Álbum do Mês – Fevereiro 2022

Álbum do Mês – Fevereiro 2022

As expectativas para um novo ano são sempre altas. Mesmo que sejamos muito pessimistas, o início de um novo ano vem sempre com aquela ilusão de que será aquele ano onde tudo vai ser como sempre sonhámos. Claro que esse espírito morre depressa e mal chega a Fevereiro. No entanto, aqui na World Of Metal, com a quantidade de discos de qualidade elevada que vamos recebendo, não há como esmorecer. E para Fevereiro temos mais vinte propostas para dar esperança para o resto do ano. Resultado garantido.

20 – Oshiego – “Jaljalut”

Seven Kings Productions

Lembram-se do impacto que o “Djinn” dos Melechesh teve na música extrema? Foi algo que me veio à memória ao ouvir o quinto álbum dos Oshiego que por acaso (só por acaso) até nem são o Médio Oriente e sim de Singapura. No entanto a temática aqui parece ser mesmo algo ligado à região atrás indicada e temos até algumas melodias características – que resultam sempre bem num contexto de peso e dão sempre um toque extra de classe. “Jaljalut” é death metal sem concessões, com alguma melodia mas mais foco na brutalidade. A sua concepção de melodia é aquela que nos aproxima mais de uma banda como Bolt Thrower do que propriamente uns Hypocrisy. Apesar de ser o quinto trabalho, de certeza que esta banda vai chegar a muitos pela primeira vez. E causar um bom impacto.

8.5/10
Fernando Ferreira

19 – Space Parasites – “The Spellbound Witch”

Iron Shield

Thraaaaaaaaash! Daquele mesmo bom! Primeiro impacto, a voz. Que voz mais diabólica. Uma espécie Udo Dirkschneider thrasher só que em feminino, uma voz tão ácida e tão corrosiva que acredito que é capaz de cortar o cabelo só através do ar. “The Spellbound Witch” é o segundo álbum da banda e consegue impressionar pela conjugação bem interessante do thrash metal agressivo e de uma sensibilidade heavy, quase speed metal. Resulta muito bem pela forma somos totalmente engolidos ao longo de quase quarenta minutos. É um bocado unidimensional, admito mas seja como for, para quem não os conhece e tiver especial apreço pelos estilos mencionados atrás, terá uma surpresa muito positiva. Recomendado!

9/10
Fernando Ferreira

18 – Sarcasm – “Stellar Stream Obscured”

Hammerheart

Regresso dos suecos Sarcasm que até poderiam ser holandeses que ninguém desconfiaria, com o som do seu death metal a ser bastante característico e próximo daquilo que algumas bandas holandesas fazem ou já fizeram. A banda tem uma história algo conturbada mas agora parece estar de volta com a ganga toda e com um ambicioso álbum conceptual. A dinâmica poderá não parecer que é o seu forte, mas este é um álbum bastante dinâmico – ou não tivessemos aqui um épico doom metal sinistro na forma de “Ancient Visitors”. Rico até na forma como conta a história – que confesso, não foi o ponto principal de interesse na análise deste álbum – “Stellar Stream Obscured” é um trabalho rico que do lado mais técnico, ao lado mais compassado e sem esquecer o melódico, com melodias dignas de Amorphis do “Tales From The Thousand Lakes” e dos Hypocrisy do “Abducted”. Bastante completo, e como tal recomendado.

8.5/10
Fernando Ferreira

17 – Backslider – “Psychic Rot”

To Live A Lie

Segundo álbum dos Backslider, banda que tem um som refrescante para quem gosta de grindcore e gostava de gostar de sludge. É uma fusão perfeita entre os dois já que oferece dinâmicas que ambos os estilos não têm. No grindcore, oferece uma variação de dinâmicas que não é comum encontrarmos e para o sludge dá uma vitalidade potente à qual sinceramente é díficil não ficar viciado. É um álbum curto – extremamente curto que não chega aos vinte cinco minutos – mas isso não impede que seja um vício fácil de ficar refém. Começamos 2022 de forma violenta mas ao melhor nível.

8.5/10
Fernando Ferreira

16 – Cryptic Hatred – “Nocturnal Sickness”

The Other

Mais uma banda nova que chega ao álbum de estreia e esta é daquelas que parece que já o fez há décadas, não por ser uma banda de veteranos – parece-nos que não é de acordo com a informação que temos – mas por trazer uma sonoridade bem old school que nos remete para os primórdios da década de noventa do underground escandinavo, sobretudo do sueco e finlandês. Aliás, para se ter um ponto de comparação, o que ouvimos aqui parece ser bem mais podre que os Abhorrence, a banda de Tomi Koivusaari antes de ir para os Amorphis. Death metal podre, directo ao assunto e com bons riffs e leads cativantes que se colam ao cérebro. Recomendado unicamente aos amantes saudosistas de death metal mais primitivo mas o seu encanto poderá até atrair quem gosta de outras paragens musicais.

8.5/10
Fernando Ferreira

15 – Night Cobra – “Dawn Of The Serpent”

High Roller

Night Cobra é sem sombra de dúvidas um daqueles nomes que facilmente remontam à tradição heavy metal da década de oitenta. A capa também vai nesse sentido por isso não será surpresa nenhuma para ninguém a banda soa mesmo a heavy metal clássico. O que é fantástico para quem adora esta vertente e eu devo dizer que não fosse a necessidade de alguma habituação à voz de Bakka Larson que me soou algumas vezes algo deslocada, teria sido um amor à primeira audição. “Dawn Of The Serpent” tem bons temas, tem boa atitude e tem aquele espírito de música orgânica e real que tantas vezes parece faltar à música moderna. Aqui não há que enganar, este é mesmo um álbum que os fãs de heavy metal vão mesmo apreciar.

8.5/10
Fernando Ferreira

14 – Wolfbastard – “Hammer The Bastards”

Clobber

Que capa tão deliciosamente retro mas também perfeita para ilustrar a blasfema black/thrash/crust que temos por aqui. Tenho que confessar a minha ignorância em relação à carreira destes britânicos mas devo dizer que fiquei preso com este terceiro álbum. A urgência do metal extremo e cru, a blasfémia presente um pouco por todo o lado e o facto de se juntar o black metal a um feeling punk que não é nada de anormal porque os dois estilos têm bem mais em comum do que se espera. Contudo, o não ser nada de anormal não impede que estas músicas surjam com um poder inesperado. Poder e urgência. Para quem gosta do feeling javardolas na música e do seu facto orgânico, esta meia hora de música será sem dúvida uma boa meia hora de prazer auditivo que provavelmente não esperavam.

8.5/10
Fernando Ferreira

13 – 40 Watt Sun – “Perfect Light”

Svart

Os 40 Watt Sun sempre foram um bicho diferente no metal e hoje em dia mal se podem chamar de metal, com a sua música a ser “apenas” uma representação criativa de como o rock progressivo consegue manter-se relevante. Com uma abordagem acústica, o peso que aqui temos é emocional e transpira sobretudo da entoação de voz de Patrick Walker. É essa voz mas também a gentileza das guitarras que nos vão agarrando sem sequer fazer força para isso. Maior parte destes temas são longos mas nem se dá pelo tempo passar. E sem qualquer tipo de gimmicks – nada contra eles até porque foram eles que me levaram a apreciar este e outros estilo em primeiro lugar – apenas as canções despidas de arranjos complexos e com uma alma enorme que nos encanta e marca. “Perfect Light” poderá ser muito facilmente esquecido quando se fizerem os balanços de 2022. Não é vistoso, não tem aquela urgência que hoje o mundo digital exige mas por outro lado tem uma alma que o permitirá durar décadas.

9/10
Fernando Ferreira

12 – Validor – “Full Triumphed”

Symmetric

Quando o nosso nariz torce-se naturalmente ao pensarmos em one-man bands de heavy/power metal tradicional, nada como sermos surpreendidos com um álbum com potencial para mudar por completo este estigma. Ainda para mais quando o último lançamento do projecto não foi propriamente memorável. Em abono da verdade e apesar de ser um projecto solitário, Odi “Thunderer” Toutounis não se encontra sozinho aqui, com a ajuda de alguns músicos de sessão como Apollo Gi na bateria e Bob Katsionis no baixo, teclados e guitarra solo – e o álbum é lançado pela editora de Katsionis, Symmetric Records. Se antes não tínhamos ficado impressionados com Odi, principalmente com a sua voz, e que é também responsável pela composição e guitarra ritmo e voz, ela aqui surge como uma peça que encaixa perfeitamente neste estilo. Ao ponto de fazer querer ouvir o anterior trabalho para ver se a opinião muda. É absolutamente brilhante na forma como consegue entusiasmar todos os que eventualmente possam se ter cansado da evolução do género nos últimos anos. É um regresso ao heavy metal cheio de poder – o power norte-americano que este grego sabe como ninguém evocar. Excelente!

9/10
Fernando Ferreira

11 – Silhouette – “Les Retranchement”

Antiq

Dos nenhures surgem estes Silhouette que nos trazem black metal melódico refrescante. Não é que consigam reinventas a roda, mas apresentam uma perspectiva que se torna muito agradável. Isto para, aviso já, quem não for propriamente muito restrito em relação às liberdades do black metal. Então qual é a grande diferença deste para outros trabalhos? É mesmo a voz. A voz feminina que no black metal melódico está muitas vezes destinada a um segundo plano assume aqui o palco principal – o que também não exclui termos vocalizações mais ásperas – e traz um ambiente mais abrangente e diverso e uma maior dinâmica entre o peso e a melodia. Nascido inicialmente como uma one-man band, é bom ver que a criatividade se expande para sítios não previstos e que flui de forma natural para nos dar música grandiosa assim. A sua (curta) duração é mesmo o seu único defeito, de resto, um grande álbum de estreia.

9/10
Fernando Ferreira

10 – Lunar Tombfields – “The Eternal Harvest”

Les Acteurs De L’Ombre Productions

Mais um projecto nascido do confinamento – há sempre um lado positivo em tudo mesmo que assim não pareça. Este duo, M. e Äzh apresenta neste álbum de estreia um black metal épico com grande impacto embora o mesmo não seja propriamente comercial. Temos quatro faixas longas onde os argumentos escandinavos falam mais alto mas sempre com um sentido melódico e melancólico bem apurado. Aliás, é pelos riffs em tremolo picking que nos apaixonamos logo. “The Eternal Harvest” não é black metal depressivo mas consegue utilizar as suas armas de forma perfeita. Uma delas é os momentos sem distorção que ajudam a aprofundar e ampliar o ambiente especial que está à nossa volta durante mais de quarenta minutos. Não se pense, por isto que disse, que se trata de música que apela aos nossos sentimentos de forma gratuita. Continua a ser épico, continua a ser black metal e é este factor que faz com que seja bem mais viciante do que aquilo que se anteciparia neste momento.

9/10
Fernando Ferreira

9 – King Bastard – “It Came From The Void”

Edição de Autor

Janaaa! Fantástica! Para quem apenas chegou aqui agora (vêm sempre a tempo), o termo jana, neste contexto, quer referir-se sempre a algo que nos mete a viajar na maionese, mas os King Bastard fazem-no de uma forma sublime. Com uma base stoner/doom metal temos um feeling psicadélico fantástico e que nos leva bem mais longe do que aquilo que esperaríamos. Principalmente quando metem pelo meio saxofones que têm um efeito mais que eficaz em nos encher a cabeça cheia de enzimas psicotrópicas como se tivessemos a viajar em ácidos dando aquela sensação de expansão de mente que nos coloca em contacto com todos os seres vivos do universo. Algo que se torna muito real aqui mas com a parte interessante de ter em cima uma camada de peso nada subtil. Até mesmo nas poucas vezes onde a voz surge – quase como um instrumento.

9/10
Fernando Ferreira

8 – Beyond The Styx – “Sentence”

Edição de Autor

França, Beyond The Styx, hardcore metálico bruto e impiedoso. É o que temos e é o que queremos. “Sentence” é um daqueles discos de meia hora que tem a duração perfeita e proporcionalmente inversa à violência que espalham. Funciona neste formato porque é impossível um ser humano sem esteróides aguentar com tanta energia por mais do que trinta minutos. Unidimensional e a banda sonora perfeita para que se tenha um bom exercício a partir cenas ou andar aos saltos e aos pontapés às paredes. Líricamente pujante – já outra coisa não se esperava – este terceiro álbum não só traz toda essa energia como também foi finalizado à distância devido à situação global em que vivemos. Algo que não se sente no produto final e uma prova de que quem quer e quem sabe, encontra sempre caminhos para fazer coisas boas.

9/10
Fernando Ferreira

7 – Comeback Kid – “Heavy Steps”

Nuclear Blast

Já estava na hora dos Comeback Kid lançarem cá para fora o sucessor de “Outsider” – incrível como já passaram cinco anos – álbum que cresceu muito mais do que aquele primeiro impacto que tivemos com ele. Muito graças também ao concerto explosivo que deram no RCA Club e que fomos afortunados o suficiente para o vivenciar. Sobre essa perspectiva, “Heavy Steps” oferece logo uma série de temas que serão explosivos em cima do palco. Uma série para já não dizer todos porque também queremos manter alguma sobriedade. “Heavy Steps” é hardcore explosivo que obriga ao movimento, seja onde for e também a gritar de punho em rist – aquelas “Face The Fire” e “Everything Relates” são especialmente eficazes. Riffs do demo, ritmo castigador e uma maneira perfeita de perder aqueles quilos acumulados nos últimos tempos.

9/10
Fernando Ferreira

6 – Invoke – “Deo Ignoto”

Amazing

Finalmente o regresso dos Invoke. Uma longa espera para este segundo álbum que valeu a pena pelo resultado final. Já tinhamos tido a oportunidade de ouvir alguns destes temas ao vivo mas agora podendo conviver com eles de forma mais aprofundada é que se tem uma noção mais cuidada da sua qualidade. “Deo Ignoto” é um álbum de black metal, não tão melódico como isso mas também sem recair sobre a fórmula tradicional escandinava do estilo, o que acaba por soar refrescante. Pensemos nuns Samael pré-groove da fase “Ceremony Of Opposites”, com mais violência e potência metálica com a sua própria identidade que assenta em letras cantadas em português que tem impacto poderoso na diferenciação. A simplicidade da capa poderá ser enganadora porque apesar de parecer directo e sem espinhas, este é um álbum que tem muitos detalhes para desbravar, nomeadamente nas guitarras e bateria. Os teclados surgem ocasionalmente e dão o impacto positivo pela sua sobriedade. No geral “Deo Ignoto” assume-se como um dos grandes álbuns lusitanos de música extrema deste primeiro semestre dos Invoke.

9/10
Fernando Ferreira

5 – Wiegedood – “There’s Always Blood at the End of the Road”

Century Media

Parece que não mas já tinham passado quatro anos (ou quase isso) desde o último trabalho de originais dos belgas Wiegedood. Findada a trilogia “De Doden Hebben Het Goed”, aqui está o início de uma nova era dos Wiegedood, algo que se sente bem ao longo deste “There’s Always Blood At The End Of The Road” mas que depois, se formos a analisar, até nem está assim muito distante do que ficou para trás. Se não verjamos, temos canções mais curtas, e com uma intensidade ainda mais aparente e directa ao pescoço mas o tipo de riffs são os mesmos. E a melhor maneira de sentir isto é ouvir o álbum de seguida, sem interrupções, que traz o mesmo tipo de sensação que tivemos nos anteriores três trabalhos quando ouvíamos músicas de sete a treze minutos. A intensidade está lá tuda mas a reformulação de como ela é apresentada faz toda a diferença neste contexto, tornando este álbum um dos mais interessantes para quem acompanha a banda desde o primeiro, mostrando que perante um beco sem saída, souberam reinventar-se sem reinventar praticamente nada.

9/10
Fernando Ferreira

4 – Glasya – “Attarghan”

Scarlet

Expectativas elevadas para este segundo álbum dos Glasya, banda que entrou de rompante no cenário sinfónico (nacional e internacional) e que assumiram neste segundo álbum uma redefinição mais precisa da sua identidade musical assim como abraçando um conceito desafiante e ambicioso. Os álbuns conceptuais já se tornaram algo comum no cenário da música pesada mas não deixa de ser sempre interessante quando o mesmo resulta em pleno como é o caso que temos aqui em “Attarghan”. Musicalmente temos a banda mais próxima das suas influjências sinfónicas mas não deixando de trazer o seu cunho pessoal, cunho esse que já tinha sido apresentado em “Heaven’s Demise”. É impossível não sentir que a banda deu um grande salto na sua evolução e de que consegue apresentar não só um álbum mais maduro como também aprofundar as suas prórprias definições de peso nas guitarras e no uso dos arranjos orquestrais. Essa maturidade sente-se ao longo de todo álbum e salienta-se nos temas com convidados (sobretudo na “From Enemy To Hero” com a participação de Marco Pastorino dos Temperance), o que me leva a questionar se uma segunda (boa) voz a tempo inteiro não será uma mais valia. “Attarghan” é ambicioso e mostra ter capacidade para suster essa ambição, elevando a fasquia não só para a banda mas como para toda a concorrência, que neste segmento específico é bastante.

9/10
Fernando Ferreira

3 – Wilderun – “Epigone”

Century Media

Não é grande surpresa, pois não? Os Wilderun são uma daquelas bandas que têm um certo je ne sais quoi, como os Opeth, Mastodon e tantas outras que conseguiram maravilhar o underground e expandir cada vez mais a sua base de fãs. É certo que essa expansão também acompanha a evolução (a tão malfadada evolução) que faz com que os fãs mais antigos deixem-se de identificar com aquilo que a banda se tornou. E sejamos realistas, muitas vezes esses fãs também ficam ofendidos quando as bandas que apenas eles consideravam especiais se tornam populares e por popular nem é necessário entender algo mainstream. Cheguei a esta banda com o seu anterior álbum “Veil Of Imagination”, que foi quase imediatamente capturado pela Century Media – o álbum e a banda – e este “Epigone” é o primeiro editado já pela nova editora. Podemos dizer que é precisamente aquilo que se esperava. Um festim progressivo sem tantas incursões pelo folk como anteriormente mas com o mesmo impacto melódico. Peso e melodia. É um álbum longo – atenção é progressivo, não é daquelas coisas que se absorvem imediatamente – o que equivale a uma viagem fantástica à qual queremos fazer de seguida sem interrupções. Claro que temos músicas que se destacam mas quando “uma” delas é a suite “Distraction”, já está tudo dito não está? Não é grande surpresa este ser já um dos álbuns do ano, pois não?

9.5/10 
Fernando Ferreira

2 – Toundra – “Hex”

InsideOut Music

Será exagero dizer que os Toundra são uma das propostas de topo vindas de Espanha? Será demasiado parcial? A verdade é que a sua mistura instrumental de post rock e post metal tem vindo a capturar um brilho e uma qualidade cada vez mais crescente. Depois da experiência que foi “Das Cabinet Des Dr. Caligari”, os Toundra estão de volta ao seu ambiente e trazem-nos sete temas que nos levam para muito longe, sem nos sequer apercebermos. Esta capacidade de abstracção do ouvinte mas ao mesmo tempo também foco, é uma das suas maiores marcas registadas que está mais presente que nunca nestes sete temas. É tão fácil deambular dentro da nossa mente através destes sete temas assim como é muito fácil repetir a dose porque no final fica sempre um vazio ensurdecedor. Poderá parecer algo mais negativo do que positivo mas a viagem é tão boa que o vazio aceita-se muito bem. Mais que não seja para voltar a repeti-la.

9.5/10
Fernando Ferreira

1 – Cult Of Luna – “The Long Road North”

Metal Blade

Havia um certo vazio no meu ser e eu não sabia bem o que era. Após saber que Fevereiro nos ia trazer mais um álbum dos Cult Of Luna, tudo ficou mais claro. Estava a faltar esta dose de apocalipse pessoal que os suecos tão bem sabem fazer e que mais que nunca se revela apropriada para os estranhos tempos distópicos que vivemos. Não seria de esperar que fossemos surpreendidos pela forma. A identidade dos Cult Of Luna está bem cimentada através de álbuns que na sua grande maioria foram aclamados e não seria de esperar que a mesma sofresse alterações. No entanto, aquilo que tivemos foi sem dúvida um conjunto de músicas impressionante, que apela às nossas emoções mais viscerais daquela forma como apena os Cult Of Luna o conseguem fazer. Impressionante, volto a repetir, para caso se fique com a ideia de que foi apenas mais um adjectivo soltado para o ar por acaso. Não há acasos, e não há surpresas também perante o poder dos Cult Of Luna. Ainda que tenhamos aqui alguns temas melódicos de uma forma quase chillout como é o caso da “Beyond I” e o início da “Into The Night”. Se o anterior, na minha opinião, não me conseguiu apagar a marca que “Vertikal” tinha deixado, este deixa aquele gosto bem característico no ser: está tudo a ir-se abaixo mas continuamos a ter a música dos Cult Of Luna como indicação de que num mundo onde ninguém mais ouve os outros e muitas vezes nem si próprio, temos música que mostra exactamente o que estamos a sentir.

9.5/10
Fernando Ferreira

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