Reportagem The Atomic Bitchwax, It Was The Elf @ RCA Club, Lisboa – 27/11/17

Segunda-feira à noite poderá não ser o melhor momento para um concerto. Afinal, a semana acabou de começar, primeiro dia de trabalho. A última coisa que apetece é voltar a sair de casa para o frio e para a chuva, mesmo que o frio não seja muito e a chuva não passe de uns pingos. Foi com esta curiosidade que chegámos próximo da hora da abertura das portas e verificámos que fomos os primeiros a chegar. A preocupação passou-nos pela cabeça, admito, no entanto, isso não diminuiu o nosso interesse, afinal, estávamos perante a presença de um dos nomes maiores do stoner norte-americano, The Atomic Bitchwax, aliada a um excelente nome do underground nacional, os It Was The Elf.

Felizmente foi apenas susto porque o público foi chegando aos poucos, ainda que a frente do palco ainda tivesse algo despida quando os It Was The Elf subiram ao palco. Não haveria qualquer problema já que o som da banda da Serra da Estrela seria mais que suficiente para encher um vale inteiro de vazio. Um som épico e poderoso que não poderia ter sido melhor abertura para o que se revelou ser um festim das sonoridades mais primordiais e groove do heavy metal.

Com um peso enorme e com uma voz carregada de efeitos, este quinteto serrano foi mesmo uma excelente surpresa e acreditamos que tenha sido igualmente o chamariz para as pessoas porque a sala foi-se compondo cada vez mais. Apesar dos citados efeitos, o som da banda é totalmente orgânico e malhões como “Words Of Wisdom”, “One Eyed King” e “Witchburn”, bateram-nos em cima como bate-estacas, revelando a qualidade da banda e do seu álbum de estreia de 2016, “Fire Green” e a mestria da mistura que fazem do stoner com o doom, sem esquecer o elemento psicadélico. A banda agradeceu ao público por ter comparecido mas na realidade era este que estava grato (ainda que algo tímido) perante uma actuação de tal calibre.

A mudança de palco foi relativamente rápida e a timidez citada atrás parece que era algo de outro planeta assim que os The Atomic Bitchwax subiram ao palco. O público fez uma grande recepção à banda que tratou logo de aquecer ainda mais o ambiente com uma intro instrumental que consistia na primeira parte da “In The Flesh” dos Pink Floyd do clássico “The Wall”, banda à qual voltaríamos mais à frente no espectáculo.O power trio demonstrou como seu stoner é do mais rico que existe, onde cabem influências psicadélicas da década de sessenta assim como o tom progressivo da década de setenta e tudo bem coberto com distorção arrastada própria do heavy doom metal. Uma verdadeira sucessão de temas fortes provenientes de todos os momentos da carreira da banda mas foi a performance apaixonada que nos capturou irremediavelmente, principalmente Bob Pantella, o baterista que castigou as peles de forma exemplar.

A banda referiu que era muito bom estar de volta ao nosso país – indo até mais longe dizendo que é o seu país preferido, e por muito que seja algo que se possa dizer todas as noites em paízes diferentes, não deixa de saber bem ao ego lusitano – após a sua passagem pelo Sonic Blast Moledo. A avaliar pela reacção completamente alucinada da plateia a temas como “45”, “Giant” e o inevitável “So Come On”, podemos dizer que os fãs portugueses também sentiram muito a falta da banda.E para assinalar o momento como ainda mais especial, o RCA Club teve a honra de ser o primeiro a ouvir temas do novo álbum, “Force Field”, a sair no próximo dia 8 de Dezembro, sendo que o primeiro foi “Houndstooth”, uma grande malha que descansa os mais preocupados em que houvesse algum desvio de identidade. Outro tema novo revelado foi “Shocker” que surgiu após “War Claw” e “Birth To The Earth”, que contou com a ajuda do público no refrão, e antes do encore, “Shit Kicker” que provocou séria agitação entre a plateia.

Não é que o stoner/doom seja um género ou tenha que ser um género letárgico, mas não deixou de ser impressionante o groove que a banda de Chris Kosnik transpirou naquela noite – e já sabemos que não foi um acaso do destino. Para o encore, muito pedido pelo público ficaram reservadas duas surpresas. Primeiro mais outra versão, aliás, duas, dos Pink Floyd, “Pigs in The Wing” e “Pigs, Three Different Ones” (depois de Finn Ryan ensaiar os acordes da “Shine One Crazy Diamond” a pedido de alguém da assistência) que até arrepiaram pela potência. Stoner progressivo? Lindo! A última surpresa ficou reservada para a última música onde tocaram o tema título do já mencionado novo álbum, colocando um ponto final naquela que foi uma grande noite de música pesada rica em tudo. Segundas-feiras destas… era bom que houvessem todas as semanas.

Texto: Fernando Ferreira
Fotos: Sónia Ferreira
Agradecimentos a Garboyl Lives e Piomeer Music Press

 

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