álbuns. O último destes, Forgotten Days, é um álbum de oito faixas de um estilo de doom muito reminiscente dos dias passados em que o género dominava grande parte da cena metal. Só por isso, este já é um álbum que recomendo com todo o espírito, já que apesar de oferecer uma audição fácil, a verdade é que a sonoridade desta banda é extremamente hipnotizante, em parte devido aos riffs arrastados (que caracterizam virtualmente todas as bandas de doom) e em parte porque o vocal é extraordinário para o estilo por que optam os Pallbearer, um estilo muito mais harmonioso do que o depressivo mais comum. Óbvio que esta componente de harmonia não sequestra toda a música da banda; os temas líricos continuam a ser tão depressivos como de costume, mas mesmo assim, o resultado é bastante diferente do aquele das bandas que sincronizam tom e letras. A combinação dos diferentes elementos que compõem a música dos Pallbearer (o vocal calmo, a guitarra que tanto é capaz de criar ambiente como é capaz de soltar um solo ou outro e a bateria transcendente) fazem deste trabalho algo especial e capaz de saciar bastante as necessidades musicais daqueles que começam a sentir que na música começa tudo a soar ao mesmo.

9/10
Fernando Ferreira

15 - End Of Mankind – “Antérieur À La Lumière”

Mallevs Records / Vomit Records

End Of Mankind, banda francesa de pós-black metal, um género que continua a ser divisivo entre os apreciadores das artes negras na sua forma sonora. Ao seu segundo álbum podemos encontrar aqui muitos motivos para essa divisão deixar de acontecer. O sentido atmosférico está cá, assim como também a violência e peso bruto do black metal, com os riffs em tremolo picking serem o identificador imediato. Depois de uma estreia impressionante no ano passado, agora não fazem a coisa por menos e trazem-nos outro álbum igualmente impressionante com muitas dinâmicas que tornam a sua música mesmo interessante, mesmo em temas que têm uma duração acentuada. É daqueles discos que têm sempre uma surpresa reservada a cada audição, a cada canção. Se é pós ou não, não interessa. É bom.

9/10
Fernando Ferreira

14 - Ingrina – “Siste Lys”

Medication Time Records / À Tant Rêver Du Roi

A música sempre me atraiu pela sua capacidade de fazer sentir algo diferente. Extrapolar sentimentos cá dentro, elevar-nos a novas realidades, a novos mundos. A música dos Ingrina tem a capacidade de fazer isto a um nível impressionante. A junção do pós-rock com o pós-metal não poderia surgir da melhor forma, com a emotividade a estar nos píncaros. Pode-se pensar em nomes como Cult Of Luna (as duas baterias e três guitarras ajudam a isso) mas as emoções acabam por ser mais vastas, mais orgânicas. Se o conceito da banda é bastante abstracto, a sua eficácia é bastante concreta e inconfundível. Um álbum que nos permite voar de olhos fechados. Não só sem medo mas como uma total indiferença ao que se passa lá fora.

9/10 
Fernando Ferreira

13 - Mörk Gryning – “Hinsides Vrede”

Season Of Mist

Formados em 1993, os Mörk Gryning são uma banda sueca de black metal que apresenta este ano o seu mais recente esforço, Hinsides Vrede, que precede o anterior em 15 anos. Ora, não sei como soavam estes suecos em 2005, mas em relação ao presente, são claramente uma força para ter em conta. Logo a começar na segunda faixa (a primeira é uma de estilo ambiente), já percebemos que os Mörk Gryning não tem problemas a experimentar com o género, mais especificamente, a fundir elementos acústicos e elementos de black metal, criando uma união magnificamente bela que se volta a repetir aqui e acolá. Não será por isso que o álbum é menos extremo, visto que no seu seguimento somos presenteados com um black metal com melodias bastante bem compostas e viciantes, mas igualmente brutais, nomeadamente quando temos em conta o estilo de vocal desfigurado que assenta que nem uma luva. O que se nota com este álbum, é que este é um tipo de black metal verdadeiramente único que contém em si elementos que podem não ser tão apreciados por aqueles que gostam do seu black metal o mais puro possível, mas que surgem com uma dádiva diabólica através de tons épicos além dos já referidos acústicos. Não sei se serão mais 15 anos para lançar um novo trabalho, mas se apresentar nem que seja metade da qualidade, aqui ficarei esperando.

10/10
Matias Melim

12 - Eleine – “Dancing In Hell”

Black Lodge Records

Por esta altura já ninguém espera que um estilo como o metal sinfónico surgisse de alguma forma revolucionário – não está livre de acontecer mas seja o que for que o revolucione será algo que também poderá (deverá) colocar em causa a própria maneira de ser. “Dancing In Hell” vem logo desprovido desse peso em cima, pelo menos na nossa perspectiva, podendo ser apreciado apenas como um álbum de metal sinfónico. Um excelente álbum de metal sinfónico, onde o extremo e o melódico se unem num só. Sendo o terceiro álbum, já têm uma identidade bem firmada. Juntando-lhe um conjunto forte de canções, não sobra nada que nos possamos queixar e muita coisa para ficarmos rendidos.

9/10
Fernando Ferreira

11 - Shattered Hope – “Vespers”

Solitude Productions

Os gregos Shattered Hope estão de volta para o terceiro round. Tiveram algum tempo para se preparar para ele (seis anos) mas a coisas no doom monolítico também se passam mais devagar. Uma distorção no espaço-tempo que faz com que tudo ainda pareça mais devagar. Não foram seis anos, foram doze e não é uma hora de música que temos aqui e sim duas. Nalguns casos isto pode ser visto como uma filial do inferno, onde apenas sofremos a dobrar. Até poderá ser, para quem não gosta de funeral doom. Agora para quem aprecia o estilo, ainda por cima se o mesmo for tratado de forma dinâmica, não há como ficar rendido a estas cinco paisagens que apesar de não serem assim tão diferentes em si, conseguem envolver-nos hipnoticamente.

9/10
Fernando Ferreira

10 - Speed Stroke – “Scene Of The Crime”

Street Symphonies Records/Burning Minds Music Group

O hard rock está mesmo em alta. Não por estar propriamente numa altura favoravél – se formos a ver, não é altura favorável para nenhum género – mas porque temos álbuns como este “Scene Of The Crime” que é uma autêntica obra de arte para o género. Bom gosto de uma forma impressionante. Isto até nos temas mais baladescos, e todos sabemos que como um bom álbum de hard rock não passa sem uma balada lamechas. Pois aqui até esses são um destaque. Confesso que há muito tempo que não ficava impressionado com uma banda que não conhecia, há para aqui matéria para muito vício, durante muito tempo. Boas melodias, excelentes solos e um álbum insuperável.

9/10
Fernando Ferreira

9 - Farer – “Monad”

Tartarus Records

Os Farer surgiram dos Ortega e começaram com a designação Menhir, até esta mudança em meados de 2019. A particularidade de usarem dois baixos faz com que se tenha um som onde os graves desempenham um papel preponderante. Distorcido mas ainda assim com a finesse para apresentar melodias que se poderia pensar que estão apenas ao alcance de uma guitarra. Catártico e apocalíptico, este não é um disco bonito para apresentar aos amigos. É um disco que está dentro de todos nós, dentro do nosso caos pessoal, os nosso receios e as nossas esperanças. Mas mais os nossos receios. O comunicado de imprensa dita que é um testemunho ao sofrimento. Não poderia estar mais de acordo. É por isso, e por fazer abstrair o pensamento de tudo o resto. Até que acaba e ficamos com o vazio da escolha. Voltar ao mundo real ou voltar ao abismo?

9/10
Fernando Ferreira

8 - Shaidar Logoth – “Chapter III: The Void God”

Sentient Ruin Laboratories

Terceiro capítulo da discografia do duo norte-americano Shaidar Logoth, uma entidade musical que mistura black metal com, na minha opinião, doom metal. E fá-lo de forma absolutamente sublime. São quatro temas (dois deles com duração superior a quinze minutos e a abrir e a fechar o álbum) que nos trazem muitas mais disposições e perspectivas do que esperaríamos à partida. Foram cinco anos de ausência mas valeu a pena a espera para voltarem com uma bomba como esta. Poderoso e dinâmico, é sem dúvida um festim para os sentidos daqueles que vibram com a progressão da música e com poder e impacto que ela tem no ouvinte permitindo-lhe “viajar”, mesmo nos temas mais curtos.

9/10
Fernando Ferreira

7 - Harlott – “Detritus Of The Final Age”

Metal Blade Records

Regresso dos Harlott é o mesmo que dizer regresso do thraaaaaaaaash. A banda australiana tem sido um dos grandes destaques do país no que ao thrash metal com uma carreira sólida até ao momento. As expectativas para mais uma bomba thrash eram enormes e é o que temos. Os Harlott conseguem sempre colocar-nos naquela encruzilhada. Se por um lado não são particularmente modernos – isto é, não seguem as tendências de misturar o seu thrash com hardcore ou o quer que seja (não que haja algo de errado com isso) – mas também não andam presos a um passado glorioso. É a verdadeira evolução do thrash metal quanto a isso. E claro que tudo isto apoiado em mais um conjunto de temas esmagadores. Dinâmicos onde temos o mid tempo triturador, temas mais longos, assim como a fúria dos riffs pedal to the metal. Sem surpresas mas sempre com muito gosto, o thrash como o gostamos de ouvir.

9/10
Fernando Ferreira

6 - Fates Warning – “Long Day Good Night

Metal Blade Records

Joey Vera está em grande. Se calhar é a forma errada de começar esta review mas agora já está. Não só lançou um grande álbum com os Armored Saint como está agora também (com pouco espaço de intervalo) a lançar o regresso dos Fates Warning, uma das bandas clássicas de metal progressivo vinda dos E.U.A.. A banda não é propriamente popular – pelo menos não como foi no início da sua carreira – mas sem dúvida que tem uma base de fãs fiel. Como sempre, este é um álbum que é para consumir devagar e sem pressas. É grande em todos os sentidos. Tem treze temas, mais de setenta minutos e também é grande na sua qualidade. Esse factor não impede que não tenhamos alguns temas imediatos  – “Alone We Walk” e “Now Comes The Rain” são deles, sendo os dois retratos de duas personalidades. O primeiro a apelar ao peso e o segundo a apelar a certo imediatismo ao qual não associariamos a banda, o que demonstra que a banda está ainda com vontade de pisar novos caminhos, apesar de uma carreira ilustre às costas. Os Fates Warning não precisam de provar nada a ninguém mas também não estão no ponto de apenas lançar cá para fora um conjunto de canções qualquer para justificar uma digressão – que nos dias de hoje é cada vez mais incerta. Não, este é um álbum que é clarividente o suficiente para ter um pouco de tudo e também para ir para além do conformismo. Sente-se que eles estão tão válidos agora como estavam vinte ou trinta anos atrás. E a música fala mesmo por si próprio.

9/10
Fernando Ferreira

5 - Sunyata – “The Great Beyond”

Edição de Autor

Ele há coisas do demónio. O primeiro impacto, para além da capa fantástica, que tive com este álbum, antes de ouvir o quer que seja foi de reparar que é composto por dez faixas com exactamente dez minutos. Pormenor curioso que não me recordo de ter visto. Pensei para comigo, ou temos doom, ou temos prog. Bem, nem um nem outro, ou ambas as duas como dizia o poeta saloio. Funeral doom amboiente esotérico é o que lhe apetece chamar. Cósmico, transcendente, algo que faz com que comecemos a ter uma ligação maior ao universo. Atenção à navegação, não é um álbum que consiga preencher as medidas daqueles que procuram algo violento, algo mais pujante – não é que tenha peso mas o mesmo é diluído pela majestosidade das melodias – não será o disco ideal. Este é um álbum que é quase instrumental, é cinematográfico e é sensorial. É sem dúvida uma experiência fantástica para ouvir de seguida – as faixas, apesar de estarem dividas, são contínuas, ou seja, é uma peça de quarenta minutos de impacto grandioso. GRANDIOSO!

9/10
Fernando Ferreira

4 - Spectrale – “Arcanes”

Les Acteurs de L’Ombre Productions

Este projecto a solo de Jeff Grimal é impressionante. Poderá não ter, na prática, algo relacionado com o metal, já que se trata de música acústica mas mesmo assim. Mesmo sendo acústica, não deixa de ter uma mística impressionante. Uma ambiência muito própria, quase mágica, que é não só memorável como também marcante. Remete-nos para um universo muito próprio (e muito saudoso) por parte de outros projectos como os nossos Dwelling, sendo que a diferenciação é que não há voz e é a música a ecoar e ressoar dentro de nós. Um álbum do qual não nos cansamos de ouvir e uma das grandes surpresas do ano.

9/10
Fernando Ferreira

3 - Gwydion – “Gwydion”

Art Gates Records

Simplesmente Gwydion. Os nossos bravos guerreiros regressam para mais uma ronda de combates agora com o apoio da Art Gates Records e depois de um mais sóbrio “Thirteen” e da sua base mais factual em termos históricos para voltar-se para a mitologia celta (apoiando-se e inspirando-se no mítico Livro de Taliesin), algo que combina também com a música que também se apresenta diferente. Com uma nova formação, havia essa expectativa, ainda por cima com a entrada de Luís Figueira. A mistura entre o death/black melódico e pagão dá-se de uma forma em que desde o início que se nota que estamos perante o som da banda. Creio que esse é o ponto principal. Quando uma banda lança um álbum auto-intitulado, espera-se sempre algo forte, uma declaração perante os temas que contem. Para mim é a declaração que mais black menos melódico ou mais folk e menos death, no final soa sempre a Gwydion. Se tivermos em conta o quão é difícil conseguir isso e o quão este é um sub-género povoado, não deixa de ser impressionante. Quase setenta minutos de duração também revela a ambição e confiança da banda, num álbumm que não tem enchidos e que está cheio de hinos para serem cantados ao vivo. “Cad Goddeu” (com a participação de Pēteris Kvetkovskis dos Skyforger) , “Battle Of Alclud Ford” (com a participação de Artur Almeida) o tema homónimo são boas representações disso, músicas que foram feitas para serem cantadas pelos fãs dos Gwydion. Os que não forem, de certeza que serão contagiados. Como não? Dinâmico, poderoso e versátil. Até a forma como acaba, com “A Roda” (com Isabel Cavaco dos Dogma a cantar, em português, ela que também fez diversos coros noutros temas e já é presença habitual nos trabalhos da banda) é perfeita e exemplifica a sua qualidade.

9/10 
Fernando Ferreira

2 - Aeolian –“The Negationist”

Black Lion Records

A entrada furiosa de “Momentum” – e que título tão fantástico para explicar o sentimento que esta faixa provoca no álbum – eleva-nos e deixa-nos logo completamente agarrados. A forma como isso acontece, não terá sido mesmo por acaso. A fúria do death metal é aplacada por doses inteligentes de melodia que surgem no momento correcto e na quantidade certa. É essa sobriedade (que parece não estar presente) que faz com que o impacto da melodia seja tão grande. Grande e duradouro. Onze faixas que poderão acusar, à primeira audição, alguma falta de diversividade mas que isso depressa se dispersa pela qualidade dos temas que temos aqui. Um segundo álbum por parte destes espanhóis, que não só têm um grande conceito (a luta pelo meio ambiente), como fazem música impresionante.

9/10
Fernando Ferreira

1 - Bas Rotten – “Surge”

Raging Planet Records

Que jarda. J A R D A ! A sério, os Bas Rotten devem ter encetado uma das grandes estreias do ano de 2020. E não é limitada ao contingente nacional. De todo o planeta, Lua e Marte. Porra, do sistema solar. Brutalidade grindcore mas com uma clareza de espírito e um caos controlado impressionante. Tudo é perceptível o que só faz com que tudo seja ainda mais poderoso. Grind apunkalhado ou acrustalhado. São dezassete temas que passam realmente num instante (para aí em vinte minutos se tanto se não for em menos) e que obriga a dar mais umas quantas voltinhas. Zangado e com vontade de destruir, mas com a razão toda do seu lado. Surge é um hino à violência justificada.

9/10
Fernando Ferreira

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