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Pilhas de Discos #15 – Heavenwood, Elder, Entropist, Clouds Taste Satanic, Opera IX, Artillery!

Heavenwood – “The Tarot Of The Bohemians Pt II”
2026 – Mighty Music

Dez anos depois, aqui está a segunda parte do “The Tarot Of The Bohemians”. Este álbum marca não só o final deste conceito iniciado em 2016 mas também o regresso da banda depois de um período de muita turbulência e que levou a uma remodelação (revolução?) no alinhamento, ficando apenas Ricardo Dias Santos como único membro, ele que também sempre foi de qualquer maneira o principal compositor e estratega. Portanto não encontramos propriamente uma diferença na música dos Heavenwood apesar de se sentir que este é um trabalho diferente. Faz a ponte perfeita com a primeira parte e consegue superá-la, na nossa opinião, em termos de qualidade quer de composição quer sonora. É um regresso que esperamos que não fique por aqui, já que sentimos que Heavenwood tem muito mais música para nos dar. (9/10)

Entropist – “The Vision”
2026 – Self Released (Asher Media Relations Pr)

Que primeiro álbum imponente. Começar uma carreira com um marco tão forte coloca a fasquia altíssima mas pelo que os norte-americanos Entropist revelam aqui ao longo de uma hora de música talento e capacidade para evoluir ainda mais. Death metal progressivo, fora do contexto daquilo que normalmente o estilo sugere, mas ainda assim, encaixando totalmente no mesmo. Brutalidade, quer na vertente metal, quer na vertente técnica que faz com que este registo não seja propriamente fácil de absorver de uma vez só. Já tinham saudades de música e álbuns assim desafiantes? Nós já. (8.5/10)

Amberian Dawn – “Temptation’s Gate”
2026 – Napalm Records

Os Amberian Dawn estão de volta depois de quatro anos passados desde o último álbum, que por acaso até foi um tributo aos Abba. E este é o primeiro álbum com a nova vocalista Nicole Willerton, um sangue novo injetado que faz renascer algum entusiasmo em relação a nova música. No entanto, não é preciso muito para reparar que não mudou assim tanta coisa. A voz de Nicole tem realmente uma identidade e carisma próprios que fazem com que a música surja com algum sangue na guelra que anteriormente lhe faltava – temos como exemplo as faixas “Moon” e “Unleashed”, onde a agressividade surpreende, sobretudo nos guturais debitados por Nicole. Apesar do seu lado pop continuar a estar presente – isso seria inevitável – há um voltar a pegar nas referências mais metal que têm andado diluídas nos últimos tempos. E isso é positivo. (8/10)

Artillery – “Made In Hell”
2026 – Mighty Music

Os Artillery estão de volta com o lançamento deste EP. Duas novas músicas, uma regravação para o clássico “Into The Universe” da estreia de culto “Fear Of Tomorrow” e um tema ao vivo, “The Almighty”, outro clássico retirado da estreia. Serve este trabalho para apresentar oficialmente o novo vocalista Martin Steene, que já está na banda desde 2023 mas é primeiro registo de estúdio em que participa. Os temas novos são bons assim como os clássicos são os clássicos. No final sabe a pouco, mas antes pouco por parte dos Artillery do que nada. (7.5/10)

Autumn Fires – “Bloom”
2026 – Marshall Records (Kinda)

Punk cheio de melodias pop que é tão contagiante como inconsequente. Poderia ser a banda sonora de um filme de adolescentes norte-americano, se eles não se tivessem convertido ao pop chunga e descartável que popula pelo Spotify. Quatro temas que se ouvem muito bem e que mesmo não perdurando na memória, dão vontade de ouvir novamente. (7/10)

Fatal Exposure – “Bikini Atoll Broadcast”
2026 – Selvajaria Records

Fatal Exposure é o nome de uma nova banda/projecto que foca-se no crust metálico, um estilo que em Portugal não teve grande expressão mas que por isso mesmo só faz com que este projecto à partida seja essencial conhecer. Ainda que tenha muitos pontos para melhorar. A começar pela voz que demasiado monocórdica tira dinâmica à música e pela produção que sendo podre, acaba por fazer sentido, mas que em muitos momentos se sente que o impacto seria bem maior se a produção estivesse à altura daquilo que a música pede. No geral, é um primeiro lançamento que deixa a sede para mais e melhor mas recomendado. (6.5/10)

 

Clouds Taste Satanic – “Berlin 2023”
2026 – Edição de Autor

Os Clouds Taste Satanic são uma das mais geniais bandas do doom metal, pelo simples facto de conseguirem fazer temas longos que não aborrecem e isto sem terem a necessidade de ter voz ou de narrar uma história. Este álbum ao vivo é uma viagem que urge fazer, ainda que, por incrível que pareça, quarenta e um minutos saibam a pouco. E esta conclusão é simultaneamente que dita a obrigatoriedade de ouvir em loop – coisa que aconteceu para a escrita desta pequena missiva – como que posteriormente a essa obrigatoriedade imposta resulta na constatação de que efectivamente sabe a pouco. Muito pouco. Mas pronto, não há remédio a não ser dedicar-lhe mais umas rodagens valentes. (8.5/10)

Opera IX – “Veneficium”
2026 – Edged Productions

Os Opera IX são uma referência máxima no black metal melódico/sinfónico, embora inicialmente tivessem andado mais pelos campos da mistura entre o gótico e o death/doom metal, sempre com os elementos de oculto e pagão embebidos nele que denotavam uma aproximação ao Black Metal. O carisma único de Cadaveria como frontwoman ajudou a cimentar essa posição. No entanto, depois com algumas mudanças de formação (incluindo de voz) e andando no tempo, os Opera IX, agora com Dipsas Dianaria na liderança, estão completamente embrenhados no black metal e “Veneficium” é altamente inspirado, provando que estão no caminho certo para reclamarem o trono do black metal italiano que por direito próprio é deles. (8.5/10)

Varg – ”Live at Wolfszeit Festival 2024“
2026 – Napalm Records

“Live at Wolfszeit Festival 2024” é o primeiro registo ao vivo dos Varg no seu habitat natural: o palco do seu próprio festival, perante um público devoto e num ambiente totalmente alinhado com a estética pagã e guerreira da banda. Não só é o primeiro álbum ao vivo como também é o retrato perfeito daquilo que a banda é em cima do palco assim como também representação fiel do que é ao vivo. É um verdadeiro “best of” e perfeito não só para os fãs como também para quem os quer conhecer um pouco melhor. Para além do suporte áudio, este lançamento também está disponível em blu-ray, com filmagens conjuntas de 13 câmaras. Em suma, os fãs não vão querer perder. (8/10)

Pro-Pain – “Stone Cold Anger”
2026 – Napalm Records

Os Pro-Pain já são um nome clássico da música pesada. Com “Stone Cold Anger” atingem a respeitável marca de lançar o seu décimo sexto álbum (a estreia pela Napalm Records) e trinta e cinco anos de carreira. Isto depois de estarem onze anos sem lançar nova música. Como tal as expectativas eram grandes para ver como a banda iria se situar criativamente após tanto tempo sem nova música. Conhecendo o que está para trás, a banda de Gary Meskil traz precisamente aquilo que se esperava, o som intenso de Pro-Pain, caracterizado como crossover, com todos os seus pontos positivos intactos: peso, groove e refrões marcantes. Para quem tinha saudades, este é o álbum perfeito para mostrar que eles estão de volta e mais fortes que nunca. (7.5/10)

Thorium – “Suburban Rot”
2026 – Emanzipation Productions

Os Thorium são um dos nomes mais sólidos do death metal dinamarquês e a cada lançamento conseguem provar isso mesmo. Sem grandes desvios daquilo que é a sua identidade primordial: death metal old school. A recuperar a regularidade de lançar álbuns de dois em dois anos, “Suburban Rot” é um tratado de castanhada da boa, sem invasão de modernismos descaracterizadores. Aqui é porrada sonora unidimensional mas com bastante dinâmica, ocasionando os temas mais rápidos como os mais trituradores. Sem ser brilhante, não deixa de ser recomendado para quem segue o death metal de perto. (7/10)

Nargaroth – “Apocalyptic Steel”
2026 – Season Of Mist

O álbum “esquecido” de Nargaroth. Gravado na década passada, mais concretamente em 2014, “Apocalyptic Steel” ficou na prateleira até que anos atrás foram regravadas as baterias e agora vê a luz do dia. Música que fica posta de parte, logo à partida, tem um problema qualquer. O problema poderá ser do criador em si, que neste caso achou que o material de “Era Of Threnody” era mais interessante (que viria a ser lançado em 2017); como também poderá ser do próprio material. “Apocalyptic Steel” é um álbum interessante de black metal mas sem nada que o destaque a não ser a curiosidade de ter ficado na gaveta durante 12 anos. Não sendo mau, também não é fantasticamente bom. (6.5/10)

Elder – “Through Zero”
2026 – Stickman Recods (All Noir PR)

Muito debate tem havido sobre o (triste) estado da música actual. Do negócio, do formato e de como estamos todos, como seres humanos, a ficar piores e como isso afecta a música, desde aquilo que é feito para satisfazer pessoas com nível de atenção reduzido (ou inexistente), como depois isso se torna prática como modelo de negócio – porque a máquina continua a precisar de ser alimentada. E depois temos álbuns como “Through Zero” que nos mostram uma banda ainda capaz de sonhar para além das restrições do negócio e criar pedaços divinais de música que nos fazem ter esperança para o futuro quando esta parece ser completamente vazia de sentido. (9/10)

Vanta – “Perpetual Selection”
2026 – Self Released (Cutting Edge Metal PR)

Trabalho de estreia dos australianos Vanta que trazem death metal bruto com alguns laivos de melodia que não chegam para os considerarmos death metal melódico tal como está indicado no comunicado de imprensa. O termo death metal melódico poderá levar ao engano. Aliás, o seu ponto mais positivo é mesmo o facto de não ser ao som transparente ao qual encaixamos facilmente numa qualquer prateleira. Mas se tivéssemos que nos esforçar nesse sentido, death metal moderno é uma boa descrição, sendo que os elementos modernos soam mitigados como outros mais clássicos – como inspirados solos de guitarra. (8.5/10) 

A Dream Of Poe – “Katabasis: A Marriage Among Ashes”
2026 – Meuse Music Records

Os A Dream Of Poe são um dos projectos obrigatórios conhecer dentro do doom metal nacional. Já sediados fora do país há algum tempo e sempre com Miguel Santos como pedra basilar, este “Katabasis: A Marriage Among Ashes” é um retrato emocional e melancólico da presente identidade musical da banda. Identidade musical que não tem fugido muito do padrão inicial. No entanto, a evolução é inegável, assim como os seus resultados. Requer (ou melhor, exige) por parte do ouvinte alguma pré-disposição para mergulhar num abismo de emoções dos quais nem sempre é fácil de sair. Ainda assim, só faz com que o seu poder seja maior. Para quem gosta de doom ou até mesmo funeral doom, está aqui um álbum obrigatório para 2026. (8/10)

Catachrest – “Target Ruin”
2026 – Selvajaria Records

“Target Ruin” é a compilação que reúne toda a discografia, até ao momento, dos suecos Catachrest, mais concretamente o EP “Target Of Distortion” de 2025 e a demo “Ruiner” de 2021”, que teve guitarras extra adicionadas acrescendo à remistura. A sonoridade é black/thrash impiedoso, cru e caótico, principalmente as da demo que ascende o nível de chavascal para lá de épico. Porrada sonora e de bom gosto, como só a Selvajaria pode fornecer. (7.5/10)

Chaosaddiction – “Kintsugi”
2026 – Mosher Records (Against PR)

“Kintsugi” é o primeiro álbumd dos Chaosaddiction, a nova banda de Rui Alexandre da Mosher e Terror Empire. Um novo veículo que permite explorar todo o amor e devoção do músico às sonoridades mais clássicas dentro do Groove da década de noventa, incorporando inevitavelmente outras referências mais modernas ou de outros quadrantes. Um primeiro passo interessante de um projecto que já tem marcado presença nos palcos nacionais e que tem espaço para evoluir para além da matriz aqui revelada. (7/10)

Transformers – “The Transformers: The Movie Soundtrack: The Reformatted Edition”
2026 – Reigning Phoenix Music

A nostalgia comanda as artes, hoje em dia mais que nunca. Sensações, retratos, vislumbres do que já foi e que nos faz sentir um conforto, ilusório, pelo passado. Um conforto que não havia na altura, porque o ser humano sempre teve, e sempre terá, necessidade de escapar do presente. Disto isto, este projecto visa reinterpretar a clássica banda sonora do filme de animação “Transformers: The Movie”. O tema-título é o que mais se destaca, mas toda a banda-sonora está bastante próxima da estética da década de oitenta, com uma produção mais poderosa e também mais plástica – por isso próximo do original. Para os fãs de Transformers, do filme e, acredito que em menor número, da banda sonora, este é um lançamento interessante. Para todos os outros, não vale a pena tentar, não vos vai cativar. (5/10)

Lost Society – “Hell Is A State Of Mind”
2026 – Nuclear Blast Records

Após a mudança de sonoridade por parte dos finlandeses Lost Society, perdeu-se o interesse naquilo que eles fazem. Foi sobretudo com curiosidade, mórbida, que me arrisquei a mergulhar no seu som novamente, tendo as expectativas bastante baixas. Como tal elas acabaram por ser correspondidas. Outrora o seu thrash metal era empolgante, depois a sua passagem para o chamado som moderno (algures entre o metalcore e nu metal), apesar de competente, a sua sonoridade passou a ser previsível e aborrecida. “Hell Is A State Of Mind” segue essa mesma linha, sem surpresas e sem razão para voltar, apesar de alguns momentos interessantes que nos ainda fazem ter esperança – como o solo da “L’ Appel Du Vide”. (4/10)

The Devil’s Trade – “Vidékek Vannak Idebenn”
2023 – Season Of Mist

Que grandioso trabalho este do projecto The Devil’s Trade que viu uma evolução fantástica desde o primeiro álbum até este quarto. Uma ambiência fantasmagórica cheia de intensidade melancólica que nos deixa arrebatados desde o primeiro momento. Não é fácil a definição estilística deste trabalho pelo que teremos sempre a luta entre o folk e o ambient, embora com alguma liberdade poderíamos arriscar pelo post metal, no entanto é mesmo o impacto que fala mais alto e tem uma impressão duradoura. A emocionalidade é impressionante e a garantia que depois da primeira audição, muitas mais se seguirão. (9/10)


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