Reportagem Graveyard, The Quartet Of Woah! @ Lisboa Ao Vivo, Lisboa – 25/11/2017

“Rock’n’roll ain’t gonna die!”, assim dizia as imortais palavras de Brian Johnson no final do clássico álbum “Back In Black”, o segundo álbum mais vendido de sempre. Para quem tinha dúvidas desse facto, foi uma das poucas pessoas que não compareceu na sala Lisboa Ao Vivo, porque a mesma revelou-se cheia para receber os suecos Graveyard. E o sinal de que o rock está bem vivo é mesmo o facto de termos numa das melhores salas de Lisboa um público ávido de uma sonoridade que tem mais em comum com a década de setenta do que propriamente com aquilo que vemos hoje em dia por todo o lado. Apenas mais um facto que atesta à longevidade de um género e à qualidade não só dos Graveyard como também dos nossos The Quartet Of Woah!, uma banda que é representante da qualidade que temos neste segmento.

Foi por eles que a noite começou e não poderia ter começado da melhor maneira. Confesso que tínhamos curiosidade em ver o seu concerto, já que seria a primeira vez que o iríamos fazer após o lançamento do seu segundo e ambicioso álbum. Sendo esse trabalho auto-intitulado composto por apenas quatro longas músicas, foi uma boa surpresa termos a oportunidade de ouvirmos dois delas. Foi com “As In Life” que o quarteto lisboeta abriu a sua actuação e não poderia ter sido feita melhor introdução ao seu mais recente trabalho. Um tema enorme em todos os sentidos, seminal na forma como mostra as várias facetas da banda, com um peso clássico, um grande teor progressivo a relembrar nomes como Pink Floyd e Yes caso eles usassem e abusassem da distorção. E claro que ver como o seu rock interage fisicamente com quem o toca é sempre um espectáculo à parte, principalmente Gonçalo Kotowicz, vocalista e guitarrista.

O passado não ficou esquecido e teríamos direito a duas incursões pelo primeiro álbum, com a “The Announcer” e “Taste Of Hate” a fazerem a representação de “Ultrabomb”, o álbum de estreia dos da banda. Ainda recebemos um brinde: a apresentação de um tema novo, que estará presente no terceiro álbum da banda – tal qual como na década de setenta, as bandas começavam a rodar os novos temas ao vivo muito antes dos mesmos surgirem em disco. Infelizmente não conseguimos perceber o título da nova música mas podemos dizer que é uma mistura entre o espírito do primeiro trabalho com o do segundo. Se por um lado tem aquela imedietez dos temas de “Ultrabomb”, por outro lado parece seguir a orientação mais progressiva de “The Quartet Of Woah!”, fazendo uma mistura perfeita.

E por falar em “The Quartet Of Woah!”, foi precisamente desse segundo trabalho que veio o tema que colocou um ponto final à sua actuação – “Days Of Wrath”, que é também o tema que fecha o álbum tal como “As In Life” é o tema que o abre. Um épico de mais de dez minutos que nos embalou a todos por paisagens psicadélicas de rock pesado e bem distorcido, stoner style, e que embora nos aponte para outras épocas não deixa de estar bem inserido nos tempos em que vivemos. Esse é sem dúvida uma das grandes mais valias da banda lisboeta. Foi uma actuação bem sólida e perfeita para anteceder os senhores que se viriam a seguir. A banda não se cansou de agradecer, através da voz de Gonçalo, pela presença do público e pela sua próxima presença naquele palco. Algo que se notou muito bem pela sua entrega.

Após uma dolorosa espera, atenuada por uma curiosa mas acertada escolha de música que entretia o público, finalmente os Graveyard subiram ao palco. A banda sueca pode apenas ter editado quatro álbuns em dez anos e “Innocence & Decadence” pode já ter sido editado em 2015 mas isso não impediu da ansiedade que o público lisboeta tinha para vê-los fosse menor. Terá, no entanto, alguma influência, o facto da banda ter acabado em 2016 e voltado no início do ano. Com isso em mente, talvez seja a razção que a banda decidiu iniciar o seu concerto com um tema atípico. “Slow Motion Countdown” entrou de forma suave, com aquele jeito característico dos Graveyard de nos arrastar para o espírito blues – espírito esse que viria a estar omnipresente nesta noite – e para nos embalar. Uma tarefa conseguia sem grandes dificuldades.

Apesar do último álbum, o já citado “Innocence & Decadence”, ter sido o mais focado (com seis temas representados), os Graveyard também passearam por toda a sua discografia, facto que não aborreceu em nada o público presente, que recebeu de forma igualmente entusiasta um tema como “The Apple And The Tree”, com o seu feeling rock bem clássico tal como um furioso “Hisingen Blues”, tema-título do segundo álbum da banda. No que nos diz respeito, um dos momentos altos foi sem dúvida a rendição de “Too Much Is Not Enough”, um sentido blues, cheio de sentimento contagiante – porque o blues não é uma questão de técnica, é uma questão de alma, e aqui nesta banda e principalmente neste tema, temos disso aos molhos.

É desta riqueza de contrastes mas de uniformidade de amor ao rock clássico que a actuação dos Graveyard se baseou mas também algo que foi uniforme foi a forma como o público os recebeu, sempre de forma entusiasta, em autêntica festa nos temas mais mexidos como “Goliath” e principalmente “Ain’t Fit To Live Here”, que “obrigou” a plateia a bater palmas, a acompanhar o ritmo da música. Este tema foi o que antecedeu o encore, deixando a sensação no ar de duas hipóteses: ou o tempo estava a passar demasiado rápido ou então a banda estava a tocar poucas músicas. Tendo em conta que já tínhamos ouvido treze temas, teríamos que aceitar que estávamos a viver a velha máxima “time flies when you’re having fun”.

Para o final ficaram reservados mais três temas: “Unconfortably Numb” (piscadela de olho no título aos Pink Floyd e na música aos Lynyrd Skynyrd), “Evil Ways” (do primeiro álbum auto-intitulado, o único tema representado aqui desse trabalho) e a finalizar a noite, “Siren” cantada em uníssono pelo público e banda, perfeitamente apropriada para a grande noite que se tinha vivido. Banda saiu satisfeita e o público em êxtase, perfeitamente convicto que, tal como Brian Johnson tinha cantado em 1980, “rock’n’roll just ain’t gonna die”. Com este calor nos corações, era tempo de voltar para o frio da rua, mas com um sorriso nos lábios.

Texto por Fernando Ferreira
Foto por Sónia Ferreira
Agradecimentos Prime Artists

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