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Filhos do Metal – Heavy Metal No Feminino

Por Duarte Dionísio
(Filhos do Metal – À descoberta do Heavy Metal em Portugal)
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Perguntei-me como abordar este assunto sem parecer complacente ou preconceituoso. Mas logo pensei que só havia uma forma – escrever sem indulgência, com sinceridade, indo direto ao assunto. O Heavy Metal ainda é um género musical dominado pelos homens. Embora o número de mulheres, que integram bandas ou projetos a solo, tenha vindo a crescer nos últimos anos. Em Portugal, esse crescimento tem sido proporcional ao aumento de bandas e consequente desenvolvimento do panorama metálico em terras lusas. Lembro-me que nos anos 80, uma mulher a integrar uma banda de Metal era um oásis. Por isso, foi espantoso ver a Lena a cantar num registo Thrash nos Mortífera, banda originária da Amadora. A carreira foi de curta duração, mas marcaram pela diferença e apresentaram excelentes músicos, entre eles Ricardo “Sapo”, que viria a integrar os RAMP e Filipe Gonçalves que fez parte dos V12, Império dos Sentados, entre muitas outras. Por falar em V12, também eles tiveram na sua formação uma vocalista, de seu nome Célia Lawson, no ibnício da década de 90. Os Angel Sinner, onde pontuava o guitarrista João “Relâmpago” (ex- Black Cross), tinham como vocalista a Isabel Dias. Provavelmente estou a esquecer-me de outros casos, mas ficam alguns exemplos da fraca participação feminina no Heavy Metal nacional durante o final da década de 80 e princípio de 90.

Nos anos 90 surgiram mais mulheres em bandas de peso. Os Disaffected ou os Sarcastic, por exemplo, integraram teclistas. Mas outros projetos houve onde a participação feminina se fez notar, não só com vocalistas, mas a assumir outros instrumentos. Um dos casos mais marcantes foi o aparecimento das Black Widows banda que surgiu em Almada, formada integralmente por mulheres. No séc. XXI, o Heavy Metal em Portugal tem vindo a ter uma notória evolução a vários níveis, como já tive oportunidade de mencionar em crónicas anteriores. Esse facto fez com que o aparecimento de mais mulheres em bandas de diferentes subgéneros de Metal fosse uma realidade. Talvez as vertentes Gothic e Symphonic Metal tenham sido preponderantes para a integração de mais vocalistas, mas não só. Há hoje um legado feminino no Heavy Metal em Portugal. Ao contrário do que sucedeu nos anos 80, são já muitos os nomes de mulheres e bandas que atualmente fazem ouvir o seu talento musical um pouco por todo o país e além-fronteiras. Não é de estranhar que já tenham sido realizados festivais dedicados a bandas com vozes femininas, como é o caso do Female Growlers United Front ou do Female Front Fest. Alguns exemplos que levam já uma carreira consistente são os casos de: Rute Fevereiro, que continua com as Black Widows, para além dos Enchantya; também em Black Widows e Gwydion está a Marta Brissos na bateria; Sandra Oliveira, a voz dos Blame Zeus e mais recentemente a encantar nos Perennial Dawn; Liliana é a voz dos Inner Blast; Susana Brochado empresta os seus dotes como baixista nos Skinning e Paradigm Break. Ainda, Mafalda Hortas (Karbonsoul), Inês Freitas (Burn Damage), Beatriz Mariano (Okkultist), Carina Domingues (Disthrone), Patrícia Andrade (ex-Sinistro), Diana Rosa (11th Dimension), Raquel Subtil (Secret Chord), Eduarda Soeiro (Glasya), Paul Teles (Lilith’s Revenge), Marina Faria (Drop D), Sofia Beco (Phase Transition), Nya Campos (Kandia) e muitas outras.

Mais importante mencionar quem são, é mesmo o facto de existir uma natural harmonia entres homens e mulheres no Heavy Metal. O crescimento exponencial de talento feminino nas bandas é uma prova de maturidade e evolução. A sensibilidade e a criatividade que as mulheres trazem para a música, em especial neste género tão agregador, por certo contribuem para uma maior abrangência e qualidade na composição e interpretação. A tendência vai no sentido de um maior equilíbrio, o que só pode ser positivo. Quando o Heavy Metal feito em Portugal, por portugueses e portuguesas tiver mais espaço na comunicação social, aí a profissionalização poderá surgir para que possamos ter mais e melhores músicos e bandas. Só falta esse passo. Por certo as mulheres terão um papel fundamental nessa conquista.

 


 

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