Reportagem Omnium Gatherum, Skálmöld, Stam1na @ RCA Club, Lisboa – 03/11/2017

Portugal poderá estar no fim da Europa para alguns (para outros, onde nos incluímos nós, está no início) mas isso não significa que não esteja na rota das grandes digressões. A que nos levou ao RCA Club no dia 3 de Novembro, “The Arctic Circle Alliance” que reuniu os Omnium Gatherum, os Skálmöld e os Stam1na. Um pequeno problema com os canos – provavelmente fruto da forte chuvada que tinha caído durante o dia, principalmente durante a tarde – fez com que a abertura das portas fosse ligeiramente adiada mas nada significativo para o início das hostilidades em si.

Os primeiros a subir aos palcos do RCA foram os finlandeses Stam1na. Confessamos que apesar da longa carreira da banda, estes finlandeses eram-nos um pouco desconhecidos. Nada que uma actuação cheia de gás não tenha resolvido fazendo com que esta fosse a melhor das apresentações. O primeiro impacto dos seus temas cantados na língua nativa dos Stam1na foi como se estivéssemos perante aquela energia quase inesgotável que os Children Of Bodom transmitiam no início da sua carreira. Thrash/death metal com toques de heavy metal tradicional que imediatamente se conectou com o público ávido de emoções fortes.

“Pala Palalta” foi um dos grandes momentos da sua actuação e uma boa representação do seu poder. Apesar de não terem um som tão definido como aquilo que o seu som exige – alguns pormenores acabaram por ficar um bom embrulhados na mistura – ainda conseguimos absorver excelentes detalhes técnicos da prestação de Pekka “Pexi” Olkkonen na guitarra solo. O público foi bem pescado pela performance dos Stam1na e demonstravam estar muito bem dispostos, sempre a trocar piadas entre si e o público. A reacção foi bem entusiasta o que não admira terem confessado ter sido o melhor público que tiveram em toda a digressão – pode ser algo que digam todas as noites, em todos os palcos onde tocam mas pareceu-nos sincero.

Se a reacção foi boa com os Stam1na, rebentou a escala com os islandeses Skálmöld. De tal forma que quem chegasse naquele momento e não tivesse conhecimento das posições das bandas no cartaz, poderia julgar que estava perante a banda principal. Não só a reacção foi mais efusiva como a própria qualidade de som estava superior. Com um ataque triplo de guitarras e com todos os detalhes a serem perceptíveis de forma cristalina, o metal folk e pagão da banda levou ao rubro uma sala muito bem composta do RCA Club.

Confessamos que quando analisámos no ano passado o último álbum da banda, “Vögguvísur Yggdrasils”, que não ficámos muito impressionados, pelo que neste primeiro contacto com os islandeses ao vivo serviu como aprendizagem para ficarmos cientes que por vezes aquelas músicas que não nos tocam quando registadas em estúdio, tem um impacto totalmente diferente em cima de um palco. Apesar de ter sido a nossa primeira vez, não foi a primeira vez dos Skálmöld, que revelou ser muito bom estar de volta depois de dois anos de ausência. “Höndin Sem Veggina Klórar” (novo tema, retirado do split com os Omnium Gatherum), “Með Drekum” e “Kvaðning” (que encerrou com chave de ouro um enorme concerto) foram alguns dos grandes destaques de uma banda que terá que obrigatoriamente voltar ao nosso país, quem sabe em nome próprio.

A mudança palco foi rápida e antes que nos apercebêssemos, já estava a soar a intro para o início do concerto dos Omnium Gatherum. “Luoto” foi o tema com que iniciaram a sua actuação e surpreendeu-nos pela forma como o público parecia algo apático. Não é que tenha sido uma recepção de indiferença. Apenas mais comedida em relação ao que tínhamos acabado de presenciar com os Skálmöld. A banda não acusou o toque e conseguiu aos poucos ir conquistando o público de forma a receber a energia devida. Em termos sonoros, existiram algumas flutuações, principalmente na voz de Jukka Pelkonen que nos primeiros temas estava algo sumida em comparação com os restantes instrumentos.

Jukka tem em cima do palco uma abordagem curiosa. Para quem observá-lo sem ouvir o que ele está a cantar, poderá pensar que se está perante uma qualquer proposta de rock/pop. Se poderá confundir por um lado os apreciadores do lado mais extremo da música, por outro é inegável que é uma forma bastante afável de agarrar o público – principalmente com o seu jogo constante com os devil horns com os membros do público mais próximos do palco. Tivemos portanto direito a brilhantismo técnico (principalmente por parte de Markus Vanhala, guitarrista solo e que já tinha estado em Portugal recentemente com os Insomnium – e que também voltará no próximo ano com essa mesma banda), a boa disposição e, claro, a death metal melódico da mais alta qualidade.

Depois de um encore excepcional, com uma “Ego” e uma “Stormfront” fortíssimas, a banda encerrou a sua passagem por Lisboa em alta e prometeu voltar, algo que poderemos assegurar que irá acontecer de certeza pelas reacções do público no final. Poderá não ter um impacto tão grande como os Skálmöld mas definitivamente que não desilude os seus fãs. A avaliação final para esta noite nórdica de metal é bem positiva onde tivemos oportunidade de presenciar três bandas diferentes entre si mas que de certa forma complementam-se e oferecem uma perspectiva bastante alargada para quem não dispensa a mistura entre a melodia com a música extrema. Noites desta qualidade são sempre bem vindas

Reportagem por Fernando Ferreira
Fotos por Sónia Ferreira
Agradecimentos a Napalm Records e Amazing Events

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