Road to Vagos – Necrophobic

O death metal sueco tem uma sonoridade bastante própria e estabelecida por muitas bandas que, cada uma à sua maneira, o exportaram para o resto do mundo. Os Necrophobic foram sem dúvida uma dessas bandas, embora tenham sido o caso em que uma certa dose de black metal também se infiltrou, a certo ponto, na sua sonoridade. Tudo começou em 1989 com dois músicos, o baterista Joakim Sterner (o único membro original até aos dias de hoje) e o guitarrista, entretanto falecido em 2013, David Parland que tinham como objectivo criar um tipo de death metal mais obscuro do que aquilo que havia na altura. A inspiração para o baptismo partiu de uma canção dos Slayer no seminal “Reign In Blood”. A eles juntou-se Stefan Zander no baixo e voz e o resultado foi a demo de ensaio “Realm Of Terror” composta apenas pelo tema-título.

Uma sonoridade muito embrionária mas que fez com que a banda ganhasse atenção no underground. Não demorou muito tempo para que a banda voltasse para a segunda demo, juntando ao tema “Realm Of Terror” mais dois novos – o tema-título “Slow Asphyxiation” e “Retaliation”. As bases thrash estavam sempre presentes mas aqui e ali, aquilo que a banda se tinha proposto estava a ser atingido, aos poucos.

O núcleo duro parecia ser mesmo Sterner e Parland, já que para a próxima demo “Unholy Prophecies”, o duo ia recorrer a dois músicos de sessão para gravar as vozes e o baixo. Em termos estilísticos, notava-se a evolução a cada passo criativo dado. Em 1991, o death metal estava no auge e os Necrophobic estavam a fazer a sua parte, com uma terceira demo que evidenciava que estavam prontos para vôos mais altos. “Unholy Prophecies” foi lançada com boa repercussão.

“Unholy Prophecies” também marcou o início da sua ligação com a Wild Rags Records que viria também a lançar o EP em vinil de 1993, “The Call”. Foi neste EP também que conseguiram estabelecer um baixista fixo na figura de Tobias Sidegård. A ele juntou-se Stefan Harrvik na voz e o resultado é clássico, com mais três temas memoráveis a serem apresentados.

No mesmo ano de 1993 mas com um vocalista diferente, Anders Strokirk, e pelas mãos da Black Mark Production, editora dos Bathory, os Necrophobic lançam o seu clássico álbum de estreia “The Nocturnal Silence”, um trabalho que mostrava toda uma capacidade metálica que a concorrência parecia não ter. Também eram notórias alguns arranjos que mais tarde seria comuns no black metal (melódico ou não).

Apesar do excelente trabalho, a instabilidade parece que não havia meio de desaparecer. As raízes underground continuavam sempre presentes e como tal, no ano seguinte, 1994, seria tempo de mais uma demo, desta feita, “Bloodfreezing”, que evidenciava duas guitarras com a entrada de Martin Halfdan, marcando também a saida de Sidegård, com Strokirk a assumir a dupla função de baixista vocalista.

Após desaparecer por dois anos, seria tempo em 1996 de regressarem com mais um EP, novamente pela Black Mark Production. Falamos de “Spawned By Evil” onde apresentaram apenas um tema novo, o tema-título, e três covers de três das suas grandes influências – Slayer, Venom e Bathory. À reedição pela Hammerheart Records abaixo foram juntas covers de Autopsy, Iron Maiden e mais dois temas da já mencionada “Bloodfreezing”

O death metal estava na mó de baixo por volta de 1997, seguindo a tendência geral em relação à música pesada, voltando para o underground e encontrando aí força para florescer novamente. Em termos criativos, os Necrophobic estavam cada vez mais sólidos. “Darkside” foi o segundo álbum editado nesse ano, editado pela Black Mark Production. A presença do black metal era cada vez mais notória mas o death metal estava em igual força e o resultado é um dos seus grandes trabalhos. Foi também o primeiro trabalho com uma nova dupla de guitarristas, com David Parland a ser substituído por Sebastian Ramstedt.

O terceiro álbum, apropriadamente intitulado de “Third Antichrist”, surgiu numa altura em que o black metal estava no seu auge. Não podemos dizer que aqui se nota muito uma aproximação – mais do que aquela audível nos anteriores trabalhos – ao black metal, no entanto este terceiro álbum é um equilíbrio perfeito da sonoridade que a banda tinha vindo a evidenciar e aquilo que  viriam a fazer no futuro próximo.

Apesar de ser um nome respeitado no underground pelos fãs de death metal sueco e também por aqueles que gostavam da mistura com o black metal – os mesmos que apreciam Dissection – podemos dizer que foi em 2002 que a banda subiu mais uns degraus na escada do reconhecimento no underground da música extrema. Com “Bloodhymns” apresentaram o novo guitarrista Johan Bergebäck e uma colecção de temas de death metal blasfemo e clássico. Foi também o primeiro álbum pela Hammerheart Records que depois tratou de reeditar todos os outros até então, incluindo remasterizações.

Como que a aproveitar o bom momento, foi lançado o “Tour EP 2003” que não é mais que uma compilação que junta todas as covers previamente editadas e ainda um tema de cada álbum que a banda lançou até ao momento. “Hrimthursum” foi o quinto álbum que viu a banda com uma nova casa, a Regain Records. Depois de um álbum tão bem recebido, o que fazer de seguida? A solução correcta é invariavelmente algo diferente e foi isso que apresentaram, num álbum que expandiu a sua sonoridade para além do simples death metal sueco enegrecido. Em termos de sonoridade e de composição estes eram uns Necrophobic mais fortes que nunca.

A actividade discográfica por parte da banda foi reduzida nos próximos anos, sendo que apenas 2009 foi editada a compilação “Satanic Blasphemies”, um lançamento polémico e que, segundo a banda, foi lançada sem a banda ser propriamente ressarcida para o efeito. Segundo os Necrophobic, apenas a edição da Hammerheart de 2012 deverá ser considerada oficial. “Satanic Blasphemies” junta as duas primeiras demos e o primeiro EP “The Call”. Apesar de todas estas complicações, “Death To All” saiu igualmente em 2009 pelas mãos da Regain Records.

“Death To All” foi um regresso à pureza do death metal, sem grande parte de todos os arranjos mais sinfónicos do trabalho anterior mas isso não implica ter acabado com a influência do black metal.Em termos de alinhamento, Tobias Sidegård dedicou-se por completo à voz, tendo entrado para a posição de baixista Alex Friberg. Quatro anos de ausência foi o suficiente para mais mudanças, em sonoridade e na formação. Sidegård voltou a dividir a voz com outro instrumento, desta vez a guitarra ritmo.

Mais quatro anos passaram e o regresso implicou mais mudanças no entanto, a sua qualidade não foi beliscada – embora esta não seja uma opinião universal. Raras são. “Womb of Lilithu” vê a banda a voltar a uma sonoridade mais orquestral e deixar a costela black metal mais à superfície. A diversividade e qualidade já são duas coisas que os fãs esperam por esta altura.

Chegando ao momento actual, as mudanças continuariam. Anders Strokirk regressa como frontman e substitui Tobias Sidegård. Também regressa a dupla de guitarristas que tinha saído em 2011, Sebastian Ramstedt e Johan Bergebäck. O primeiro fruto desta nova formação é o EP “Pesta” de 2017 que foi uma pequena amostra do que viria, o novo álbum pela Century Media Records, “Mark Of The Necrogram”, um trabalho mais conciliador do que o anterior e que deixou claro que a banda está mais forte que nunca.

Motivos mais que suficientes para esperar um excelente concerto no Vagos Metal Fest, onde os fãs de death metal sueco em particular e de música extrema em geral não vão sair desiludidos. Já podes comprar o teu bilhete diário para o Vagos Metal Fest 2019 em www.vagosmetalfest.com, bol.pt e locais habituais. O campismo é #gratuito!


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