Álbum do Mês – Maio 2021

Álbum do Mês - Maio 2021

As coisas parecem estar a querer melhorar, mas esta é uma estrada longa a percorrer, uma estrada longa de um inferno em que estamos a viver. Felizmente a música é aquele amigo especial que nunca nos falha e não falhou também este mês com uma selecção fantásticas de trabalhos que achamos que devem ser guardadas para a posteridade. 

20 - Grey Aura – “Zwart Vierkant”

Onism Productions

Já há bastante tempo que não tinha um disco que me desse luta como este. Não sou (muito) fã de dissonâncias e experimentalismos no black metal, mas ocasionalmente há coisas neste espectro que conseguem surpreender. A questão é que os Grey Aura são muito mais do que apenas dissonantes e experimentais. Aliás, a descrição por parte do comunicado de imprensa refere que se trata de pós-black metal atmosférico e é algo igualmente insatisfatório. São únicos e estranhos. E não são estranhos apenas para serem únicos. São únicos porque a sua estranheza é desconcertante e natural. Não é um álbum para o qual se avance com uma predisposição casual. Não, para o ouvir, tem que se ter intenção, tem que se ter energia e disponibilidade mental para ser-se desafiado. Denso como poucos e desconcertante está aqui um dos grandes desafios para 2021.

8.5/10
Fernando Ferreira

19 - Siniestro – “Vortexx”

Black Lodge Records

Thraaaaaash! Do bruto e impiedoso. Os Siniestro chegam-nos da Suécia e fazem-nos lembrar compatriotas seus, que também regressaram com um excelente álbum este ano, os The Crown. Lembram mas com os seus próprios argumentos. Uma vantagem, têm uma maior amplitude e dinâmica vocal. E depois há um teor de javardice no seu som bem considerável que também não os impede de apresentarem coisas épicas como a “Blod Eld Död”, um dos grandes destaques deste disco. Diversão metálica que consegue surpreender, haverá algo melhor que isto? Provavelmente sim, mas neste momento é difícil pensar em algo. Siniestro é a prova que até mesmo misturando black e death metal com o thrash metal não é desculpa para que não haja variedade e dinâmica na música, mas provavelmente não será algo que estará ao alcance de todos.

9/10
Fernando Ferreira

18 - Lucifuge – “Infernal Power”

Dying Victims Productions

Não basta só regularidade neste mundo, é preciso ter um certo extra, um elemento que não se sabe muito bem o que é mas que é fundamental para se poder apreciar. Claro que esse elemento misterioso está ao alcance de poucos. É como o caso de dos canadianos Lucifuge. A banda alemã tem deitado cá para fora um álbum todos os anos desde 2018 (ocasionalmente intervalados por EPs) e isso é impressionante. Faz-nos pensar que estamos outra vez de volta à década de oitenta. No entanto, estão longe de lançar álbuns inacabados ou feitos à pressão. Sim “Infernal Power” é cru, é primitivo (como o black/thrash pode ser) e até pode soar rude quanto aos seus valores de produção mas mesmo assim tem uma conjunto de temas que têm um enorme impacto logo à primeira. É onde todos os defeitos se transformam em virtudes por se conjugarem de forma única para trazer o que tem tudo para ser um álbum clássico. Claro que hoje em dia temos mil álbuns clássicos editados todos os dias mas depois de apanharem este de certeza que o vão considerar como tal.

9/10
Fernando Ferreira

17 - Liar Thief Bandit – “Deadlights”

The Sign Records

São mesmo as pequenas coisas. Rockão simples e descomprometido mas com muita alma é aquilo que o terceiro álbum dos Liar Thief Bandit nos traz. É por coisas assim que cada vez que vejo ou ouço que o rock está morto que o meu estômago se volta. Tudo  bem, já não move toneladas de dinheiro, já não é o centro da revolta e embate de gerações, mas continua a trazer álbuns com groove, raiva e, claro, excelentes músicas. “Deadlights” é tudo isto, um álbum que apenas quer rockar. Se não está vivo, então  se calhar o conceito de vida hoje em dia mudou para algo incompreensível. Um vício rock para 2021, alguém quer?

9/10
Fernando Ferreira

16 - Åskog – “Varþnaþer”

Grind to Death Records / Leviaphonic Records / Corrupted Flesh Records

Lugar comum dos tempos em que vivemos: termos bandas a lançarem o álbum de estreia e a deixar-nos completamente derreados. Não é absoluto mas a média é assustadoramente alta onde isto acontece. O duo sueco Åskog nasceu a partir das cinzas dos Murdryck e trazem black metal ríspido e frio mas com uma ambiência especial, clássica sem ter o peso do déjà vú em cima de si. É um álbum que qualquer fã de black metal vai ter uma afinidade logo à primeira audição, pelas diferentes dinâmicas que consegue apresentar. Peguemos num tema como “Måne” e tem lá tudo isto, além de ser épico como tudo, outro dos elementos que está presente ao longo destes quase quarenta e cinco minutos. Estreia promissora que já cumpre bastante.

9/10
Fernando Ferreira

15 - As We Suffer – “The Fallen Pillars”

Edição de Autor

Já tinham saudades de serem completamente esmagados por metal vindo do Canadá, não tinham? Confessem lá. Os As We Suffer são, e estou de acordo com o comunicado de imprensa com isto, uma mistura que junta uma série de géneros e subgéneros do metal. Temos thrash, temos heavy metal, death metal melódico e até um bocado de groove a lembrar coisas mais modernas acabadas em “core”. Poderá ser algo perigoso no papel, não é? Juntar á equação um estilo que, normalmente, não é apreciado pelos (fãs dos) outros e até é algo difícil de definir. O que lhes vale é que a música é mesmo boa, tão boa que até mandamos os rótulos todos ao ar. Boas vozes, bons riffs, excelentes, excelentes solos, para quê complicar?  É bom!

9/10
Fernando Ferreira

14 - Throat – “Smile Less”

Svart Records

Este álbum foi uma verdadeira surpresa. Já esperava que viesse algo diferente – principalmente quando foi anunciado que teríamos por aqui algumas paisagens pós-punk – mas não esperava que essa diferença fosse resultar de forma tão perfeita. Isto de alguém que não é muito apreciador do estilo, mas aqui neste contexto, trouxe um colorido fantástico que eleva a banda a um novo patamar. Não deixa de ser visceral, de ter aquela base do noise rock, mas apenas traz um sentido melódico que faz com que o alcance seja superior. “Apenas”. E por sentido melódico não se pense que este álbum é mais leve e imediato. Nada disso, é até mais pesado e denso, mas é parte do paradoxo adorável que “Smile Less” consegue apresentar. Desbravar com gosto.

9/10 
Fernando Ferreira

13 - The Very End – “Zeitgest”

Apostasy Records

Os The Very End têm um nome terrível. Sintomático daquilo que é hoje cada vez mais comum: nomes de bandas que não lembram ao diabo. Por outro lado e para descompensar a balança, têm música extremamente boa. Se o nome sugere algo metalcore, o som até que pode ser encaixado nesse género mas valorizando muito mais a parte do “metal” que normalmente fica esquecida. Sim, temos alguns refrões em voz limpa cativantes (algo que também já se vinha a ter dentro do death metal melódico anos atrás – e a esse respeito, é importante não esquecer  que a banda já existe desde 2004) e temos um sentimento de groove que é uma das suas maiores armas. Ou melhor, seria, se estivessemos a valorizá-los pelos elementos que optam por usar. Eles servem as canções e tornam-nas realmente memoráveis. Podem ter estado nove anos ausentes, mas este regresso faz com que a espera tenha valido a pena.

9/10 
Fernando Ferreira

12 - Yellowtooth – “The Burning Illusion”

Orchestrated Misery Recordings

Yeaah! O groove com que “From Faith To Flames” inicia este “The Burning Illustion” é das coisas mais viciantes. Obviamente, terei que referir (não deveria ser necessário mas nunca fiando) que terá de haver amor ao stoner, ao sludge e ao doom metal. Sim, esse tipo de groove letárgico mas longe de ser apático, principalmente quando as dinâmicas são mais que muitas. São de tal forma que até parece que não cabem neste reduto atrás referido, sendo que há muito mais a apresentar. O facto de trazerem para esta equação um novo baterista também deverá ter influência na forma como soam vitais e poderosos. Fortíssimos na secção rítmica, as canções são eficazes e hábeis na exploração de diferentes nuances. É um terceiro álbum fantástico e que de certeza vai colocar as atenções, de forma merecida, sobre si.

9/10
Fernando Ferreira

11 - Becerus – “Homo Homini Brutus”

Everlasting Spew Records

Detalhe interessante desta estreia dos Becerus. A promo de “Homo Hjomini Brutus” vem com uma imagem que diz de forma fashion “Becerus Have Absolutely No Lyrics” – o que é… verdade ao que tudo indica. É todo um conceito que até poderá ser insultuoso para quem seja mais sensível, mas posso adiantar que musicalmente a coisa é séria. E há por aqui um amor profundo aos mestres do death metal norte-americano por parte destes italianos. Sem querer ofender, não é preciso muito deste álbum para começar a abanar o carolo e começar a tentar acompanhar o vocalista (não é difícil) que usa a sua voz como instrumento e não como veículo de passar uma mensagem que ninguém percebe de qualquer forma. Um dos discos mais surpreendentemente viciantes do death metal.

9/10
Fernando Ferreira

10 - Clive Nolan – “Song Of The Wildlands”

Crime Records / We Låve Rock Music

Esta não é a primeira aventura conceptual de Clive Nolan. O teclista de bandas como Arena e Pendragon, já tinha encetado, ao lado de Oliver Wakeman, dois álbuns conceptuais – “Jabberwacky” e “The Hound Of The Baskervilles” e este parece seguir a mesma linha orientadora, com um narrador a contar a história antes de cada tema. “Song Of The Wildlands” fala do conto anglo-saxónico “Beowulf” e a música adapta-se muito bem ao tema. Em vez de termos a abordagem mais progressiva dos dois citados trabalhos, há aqui um tom mais cinematográfico e folk. A ambiência é fantástica e confesso que só é quebrada pela narração mas não é algo problemático. O resultado final é fantástico, um misto de vários mundos com o seu melhor representado (os coros orquestrais, a instrumentação e percussão tradicional e o feeling rock) e que acaba por conquistar mesmo quando se possa ter algumas dúvidas – e eu tinha algumas.

9/10
Fernando Ferreira

9 - Jess And The Ancient Ones – “Vertigo”

Svart Records

Há qualquer coisa única nesta banda. A sua abordagem única ao rock cru que tem tanto de clássico, como de garagem como até de psicadélico é daquelas para deixar qualquer um perplexo. Não é um disco fácil de vender a quem cai aqui de pára-quedas embora tenha umas guitarradas e cavalgadas alucinadas, que poderá surpreender aos mais cépticos – basta ouvir a “Soul Tripping Man” para ter um exemplo perfeito. Não sendo fácil, é um conjunto de canções que permite encetar uma luta interessante, a chamada luta da sedução da música com o ouvinte. No final ganha a música mas o ouvinte definitivamente que não fica a perder. É um álbum fantástico, do início ao fim, mas conforme se faz essa viagem natural, o sentimento de admiração vai crescendo. E continua a crescer.

9/10
Fernando Ferreira

8 - The Plague – “Within Death”

Bitter Loss

Há uma coisa muito especial no death metal sueco. Principalmente daquele que nos chega de sítios como Holanda ou Austrália, como o caso destes The Plague que depois do EP “Mass Genocide” lançam por aqui o álbum de estreia. Pouco mais de meia hora, gravilha com fartura no som das guitarras que até parece que se sente o cheiro e uma voz capaz de deixar orgulhoso L-G Petrov em Valhalla. E sim, antes que digam ou pensem – provavelmente já não vou a tempo – tudo já feito e visto desde o lançamento de Left Hand Path mais de trinta anos atrás. O que é preciso ter bem presente é que este tipo de coisa não perde a validar. Cientistas de todo o mundo já se tentar debruçar sobre a matéria mas não há conclusão nenhuma a não ser que coisas como “Effigy Of  The Rotten” e “Hand Of Greed” soam tão bem agora como soariam em 1990 ou como soarão em 2051. Não está científicamente provado mas anda lá perto.

9/10
Fernando Ferreira

7 - Stone Healer – “Conquistador”

Edição de Autor

Mas haverá algum pressuposto que todas as bandas a iniciar carreira no novo milénio terão todas de lançar álbuns fantásticos? Bem, isto é um exagero obviamente mas é inegável a quantidade de álbuns de estreia esmagadores. “Conquistador” pertence a esse lote, com uma classe que parece própria de uma banda veterana. Por falar nisso, não se podemos falar de uma banda no sentido tradicional da coisa, já que temos dois músicos (irmãos) que repartem entre si todas as funções fazendo com que se presuma que será um projecto de estúdio essencialmente. O metal progressivo salta logo à vista mas há por aqui muitas nuances, uma delas a forma como mergulham na música extrema – apesar da referência ao black metal no comunicado de imprensa, penso que death metal ou simplesmente música extrema é o mais correcto. Também não podemos dizer que a banda não tem qualquer outro registo anteriormente, mas o EP editado em 2015 já está bastante longe – o que não implica que não exista curiosidade para o ir conhecer. “Conquistador” é exigente, como se esperaria mas mesmo para quem não gosta de música extrema, tenham em crer que vão conseguir cativar. Estão a ver Opeth uns anos atrás? É tipo isso mas não tem nada a ver.

9/10
Fernando Ferreira

6 - In Asymetry – “Ashes Of Dead Worlds”

Comatose Music

A cena chilena está cada vez mais forte. E a comprovar essa fase ascendente temos os In Asymetry, banda que lançou em 2019 a demo “Edge Of Divergence” e agora chega ao álbum de estreia, logo com a garantia de qualidade da Comatose Music, que nos traz sempre o melhor do brutal death metal a nível mundial. E esta estreia, mesmo com essa garantia de qualidade, consegue surpreeender. A brutalidade está toda cá, assim como os altos níveis técnicos mas depois temos uns golpes de dinâmica que tornam estas músicas ainda mais interessantes e não simplesmente tripas ao sol e blastbeats para a frente – algo que não deixamos de ter. É um daqueles álbuns que transcende as limitações do género em que se insere sem fugir ao mesmo. Algo que não está ao alcance de todos. E se eles começam assim… fará o que virá a seguir.

9/10
Fernando Ferreira

5 - Against Evil – “End Of the Line

Doc Gator Records

Durante muito tempo procurei por uma banda com uma sonoridade assim. Antes de me envolver nos meandros da música extrema, procurava por este poder, por este feeling metálico mas também com a melodia e as características do heavy metal. Uma fusão entre heavy, thrash e power metal (na vertente norte-americana) e chega-nos da Índia. Este é já o segundo álbum da banda e revela um poder de ser levado em conta. A única vez que me recordo de ouvir algo assim é por parte dos Striker, que juntavam várias vertentes do metal tradicional, ora mais agressivos ora mais melódicos, mas sem deixar de ter uma identidade própria. É precisamente o que acontece com os Against Evil, que soam a eles próprios e disparam referências e influências por todos os lados sem prejudicar essa mesma identidade. Uma banda obrigatório acompanhar e capaz de fazer ressuscitar (ou criar do zero) o interesse no som sagrado.

9/10
Fernando Ferreira

4 - Majestic Downfall – “Aorta”

Personal Records

Fazer este trabalho é uma boa oportunidade para acordar para a realidade diversas vezes. A ilusão é aquela que o ego prega na forma de coisas como “eu até sou um gajo que conhece bastantes coisas e tal… nada escapa ao meu domínio” que depois é facilmente destruída pelo sexto álbum de originais de uma banda com quase duas décadas de carreira da qual nunca ouvi falar – ou se ouvi, não ficou tempo suficiente no meu radar para que marcasse. Não é para lamentar nem auto-flagelar. Esta vida é tão curta e tão cheia de boas coisas (e boas bandas) que o melhor é aproveitar aquilo que nos surge dentro do nosso foco muito reduzido. “Aorta” é o sexto álbum, como já disse, da banda norte-americana Majestic Downfall e um excelente trabalho de death/doom metal, à antiga. Sem soar retro – aliás, a produção é bem moderna mas “quente” com uma tonalidade vintage bem presente – este é um disco que vai buscar a magia aparentemente perdida e irrecuperável de lançamentos do estilo na década de noventa. A melancolia não é exagerada, a megalomania também não (mesmo que isso signifique termos quase setenta minutos em quatro temas com o mais curto a ter quase quinze minutos). Estão a fazer as contas? Acreditem, não é exagerado, é um álbum que se perde a noção do tempo, onde não somos arrastados – em princípio,  dependerá sempre do estado espírito de cada um – para uma torrente infinita de autocomiseração mas sim para a beleza da melancolia. Um álbum que urge ouvir muitas vezes, e deixá-lo ouvir. Uma das grandes surpresas pessoais de 2021.

9/10
Fernando Ferreira

3 - Impaled Nazarene – “Eight Headed Serpent”

Osmose Productions

Fuck yeah! Impaled Nazarene, a banda mais javarda vinda da Finlândia e sem dúvida uma das mais emblemáticas da música extrema está de volta depois do que pareceu uma eternidade, bem mais do que os sete anos que separam este décimo terceiro álbum do anterior. A banda surge com uma raiva saudável que faz com que o seu lado mais punk esteja mais vivo que nunca. De tal forma que, longe de todos os preciosismos estilísticos (importantes para mim, admito) faz com que este seja um álbum sentido como punk. Punk furioso e raivoso. Vitaminado e implacável, sem dó nem piedade a castigar o ouvinte. Poderão ser as saudades (também admito) que me estejam a toldar a parcialidade mas este álbum soa tão bem que é impossível não o destacar como sendo um dos grandes lançamentos de 2021!

9/10 
Fernando Ferreira

2 - Terminalist – “The Great Acceleration”

Indisciplinarian

Curioso como grande parte das propostas thrash metal que temos hoje em dia, cruzam-se com a música mais extrema. E não se trata apenas de termos uma piscadela de olho aqui neste riff, ou naquela forma de cantar. Há um claro foco nesse caminho que atrás foi percorrido por muitas bandas anos atrás (que acabaram por ir para algo mais extremo ou por ficar no thrash metal) e o que é engraçado é que agora acabamos por ter esta definição mais sentido das fronteiras dos estilos e trabalhos como este “The Great Acceleration” acabam por ser bem mais eficazes com os clássicos – que serão sempre intocáveis e imprescindíveis no estudo da música pesada e da sua evolução. Este é um álbum que consegue contagiar de entusiasmo como se estivessemos agora em 1986 e espantados com bandas como Kreator e Sodom. Sem armadilhas ou falsos pretextos para cativar o pessoal, este é um álbum mesmo que traduz esse entusiasmo em algo palpável, temas épicos e outros mais directos. São apenas cinco temas, mas são dos cinco temas mais essenciais que poderíamos ter em 2021.

9/10
Fernando Ferreira

1 - Vulture – “Dealin’ Death”

Metal Blade Records

O eterno dilema do crítico. O da parcialidade. Hey, isto é heavy metal, não é para ser vivido com paixão e a certeza inabalável de que este estilo e a banda em questão são os melhores de todos os tempos? Bem, talvez esse tipo de devoção cega já esteja desenquadrada com o presente, onde temos tantas propostas a acontecer ao mesmo tempo que é impossível soltar este tipo de afirmações sem ter em consideração subgéneros e toneladas de outras bandas. Existem bandas que desafiam essa lógica e que nos colocam numa máquina do tempo até aos tempos onde se chamava “poser” a torto e a direito e se gritava “death to false metal”. Terceiro álbum de originais dos Vulture e a expectativa está nos píncaros. Não serão desiludidos. A sua fórmula e mistura única de thrash/speed com heavy metal tradicional faz-nos pensar imediatamente na década de oitenta, não como algo longíquo mas a acontecer precisamente agora. E são tão refrescante e vital como se estivessemos agora no início da adolescência a descobrir afinal o que é que é isto do heavy metal.

9/10
Fernando Ferreira

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