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Pilhas de Discos #16 – Villagers Of Ionnina City, Skáld, Accept, The Pretty Reckless, Behemoth, Kamelot, Devildriver!

Villagers Of Ionnina City – “Venceremos”
2026 – Napalm Records

Já sabiamos que os Villagers of Ionnina City eram de uma qualidade impressionante mas este “Venceremos” é de uma qualidade absurda. Há por aqui uma disparidade de géneros musicais evocados – tal como é referido no comunicado de imprensa, e bem – mas na realidade não se sente isso. Sente-se que tudo flui e que este é um daqueles discos que conseguimos ouvir até ao dia do juízo final, em repeat, sem cansar. Vocalizações espantosas, o instrumental enaltece a música em si e hipnotiza o ouvinte. No final é mesmo isso que se pretende. Um disco de rock progressivo que rompe com as regras (e barreiras do estilo) e nos traz diversão, peso, groove e introspecção em iguais medidas. Um disco obrigatório para quem gosta de música. Ponto. (9.5/10)

Ristridi – “Ride The Storm”
2026 – Self Released (Against PR)

Trabalho de estreia dos Ristridi, uma banda alemã que mistura, de forma bem sucedida, uma série de estilos que poderiam não fazer sentido. Temos power metal mais catchy nas melodias ao melhor estilo europeu misturada  com a vertente mais musculada própria do estilo norte-americano, ocasional feeling de death metal melódico reforçado principalmente quando se reflecte na voz gutural voz e também em algumas melodias. Temos riffs heavy metal, temos algum feeling de metal épico, algumas melodias mais folk. Como podem ver, por esta descrição, temos muita coisa a acontecer. Alguns até poderão dizer, demasiadas coisas a acontecer para apenas trinta e dois minutos. No entanto, não é preciso muito tempo dedicado a este som para chegarmos à conclusão de que isto resulta. Estranha-se à primeira mas há um apelo criado que vai-se tornando cada vez mais forte. Um bom álbum de estreia que pressupõe uma evolução ainda maior num futuro que esperamos próximo. (8.5/10) 

Accept – “Teutonic Titans 1976-2026”
2026 – Napalm Records

50 anos de Heavy Metal. Uma marca que ainda nos faz pensar como o tempo avança impiedosamente e como o Heavy Metal em geral e os Accept em particular, apesar de todas as contrariedades, conseguiram manter-se relevantes. Aliás, podemos até dizer mais relevantes que nunca, apesar de comercialmente as coisas serem bastante diferentes. Bem, isto tudo porque os Accept atingem a simpática marca dos cinquenta anos e para celebrar fazem um disco que é misto regravações, misto tributo. Regravações porque a única constante de sangue Accept são Wolf Hoffman e Mark Tornillo. Tributo porque o resto é tudo com convidados de luxo. De Phil Anselmo, Kirk Hammet e Mikkey Dee na “Fast As A Shark” a Rob Halford, Matthias Jabs e Rex Brown na “Balls To The Wall”, há aqui de tudo. Só para deixar o artigo ainda maior à pala de name dropping:  Frank Bello, Ray Luzier, Ola Englund, Billy Sheehan, Jason Bowld, Chuck Billy, Gary Holt, David Ellefson, Todd La Torre, Chuck Garric, Roy Mayorga, Jason McMaster, Dino Jelusić, Hansi Kürsch, Tobias Forge, John Bush, Ralf Scheepers, Bobby “Blitz” Ellsworth, Joe Lynn Turner, Sebastian Bach, Jeff Scott Soto, Chris Jericho. Uff. A selecção, tirando algumas óbvias como as já citadas,  passa ao lado de muitos dos clássicos e nem é uma representação da totalidade da carreira da banda – tal seria impossível mas em vez de cinco temas do “Balls To The Wall”, poderiam ter chegado a outros álbuns. No fundo é uma celebração da carreira da banda que ao contrário daquilo que o título sugere, compreende o período temporal “1980 – 1989”. Ainda assim, é um disco que os fãs dos Accept não vão querer perder. (8/10)

The Pretty Reckless – “Dear God”
2026 – Fearless Records (Kinda)

Desde o início que The Pretty Reckless causou bom impacto aqui na World Of Metal. Seja pela irreverência da sua frontwoman, pela forma como as músicas capturam um espírito algo perdido desde há muito de  rebeldia do rock mais mainstream com umas pitadas punk melódico e/ou alternativo mas sobretudo por ser uma proposta mais visceral  genuína, algo que falta muito no mainstream hoje em dia, seja que género se trate. Ao quinto álbum, The Pretty Reckless tem neste trabalho uma proposta mais crua mas também mais honesta, sem apresentar grandes pretensões de artificialismos. Não será, por isso, o seu trabalho mais vistoso mas é o passo necessário para solidificar uma carreira que começa a ser impressionante. (7.5/10)

 

Heiden – “CMA”
2026 – Epidemie Records

Os Heiden já têm uma longa e considerável carreira, tendo começado nos primórdios do milénio a mover-se pelos campos atractivos do black metal sendo que aos longos dos anos e com vários lançamentos pelo meio, chegaram a um som híbrido que não tem fácil categorização. O que em si é bom, valorizamos sempre algo que nos desafie, que saia da zona de conforto, daquilo que é comum. No entanto, nem sempre o que é desafiante, é bom, ou memorável. No caso concreto da banda da Chéquia, é que a música é interessante o suficiente para nos questionarmos se não seria, no global, ainda melhor, com outra abordagem vocal. Nem é questão de estar desajustada do som. É mesmo por não interessante ou dinâmica o suficiente para tornar este álbum ainda mais forte. Ainda assim, temos momentos de interesse que garantem umas boas audições. (7/10)

 

Kamelot – “Dark Asylum”
2026 – Napalm Records

Não só os Kamelot conquistaram o seu lugar na música pesada com muito talento como também souberam atravessar as diversas fases pouco favoráveis à sua forma de fazer música. Cavalgaram na onda do power metal que percorreu o final da década de noventa e início do novo milénio. Sobreviveram à mudança de vocalista, ao metalcore e a todas as outras modas que percorreram a música pesada, entregando álbuns de qualidade, ainda que a sua fórmula já tenha pouco a revelar há algum tempo. E é nesse ponto que se sente que “Dark Asylum” peca. Não deixando de ser um bom álbum, sem nada a apontar, oferece pouco risco e arrojo e aquela sensação de estar em piloto automático, tal como os trabalhos mais recentes.. As músicas têm todas mais ou menos a mesma duração e as melodias são de fácil interiorização. As prestações são de topo, mas ainda assim, após poucas audições, muito pouco fica presente na memória. Não lhe retira o mérito de continuarmos a insistir mas se faltar paciência, poderá recair-se para álbuns como “Fourth Legacy” ou “Epica. Ainda assim, sente-se como um passo em frente, ainda que ligeiro, em relação aos dois anteriores álbuns. (6.5/10)

Nestor – “Live At Gothenburg Studios”
2026 – Napalm Records

Talvez seja o meu cinismo ou simplesmente de vivermos num mundo onde muita pouca genuinidade é possível de ser encontrada, mas os álbuns ao vivo hoje em dia soam-me sempre algo falsos. Não que duvide das capacidades dos Nestor, ou de qualquer banda logo à partida, para dar grandes concertos, mas o facto dos trabalhos ao vivo oferecerem muito pouco de diferença em relação aos discos, faz com que nos remeta para o universo das sitcom com as faixas de risos enlatadas e que sem as mesmas, torna-se tudo constrangedor. Isto até parece que estou aqui a rasgar este álbum ao vivo dos Nestor de alto a baixo – que também tem lançamento em Blu Ray, o qual não tivemos acesso – quando na realidade é competente álbum ao vivo por parte de uma banda extremamente competente no AOR, com excelentes temas. No entanto, o facto de todas as músicas terem fade in e fade out – mesmo se tivessem sido capturadas em concertos diferentes (o que não nos parece que foi o caso), soa estranho e soa falso. Outro pormenor estranho é o Blu-ray ter menos músicas que o CD quando a norma é precisamente o contrário. Os fãs de AOR vão gostar e passar por cima disto tudo. Nós… apreciamos mas todas estas questões não nos largam a mente. (6/10)

Skáld – “Ørlǫg”
2026 – Napalm Records

As expectativas do primeiro álbum dos Skáld pela Napalm Records, não são diferentes daquelas que teríamos caso fosse editado por outra editora qualquer ou mesmo em nome próprio. Expectativas essas que são de termos neofolk de teor nórdico, sem grandes contaminações que nos transportam a outra era. Já nos habituamos à estranheza de ter uma banda francesa a focar-se nas tradições escandinavas e inclusive a cantar na sua língua, ou melhor, em nódico antigo, língua germânica falada pelos povos escandinavas e regiões pertencentes ao domínio viking. Temos todo esse misticismo, e toda essa beleza presente num disco que os amantes de folk em particular e world music em geral não vão querer sequer resistir. (9/10)

Megascavenger – “Toxic Noxious Undeath”
2026 – Xtreem Music (Imperative Music PR)

Dizer que Rogga Johansson está de volta é uma afirmação parva, já que tendo em conta a quantidade de projectos e bandas que ele tem, nunca chega propriamente a vir-se embora. O que nos faz questionar da validade deles existirem, já que o foco é, invariavelmente, death metal sueco. Dito isto, o que se vai destacando entre os vários lançamentos dos vários projectos é mesmo a qualidade que se vai sobressaindo. E, sobretudo, o amor ao death metal sueco por parte do ouvinte. No nosso caso, esta suecada, com aquele som de gravilha e com leads inteligentes, fazem com que este álbum (o sexto da carreira deste projecto Megascavenger) com pouco mais de meia hora, seja um prazer auditivo do início ao fim. No final de cada audição poderá ficar pouco na memória, mas isso não impede o sorriso de satisfação que provoca no final e do continuar desse sentimento quando se volta para mais uma dose. (8.5/10) 

Naked Soldier – “Echoes”
2026 – Sixteen Times Music

Os Naked Soldier chegam-nos da Suiça, o que até é um destino estranho, já que estamos a falar de stoner rock. São os destinos estranhos que muitas vezes nos garantem também as melhores surpresas. Aliada à sonoridade stoner, há um fio condutor alternativo que nos faz pensar em bandas como Candlebox, The God Machine e Alice In Chains e que acrescentam algo diferenciador à sua sonoridade. Estes quatro temas parecem breves – “El Bizarre” tem dez minutos – apenas porque gostaríamos de ouvir mais. Sem dúvida uma banda a ouvir no Stoner. (8/10)

Shadowmare – “Transfiguration”
2026 – Edição de Autor (Against PR)

Os Shadowmare são uma das mais entusiasmantes bandas do (rico) underground algarvio e este terceiro álbum surge após uma mexida na formação onde a banda fica reduzida a quatro unidades e é sentido como uma nova era. Apesar de ser um lançamento mais directo e com temas mais curtos, a identidade da banda não se perdeu. Atrevemos a dizer-se que refinou-se. Algo patente no tema em português “Sacrificar Para Ganhar”, com a participação de Poli Correia dos Devil In Me. No geral é um excelente lançamento que só não tem maior impacto por não passar dos 22 minutos. Nos tempos em que corremos, onde cada vez mais a cultura de álbum se está a perder, esta duração para um álbum é perfeitamente aceitável. No entanto, para nós, continua a saber a pouco. (7/10)

Behemoth – “I, Scvlptor”
2026 – Massacre Records

Os Behemoth juntaram-se à Massacre Records para o lançamento deste EP que apresenta dois temas novos (o tema-título “I, Scvlptor” e “Lord Of Horizons”), duas regravações (“Rise of the Blackstorm of Evil” e “In Thy Pandemaeternum”), um tema gravado nas sessões do álbum “The Shit Ov God”, e lançado originalmente no EP “Vnholy Psalms”, duas covers (“In League With Satan” dos Venom e “The Return Of Darkness And Evil” dos Bathory, esta última ao vivo) e um rough Mix da “Lord Of Horizons”. Nâo sendo um lançamento totalmente imperdível, os fãs mais acérrimos e colecionadores não vão dispensar de adquirir este lançamento, mesmo não sendo essencial. (6.5/10)

Bülent Ceylan – “B.L.N.T”
2026 – Napalm Records

Consta que Bülent Ceylan é um dos maiores comediantes da Alemanha. E é também um grande fã de música pesada. Este é já o seu segundo álbum e… não nos impressionou. Mas o problema é maioritariamente nosso e não dele. Primeiro, o facto de ser cantado na sua língua nativa faz com que não se perceba a diferença se tratam de letras bem humoradas ou se receitas de culinária. O que é logo 50% de desvantagem. Depois musicalmente, temos música pesada morenaça que simplesmente passa ao nosso lado, devido ao elevado número de lugares comuns que é possível encontrar ao longo desta pouco mais de meia hora que nos parecem três. Não é tão mau quanto estas palavras fazem crer, mas ainda assim, não é nada que queiramos ouvir sóbrios. Nem ébrios, principalmente se se tiver mau beber. (4/10)

The Cosmic Dead – “Beyond The Beyond”
2026 – Heavy Psych Sounds (Purple Sage Pr)

Décimo álbum dos mestres escoses do space rock psicadélico. Quatro temas (jams) onde somos embrulhados numa onda hipnótica que mais parece teia de aranha à qual ficamos irremediavelmente colados. É com este som que esquecemos requisitos tradicionais, como estruturas, refrões, seja o que for. Isto é simplesmente tocar, sentir o espírito a fluir, tal como fluiu pelos músicos. Verdadeiras tapeçarias sonoras às quais não se pode, nem se quer, escapar. Apesar de não ser o devaneio instrumental do último álbum “Infinite Peaks”, composto apenas dois longos temas de mais de vinte minutos, “Beyond The Beyond”, não esquece esse espírito na forma como nos faz deambular pelo universo muito específico dos The Cosmic Dead. (9/10)

Poly-Math – “Something Deeply Hidden”
2026 – The Lasers Edge (Earsplit PR)

“Something Deeply Hidden” é a confirmação da banda no post-rock e rock moderno, equilibrando complexidade instrumental e uma abordagem temática precisa. Os arranjos densos e uma produção que vai ao detalhe glorificam um disco que é ambicioso e polivalente, que roça os géneros do math rock e do progressivo, sem grandes tropelias e exageros instrumentos. Este é um momento de afirmação dos Poly-Math que se solidificam musicalmente. O álbum é tecnicamente apurado, criativamente denso e, em termos artísticos, está acima da média. (8.5/10) João Braga

 

Ironflame – “Worlds To Conquer”
2026 – High Roller Records

Os Ironflame, com álbum ante álbum, estão afirmar-se como um dos nomes incontornáveis da cena underground do heavy power metal dos E.U.A.. “Worlds To Conquer” é o sexto álbum da banda e trazem mais uma vez um equilíbrio bem conseguido entre o heavy metal tradicional e power metal tanto americano, mais musculado, como europeu, mais melódico. Acreditamos que vos poderá passar despercebido inicialmente, como muitos dos bons discos que andam por aí, no meio do caos de ruído que a vida nos impõe hoje em dia. Mas quem vive e respira heavy metal, é fácil reconhecer a qualidade que nos traz e também a forma como nos faz viver o álbum como um todo. São apenas quarenta minutos, mas são quarenta minutos de heavy metal que se recomenda vivamente. (8/10)

Frozen Crown – “The Legend Of The Six Kings”
2026 – Napalm Records

Tem sido interessante acompanhar o percurso dos Frozen Crown e como, usando a fórmula do power metal do final do milénio anterior e o início deste, têm conseguido cativar o seu público através de álbuns sólidos compostos por músicas que vivem ao fundo aquilo que se propõem mostrar, que é, “happy” power metal tal como era feito e que foi explorado até à exaustão e algumas vezes sem grande talento, o que acabou por se sufocar a si próprio pela saturação do mercado por algo que simplesmente deixou de ser entusiasmante. Passados trinta anos sobre esse boom, os Frozen Crown fazem-no de forma satisfatória e uma das provas disso neste “The Legend Of The Six Kings” é a forma como transformam “Iris” dos Goo Goo Dolls em power metal, soando inicialmente azeiteira mas depois conseguindo-nos cativar. Continuando a soar azeiteira mas de uma forma que faz o nerd em nós sobressair. E no geral é um bom resumo deste disco. Leve, divertido para quem gosta de power metal e melodias facilmente memoráveis. (7.5/10)

Shoreline – “Is This The Low Point Or The Moment After?”
2026 – Pure Noise Records (Kinda)

Novo álbum dos Shoreline que é uma espécie de trabalho conceptual onde cada uma das músicas foca momentos que se podem considerar desafiantes, tal como o próprio título sugere. Musicalmente tem uma ponta de melancolia mas com muita melodia, tudo numa onda de punk rock melódico moderno. Tudo bem feito, e com letras interessantes (a juntar também ao conceito geral) por cima. (7/10)

Devildriver – “Strike And Kill”
2026 – Napalm Records

Os Devildriver estão de volta e já há algum tempo que não há grandes expectativas em relação a música nova da sua parte. Não que, no que diga respeito a Dez Fafara, aquilo que apresenta neste projecto seja imensamente superior a qualquer coisa que os Coal Chamber têm feito – que serve apenas como curiosidade nostálgica. No entanto o trabalho de Devildriver já está estagnado há algum tempo. Não que precisassem de oferecer algo completamente diferente, mas não existem surpresas. Tirando isto do caminho, “Strike And Kill” é feroz e brutal quando poderia ceder aos facilitismos do metalcore mais melódico ou do nu-metal requentado. Temos solos de guitarra, temos groove (do bom e do mau) e temos uma voz que está em grande forma, mesmo que surja muitas vezes colada ao registo de Coal Chamber – “Sanctified In Scars” é um bom exemplo disso mesmo. Sem ser esplendoroso, “Strike And Kill” é exactamente aquilo que os fãs esperam. (6/10)


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