Road To Vagos – Stratovarius

Um dos grandes nomes de sempre do power metal finlandês, os Stratovarius, praticamente sozinhos, reavivaram o interesse no power metal e influenciaram todoa uma nova geração de músicos que tinha apenas em Helloween de Michael Kiske a sua inspiração. No entanto o início foi bem diferente. A banda começou como Black Water em meados da década de oitenta e com uma sonoridade mais próxima dos Black Sabbath e de Ozzy Osbourne a solo do que daquela que os viria a popularizar. A primeira demo seria lançada em 1987, sob o formato de trio, com Timo Tolkki a assumir a guitarra e voz. O primeiro álbum chegaria dois anos depois, “Fright Night”.

Se a sonoridade era embrionária do som característico da banda, já era possível notar a capacidade técnica de Tolkki e nas influências que tinha de grandes guitarristas como Yngwie Malmsteen e Randy Rhoads onde o neo-clássico era o elemento que se destacava – aliás, até o nome da banda notava a inspiração da banda, pegando nas guitarras Stratocaster que nomes como Blackmore e Malmsteen popularizaram e na mítica marca de violinos, Stradivarius. No entanto, nestes primeiros álbuns, esse estilo não era o que se via reflectido nas músicas da banda. E para mais, a grande limitação era aquela que se iria continuar a notar nos próximos trabalhos. A abordagem e poder vocal de Tolkki.

Em 1991, seria a vez de lançarem “II”, à boa tradição do rock clássico da década de oitenta. Lançado pela Bluelight Records na Finlândia, este segundo álbum vê a banda reduzida novamente à condição de trio, com Tolkki a assumir, além da voz e guitarra, o baixo – apesar de Jari Behm estar creditado no CD como tal, ele que pouco tempo depois seria despedido para dar lugar a Jari Kainulainen. Mais tarde, no mesmo ano, o álbum ganharia distribuição internacional pela Shark Records e teria o nome de “Twilight Time”.

“Dreamspace” foi o terceiro álbum dos Stratovarius e foi possível notar que a banda teria que mudar de rumo porque esta fórmula não os estavam definitivamente a servir. Justiça seja feita, “Dreamspace” é o trabalho mais forte lançado pela banda até então. Forte e ambicioso, apesar das dificuldades vocais de Timo Tolkki. Com essa decisão, a banda também iria mudar de rumo criativo, em direcção à sonoridade mais neo-clássica, com Tolkki a concentrar-se mais na composição. Começou a busca por um novo vocalista e com a entrada de Timo Kotipelto.

“Fourth Dimension” foi o primeiro álbum com Kotipelto e “Against The Wind” foi o primeiro vídeo que a banda lançou. Não podemos dizer que tenha sido uma mudança radical, tratando-se mais de uma transformação gradual. Ainda assim, e comparativamente, há por aqui o início da sonoridade que viria trazer mais sucesso à banda. “Against The Wind” e “Twilight Symphony” foram os temas que mais impacto tiveram nas setlists da banda.

“Fourth Dimension” foi também a despedida do baterista Tuomo Lassila, que estava descontente com a orientação musical que a banda estava a seguir. Antti Ikonen, o teclista, também saiu, o que fez com que os dois membros que entraram fossem as peças que faltassem para elevar os Stratovarius aos píncaros do sucesso e iniciassem a era de ouro do power metal. Jörg Michael que vinha dos Rage e já tinha passado pelos Running Wild e Jens Johansson que vinha da banda de Yngwie Malmseen. O resultado? “Episode”

Um dos álbuns mais clássicos da banda. “Will The Sun Rise?”, “Father Time”, “Speed Of Light”, a excelente instrumental “Stratosphere” e a bela balada “Forever”. É aqui também que a componente orquestral começa a ser usada de forma mais assídua na música dos Stratovarius. Tudo coisas que mostravam como eles estavam prontos para conquistar o mundo. O ritmo editorial frenético também ajudou. Em 1997 já estavam prontos para editar outro álbum, neste caso, “Visions”

Mais um álbum e mais uma mão cheia de sucessos. “Paradise”, “The Kiss Of Judas”, “Black Diamond”, “Forever Free” e a fórmula estabelecida que viria a pontuar pelos próximos álbuns, para o bem e para o mal. Isso e a apetência para alguns temas mais épicos que iriam crescer em número nos próximos trabalhos. “Visions” ficaria na história da banda como o início da sua caminhada pelo sucesso.

Claro que o sucesso de um álbum seria muito bem aproveitado pela banda e pela editora, neste caso a T&T Records e o resultado foi um “Visions Of Europe” que satisfez a sede de todos os que estavam ávidos pelo power metal da banda. Podemos dizer que foi também um dos últimos álbuns ao vivo a ter o impacto tal como nos velhos tempos do hard rock ou heavy metal.

No entanto poderemos dizer que o sucesso desta fase foi superado “Destiny”, o próximo trabalho dos finlandeses. Foi o último álbum a cumprir o ritual de ter um longa duração editado todos os anos – algo que vinha a acontecer desde 1994 – o que serve para colocar em perspectiva o quão a banda estava apostada em conseguir ter sucesso. Ter qualidade e sucesso crescente e cada vez a tocar em mais sítios.

O sucesso foi imediato. No seu próprio país atingiu o primeiro lugar nas tabelas de vendas e um pouco por todo o lado esse sucesso foi crescendo até chamar a atenção de uma Nuclear Blast que estava por esta altura mais que interessada em ampliar o seu catálogo para a nova corrente de power metal. Quanto a “Destiny”, um trabalho arrojado onde juntava boas baladas com temas épicos como o tema-título que abre o álbum e “Anthem Of The World” que surge quase a fechar. Com a despedida da editora T&T Records, saiu a compilação “The Chosen Ones”, uma compilação dos primórdios da banda até então.

“Infinite” foi o trabalho que se seguiu com a banda já na sua nova casa, a Nuclear Blast Records. Tal como anteriormente, este foi um sucesso imediato, com primeiros lugares nas tabelas de vendas a ser atingido. A fórmula, essa, era a mesma dos álbuns anteriores, sendo que aqui volta a ter umas músicas mais orelhudas e não tão progressivas, apesar da “Infinity” andar a rondar os dez minutos. O sucesso anterior foi ampliado a níveis estratosféricos, o que justificou na aposta num formato que se mostrava bem acessível, o DVD. “Infinite Visions” no entanto ia buscar a tradição dos home movies das bandas onde se juntava a componente documentário da banda na estrada e o registar da mesma em cima dos palcos.

Tendo já bastante anos de actividade interrupta, a banda decidiu abrandar o ritmo e como tal lançaram um álbum compilação com lados B, covers e raridades intitulado “Intermission”. Os membros da banda focaram-se noutras coisas ou simplesmente descansaram. Tolkki lançou o seu álbum a solo além de participar na metal opera de Tobias Sammet e Kotipelto também lançou o primeiro trabalho em nome próprio. A expectativa para o lançamento do novo álbum cresceu ainda mais quando se soube que seria um álbum conceptual que inicialmente seria para ser duplo mas depois ficou decidido que seria dividido em duas partes. A primeira parte seria lançada em 2003 e o impacto ficou àquem do desejável embora o sucesso de “Infinite” ainda tenha dado embalo para que as vendas, ainda que inferiores, fossem boas.

A segunda parte seria lançada apenas alguns meses depois – uma decisão que revelou pouca sabedoria já que os danos teriam sido menores se tivesse sido lançado tudo junto – e além do momento para o estilo revelar-se não ser mais ideal que era, as músicas em si, apesar de terem envelhecido melhor do que se esperava, denotavam cansaço em termos de fórmula e alguma falta de criatividade, apesar da ambição e arrojo evidente na abordagem (ainda) mais épica e progressiva.

Infelizmente, a banda também não passou por bons momentos internamente, com Timo Tolkki a apresentar sinais de clara instabilidade e a levar tensões entre os restantes membros da banda. Depois disso, uma estranha jogada de marketing com notícias a serem soltas do despedimento de Kotipelto e da contratação de uma nova vocalista para o seu lugar. Em 2005 foi tudo desmistificado e o auto-intitulado álbum foi lançado pela Sanctuary Records, sendo um dos pontos mais baixos da banda, surgindo esta praticamente irreconhecível sem as suas mais amadas características. As vendas ainda foram moderadamente boas mas a recepção crítica foi particularmente dura.

O baixista Jari Kainulainen foi despedido e para o seu lugar entrou Lauri Porra. A banda ainda começou a trabalhar num novo álbum, “Revolution Renaissance”, mas as tensões internas revelaram diferenças irreconciliáveis e pouco tempo depois Tolkki viria a considerar a banda como extinta. Os temas que tinham sido trabalhados como “Revolution Renaissance” viriam a tornar-se o primeiro álbum da nova banda de Tolkki que entregou os direitos sobre o nome Stratovarius a Kotipelto, Jörg Michael e Johansson. Se Tolkki e o seu novo projecto demonstravam seguir o mesmo caminho do último trabalho da sua banda de sempre (ou seja, sem solos, sem arrojo orquestral ou progressivo), estes estavam apostados em seguir em frente com um novo guitarrista, Matias Kupiainen.

“Polaris” é um álbum nitidamente modesto para os parâmetros de “Destiny” e “Infinite” mas finalmente evidencia a banda na direcção correcta. Kotipelto mais tarde inclusivamente afirmou que se não fosse este trabalho, a certamente teria acabado. No entanto o mal estava feito e a banda acabou por perder quase seis anos com toda a instabilidade e confitos internos. Nova vida, nova editora, agora estavam prontos para voar novamente alto. Algo que podemos dizer que aconteceu com “Elysium” que foi lançado no ano seguinte.

“Elysium” evidencia a banda disposta a correr riscos para evoluir mas também com a preocupação para manter intactas as suas raízes musicais. O trabalho compensou já que o trabalho obteve boas críticas e chegou aos tops de vários um pouco por todo o mundo. Teremos que dar o destaque para o tema-título que é o mais épico que a banda alguma vez fez, um tema com quase vinte minutos de duração. Infelizmente este álbum também seria o último que Jörg Michael tocaria. Chegou-se mesmo a fazer uma digressão de despedida do baterista que depois seria imortalizada em CD/DVD – “Under Flaming Winter Skies – Live in Tampere (The Jörg Michael Farewell Tour)”

 Depois de uma busca pelo novo baterista, a escolha recaiu em Rolf Pilve e a banda arrancou para o seu décimo quarto álbum “Nemesis” que evidenciou aquilo que já era mais que claro: não só a banda não estava dependente unicamente do seu passado como não os prendia para continuar a seguir em frente com trabalhos valorosos. Temas fortes, dinâmicas invejáveis e a banda coesa como nunca, resultaram num álbum que mais uma vez viu os Stratovarius a expandirem novamente o seu raio de influência nesta sua terceira era.

Sabiamente, a banda não se deixou deslumbrar, tal como anteriormente. Tinham estabelecido a meta de lançar um novo álbum em 2014, apenas um ano após de “Nemesis”, mas chegada a essa data concluíram que não tinham músicas fortes o suficiente para aquilo que era esperado dos Stratovarius. Após algum desânimo, foi graças às actuações ao vivo (e à energia recebida do público) que a banda ganhou inspiração e força para voltar ao estúdio. O resultado foi “Eternal”, mais um trabalho forte que contou com a colaboração de Jani Liimatainen, dos Cain’s Offering, super banda finlandesa que conta com Kotipelto e Johansson entre outras estrelas do país dos mil lagos.

Digressões por todo o mundo e um excelente momento de forma, no qual a banda aproveitou para lançar mais um best of e uma segunda parte para “Intermission”, desta feita chamada de “Enigma: Intermission 2” onde revelaram três novos temas entre lados b, raridades e versões arquestrais.

Um longo historial e uma enorme fonte de power metal qualidade que estará à disposição da banda para quando subirem ao palco principal do Vagos Metal Fest.

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