Raios E Trovões – Tradição ou Transição?

Por Lex Thunder (Toxikull)

Ultimamente ando em busca de uma resposta para a questão do formato físico vs formato digital e deparo-me sempre com várias questões, contradições e respostas que trazem mais questões.

Continuará a fazer sentido nos dias que correm o investimento no processo todo de produção/ edição de um álbum/vinil?
Qual a percentagem de pessoas que ainda ouvem CDs?
  Que espaço existe no futuro para o formato físico? Devemos apostar mais na transição ou manter a tradição?

Antes de começar a formular a minha opinião, devo recordar que tenho 27 anos e que a minha visão advém das experiencias que observo e vivo, tendo em conta a minha geração, e das pessoas que me rodeiam. Talvez quem tenha nascido antes poderá ter uma visão diferente, e quem tenha nascido depois uma visão ainda mais diferente.

Vamos começar por olhar para o presente que é a base de construção do futuro.

A popularidade dos artistas hoje em dia é baseada nas visualizações ou audições das plataformas de streaming. Porquê?
Porque quantos mais streamings uma musica tiver, significa que na realidade essa música foi mais vezes ouvida pelos seus fãs. (Se são fãs reais ou não, isso já será outro tema).

Assumimos então que no geral a rentabilidade de um artista é medida nessas visualizações e que estas plataformas além de ser uma maneira de ouvirem a tua música são também uma ferramenta de medição de sucesso. Não digo que concordo, mas a realidade pura e crua é que é assim que as editoras, promotoras e toda a indústria musical mede e avalia assim as bandas nos dias que correm. (Quem já tentou ir tocar a um festival internacional percebe o que estou aqui a falar)

Estas “livrarias digitais” apoderaram-se também de todos nós e tornaram-se na maneira mais comum de consumir musica.

Eu próprio confesso que a maior parte dos CDs que compro de bandas, estão quase todas da minha estante por abrir, estando lá só como peças de coleção.
Os carros modernos não tem já leitor de CD, nem os computadores novos. E sempre que quero ouvir música de bandas que gosto, vou ao Youtube, ou á Apple music. Posso garantir que como eu há muitos e que as gerações a seguir á minha, nem como coleção compram CDs.

Tendo em conta estes argumentos poderíamos pensar que o formato físico de qualquer género está em vias de extinção.

E no Metal? Vamo-nos virar para o nosso género, pois funciona de maneira um pouco diferente.

De onde é que as bandas de Metal conseguem retirar algum lucro a curto prazo?

Sim, através da venda de CDs, de vinis e de Merch. Não é através dos milésimos de cêntimos ganhos por streamings diretos.

Isto quer dizer o que? Que afinal ainda há quem compre e consuma musica no formato físico. Mas durará isto muito tempo?

Um factor muito importante:

55% dos utilizadores totais do Spotify (ou seja, a maioria) estão na faixa etária até aos 34 anos. No Metal creio que acontece o inverso, que a maioria dos ouvintes do género estão na faixa etária dos 34 para cima. Alem do fator idade, o fã de Metal é um individuo romântico, fiel ao seu culto, e geralmente apaixonado pela mística da coleção e isto talvez isto faça o Metal ser a exceção á regra, e a anti moda.

Mas será isto suficiente para a rentabilidade do formato fisico? Creio que não. Mesmo que seja rentável por agora, é muito efémero e não durará para sempre. Gerações  futuras alheias ao culto do formato fisico irão ocupar o lugar das gerações que ainda o fazem.

Sendo assim qual a melhor opção?
Não tenho resposta, pois ainda me encontro a apalpar terreno. Mas a algo me diz que a moderação é a chave (para variar).

Adaptar para sobreviver e manter o nosso mundo.

Somos dos únicos géneros que ainda vende formatos físicos, ou seja, dever-se-á ver o CD como merchadising para o tornar rentável hoje e no futuro.

De maneira a que gerações mais velhas o consumam como música nas suas aparelhagens e leitores de vinis, e as gerações mais novas o consumam como merchadising mas não como fonte principal de consumir musica.

Utilizar este novo mundo para chegar a novos ouvintes mais facilmente, transforma-los assim em novos fãs, e por consequência fazer chegar o físico (como merch) a todas as gerações ao mesmo tempo que se vinga nas novas.

Será este o caminho?

Não sei ainda, mas vou experimentando, certamente voltaremos a falar sobre isto daqui a uns anos.


 

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