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Predominance #23 – Neurosis, Black Label Society, Blood Red Throne, Lamb Of God, Judas Priest

Jorge Pereira é um amante de música pesada e de cinema. Colabora com a World Of Metal e tem o seu próprio covil de reviews – Espelho Distópico. Predominance é a sua coluna onde nos vai trazer reviews todos os meses.

Neurosis – “An Undying Love For A Burning World” – Afinal eles estão “vivos”. O regresso de uma das maiores bandas de culto do metal seria sempre um motivo de celebração mas quando esta banda se chama Neurosis esse retorno ganha contornos de incredibilidade, nem o fã mais optimista da banda sonhava com este regresso até porque não houve qualquer tipo de sinal que o fizesse prever, até nisto os Neurosis se diferenciam dos demais. E é precisamente o primeiro ponto a reter acerca de ‘An Undying Love for a Burning World’, a genuinidade da banda continua perfeitamente intacta, nem a abrupta saída de  Scott Kelly por troca com Aaron Bradford Turner a conseguiu abalar. ‘An Undying Love for a Burning World’ não é necessariamente a sucessão lógica de ‘Fires Within Fires’, nem nunca poderia ser até porque entretanto passaram dez anos, mas sim um equilíbrio cirúrgico de praticamente todas as texturas sonoras que a banda foi acumulando ao longo dos anos. A atmosfera desoladora, a montanha-russa emocional, os clímaces de riffs sujos e monolíticos, tudo está presente em ‘An Undying Love for a Burning World’. Depois de verem o Post-Metal a proliferar cada vez com mais força os grandes precursores do mesmo voltam finalmente ao activo com um álbum que para além de respeitar o seu próprio legado renova a  formidável maturidade composicional e originalidade da banda. (8/10)

Black Label Society – “Engines Of Demolition” – Cinco anos depois de ‘Doom Crew Inc.’ Zakk Wylde está de regresso com o décimo segundo álbum de originais dos Black Label Society intitulado ‘Engines of Demolition’. Já com um surpreendente retorno ao nosso país marcado para 2027 os Black Label Society vão certamente trazer na bagagem este ‘Engines of Demolition’, a meu ver o melhor álbum da banda desde ‘Order Of The Black’ (2010). Se até ‘Order Of The Black’ a carreira da banda está recheada de álbuns consistentes e entusiasmantes já depois do mesmo isso nunca mais se verificou, eu diria que nos ultimos tempos os Black Label Society têm vindo a colecionar um punhado de álbuns desinteressantes e discretos e ‘Engines of Demolition’ vem finalmente mudar essa tendência. A identidade sonora da banda é praticamente imutável, um Southern Heavy Metal corpulento e inflamado pelo Groove quase permanente que Zakk Wylde tanto estima. Todavia o incremento qualitativo promovido por ‘Engines of Demolition’ não provem de nenhum experimentalismo nem sequer do reconhecido virtuosismo de Wylde mas sim da sua inspiração nas composições musicais  talvez influenciado pelas recentes tours com os Pantera, o que é indiscutível é que ‘Engines of Demolition’ contem uma energia e uma dinâmica como já há algum tempo não se via e malhas formidáveis como ‘Broken And Blind’, ‘The Gallows’ ou ‘Lord Humungus’ comprovam-no sem margem para duvidas. Concluo com a referência ao tema que encerra ‘Engines of Demolition’, ‘Ozzy’s Song’, a inevitável homenagem ao seu amigo de longa data e companheiro de armas Ozzy Osbourne exibindo assim o lado mais emocional de Zakk Wylde. (8/10)

Blood Red Throne – “Siltskin” – Estes nunca enganam ao que vêm, desde o primeiro segundo de ‘Siltskin’ que percebemos que a destruição veio para ficar. A sua identidade está mais que vincada, é verdade que podemos acusar os Blood Red Throne de previsibilidade sim mas nem tudo tem necessariamente que ser inovador ou fora da caixa. A fundamentada acusação de falta de originalidade pode-se quase sempre contra-argumentar com honestidade e fidelidade musical e parece-me que os Blood Red Throne fazem da consistência e da perícia na execução as suas grandes forças sem nunca se proporem a reinventar a roda. ‘Siltskin’, o seu décimo segundo álbum de originais valida mais uma vez o quinteto Norueguês como uma das mais sólidas bandas no domínio do Brutal Death Metal eu diria que por esta altura já herdaram o seu espaço no prestigiado quarteto composto pelos Nile, Bloodbath e Benighted (cada uma no seu âmbito particular). Os destaques de ‘Siltskin’ são tão costumeiros que na verdade podiam-se aplicar a qualquer álbum da banda, riffs viscerais e dilacerantes acompanhados de ritmos de bateria que quase parecem inumanos tal não é poderio da repetibilidade. Enfatizo as faixas  ‘Necrolysis’ e ‘On These Bones’, mais dois excelentes espécimes da impetuosidade desta singular força centrifuga que são os Blood Red Throne. (8/10)

Lamb Of God – “Into Oblivion” – Com uma recente e impactante passagem pelo nosso país no primeiro dia do Vagos Metal Fest os Norte-Americanos Lamb Of God têm tido um 2026 bastante activo consequência directa do lançamento do seu décimo álbum ‘Into Oblivion’ no passado mês de Março. Quatro anos de de ‘Omens’ voltamos a ser atingidos por esta enérgica e imparável vaga de agressividade com ‘Into Oblivion’. Nada de novo no que diz respeito à sua identidade musical, o habitual Groove/Tharsh Metal dinâmico e orelhudo alternando a vertigem com os deliciosos breakdowns sempre acompanhados pelas vocalizações cáusticas e ferozes do inconfundível Randy Blythe. Não posso deixar de mencionar que ‘Into Oblivion’ não está exatamente ao mesmo nível que o já referido ‘Omens’ ou o seu álbum homónimo ‘Lamb Of God’ contudo fica sempre bem salientar que este quinteto originário da Virgínia apresenta invariavelmente um nível assinalável de qualidade em cada álbum, ou seja, uma consistência rara e invejável. Destaco os temas ‘St. Catherine’s Wheel’, ‘Blunt Force Blues’ e ‘A Thousand Years’ para os mais nostálgicos num álbum onde se nota a ausência de uma faixa daquelas com potencial para se transformar num clássico instantâneo. (7.5/10)

Judas Priest – “Jugulator” – Esta vai ser polémica, não porque vamos analisar um álbum de Judas Priest mas porque álbum esse é o precisamente o álbum da controvérsia, ou seja, ‘Jugulator’. Os Judas Priest, pioneiros no New Wave of British Heavy Metal (NWOBHM) foram umas primeiras bandas a porem o Metal no mapa e  marcaram em definitivo as décadas de 70 e 80 todavia o seu maior sucesso acaba por ser precisamente em 1990 com o álbum ‘Painkiller’. Dois anos mais tarde e que sem nada o fizesse prever Rob Halford o seu vocalista e icónico frontman abandona a banda, contudo após sete anos de hiato os Judas Priest contratam o desconhecido Tim “Ripper” Owens (ele que cantava numa banda de covers de…Judas Priest) para substituir o insubstituível Rob Halford e surge finalmente o sucessor de ‘Painkiller’, o mal amado ‘Jugulator’. ‘Jugulator’ desde cedo dividiu opiniões até porque a banda não se limitou a mudar “apenas” de vocalista mas também a abordagem e até o estilo musical. Em ‘Jugulator’  o quinteto oriundo de Birmingham abandona por completo o Heavy Metal Clássico (NWOBHM) que os caracterizava até então para fazer um all-in num Thrash Metal carregado de Groove que fervilhava no final dos anos 90. Todavia à parte dos dogmas e das acusações de deslealdade ao legado da banda e analisando o álbum apenas pelo seu valor intrínseco estamos na presença de excelente álbum marcado por um fantástico trabalho de guitarras dos mestres K.K.” Downing e Glenn Tipton com afinações muito mais graves sem nunca descartarem os habituais solos e uma palavra para a incrível prestação do estreante  Tim “Ripper” Owens, ele que tinha a inglória missão de render uma incontestável lenda do Heavy Metal. É complicado destacar temas num álbum tão solido e uniforme mas posso mencionar ‘Blood Stained’, ‘Dead Meat’, ‘Abductors’ ou a avassaladora ‘Bullet Train’.  A “aventura” de “Ripper” Owens duraria pouco pois em 2003 Halford voltava para os Judas Priest enquanto Owens ingressava nos Norte-Americanos Iced Earth. (8/10)

 


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