Álbum do Mês – Julho 2021

Álbum do Mês - Julho 2021

Verão, sempre a época dos bons tempos, boa diversão, praia e música. Bem, as coias ainda não estão completamente normais. Este ano, assim como o ano passado, é uma realidade bem diferente daquela que estamos habituados. E ainda estamos longe de saber quando é que as coisas vão voltar ao normal, se é que vai ser possível voltar a ter a despreocupação inocente que se tinha. A esperança é a última a morrer, não é verdade? E o que se conjuga melhor com esperança do que mais vinte álbuns de grande qualidade. Apesar de todas as dificuldades, é na música onde vamos encontrar forças para continuar. É a ela que devemos muito e é ela que temos que tentar proteger e lutar.

20 - Passéisme – “Eminence”

Antiq

Interessante estreia discográfica desta banda cujo nome fará confusão a todo o português que o escreva (a tentação automática de acrescentar um travessão a seguir ao terceiro “S” é enorme e irresistível). Podemos apontar algumas limitações dinâmicas na voz ou até no timbre das guitarras, mas por outro lado temos os riffs irrequietos e alguns até dançantes (na vertente folk) que conquistam imediatamente. Aliás, o trabalho de guitarra é tão fantástico que ofusca quase tudo o resto. Ofusca não é o melhor termo. Eleva o interesse no todo. É o típico caso do estranha-se primeiro mas depois entranha-se por completo. Dividido por cantos e com uma conceito e apresentação fascinantes, esta é uma das grandes surpresas de 2021. Uma espécie de underdog que sem ninguém esperar nos conquistou.

8.5/10
Fernando Ferreira

19 - Requiem – “Collapse Into Chaos”

2021 – Massacre Records

Poderá parecer mas estes Requiem já são uma banda veterana com mais de duas décadas de carreira. Digo que poderá não parecer porque “Requiem” é um nome que é bastante apreciado como designação em bandas por todo o mundo e poderão facilmente ser confundidos por outros que tais. Isto sem ouvir nada. Ouvindo, por exemplo e já que aqui estamos, “Collapse Into Chaos” fica-se facilmente rendido ao seu death metal directo mas dinâmico que consegue cumprir os requisitos mínimos para todos os fãs mais exigentes. Aliás, depois de cumpridos esses mínimos, a banda suiça até faz um brilharete ou outro com temas que são memoráveis após poucas audições. Dois exemplos bons são “Mind Rape” e “All Hail The New God”. Death metal, simplesmente isso. Simplesmente bom.

8.5/10
Fernando Ferreira

18 - Inhuman Architects – “Paradoxus”

Vicious Instinct Records

Aqui está a estreia dos Inhuman Architects, banda que em pouco tempo começou a dar nas vistas no underground deathcore nacional e também internacional. O aperitivo “Interplanetary Suffering” foi o primeiro contacto e abriu as expectativas para este álbum. Não foram defraudadas. Mesmo não sendo o maior fã de deathcore devido às limitações que o estilo apresenta, quando surgem propostas que vão mais além dos lugares comuns, a minha atenção é total. A diversividade vocal é um dos pontos altos assim como também a forma como as músicas conseguem criar um ambiente único que se prolonga ao longo do álbum. Devo dizer que as expectativas para o próximo trabalho ficam bastante altas mas esta estreia é assinalável e recomendada.

8.5/10
Fernando Ferreira

17 - Psychic Hit – “Solutio”

Seeing Red Records

Ora aqui está uma capa caricata, daquelas que parece que só seria possível na década de setenta. O que calha bem porque em termos sonoros é mesmo essa época que surge em mente assim que a distorção se começa a ouvir. Nomes clássicos do heavy rock, proto-heavy metal ou mesmo heavy metal sucedem-se em pensamento. Provavelmente acompanhados com o pensamento de “oh mais uma banda retro”. Sim, assumidamente, e porque não? Quando soa como se estivessemos na década indicada, a ouvir pela primeira vez. Quando soa a novo, a algo excitante e a algo que sabemos que vamos querer ouvir muitas vezes mais. E vamos. Não sendo perfeito, é um álbum que assume os seus defeitos tal e qual como o rock deve ser. A imperfeição que roça a perfeição. Grande banda norte-americana a provar que do outro do Atlântico nem tudo está irremediavelmente perdido.

8.5/10
Fernando Ferreira

16 - Electric Haze – “Get In Line”

Idle North Records

Boa onda. É a principal arma do rock quanto a mim. Hoje em dia, quando tudo tenta ser mais sofisticado, mais cerebral, mais profundo, é refrescante surgir com a simplicidade dos Electric Haze de simplesmente querer rockar. Bons temas, grandes melodias com refrões que facilmente cativam. E mesmo sem ser física quantica, não deixa de ser de valor atingir este grau de eficácia. No final, quando todos perguntarem o motivo da comoção e entusiasmo, se dissermos que é apenas rock se calhar não vão perceber, mas é mesmo isso que se trata. “Só”, “apenas” rock, que não é especialmente bom por ser retro ou por ir beber mais a esta ou aquela banda como influência. É mesmo por ser especialmente bom.

9/10
Fernando Ferreira

15 - Loch Vostok – “Opus Ferox – The Great Escape”

Vicisolum Productions

Sempre uma boa surpresa ver na mesa de trabalho bandas que têm carreiras com mais de duas décadasa das quais nunca tinha ouvido falar. Os suecos lançam o seu oitavo álbum de originais e surpreendem sobretudo pela sua qualidade. Metal progressivo que tanto é melódico como também pela aspereza de algumas das vozes. E esta é a parte interessante. Ao que parece os Loch Vostok tocavam metal progressivo extremo e presumo que esse facto se devesse sobretudo à voz gutural que terá estado em evidência nos trabalhos anteriores e que agora fica para segundo plano com a entrada de Jonas Radehorn, que tem uma voz carismática e poderosa. Mesmo sem conhecer o que está para trás, fica a sensação de que este é um trabalho de transição, uma nova era. E começa muito bem. Do início ao fim, temos canções fantásticas onde as melodias se aliam aos elevados dotes técnicos dos seus instrumentistas e onde todos estão em sintonia para fazer um grande álbum. Recomendadissimo.

9/10
Fernando Ferreira

14 - Diabolizer – “Khalkedonian Death”

Everlasting Spew Records / Me Saco Un Ojo

Níveis impressionantes de vioência que estes turcos Diabolizer trazem no seu álbum de estreia. Logo ao primeiro tema – “Dawn Of Obliteration” quão apropriado – levamos uma coça de proporções épicas. Porrada da boa, onde não faltam também bastantes solos e de excelente quaidade. A voz é unidimensional nos tons explorados, mas neste contexto é mesmo disso que precisamos. Death metal sem concessões e que tem tudo para ser considerado clássico. Sim, não me esqueci que já andamos a ouvir death metal desde o final da década de oitenta, que os clássicos já saíram todos e que há muito pouco a apresentar de novo. Para situar o leitor, posso dizer que essas considerações não surgiram nem uma vez ao ouvir este álbum, portanto isso já diz praticamente tudo.

9/10 
Fernando Ferreira

13 - Hysterese - “Hysterese”

This Charming Man Records

Primeiro contacto com estes alemães e posso dizer que foi bastante positivo. Não demorou muito até ficar fã, isto apesar de a primeira impressão me ter sido muito favorável. Isto porque há uma aura forte de pós-punk mas depois conforme nos vamos deixando embrenhar dá para perceber que a faceta punk está muito mais ao de cimo do que o esperado e que até tem uma melodia própria das grandes canções da década de oitenta mas que soa deliciosamente actual. Melódico demais para ser punk? Sim. Muita garra para ser pós-punk? Definitivamente. Qualidade musical a mais para ser música da moda descartável? Sem sombras de dúvida. Vejo este trabalho auto-intitulado como tendo um potencial enorme para se tornar um grande sucesso, mas nos dias de hoje parece que a música que tem sucesso é aquela que usa mais empenho em seguir fórmulas do que a ser verdadeiramente boa. Excelente apresentação para uma excelente banda.

9/10
Fernando Ferreira

12 - 10.000 Years – “II”

Interstellar Smoke Records 

Stoner apocalíptico. Ou seja, que tem muitos pontos em comum com o sludge e com o pós-metal mas não deixa de ter aquele feeling stoner. Apesar de ser um álbum relativamente curto, “II” é enorme pelo impacto que deixa. Pelo misto de desesperança e ao mesmo tempo esperança que espalha ao longo de trinta e oito minutos. Tem o título de “II” mas é primeiro álbum de originais (“I” é um EP) e é uma apresentação dos diabos para quem só chegou agora. E para esses (onde me insiro) não há razões para tristezas, afinal a banda começou o ano passado e já lançou uma bomba destas. Claro que as experiências anteriores contam muito, mas não deixa de ser impressionante. Resumo da aula, stoner pode assumir várias facetas sem deixar de ser stoner. Bandas podem lançar grande álbuns antes sequer de aprender a andar. E da Suécia vem sempre muito amor, nas suas mais variadas formas e manifestações. Neste caso, stoner com muito amor.

9/10
Fernando Ferreira

11 - Cavern Deep – “Cavern Deep”

Interstellar Smoke Records

Depois da apresentação na nossa segunda edição do World Of Metal Online Festival, chega o álbum de estreia, um álbum ambicioso e conceptual que fala directamente aos corações dos amantes de doom metal. É inevitável falar de bandas como Black Sabbath e Candlemass quando nos referimos à vertente mais próxima do heavy metal tradicional e apesar dessas referências estarem aqui presentes, está já estabelecida a sua própria sonoridade e identidade, algo que ajuda a que estes temas entrem tão rapidamente. Com um conceito que retrata cinquenta exploradores que encontram a entrada para uma civilização das profundezas, há um sentido de progressão natural entre a história e a música, e as duas alimentam-se mutuamente – uma coisa nem sempre verificada em álbuns conceptuais. Doom monolítico e altamente eficaz, o novo vício no género.

9/10
Fernando Ferreira

10 - Marras – “Endtime Sermon”

Spread Evil

Dos diversos estilos de black metal, este que os finandeses apresentam é um dos meus favoritos. O que é melódico sem por em causa a brutalidade, onde os dois elementos se unem como um só e têm como consequência uma avalanche de emoções iguamente violenta. Um ambiente frio e aquele tom muito próprio do black metal finandês. Um disco tão intenso que parece que tem os níveis sempre no máximo mas traz bastantes dinâmicas para ao ouvinte. Feelling clássico black metal que faz lembrar bandas como Dawn e a sua obra prima, “Slaughtersun”.Segundo állbum em grande e uma banda para seguir e para surpreender quem julgava que a magia da década de noventa tinha ficado toda lá atrás.

9/10
Fernando Ferreira

9 - Exil – “Warning”

Armageddon Label

Parece uma reedição, não parece? Um punk acrustalhado, hardcorizado e freneticamente metalizado gravado no final da década de oitenta que só agora deu à costa. Mas não, trata-se mesmo do álbum de estreia por parte dos suecos que parece que já são veteranos na cena que se juntaram para deitar qualquer a coisa abaixo. Potência analógica a rodos e pedigree punk hardcore, unidimensional e que se despacha em menos de meia hora. Daqueles discos furiosos do início ao fim, sem pausa para descansar mas que sabe sempre bem sobretudo nos dias em que se está com vontade de destruir. Ou melhor para não destruir nada, será ideal ouvir este disco, é a descarga de adrenalina que se precisa.

9/10
Fernando Ferreira

8 - Siderean – “Lost On Void’s Horizon”

Edged Circle Productions

É tão bom estar no meu canto sossegado e chegar o álbum de estreia de uma banda da Eslovénia para me desencaminhar. Ainda por cima com um death metal meio técnico, meio esquisito mas totalmente excelente para quem gosta de música progressiva e desafiante. A banda não é novata, ao que consta tem uma carreira de dez anos com a designação Teleport com alguns lançamentos mas nunca chegando ao álbum. A mutação/evolução sofrida é elucidativa para perceber o quee se tem aqui mas mesmo que esse caminho não se faça, o resultado é fantástico na mesma. Tendo-se a perfeita noção de que não será fácil para qualquer um ficar agarrado por esta complexidade, é mesmo essa dificuldade que traz mais prazer a cada audição.

9/10
Fernando Ferreira

7 - Maitreya – “Hyper Reels”

Edição de Autor

Segundo álbum dos suecos Maitreya que pertencem aquele grupo que fica tanto tempo para lançar um álbum que quando o lança finalmente até se pensa que é uma estreia. Confesso que não conheço o trabalho anterior lançado em 2007, “New World Prophecy”, e confesso que ao ouvir pelas primeiras vezes este “Hyper Reels” também não tive vontade de o conhecer. Isto porque encaixa naquela variante do metal progressivo que vai beber muito às sonoridades mais modernas e que graças aos seus lugares comuns, acaba por não me cativar tanto quanto seria habitual numa banda dentro deste estilo. No entanto, há aqui muita matéria para fazer mudar a opinião de qualquer um que como eu tenha estas limitações. Não só a mensagem é rica – basicamente uma série de diálogos entre a consciência humana e os avanços tecnológicos – como a música em si é de uma qualidade impressionante. Mesmo com os ditos lugares comuns, por volta da segunda ou terceira audição até podem jurar que esses lugares comuns nasceram aqui, tal não é o impacto. Um ábum que é mais old school e bem mais profundo e do que aquilo que aparenta e que será uma excelente surpresa e amor à segunda (ou terceira) audição.

9/10
Fernando Ferreira

6 - Year Of No Light – “Consolamentum”

Pelagic 

O sludge, o doom, o pós-metal e até por vezes o pós-rock, podem não ser estilos fáceis de pegar quando se quer algo para celebrar a vida. Poderá ter o poder de remeter o ouvinte para o seu interior, de pensar nas encruzilhadas da vida ou simplesmente nem sequer pensar, simplesmente abstrair. No entanto, aquilo que estes estilos em geral têm, é a capacidade de deixar sem reacção perante o seu imenso poder e/ou de cativar quando estão em todo o seu esplendor. Apreciação sem qualquer tipo de reacção. Claro que esta descrição pode ser apenas válida para uma parte do público, já que há quem prefira coisas mais directas, não tão introspectivas. Essa pequena parte, esse nicho sabe perfeitamente isto que falo. Como descrevo na perfeição a reacção que se tem ao absorver (ou tentar) de uma vez este fantástico regresso dos “Year Of No Light”, tal como assistir um espectáculo onde a força da natureza é livre para actuar sem qualquer tipo de controlo ou intervenção humana, até porque somos pequenos demais para conter o quer que seja – nem sequer as nossas emoções. Cinco temas emocionais, pesados onde a esperança e desespero crónico convivem lado a lado, como partes diferentes da mesma face da moeda. Um álbum grandioso, não fácil de ouvir e absorver, mas grandioso.

9/10
Fernando Ferreira

5 - Impavid Colossus – “Prologue”

Wikimetal Music

A melhor de sser surpreendido é também estar aberto a isso. Não adoptar a perspectiva de que “está tudo feito e visto” mesmo que seja complicado, nos dias loucos de hoje em dia, termos músicas que fiquem connosco tempo suficiente para que nos marquem como todos aqueles clássicos de há vinte ou trinta anos atrás. Caso contrário, bandas como os brasileiros Impavid Colossus podem passar-nos ao lado e isso é simplesmente criminoso. Temos um álbum de estreia fortíssimo, com um som fantástico e que vai ao encontro de todos os que gosto do seu metal arrockalhado ou do seu rock metalizado. Produção forte que eleva canções marcantes a um novo nível. Junta rock, punk, alternativo e metal, tudo junto de tal forma que se torna muito complicado conseguir dizer exactamente o que há mais. O que há é mesmo o som dos Impavid Colossus, uma banda que tem qualidade suficiente para nos deixar de boca aberta. Recomendado este álbum assim como acompanhar aquilo que a banda vai fazer no futuro.

9/10
Fernando Ferreira

4 - Starlight Ritual – “Sealed In Starlight”

Temple Of Mysthery

Já começa a ser um lugar comum irónico. Dizer em conversas ou crónicas (mais ou menos) públicas que o heavy metal é um nicho dentro do nicho que é a música pesada e depois passarem-nos pelas mãos constantemente novas bandas como os canadianos Starlight Ritual que têm um feeling que vai ao encontro das tradições do estilo não só como também conseguem injectar sangue novo com temas fantásticos. Temas que aqui temos ao pontapé e com fartura com esse grau de qualidade. Tudo bem, os Starlight Ritual não são assim tão novatos quanto isso mas este é efectivamente o seu álbum de estreia e o entusiasmo com que tocam “Marauders” e o tema-título são representações do que digo. Dizem que esta época do ano em termos de edições é a “silly season”. Com álbuns assim, não há mesmo nada de “silly”!

9/10
Fernando Ferreira

3 - Amnessia Eterna – “Malditos”

Brutal Records

Thraaaaash! O Thrash é o caminho, é o que nos guia nos tempos de maior desorientação, é o que nos abre os horizontes. Isto dito de alguém que já fez vista grossa a quem cantava noutras línguas que não o inglês ou (vá, com menos resistência) português. Pois bem, os chilenos Amnessia Eterna mostram como se faz. Cantam em castelhano e ainda lhe espetam com uma thrashada épica em cima onde não falta nada: produção moderna? Sim mas também temos riffalhada ao melhor bom gosto speed metal. Groove? Aos magotes, tanto do modernaço como daquele típico do metal tradicional. Não esqueçamos os leads e solos inspirados e de uma secção rítmica bem sólida. O que sobra? Ah, a voz. É competente o suficiente para nos incentivar a gritar palavras de ordem como “Desquiciado Pecador”. Segundo álbum no espaço de ano, e um trabalho dinâmico, onde temos de tudo um pouco. Já sei, já sei, já estão a pensar “não é preciso mais argumentos, conquistaste-me com Thraaaash”

9/10 
Fernando Ferreira

2 - Lustmord & Karin Park – “Alter”

Pelagic

Como já disse antes, adoro trabalhos de colaboração. Independentemente dos nomes envolvidos mas apenas o potencial que há no conceito é conquistador e vencedor. No entanto tenho que confessar que aquilo que me chamou à atenção foi mesmo a capa enigmática e fantástica. Depois foi tentar perceber quem eram os nomes envolvidos, que confesso me serem desconhecidos. Lustmord é um pioneiro da música electrónica enquanto Karin Park não só tem uma carreira a solo bem sucedida como também ainda dá uma perninha nos Arabrot. E se esta apresentação não vos cativa a atenção, devo dizer que a música irá fazê-lo definitivamente. Para quem é fã de darkwave/ambient e de alguns dos ambientes que temos presente em Dead Can Dance, “Alter” é sem dúvida uma viagem obrigatória. Assombroso do início ao fim com um instrumental simples e com a voz que é hipnótica. Está aqui uma banda sonora perfeita para um filme que ainda não foi feito.

9/10
Fernando Ferreira

1 - At The Gates – “The Nightmare Of Being”

Century Media 

Expectativas em alta. Afinal estamos perante mais um novo álbum de At The Gates, o que envolve expectativas da mais variada ordem. Por um lado é At The Gates, a banda que lançou o seminal “Slaughter Of The Soul” e acabou quando parecia ter o mundo aos seus pés. Depois há aquela expectativa irrealista que tem fé que venha por aí um “Slaughter Of The Soul” parte dois mesmo tendo em conta que já passaram mais de vinte e cinco anos desde então e que desde o regresso este é já o terceiro álbum de originais, não havendo qualquer tipo de indicação em relação ao passado. E por fim… é At The Gates, é uma daquelas bandas que vai sempre garantir expectativas para um excelente trabalho. Bem, essas expectativas vão ser baralhadas. Para quem esperava um regresso ao passado, até tem, embora seja um passado mais longínquo do que o esperado. O espírito estranho e experimental que está presente nos dois primeiros álbuns, encontra aqui ecos em temas como “Garden Of Cyrus”, havendo na generalidade um álbum que mostra uma banda mais arrojada em termos criativos e sem ter medo de experimentar. Esse arrojo traz bons resultados porque não só se tem um álbum dos At The Gates diferente de tudo que já fizeram (ainda que mantenham a mesma identidade e alguns elementos já explorados) como também mostra que a banda não está interessada em fazer algo convencional. E essa é a sua característica mais interessante e importante que vale a pena preservar.

9/10
Fernando Ferreira

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