Review

Pilhas de Discos #9 – Afargang, Avatarium, Rivers Of Nihil, Buried Realm, Kati Rán, Alestorm

Afargang – “Andvake”
2025 – By Norse Music

Adoramos quando temos projectos que surgem de nenhures para nos deixarem completamente rendidos. É o caso de Afargang, projecto one-man band,  que nos traz um álbum de estreia capaz de deixar qualquer fã de música progressiva e de folk e viking metal rendido. Até mesmo aqueles que não gostam de tudo isto misturado. Pensem em Vintersorg, Enslaved, Myrkur, Thurisaz mas pensem neles apenas como guia e não como definição definitiva da sua identidade musical. Uma viagem até às tradições ancestrais mas com o peso e elegância do metal progresssivo. Um dos discos do ano. (9.5/10)

Avatarium – “Between You, God, The Devil And The Dead”
2025 – AFM Records

A evolução dos Avatarium é impressionante. Não que eles se tenham transfigurado drasticamente do passado, mas a forma como refinaram a sua identidade musical de ser um projecto musical de Leif Edling (sendo este o primeiro álbum no qual não participa) para uma entidade que funde doom, occult rock, folk e prog de uma forma magistral. “Between You, God The Devil And The Dead” é uma obra de arte que urge descobrir de forma tranquila sem a pressa dos hábitos actuais de ouvir música. Que disco fantástico, dirigido a todos os que gostam da sua música à maneira antiga – cheia de qualidade. (9/10)

 

Elderstag – “Elderstag”
2025 – Edição de Autor

Novo projecto nacional que terá surgido como uma boa surpresa para os fãs de rock e metal. Rock e metal porque a sua sonoridade, apesar de musculada e pesada, pode-se inserir em ambas vertentes, na categoria mais alternativa com direito a solos (e que bons que são) de guitarra. Temos ainda bons riffs, boa secção rítmica e uma excelente voz (a cargo de Tiago Oliveira dos The Chapter). Queremos ouvir mais deles. (8.5/10)

Powerhill – “Generation X”
2025 – Dr. Music Records

Álbum de estreia dos suiços Powerhill que impressiona pela positiva. Conseguindo misturar vários estilos, do hard rock ao power metal e centrando-se sobretudo no heavy metal, temos um conjunto de temas que são liderados por uma voz que soa clássica, cortesia de Veronica Torre que também é a baterista e desempenha na perfeição ambas as tarefas. Temas memoráveis e refrões que nos fazem cantar, melodia e um feeling de leveza que também apreciamos na música pesada, se me permitem a contradição. Boa estreia. (8/10)

Roulette – “Go!”
2025 – Black Lodge

Os Roulette são uma daquelas bandas clássicas de AOR/Hard Rock suecas que não desiludem nunca. Grandes canções, poderio técnico na execução e um cheirinho a clássico que tresanda. Claro que esse cheirinho poderá ser insuportável para todos os que não são apreciadores do estilo, ou sequer deste tipo de nostalgia, mas para uma boa tarde de verão de relaxamento à beira-água, a sua eficácia é sobrenatural. (7/10) 

Re-Buried – “Flesh Mourning”
2025 – Translation Loss Records

Segundo álbum dos norte-americanos Re-Buried, perita em death metal podre que é precisamente aquilo que nos traz neste segundo álbum. Sem grandes surpresas e sem qualquer intenção de reinventar a roda, os Re-Buried desenterram (pun intend!) os lugares comuns do estilo ao longo destes quase trinta minutos. Tem as qualidades suficientes para agradar aos fãs die-hard do género que estão fartos de concessões e aproximações melódicas ao mainstream no estilo. (6.5/10)

Shrouded In Darkness – “11:11”
2025 – Downfall Records


Regresso do death/doom metal muito próprio dos suecos Shrouded In Darkness, que têm uma sonoridade onde os teclados se sobressaem mas escapando aos lugares comuns daquilo que se encontra normalmente no metal. O que é tanto bom como mau. Se os distingue em termos de originalidade também acaba por tornar as suas músicas semelhantes entre si, exactamente pela sonoridade dos teclados. Ainda assim, um álbum lúgubre e com ambientes sinistros o suficiente para atrair os fãs do estilo. (6/10) 

Rivers Of Nihil – “Rivers Of Nihil”
2025 – Metal Blade Records

Rivers Of Nihil é uma daquelas bandas que nunca desilude. Quero dizer, esta é uma afirmação discutível, no entanto, de acordo com os nosso parâmetros, tem sido o que se verifica até ao momento. O refinar da fórmula do seu death metal técnico que vai incorporando cada vez mais elementos melódicos e progressivos que servem unicamente a música em si. E isso é algo que não é muito comum, somar todas as partes atrás mencionadas e mesmo assim termos uma obra que é cativante de imediato – pelo menos para nós é. (9/10)

WarWolf – “The Final Battle”
2025 – Metalapolis Records

Os WarWolf chegam ao terceiro álbum com grande fôlego heavy metal. A sua música não desafia as convenções do estilo nem se insere na sempre crescente vertente tradicional – a sua sonoridade é ligeiramente moderna, com um feeling Iron Maiden, mas bem mais musculado à boa maneira alemã. Poderá passar ao lado das tendências actuais, no entanto os bons apreciadores de heavy metal vão reconhecer as suas mais que muitas qualidades. (8.5/10)


The Oddeven – “Outer Space Outtakes”
2025 – Eclipse Records

Pensem em Godsmack. Pensem em todas as bandas que fazem pensar em nu-metal na vertente mais próxima do tradicional onde havia groove mas havia também algum virtuosismo nomeadamente nos solos de guitarra. Os The Oddeven cavalgam essa onda ainda que esse som tenha deixa de ser popular há muito tempo, tirando talvez uns Five Finger Death Punch ou uns Volbeat. Com esta descrição até poderá parecer que estamos perante um mau disco reciclado de ideias que nunca foram boas mas essa avaliação está muito longe da verdade. Este é um disco que tem os seus méritos e consegue enaltecer um estilo que à partida até se poderia parecer que não tinha motivos para tal. (8/10)

The Slime – “Crabwalk To Oblivion”
2025 – Edição de Autor

Hardcore/crossover de Toronto, indicado para quem tem saudades de uma boa dose de castanhada bruta e sem contemplações. Temas curtos mas dinâmicos, sem gorduras e sem espaço para grande malabarismos – com quinze minutos de música, não há mesmo espaço para muito. Daqueles que são bons em disco mas que nasceram para provocar caos em frente ao palco. (7/10)

Axiom Chaos – “Primacy Arrival”
2025 – Comatose  (Imperative Pr)

A Comatose como editora é uma das grandes referências do death metal a nível mundial, a lançar constantemente sangue novo para a cena. Os Axiom Chaos são um desses casos. Esta dupla norte-americana tem em “Primacy Arrival” um primeiro álbum que irá satisfazer os mais requintados desejos de carnificina de qualquer fã de death metal bruto que se preze. Sem grande espaço para invenções e assomos de melodia, este é um disco indicado apenas para os fanáticos do género. (6.5/10)

Sick N’ Beautiful – “Horror Vacui”
2025 – BLKIIBLK Records (Frontiers Music)

Nova editora, subsidiária da Frontiers, que se vai focar em som mais pesado. À primeira audição, consegue-se perceber a distinção e a aposta nos Sick N’ Beautiful para este novo capítulo. Sonoridade industrial, peso e tonalidade moderna, mas continua a ter aquele efeito catchy que as propostas da Frontiers apresentam. Ao quarto álbum, a banda surge forte e talvez tenha aqui um efeito catapulta para a sua carreira, mantendo o rumo ascendente. (6/10)

Buried Realm – “The Dormant Darkness”
2025 – Edição de Autor (Csquared Music PR)

Mesmo para quem goste (como é o nosso caso), há sempre uma desconfiança em relação a one-man bands. Isto pelo hábito, não muito generalizado, de se sentir que falta sempre algo mais para que os lançamentos sejam perfeitos. Os Buried Realm nitidamente não se inserem nessa vertente. Não há nada que falte aqui. Podemos sempre questionar algumas decisões – como a voz limpa (“Bloodline Artifice” e “Futuristic Hollow Nation”, por exemplo) que faz lembrar algumas vertentes metalcore – mas mesmo não gostando de algumas opções, é impossível negar a qualidade deste disco e o talento do norte-americano Josh Dummer. Um daqueles álbuns que vale a pena conhecer e que eleva o sentido da conjugação perfeita entre brutalidade, tecnicidade e melodia. Obrigatório! (9/10)

Soul Demise – “Against The Abyss”
2025 – Apostasy Records

Os alemães Soul Demise regressam para mais um álbum. Mais de vinte cinco anos de carreira demonstram que poucos segredos lhes escapam na arte de fazer death metal melódico. E até é verdade neste caso, embora nem sempre antiguidade seja garantia de qualidade. Death metal mais agressivo que melódico mas que garante o interesse por várias horas para os apreciadores do estilo. (8.5/10)

Tumble – “Lost In Light”
2025 – Echodelick Records / Stickman Records (Csquared Music PR)

Já perdi a conta das vezes em que aqui foram usadas expressões como “viagens no tempo”, “assalto nostálgico”, ou mesmo “máquina do tempo”. E como já não há contabilização possível porque não seguir em frente? Isto porque o EP de estreia dos Tumble é precisamente tudo isso. Rockão pesado que nos parece que foi entregue directamente da década de setenta, com grande feeling e alma, a soar natural e, pasme-se, original. Para acompanhar de perto. (8/10)

From The Ages – “III”
2025 – Edição de Autor

Duas músicas. É só o que é preciso para esta viagem com pouco mais de meia hora. Não é segredo de ninguém que adoramos jams, de sentir a música a fluir de forma livre, sem restrições comerciais. Apenas a jorrar naturalmente. É o que temos aqui, começando “Lucid” como aperitivo e acabando com a cacofonia de “Bardo”, o primeiro tema que se vai moldando num mantra organizado durante mais de vinte cinco minutos. Baixo, guitarra, bateria e sem voz. Tal como gostamos. (7.5/10)

Wipeout Beat – “It Happens Because We Are, Not Because We Exist”
2025 – Lux Records (Ride The Snake)

Ao terceiro disco os Wipeout Beat continua a trazer o som da vanguarda com arrojo e com impulsos navegantes e viajantes. Os sintetizadores são o principal instrumento para essas viagens, algo que está bem presente no tema final – e para nós, o tema central do disco – “The Duel”. Apesar de ter uma certa acessibilidade – teria ainda mais décadas atrás – este não é um disco de fácil consumo e desperdício. É sim um disco para crescer a cada audição. Recomendado. (7/10)

Metempsychosis – “Metempsychosis”
2025 – Black Lodge Records

Esta é uma história interessante. Os Metempsychosis foram a encarnação primordial dos Mournful. Os primeiros lançaram uma demo e depois mudaram de designação para os segundo e acabaram por cessar funções. Entretanto, todos estes anos depois desde então (30 anos!), os quatro músicos envolvidos acabaram por prosseguir com a sua carreira musical de várias formas mas resolveram regravar as velhas músicas da demo como uma surpresa para a festa de solteiro para um deles. E é o que temos. Esses temas regravados, imortalizados e acompanhados também pelos temas originais. Vale pela originalidade e pelo valor sentimental. (6/10)

Kati Rán – “LYS”
2025 – Svart Records

Hipnótico, magistral, ancestral. Poderia estar aqui a despejar indeterminadamente uma série de adjectivos que ainda assim seriam insuficientes para ilustrar a viagem ao passado que é este trabalho de Kati Rán. Viagem ao passado ancestral e também ao passado da carreira da compositora, vocalista e multi-instrumentista. A celebrar dez anos, foi disponibilizado agora de forma física este trabalho incontornável do dark folk. Uma nova oportunidade para viajar no tempo da melhor forma: com a música. (9/10)

Alestorm – “The Thunderfist Chronicles”
2025 – Napalm Records

Os nossos piratas escoceses favoritos estão regresso para mais festa à maneira Alestorm. Apesar de ser notório que nada mudou, à primeira vista, temos a sensação de que a costela folk está mais acentuada – malhas como “The Storm” mostram isso mesmo. Seja como for é diversão sem parar, com o habitual absurdo omnipresente seja nas “Banana” e “Frozen Piss” ou até mesmo a absurdamente épica “Mega-Supreme Treasure of the Eternal Thunderfist”, que é o tema mais longo da carreira da banda, a atingir quase vinte minutos e assumir-se como o tema central deste seu sétimo álbum. (8.5/10)

Vetus Sanguis – “Capítulo I – Dimensão Horrenda”
2025 – Helldprod

Já todos nós ouvimos tudo o que havia para ouvir de black metal desde a década de noventa, certo? Sobretudo quando na viragem do milénio, o underground nacional explodiu com centenas de projectos novos, alguns deles que marcaram o cenário europeu (e porque não dizer, mundial) do estilo. Posto isto, será que ainda precisaríamos de mais uma one-man band de black metal cru a surgir nos escaparates? Talvez não, mas talvez também não soubessemos que iríamos precisar de um álbum assim. Cru, com o riff a criar toda a ambiência necessária e aquele espírito clássico da segunda vaga que todos (ou quase todos) sentem como a primeira. Um bom primeiro álbum. (8/10)

Strategy – “Love Tactics”
2025 – Metalopolis

New Wave Of German Melodic Rock. Foi o que saltou à vista ao ler o comunicado de imprensa. O que é natural, no meio de tantos lançamentos diários, há que fazer sobressair o produto no meio da enchente que o mercado nos dita. Os Strategy têm um som nostálgico que grita por todos os poros “década de oitenta”. Mas soa bem, soa muito bem. Sendo auto-produzido pela banda, tem ainda mais valor, com o seu som a ser mais cru do que se esperaria, apesar de se inserir na prateleira do AOR. Bom álbum. (7.5/10)

Black Coven – “Tomorrow I Die”
2025 – Edição de Autor (Moonlight Productions)

Inicialmente não fiquei impressionado com os Black Coven. A banda austríaca parecia ir buscar aquele espírito da segunda metade da década de noventa onde o black e o death fundiam-se numa amálgama midtempo cujo resultado era apenas aborrecido. E embora tenhamos isso aqui, a parte do aborrecido depressa se dissipa passadas algumas vezes. E até o midtempo não é omnipresente. Uma boa surpresa e um EP que nos faz ter curiosidade em relação ao futuro. (7/10)

M.U.T.T. – “Toughest Street In Town”
2025 – Quiet Panic Records (Earshot Media)

Punk rock sujo e agressivo, mas sem perder de distância a ligação ao bom e velho rock’n’roll que aqui até surge com uma costela bastante noise. Curiosidade para alguns títulos reconhecíveis como “Runnin’ With The Devil”, “Sweet Emotion”, “Living After Midnight”, “Dazed And Confused” e “Breaking The Law”. E não, não são covers. Barulho à boa maneira antiga. (6/10)

The Infernal Deceit – “The True Harmful Black”
2025 – Personal Records 

Foi o nosso primeiro contacto com os The Infernal Deceit e ficámos logo rendidos. Poderíamos dizer que foi pela aura a Dissection que tresandam destes riffs e melodias em tremolo picking , mas na realidade foi por isso nos surgir de forma original. Ou seja, as mesmas armas, mas utilizadas de uma forma nova (para os nossos ouvidos). Black/death metal viciante desde o primeiro momento num álbum absolutamente brilhante. E absolutamente recomendado. (9/10)

Alcantara – “Tamam Shud”
2025 – Edição de Autor

Os Alcantara foram uma boa revelação. A sonoridade é claramente progressiva mas está longe de ser previsível. Temos elementos clássicos do estilo, mas também temos uma forte componente ambiental assim como uma abordagem mais moderna, de forma extremamente subtil. De Pink Floyd a Airbag e Riverside, este é um álbum de música cheia de classe para gostos requintados. (8.5/10)

Monumentum Damnati – “From Beyond”
2025 – Edição de Autor

Os misteriosos Monumentum Damnati estão de volta para o seu segundo álbum. A sua sonoridade melódica e sinfónica insere-se na componente death/doom metal, embora algumas das ambiências sugiram o black metal melódico. Apesar de ser um subgénero sobrepovoado, e de ser cada vez mais complicado sobressair na multidão, os Monumentum Damnati trazem muito bom gosto com este novo conjunto de composições e conseguem resultados bem satisfatórios. (8/10)

Hell – “Submersus”
2025 – Sentient Ruin Laboratories

Não há como falhar, no que diz respeito ao doom metal sujo (javardo mesmo) que os Hell – one-man band de M.S.W. apresenta neste seu quinto longa-duração. O groove ameaçador surge através da distoração avassaladora que se sobrepõe a tudo. Não sendo o género mais sorridente do mundo – o que promova o sentimento de felicidade – não deixa de ser algo digno de ser ouvido com um sorriso nos lábios, como se estivessemos a ser observados pelo abismo sem nos importar que ao mesmo tempo estivéssemos a ser engolidos pelo mesmo. (7.5/10)

Warrior Pope – “A Morbid Parody of Justice”
2025 – Edição de Autor

Os Warrior Pope contactaram-nos para fazermos uma review deste que é o seu quarto álbum, produzido e lançado totalmente no formato DIY. O facto de nos chegarem do Reino Unido – para nós, o lar por direito do Doom Metal, a sonoridade que escolheram – foi apenas um simples chamariz para conseguirem cativar-nos. Apesar do seu som não ser de fácil interiorização, há realmente aqui algo que merece ser conferido. Os ambientes negros e desoladores, a produção crua que apesar de poder ser subentendida como um defeito acaba por lhe dar um charme extra, e a dinâmica da sua sonoridade que por vezes vai para além do simples doom. Há aqui potencial. (7/10)

Nerv – “Lost”
2025 – Edição de Autor (O’Donnel Media Group)

Não é novidade para ninguém que há por estes lados alguma resistência em apreciar coisas modernas. Não apenas por serem modernas, mas porque isso é sintomático de lugares comuns que foram aprimorados ao longo dos anos ao ponto de parecer uma linha de montagem numa fábrica, deixando pouco espaço para a individualidade e originalidade. E sim, podemos apontar esses mesmos “defeitos” a este EP. No entanto é inegável que essa mesma fórmula resulta. Estes temas são catchy e agarram a nossa atenção. Perdura na memória? Provavelmente não, mas ainda assim a qualidade está presente. (6.5/10)

Sakal – “II”
2025 – Edição de Autor

Como o nome indica, segundo trabalho dos sérvios Sakal. Quando já ouvimos muita coisa (muita mesmo) dentro do black metal, fica difícil não nos refugiarmos nos clássicos e criar uma barreira natural em relação a tudo o que é novo. E quando há algo ou alguém que consegue rasgar essa barreira natural, é porque estamos perante algo especial. E este é definitivamente um álbum especial. Violento, frio mas ao mesmo tempo cheio de riffs e melodias marcantes. Um daqueles álbuns que surge raramente e que vale a pena guardar. (9.5/10)

Jordfäst – “Blodsdåd Och Hor”
2025 – Black Lion Records

Terceiro álbum dos suecos Jordfäst que continuam na senda do black metal old school, ainda que o apresentem sempre com uma dose generosa de melodias épicas mesmo em músicas que não passam dos quatro, cinco minutos. Poderá demorar a capturar a atenção de alguém que procura por algo mais bombástico mas para quem gosta daquela atmosfera nórdica única e de boas malhas, recomendado conhecer. (8.5/10)

Death Kommander – “Never To Grow Old”
2025 – F.D.A. Records

Os Bolt Thrower estão de volta? É o que se sente logo com o tema inicial “Bayonet Drill”. Este segundo álbum dos Death Kommander tem tudo para agradar aos fãs da mítica banda britânica, estando os próprios Death Kommander sediados no Reino Unido. Death metal cru, com aquele groove bolthrowiano, onde a temática bélica omnipresente, e com muita qualidade. Algo que nos faz esquecer uma eventual falta de originalidade. Recomendadíssimo. (8/10)

Debunker – “Hounds Of Earth”
2025 – Edição de Autor

Sempre um enorme prazer quando temos bandas portuguesas que nos procuram como referência para ouvirmos e opinar sobre a sua música. Os Debunker já existe desde 2009 e começaram no thrash metal, apresentando agora uma vasta panóplia de argumentos que tornam a tarefa de discernir um género exacto onde se inserem mas também torna a sua música um pouco mais desafiante, seja por laivos groove, progressivo ou até mesmo próximo do punk. Vale tudo. O resultado é um álbum longo com muitos momentos de relevo. (7.5/10)


Scott Evil – “Big Dipper”
2025 – Spinda Records

Trabalho de estreia dos alemães Scott Evil, lançado pela editora espanhola de referência nos meandros do rock alternativo, Spinda Records. Sendo que rock alternativo é muito vasto e paradoxalmente redutor em relação à música, podemos dizer que a costela shoegaze é bastante forte. Há aqui uma atmosfera muito característica do post rock, com uma voz etérea que nos eleva o espírito de uma forma melancólica. Boa estreia. (7/10)

Limberlost – “Beautiful Scars”
2025 – Edição de Autor (O’Donnel Media Group)

Há duas formas de encarar a música dos Limberlost, a positiva e a negativa. Como já sabem por esta altura quem nos acompanha, nós preferimos sempre olhar para o copo meio cheio em vez de meio vazio. O facto de ser um som moderno, com algumas características pop é mitigado pela qualidade das composições em si e sobretudo pelo carisma da voz de Brittany Lauren. Apesar de não surpreender, cativa. É o que basta. (6.5/10)

Assassin – “The Upcoming Terror”
1987/2024 – High Roller Records

Os Assassin são sempre um pouco esquecidos e subvalorizados quando se fala de thrash metal teutónico. Compreende-se que em termos de carreira, não se possam comparar a outros nomes como Kreator e Destruction, no entanto este álbum de estreia é um dos clássicos que o estilo germânico tem para oferecer, na mistura equilibrada entre a agressividade crua e algum virtuosismo técnico. Obrigatório em qualquer audioteca que se preze e esta reedição por parte da High Roller Records é mais uma oportunidade para o ter remasterizado em vários formatos, cd, cassete e vinil. (9/10)

Unverkalt – “A Lump Of Death: A Chaos Of Dead Lovers”
2023 – Argonauta Records (Viral Propaganda)

Não é fácil definir aquilo que os Unverkalt fazem. Podemos dizer de forma fácil que é alternativo pelo simples facto de não encaixar totalmente no post rock ou post metal mas a realidade é que pendemos muito mais para estes dois subgéneros do que propriamente algo tão geral como alternativo. A falta de abrasividade na voz Dimitra Kalavrezou poderá afastar-nos do post metal, mas o factor hipnótico e sedutor que a mesma exerce principalmente na criação de uma atmosfera muito própria poderá fazer com acabe por ser mesmo o rótulo que melhor lhe assenta. Um sentimento etéreo que soa como um sonho mas sem esquecer a melancolia que está omnipresente ao longo destes sete temas. No final, um disco para levarmos connosco de 2023. (8.5/10)

Asphodelus – “Sculpting From Time”
2023 – Hammerheart Records

Regresso dos finlandeses Asphodelus que trazem o seu doom/death metal clássico com um cheirinho a noventas bem intenso, apesar de ter sido lançado em 2023. O que poderia significar um problema, por soar desfasado daquilo que se faz actualmente, acaba por ser um ponto de interesse acrescido. Melodia, melancolia e peso, a santa trindade para termos um doom/death memorável. Que é precisamente o que temos aqui (8/10)

Assassin – “Interstellar Experience”
1988/2024 – High Roller Records

“The Interstellar Experience”, o segundo álbum dos Assassin, não é tão impactante ou até memorável como a estreia, mas ainda conserva todos os elementos que fizeram de “The Upcoming Terror” um clássico. Faltam-lhe apenas mais alguns temas (e fortes) para disfarçar a sensação de que se trata de um trabalho lançado à pressa para aproveitar o impacto da estreia lançada no ano anterior. Esta reedição foi remasterizada e está disponível em CD, Cassete e vinil, tal como a já mencionada estreia. (7.5/10)

Reincidentes – “Nunca Es Tarde… Si La Dicha Es Buena”
1994-2025 – Demons Records

Reedição em vinil deste álbum clássico dos sevilhanos Reincidentes que apresentam um rock apunkalhado cheio de letras que vão do humor à contestação social. Serviço público por parte da Demons Records, em perdurar a memória de bandas e neste caso álbum, que poderiam ficar fechados no tempo e votados ao esquecimento. Vale a pena conhecer. (7/10)

Furious Descent – “Judgement Day”
2023/2024 – Brutal Records

Trabalho de estreia dos finlandeses Furious Descent que apresentam um crossover musculado mas sem grandes rasgos de genialidade. E isso não é mau, não é preciso estarmos sempre presentes perante a maior obra de arte que o mundo já viu ou ouviu, até porque no final, tendo em conta a quantidade de lançamentos que temos, o mais certo é ficar tudo esquecido. “Judgement Day” é competente, tendo alguns pontos de melhoria na forma – a produção está longe de ser fantástica. Vale a pena conferir, mais que não seja para ouvir uns finlandeses que mais parecem nova-iorquinos. (6/10)


Support World Of Metal
Become a Patron!

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.