Álbum do Mês – Janeiro 2020

Álbum do Mês - Janeiro 2020

Começamos este ano em grande, com vinte indicações como vai ser o ano de 2020, com vários estilos representados e com um nível elevadíssimo de qualidade. Uma pequena amostra de que o nosso amado som sagrado está muito bem de saúde e recomenda-se!

20 - Anti-Flag – “20/20 Vision”

Spinefarm Records

Não sendo surpresa nenhuma a queda para trazer música carregada de teor político dos Anti-Flag, não deixa de ser surpreendente termos um álbum quase conceptual dedicado ao actual momento da política norte-americana, algo que a capa deixa logo claro, sem margem para dúvidas. Segundo os mesmos, decidiram quebrar a sua própria regra por sentirem que deveriam chamar os bois pelos nomes (literalmente) e apontar ao dedo ao que consideram errado. Em termos musicais não há nada que tenhamos de diferente em relação ao que a banda tem apresentado, ou seja punk rock melódico com refrães que nos fazem esticar o braço e pular – aquela “Don’t Let The Bastards Get You Down” é um hino de todo o tamanho tanto pela melodia como pela letra, sendo que a acústica “Un-American” é outro excelente exemplo. Não será o álbum mais acutilante da banda em termos musicais mas liricamente é talvez que é mais pujante. Sem dúvida um vício que vamos sustentar principalmente tendo em conta que a banda vai já visitar-nos no próximo dia 8 de Janeiro no RCA Club.

9/10
Fernando Ferreira

19 - Magnum – “Serpent Rings”

SPV/Steamhammer

Tony Clarkin, nunca pára. Como é do conhecimento, ele é o responsável por escrever todo o material lançado pela banda e, além disso, fica a seu cargo todo o trabalho de produção. Parece um poço sem fim de ideias, tal a qualidade das suas criações. “The Serpent Rings”, o mais recente trabalho dos lendários Magnum é a prova disso mesmo e assim, a par do outro membro original, o vocalista Bob Catley, provam mais uma vez como as coisas ainda acontecem e acima de tudo a capacidade que têm para as fazer acontecer dentro da sonoridade que sempre nos deram a ouvir.

Onze faixas sublimes que desfilam pelos nossos ouvidos de forma inspiradora, com enormes riffs, solos e a voz de Bob essa está como o vinho do porto, quanto mais velho melhor!

10/10
Miguel Correia

18 - Autumn’s Child – “Autumn’s Child”

AOR Heaven

Que capa tão fantástica! Mesmo sem ouvir nada deste trabalho, confesso que fiquei logo com uma impressão positiva. Algo que até nem é costume acontecer com uma simples capa. No entanto, a arte deve representar a música, na minha opinião. E neste caso, posso dizer que a positividade da capa espelha a boa onda da música. Hard rock com um feeling positivo a mostrar o lado mais leve da música pesada – perdoem-me o paradoxo mas acho que percebem o que quis dizer. Mikael Erlandsson tem aqui nos Autumn’s Child o seu foco e podemos dizer que em nada há apontar em relação a esta opção. Uma boa surpresa já no início de 2020.

9/10
Fernando Ferreira

17 - Evolve – “Choose Your Path”

2020 – iGroove Music

Evolve são uma banda suíça, de metal progressivo e este trabalho surpreendeu-me bastante pela positiva. Vocalista tem uma voz poderosa, os instrumentais são elaborados, com excelente trabalho de teclas, solos longos. É notória e indiscutível  a influência de Dream Theater no seu som mas ao mesmo tempo original e melódico. As letras narram alguns dogmas da existência humana, tal com o a escolha de um único caminho, como podemos ver reflectido na capa do álbum. Presenteiam-nos com o seu álbum ”Choose Your Path” e dele destaco os temas “ The Light At the End of the Labyrinth” e “ Symbols”.

9/10
Nídia Almeida

16 - Ingrimm – “Auf Gedeih Und Verderb”

Hardy Entertainment

Confesso que sou daqueles que tem um certo desinteresse pela onda de bandas alemãs que nos surgem a tocar folk metal festivo, cantado em alemão. Nada contra em termos de principio, apenas porque acaba por soar um pouco repetitivo. Os Ingrimm, cujo último álbum foi lançado cinco anos atrás (quase seis) voltam agora em força com um álbum bem dinâmico e com várias tonalidades que são a receita ideal para me converter. Boas melodias e a boa conjugação entre os instrumentos mediavais como o hurdy gurdy e as guitarras fazem com que tenhamos aqui realmente um trabalho capaz de chamar assim todo os que gostam da bela da melodia medieval em conjugação com guitarras fortes.

9/10
Fernando Ferreira

15 - Ironflame – “Blood Red Victory”

Divebomb Records

E nada como o heavy metal para abrir o caminho por 2020, com um álbum que nos mostra o estilo bem vital. Os Ironflame podem ter um nome algo comum, podem ter títulos de álbuns e canções também eles comuns, e até podem apresentar músicas que não enganam ninguém, mas só com um acesso de loucura é que isso poderá ser uma desvantagem, ainda para mais quando nos conseguem agarrar logo à primeira em temas como “Gates Of Evermore” e “Seekers Of The Blade”. Algures entre o heavy metal tradicional e a vaga de power metal do final da década de noventa, este é um daqueles álbuns que cumpre os seus objectivos de uma forma magistral, com alguns refrões e riffs memoráveis – aquela “Blood Red Cross” é imediata!

9/10
Fernando Ferreira

14 - Haunt – “Mind Freeze”

Shadow Kingdom Records

Eles estão de volta. É incrível a produtividade dos Haunt que não só têm lançado um álbum por ano como ainda o fazem com menos de um ano de intervalo e com uma qualidade que assusta de tão elevada que é. Claro que temos que ter em atenção que o que apresentam é heavy metal tradicional que parece que foi registado em meados da década de oitenta, mas quando soa tão bem como “Hearts On Fire” e “Divide And Conquer”, o que é que interessa? Tudo o resto são detalhes. Classe impressionante que nos faz pensar que esta é mesmo a melhor coisa que apareceu para o heavy metal nos últimos anos. Para não variar, temos este trabalho disponível em vinil, cassete e, claro, CD e em formato digital.

9/10 
Fernando Ferreira

13 - Acid Mammoth – “Under Acid Hoof”

Heavy Psych Sounds

Começamos o ano doom em grande estilo, com os Acid Mammoth a serem aqueles que mais impacto tiveram em nós na preparação para este mês de Janeiro. Ao segundo álbum, a banda grega passa do estatuto de promessa e carimba o de confirmação. Cinco temas apenas onde o doom paquidérmico e arrastado – com inúmeras afinidades com o stoner – nos transporta para transes hipnóticos dos quais não conseguimos, nem queremos, sair. Não vou negar que estes trinta e cinco minutos nos souberam a pouco mas quantos álbuns clássicos não têm esse mesmo tempo e são aclamados pela sua perfeição? Este é mais um deles. Vício.

9/10
Fernando Ferreira

12 - Aethyrick – “Gnosis”

The Sinister Flame

Os misteriosos finalandeses Aethryick são mesmo um nome a reter dentro do black metal contemplativo ou melódico. Se “Praxis” já tinha dado essa indicação, “Gnosis” é sem dúvida a confirmação. Estes sete temas acabam por trazer-nos uma dose melancólica à qual também é essencial a agressividade embora esta acabe por não ter um papel preponderante. De certa forma tem o mesmo impacto que uns Tribulation sem a fixação com o pós-punk, mas com o mesmo tipo de impacto dramático. Fazendo uma comparação estapafúrdia era como se os Tribulation resolvessem pegar nos melhores momentos dos OldMan’s Child e se inspirassem para criar algo novo.. 2020 promete bastante, ainda agora chegámos e já estamos a encontrar várias sementes para isso mesmo.

9/10
Fernando Ferreira

11 - Oberst – “Paradise”

Indie Recordings

Confesso que quando avancei para este álbum dos Oberst, estava em branco. Não tinha qualquer expectativa em relação a este trabalho, não conhecendo particularmente o trabalho da banda norueguesa. Posso dizer que inicialmente não foi amor à primeira audição… mas andou lá perto. Misturando a abrasividade do hardcore e do pós-hardcore, com uma sensibilidade que apesar de ser pesada como metal, tem tendências mais progressivas ou até mais pós-rock, “Paradise” é uma autêntica viagem para quem procura de algo surpreendente. Agora calma, não estou a dizer que é revolucionário. E neste ponto nem precisa de o ser para nos impressionar, apenas precisa de apresentar canções que acabam por nos emocionar e contagiar, sem grandes dificuldades. E é o que acontece. Para quem sentir essa resistência inicial, temos a dizer que isso depois passa. Não são necessárias muitas audições para se esquecerem sequer que ela alguma vez existiu.

9/10
Fernando Ferreira

10 - Empire of the Moon – “Εκλειψις”

Iron Bonehead Productions

Os misteriorosos gregos estão de volta para o segundo round após uma ausência de cinco anos. E regressam em grande apesar do álbum saber a pouco. Trata-se de quase quarenta minutos de um black metal que a principio se antecipa como ritualista mas que depois se torna bem mais metal do que o previsto. E ainda bem. “Imperium Tridentis” é um daqueles álbuns que nos faz ir para o meio das montanhas e respirar fundo a pensar como é bom estar vivo. Ou morto, conforme for a nossa situação na altura. A banda grega revela mesmo que estará aqui um daqueles trabalhos que os poderá levar a um nível completamente diferente a nível de exposição.

9/10
Fernando Ferreira

9 - Deathwhite – “Grave Image”

Season Of Mist

Deathwhite é um daqueles nomes genéricos que faz pensar que já o conhecemos de algures antes. E até é possível que sim, mas “Grave Image” tem um impacto tão grande que se isso acontecesse, de certeza que já teríamos ouvido falado na banda norte-americana. Pelo menos agora já não é tão facilmente esquecível no futuro, independente de qual tenha sido o nosso primeiro contacto com a banda. Juntando doom metal com uma sensibilidade gótica e atmosférica, esta mistura revela-se altamente eficaz, comparando-se a nomes como Katatonia, mas sendo que o peso aqui é superior. A falta de temas mais compridos sugere que a banda poderá ter optado bem, já que o álbum como um todo soa bem coeso e forte. Boa surpresa deste início de 2020.

9/10
Fernando Ferreira

8 - Serpent Noir – “Death Clan OD”

W.T.C. Productions

Foram necessários cinco anos para o regresso dos Serpent Noir (não estamos a contar obviamente com o split de 2018 com os Mortus, mas também não o desvalorizamos) com um terceiro álbum mas se foi isso necessário para voltarem com uma bomba destas, então que seja. “Death Clan OD” é tudo aquilo que a expectativa construiu nestes cinco anos e muito mais até. Há uma certa preocupação hoje em dia com que certas bandas se desviem daquilo que são os seus pontos fortes – sempre discutível mas estamos a falar da perspectiva de um fã – mas neste caso, e como tem sido até agora, essa evolução é bem vinda até porque a identidade criada continua bem vincada e é até desenvolvida. A brutalidade não deixa de estar presente ainda que intercalada (mesmo que subtilmente) com a melodia que é omnipresente. Os gregos já são mestres e os cinco anos de ausência só lhe fizeram bem.

9/10
Fernando Ferreira

7 - Doomraiser – “The Dark Side Of Old Europa”

Time To Kill Records

O lado positivo de uma banda como os Doomraiser é por nos trazer sempre aquilo que esperarmos mas o que os separa das outras bandas “previsíveis” é que conseguem fazê-lo sempre com um pequeno twist. “The Dark Side Of Old Europa” não é excepção já que nos trazem aquele feeling clássico do doom metal, mas depois dotam-no cheio de dinâmicas que resultam na perfeição, seja na parte instrumental ou nalgumas variações na voz. Poderá não ser particularmente entusiasmante para quem não gosta de coisas mais lentas mas para os fãs do doom metal, definitiviamente que vão ficar rendidos! Nós ficámos.

9/10
Fernando Ferreira

6 - Bütcher – “666 Goats Carry My Chariot”

Osmose Productions

Eu sei, vou começar pelo lugar comum de dizer que não percebo o rótulo speed metal. Lugar comum no que me diz respeito já que invariavelmente sempre que surge uma banda com esse rótulo, queixo-me sempre do mesmo. No entanto, em vez de discutir o sexo dos anjos, vou apenas dizer que os Bütcher são daquelas bandas que nos conseguem calar mesmo quando temos questões pertinentes como a referida atrás. Tudo graças a uma fórmula descomprometida e eficaz de debitar metal que tem tanto de extremo como de tradicional. Por um lado tem aquele lado mais bruto do proto-death/black metal, por outro apresenta-nos coisas que nos fazem lembrar os bons momentos do início de carreira de bandas como Iron Maiden e Slayer. E tudo isto, apesar de poder soar meio cru e podre, tem um feeling do caraças que merece estar aqui nesta lista dos melhores álbuns de Janeiro de 2020!

9/10
Fernando Ferreira

5 - Envy: – “The Fallen Crimson”

Pelagic Records

Regresso em grande de uma das grndes bandas de pós-hardcore vindas do Japão. Os Envy surgem revigorados e com um álbum fantástico. “The Fallen Crimson” consegue juntar uma série de distintos sentimentos – falemos antes de sentimentos, sensações do que de composições, tempos e riffs – que fazem com que se fique preso, com que nos empolguemos e queiramos mergulhar mais na coisa, mesmo que não seja propriamente o nosso estilo de som. A componente pós-rock que surge por breves instantes aqui e ali também ajuda a facilitar isso. Seja como for, Envy é já um presságio para o grande ano musical de 2020.


9/10
Fernando Ferreira

4 - Rage – “Winds Of Rage”

Steamhammer / SPV

Os Rage são exemplo de perseverança no heavy metal. E por Rage, referimo-nos muito concretamente a Peavy, obviamente, capitão deste navio há já quase quarenta anos (contando com a pré-encarnação da banda e que passou por diversos períodos complicados voltando sempre com interesse redobrado. Tendo-se visto novamente sozinho após “21”, voltou em “The Devil Strikes Again” com dois novos músicos, Vassilios Maniatopoulos e  Marcos Rodríguez (bateria e guitarras, respectivamente), um álbum que evidenciou a banda diferente de anteriormente, mais crua, algo que também já era expectável, algo que acabou por ser continuado de certa forma em “Seasons Of The Black”. Confesso que por esta altura não tinha grandes expectativas e os Rage apanharam-me na curva por causa disso mesmo. “Wings Of Rage” é um álbum mais poderoso, mais ambicioso. Para já revela a faceta sinfónica do passado mais recente e depois demonstra inconformidade e vontade de ir mais além. Mas mais do que vontade, a banda consegue realmente ir mais além. Os Rage estão finalmente de volta.

9/10
Fernando Ferreira

3 - Porta Nigra – “Schöpfungswut”

Soulseller Records

Bombástico! Confesso que esta foi a primeira vez que tomámos contacto com os Porta Nigra mas posso adiantar que não demorou muito que ficássemos fãs. Seis temas épicos onde a imedietez do tremolo picking passa despercebida como um dos principais elementos angariadores da nossa atenção. Confesso que essa fórmula sempre foi um dos pontos decisivos e embora já tenha sido mitigada a sua eficácia ao longo dos anos, temas como “Unser We Nach Elysium” fazem como se estivessemos encantados pelo black metal tal e qual na década de noventa. A banda tem um forma muito própria de apresentar o género e talvez black metal não seja a forma mais correcta mas de qualquer forma, e apesar disso, este é sem dúvida um dos álbuns deste início de ano que recomendamos vivamente.

9.5/10 
Fernando Ferreira

2 - The Good The Bad And The Zugly – “Algorithm & Blues”

Fysisk Format

Que vício estrondoso! Começamos o ano mesmo bem! Os The Good, The Bad And The Zugly estão de volta e com um trabalho estrondoso, onde a sua fórmula muito própria de punk rock desconcertante e melódico nos cativa sem dar qualquer hipótese. Um dos principais pontos de interesse é mesmo a voz ácida de Ivar (que também entrou recentemente para os Kvelertak) que se torna viciante em pouco tempo. São treze temas em pouco mais de meia mas é uma das melhores meia horas que podemos dedicar tempo. Nunca o punk foi assim tão viciante!

9.3/10
Fernando Ferreira

1 - Postvorta – “Porrima”

Sludgelord Records / 22 Dicembre Records

Para quem tinha dúvidas em relação a 2020… apresentamos “Porrima”, o mais recente trabalho dos italianos Postvorta. Uma boa forma de antever o futuro. Isto porque este é um álbum que tem lançamento previsto para Fevereiro, mas o impacto foi tão grande que nós achámos que deveríamos começar já agora, em Janeiro de 2020 a anunciar que este é um ano de esperança quando muitos se queixam. De esperança quando a própria música de “Porrima” nos dá com uma marreta chamada realidade pelas fuças abaixo, ainda que seja uma realidade poética. São cinco temas em oitenta e seis minutos que nos deixam verdadeiramente esmagados. Vários sentimentos, vários emoções que nascem e florescem, como se estivessemos perante um reflexo da nossa própria vida. Quem não os conhecia, cairá no chão perante o poder deste autêntica obra-prima do pós-metal!

9.5/10
Fernando Ferreira

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