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Filhos do Metal – Ano 2026 Com Peso

Por Duarte Dionísio
(Filhos do Metal – À descoberta do Heavy Metal em Portugal)
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Verão e Portugal, combinação mais do que normal. Também comum já é quantidade crescente de festivais e atividade metálica por terras Lusas. E este 2026 tem sido, sem exagero, um dos anos mais intensos que me lembro. Basta olhar para a agenda de festivais e de concertos para perceber que a música pesada continua bem viva por cá, mesmo que os motivos para preocupação, como sempre, não faltem.

Comecemos pelo que está bem à vista: os grandes festivais. O Vagos Metal Fest, que continua a ser a referência maior do género no país, decidiu este ano esticar-se para cinco dias, de 5 a 9 de Agosto. O cartaz fala por si: Lamb of God e Within Temptation como cabeças de cartaz, com In Flames a regressar a Portugal depois de mais de uma década de ausência, e ainda Godsmack, Satyricon, Doro, Deicide, Heaven Shall Burn, Combichrist, entre tantos outros. E, note-se, a representação nacional não fica esquecida, com Holocausto Canibal, Filii Nigrantium Infernalium e Toxikull a mostrarem que a cena portuguesa continua a ter lugar ao lado dos grandes nomes.

Depois há o Evil Live, na MEO Arena, que este ano ficou marcado por uma polémica. Os Megadeth cancelaram a atuação em cima da hora, sem grande explicação, deixando o público em fúria, com apupos e copos atirados ao palco. Foi preciso o improviso de Marilyn Manson para salvar a noite, com Converge e Mastodon (já sem Brent Hinds, que morreu num acidente de viação depois de sair da banda de forma pouco pacífica) a mostrarem que estavam numa liga bem acima do resto do cartaz. Este episódio diz muito sobre a fragilidade destes eventos: por mais bem organizados que estejam, um cancelamento de última hora pode ofuscar tudo o resto.

E já que falamos de ausências, os Metallica voltaram a passar ao lado de Portugal na sua digressão europeia de 2026. Desde o NOS Alive de 2022 que os fãs esperam um regresso que teima em não chegar. É uma lacuna que dói, sobretudo quando se vê a banda a tocar em capitais próximas como Madrid ou Berlim.

Do lado positivo, o Milagre Metaleiro Open Air continua a crescer, com Paradise Lost e Primal Fear confirmados, e o SonicBlast Fest mantém a aposta em Âncora. O Under The Doom Festival, em Lisboa, o Cerco de Sortelha, o HardMetalFest de Mangualde (já na 31ª edição, o que não é pouco) e o SWR Barroselas Metalfest mostram que há espaço para diferentes públicos e diferentes subgéneros, do doom ao power metal, do black ao thrash. Isto é talvez o que mais me agrada neste momento: a diversidade estilística e geográfica. Já não é só Lisboa e Porto a concentrar tudo, há festivais espalhados de norte a sul, em aldeias e quintas, com espírito claramente DIY.

Para as bandas novas e para o underground, o Slax Metal Fest, no RCA Club, dedicado exclusivamente a bandas portuguesas, continua a ser um bom exemplo de programação séria e cuidada, com nomes como Revolution Within, Diabolical Mental State ou Cult Of Alcaeus a terem palco garantido. É este tipo de iniciativa que falta multiplicar, porque sem espaço para mostrar trabalho original, a cena não respira.

E é bom ver que este ano não faltam exemplos, ainda mais pequenos e mais despretensiosos, mas nem por isso menos importantes. O Cerco de Sortelha estreou-se agora, numa das aldeias históricas da Beira, com entrada e campismo gratuitos, e um cartaz só de nomes da cena mais extrema: Toxikull, Okkultist, Sigilo, Crab Monsters, Dallian, entre outros. É este tipo de festival, sem patrocínios milionários, que mantém viva a proximidade entre banda e público. No mesmo registo, o LX Extreme Death Fest voltou ao RCA Club, em Lisboa, dedicado ao death metal mais cru, com Krisiun e Crypta a liderarem dois dias de brutalidade, ladeados por nomes como Undersave, Tvmvlo, Destroyers of All ou Crucivore. E há ainda o Rockalhau Fest, em Vila Nova de Famalicão, já na segunda edição, um evento de raiz, pensado para dar palco a bandas emergentes e a projetos nacionais menos conhecidos, como os Madmess. São festivais pequenos, sem grande cobertura mediática, mas que fazem o trabalho de base que os grandes cartazes não fazem: dar palco a quem ainda está a construir o seu nome.

E não posso deixar de referir o concerto dos Iron Maiden, em Julho, no Estádio da Luz, em Lisboa. Um espetáculo de outra escala, de outra logística, que trouxe a Lisboa uma produção bem marcada pela dimensão dos Iron Maiden, prova de que quando o nome é suficientemente grande, o público português ainda responde em massa. Fica a pergunta: porque não conseguimos essa mesma resposta para bandas emergentes, nacionais ou internacionais, em salas mais pequenas? Porque é aí que a fragilidade se mantém. Os grandes eventos vendem-se sozinhos, mas o circuito de bares e salas pequenas continua a sofrer com a mesma dificuldade de sempre: pouca assistência, poucos recursos, e uma programação que tantas vezes prefere apostar em bandas de tributo em vez de originais. A qualidade das bandas portuguesas não tem faltado, mas continuam a faltar palcos regulares para as mostrar. Em resumo: 2026 é um ano rico em cartazes, em diversidade e em grandes nomes de passagem por Portugal, mas a base da pirâmide, essa que sustenta tudo o resto, continua tão frágil como sempre foi.


 

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