Crónica Editorial – Vagos Metal Fest 2018

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Ponderei na necessidade de escrever esta pequena crónica, tendo em conta que acabei agora mesmo de relatar o que nós, World Of Metal, vivemos na mais recente edição do Vagos Metal Fest, mas tendo estado a consultar os muitos apontamentos feitos e a passar em revista as memórias que os mesmos despertam, fiquei com a necessidade de ir ainda mais além para aquilo que é a estrutura dos nossos WOM reports. Começava se calhar por explorar a ideia com que terminei a nossa reportagem, de risco, de aposta. Portugal não está habituado a isso. Portugal está habituado a apontar o dedo e a chamar de malucos sonhadores todos aqueles que ousam tentar colocar os seus sonhos em prática (esses malandros que até ousam largar tudo até para criar uma rádio/webzine/revista digital completamente gratuitos *tosse a tentar disfarçar*). Tudo porque se tem aquela condição crónica da falta de visão que impede que se perceba que poderá haver mais do que aquilo que se tem actualmente. Mais. Melhor. Diferente. Maior. Melhor.

Nem sempre o caminho mais fácil é o correcto. Se continuamos a fazer o que sempre fizemos, como podemos esperar algo diferente? Como podemos esperar crescimento? Evolução? Então não deixa de ser algo frustrante encontrar críticas sem sentido e que não têm propósito senão desanimar – desde citar bandas desejadas para o cartaz por ordem alfabética onde se incluem entidades que já cessaram funções até reclamar com os horários porque se está a trabalhar nesse dia… podemos sempre reclamar pelos Black Sabbath não aparecerem na nossa porta em modo “cantar as janeiras” ou por quando aparecerem termos ido trabalhar mas será que não é chegada a altura de olhar menos para o nosso umbigo?

Não será altura de perceber que um evento só é tão grande quanto as pessoas que o apoiam? O país, as infra-estruturas existentes? Fala-se em união, em como o nosso som sagrado é aberto a tudo e ostracizado pela opinião pública por estigmas que não fazem sentido, ou nem sempre fazem sentido – porque ovelhas negras existem em todo o lado – mas depois reclamamos e somos os primeiros a deitar abaixo porque os eventos não são feitos à nossa medida, porque não trazem a banda que queremos à hora que queremos, porque não nos vão levar o pequeno-almoço à cama ou porque ousam trazer bandas de estilos que não gostamos mesmo que muitas outras pessoas, com os gostos tão válidos como o nosso, as procurem.

Como um dos parceiros oficiais do Vagos Metal Fest, camisola que vestimos com orgulho e com sentido de dever de responsabilidade de tentar promover da melhor forma e com as nossas ferramentas que temos ao nosso alcance, não deixamos de sentir um certo desagrado com algumas críticas destrutivas. Não somos contra a liberdade de expressão, muito pelo contrário, lutamos por ela, mas não deixa de ser desanimador encarar dia após dia o comentário destrutivo apenas porque… apenas porque sim.

Sentimos desânimo porque o Vagos Metal Fest é nosso. De todos nós. É maior que o Manel ou a Jaquina, é maior que este ou que aquele promotor, que este ou aquele orgão de comunicação social. É até maior que a Câmara Municipal de Vagos, apesar de ser a principal impulsionadora para que o mesmo se tenha instituído. O Vagos Metal Fest são todos esses, somos todos nós, é algo inexplicável, é algo que não se recria por fórmulas matemáticas que depois na prática não resulta. E quando algo nasce de pura magia que não se sabe bem como aconteceu, não é a nossa obrigação preservar essa magia?

Esta edição teve alguns problemas, é certo. Sentiram-se as dores de crescimento e o tal risco que falei, o risco de crescer em vez de apostar no mesmo de sempre (uma das críticas constantes a edições anteriores). É a nossa responsabilidade e somos os primeiros a admitir que o som não esteve no seu melhor e que aconteceram problemas que não deviam ter acontecido. Mas também é a nossa responsabilidade voltar a repetir que mesmo assim tivemos concertos inesquecíveis e que no global esta foi a melhor edição de sempre. Problemas num festival é o que há mais… mas será que ainda se fala dos cortes de electricidade que os Anathema (em Vagos) e os Katatonia (em Corroios) sofreram no V.O.A.? Ou se quisermos subir a fasquia, na quebra de luz com os Motörhead e Korn no Rock In Rio?

Problemas vão existir sempre, falhas vão acontecer sempre, ninguém está imune a elas, nem quem se arrisca a sonhar nem quem tem necessidade de criticar – embora seja mais provável de acontecer a quem arrisca, por uma questão de probabilidades. No final do dia, as falhas são uma nota de rodapé. O que fica é mesmo a comunhão por parte dos Orphaned Land com o público português; a perseverança dos Moonspell em sentir que o espírito de Vagos e o dever para com os fãs é maior que tudo o resto, até maior que a justificada frustração por acontecimentos que pelos quais não têm controlo; o bom humor de um Dani Filth que não vinha ao nosso país há demasiado tempo e que matou saudades da devoção que os fãs têm à sua banda. O que fica é a quantidade enorme de pessoas que passaram por Vagos (o maior número de sempre) que fizeram a festa durante quatro dias, servidos por bancas de comida e merch que nos atenderam sempre com um sorriso na cara, e com especial destaque para os seguranças que foram verdadeiros heróis a receber o mar de gente que lhes foi passado em crowdsurf.

O que fica… o que vai ficar sempre é Vagos. Tudo o resto passa com o tempo e perde a sua importância. Não é altura de olharmos para o que é realmente importante?

Texto por Fernando Ferreira
Fotos por Sónia Ferreira


 

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